Gentianaceae

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Gentiana lutea

Gentiana lutea
Classificação científica
Reino: Plantae
Divisão: Magnoliophyta
Classe: Magnoliopsida
Ordem: Gentianales
Família: Gentianaceae
Géneros
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A Gentianaceae é uma família da ordem Gentianales, sendo ela a terceira maior família da ordem, possui distribuição em quase toda a parte da terra salvo exceção a Antártica, sua maior ocorrência é na região temperada, apesar das Américas do Sul e Central conterem a maior diversidade genérica. Os representantes desta família apresenta grande diversidade morfológica, quanto ao hábito podem ser árvore, arbusto, trepadeira e ervas (maior número). A maioria dos representantes são autotróficas, porém existem espécies saprófitas.

Etimologia[editar | editar código-fonte]

O nome da família vem do gênero Gentiana L., em homenagem a memória do Gentio, filho de Pleuratos III, Rei de Líria (atual Albânia).

Descrição[editar | editar código-fonte]

A maioria das espécies da família são autotróficas, embora existam representantes saprófitas (como Cotylanthera Blume, Voyria Aubl.). A venacao das folhas, em geral é acródroma, mas há espécies em que a venacao é pinada e geralmente broquidódroma (e. g. Macrocarpaea Gilg, Tachia Aubl.). As flores apresentam-se normalmente agrupadas em inflorescência, entretanto há casos em que são solitárias (e.g. Saccifolium Maguire & Pires, Voyria). As flores são frequentemente tetrâmeras ou pentâmeras, ocorrendo também flores trímeras (Pycnosphaera Gilg), hexâmeros (e.g. Prepusa, Senaea Taub.) e 8-16 meras (e.g. Anthocleista, Potalia). Usualmente a corola é actinomorfa, embora haja espécies com corolas zigomorfas (e.g. Chelonanthus Gilg, Symbolanthus). A coloração do cálice pode variar entre verde, alva, amarela, laranja ou vinho e a corola entre azul, roxa, rosa, vermelha, amarela, alva ou verde. O fruto é frequentemente seco e de paredes finas, mas também pode ser fibroso ou coriáceo, como em Symbolanthus, ou carnoso, como em Chironia L. e Potalia. Apesar da grande variedade em sua morfologia, as principais características da família são: folhas opostas, ausência de látex e estípulas, presença de coléteres, filetes adnados a corola, gamopétala com perfloração contorcida (ou sem prefloração valvar ou imbricada), ovário súpero (ou ausência de ovário ínfero), bicarpelar. Em meio a todas essas características que facilita o reconhecimento da Gentianaceae, a única exclusiva da família é a placentação do tipo parietal.

Distribuição[editar | editar código-fonte]

A Gentianaceae é uma família que se distribui praticamente por todas as regiões do globo (exceto Antártica), ocupando uma grande variedade de habitats e apresentando uma grande variedade morfológica.

Caracteres evolutivos[editar | editar código-fonte]

O grupo mais basal da Genciana é o Saccifolieae, em seguida na árvore genealógica ramificada é o Exaceae, seguido por Chironieae. As três tribos Gentianeae, Helieae e Potalieae tem aproximadamente a mesma idade, porém ainda é incerto. Para uma definição correta é necessário, uma análise mais detalhada com base na sequencia de DNA.

Reprodução[editar | editar código-fonte]

As representantes da família Gentianaceae geralmente são bissexuais, podem ser polinizadas por abelhas, besouros, beija-flor. As frutas podem serem dispersas por mamíferos ou até mesmo pelo vento.

Importância econômica[editar | editar código-fonte]

Medicina: Algumas espécies dessa família tem grande utilidade medicinal (anti-fungico, anti-inflamatório, problemas intestinais, contra malária, reduz a febre, antidiabético, estimulante de apetite, controlador de hipertensão... ).

Bebida: Utilizadas como componente na fabricação de bebidas alcoólicas (Amaro Lucano- Italia, Amer Picon- Inventado em 1837 por um frances vivendo na Belgica, Appenzeller- Suíca, Campari- Italia... ).

Perfumes e loções: Vários perfumes e produtos para cuidado da pele possui extrato de Genciana (Grain de Folie –perfume- by Sephora, Swiss Army -perfume, Zen - perfume, by Shiseido... ).

Arte: Selos, moedas, cartões postais, símbolos e logos de empresas (Centaurium- Centaury Natural Health (company), Exacum- Ex-Plant, Gentiana- Enzian Motorsportklub, Gentiana - 27th Brigade d'Infanterie de Montagne, France...).

Horticultura e Floricultura: Muitas espécies da família são cultivadas para uso em ornamentação (como Eustoma Salisb., Exacum L., Gentiana L. e Sabatia Adans...).

Construção: Madeira para construção (Fagraea).

Conservação[editar | editar código-fonte]

No atual momento, a principal estratégia para conservação da natureza é a identificação e a manutenção de áreas protegidas que contenham espécies endêmicas e espécies ameaçadas de extinção. No Domínio Atlântico, a comunidade científica reconhece 637 espécies de angiospermas ameaçadas de extinção, onde 110 estão inseridas na categoria Criticamente em Perigo, 151 Em Perigo e 376 Vulnerável. Dentre as 41 espécies da família Gentianaceae encontradas na Mata Atlântica de domínio Brasileiro 4 estão listadas na categoria de ameaça, onde 2 encontra-se Em Perigo e 2 Criticamente em Perigo.

Potencial ornamental[editar | editar código-fonte]

Algumas espécies da família Gentianaceae podem ser cultivadas em jardins de clima temperado, tanto em regiões tropicais como em regiões temperadas. As espécies mais cultivadas na zona temperada são as do gênero Getiana. Nos estados unidos é comum encontrar vasos de plantas com Lisianthius latina. A violeta persa (Exacum affine), é mais comumente encontrada na Ásia Tropical.

Gêneros[editar | editar código-fonte]

São encontrados no Brasil 30 gêneros, 114 espécies (50 endêmicas), 1 subespécie (1 endêmica), 8 variedades (1 endêmica)

Encontra-se destacados todos os gêneros encontrados no Brasil:

Referências[editar | editar código-fonte]

Albert, V.A. & Struwe, L. 2002. Gentianaceae – Systematics and Natural History. Cambridge Univerty Press, Cambridge.

Calió, Maria Fernanda Aguiar - Sistemática de Helieae Gilg (Gentianaceae). Sao Paulo: M. F. A. C., 2009.

Catálogo de plantas e fungos do Brasil, volume 2 / [organização Rafaela Campostrini Forzza... et al.]. - Rio de Janeiro : Andrea Jakobsson Estúdio : Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro, 2010.

Fundação Biodiversitas. 2009. Lista da flora brasileira ameçada de extinção. Disponível em <http://www.biodiversitas.org.br/floraBr/>. Acessado em 15 junho 2009.

Heywood, V. H. & Iriondo, J. M. 2003. Plant conservation: old problems, new perspectives. Biological Conservation 113: 321-335.

Meszaros, S.; Laet, J. & Smets, E. 1996. Phylogeny of temperate Gentianaceae: a morphological approach.Systematic Botany 21(2): 153-168.

Plantas da Floresta Atlântica / Editores João Renato Stehmann ... [et al.]. – Rio de Janeiro: Jardim Botânico do Rio de Janeiro, 2009.

Sousa, V.C. & Lorenzi, H. 2005. Botânica Sistemática. São Paulo, Instituto Plantarum de Estudos da Flora Ltda.

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