George Bernard Shaw

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George Bernard Shaw Medalha Nobel

George Bernard Shaw
George Bernard Shaw, em 1934
Nascimento 26 de julho de 1856
Dublin, Leinster
 Irlanda
Morte 2 de novembro de 1950 (94 anos)
Ayot St Lawrence, Inglaterra
 Reino Unido

George Bernard Shaw (Dublin, 26 de julho de 1856Ayot St Lawrence, 2 de novembro de 1950) foi um dramaturgo, romancista, contista, ensaísta e jornalista irlandês. Cofundador da London School of Economics, foi também o autor de comédias satíricas de espírito irreverente e inconformista.

Shaw irritou-se com o que percebeu como a exploração da classe trabalhadora. Socialista ardente, escreveu muitos folhetos e discursos para a Socialismo fabiano. Tornou-se um orador dedicado à promoção de suas causas, que incluem ganhar direitos iguais para homens e mulheres, aliviando os abusos da classe trabalhadora, rescindindo a propriedade privada de terras produtivas e promover estilos de vida saudáveis. Por pouco tempo ele era ativo na política local, servindo no London County Council.

Ele e o cantor Bob Dylan são os únicos premiados com um Prêmio Nobel de Literatura (1925) e um Óscar (1938), por suas contribuições para a literatura e para o seu trabalho no filme Pygmalion (adaptação de sua peça de mesmo nome), respectivamente. Shaw quis recusar o Prémio Nobel diretamente, pois ele não tinha desejo de honrarias públicas, mas aceitou-o a mando de sua esposa: ela considerou uma homenagem à Irlanda. Ele fez rejeitar o prêmio em dinheiro, pedindo-lhe ser utilizado para financiar tradução de livros suecos para o Inglês.[1]

Vida e obra[editar | editar código-fonte]

George Bernard Shaw nasceu em 26 de julho de 1856, em Synge Street, em Dublin. Filho de George Carr Shaw (1814-1885), e Elizabeth Lucinda Gurly (1830-1913), uma cantora profissional. Ele nasceu numa tradicional mas empobrecida família protestante,[2] foi de início instruído por um tio, mas rejeitou a educação escolar e aos 16 anos empregou-se em um escritório. Adquiriu amplo conhecimento artístico graças à mãe, Lucinda Elizabeth Gurly Shaw, e às frequentes visitas à Galeria Nacional da Irlanda. Decidido a se tornar escritor, foi morar em Londres em 1876, porém por mais de dez anos seus romances foram recusados por todos os editores da cidade, assim como a maior parte dos artigos enviados à imprensa. Tornou-se vegetariano, socialista, orador brilhante, polemista e fez as primeiras tentativas como dramaturgo.

Em 1885 conseguiu um trabalho fixo na imprensa e, durante quase uma década, escreveu resenhas literárias, críticas de arte e brilhantes colunas musicais. Sua atividade literária, em especial a produção teatral, foi uma sequência de sucessos; destacou-se também na crítica literária, teatral e musical, na defesa do socialismo, criação de panfletos, ensaios sobre assuntos políticos, econômicos e sociais, sendo ainda um prolífico epistológrafo. Como crítico de teatro da Saturday Review (1895), atacou insistentemente a pobreza qualitativa e artística da produção teatral vitoriana.

Durante a Primeira Guerra Mundial, interrompeu sua produção teatral e publicou um polêmico panfleto, Common Sense About the War, no qual considerava o Reino Unido, os aliados e os alemães igualmente culpados e reivindicava negociações de paz.

Recusou o Nobel de Literatura de 1925 e, em suas últimas peças, intensificou as pesquisas com a linguagem não-realista, simbolista e tragicômica. Por cinco anos deixou de escrever para o teatro e dedicou-se ao preparo e publicação da edição de suas obras escolhidas (1930-1938), e ao tratado político The Intelligent Woman's Guide to Socialism and Capitalism (1928). A sua correspondência também foi publicada, destacando-se a troca de cartas com o escritor H. G. Wells.

Faleceu em 02 de novembro de 1950. Seu corpo foi cremado e suas cinzas juntamente com de sua esposa foram misturadas e lançadas no jardim de sua casa ao longo da estátua de Joana d'Arc em Shaw's Corner, Hertfordshire na Inglaterra.[3]

Polêmicas[editar | editar código-fonte]

Em The Soviet Story do documentarista Edvins Snore, Shaw aparece defendendo os nazistas e o extermínio de todos os "parasitas sociais" em vídeo, pessoas não adaptadas e inúteis para a sociedade, segundo seus conceitos. Ele também foi conhecido pela clara apologia ao Socialismo, mesmo no período mais tenebroso da URSS, como durante o genocídio ucraniano Holodomor.[4]

No mesmo documentário, são exibidas provas documentais de sua apelação no jornal londrino Listener em 1933, para que os químicos da época desenvolvessem um gás letal com a finalidade de matar seres humanos "inadequados".

Obras[editar | editar código-fonte]

  • Um socialista insociável (1883) - no original An unsocial socialist
  • The Quintessence of Ibsenism (1891)
  • Widower's Houses (1892)
  • A profissão da sra. Warren (1893) - no original Mrs. Warren's Profession
  • Candida (1894)
  • O famoso ídolo (1896) - no original Cashel Byrons professional
  • Plays Pleasant and Unpleasant (1898)
  • Three Plays for Puritans (1901)
  • The Devil's Disciple (1897)
  • Caesar and Cleopatra (1901), citada com sua primeira grande obra
  • John Bull's Other Island (1904)
  • Casamento desigual (1905) - no original Irrational knot
  • Man and Superman (1905)
  • Major Barbara (1905)
  • The Doctor's Dilemma (1906, adaptada para o cinema em 1958)
  • Pigmaleão (1913) - no original Pygmalion, sua peça mais conhecida e que inspirou o filme homônimo (1938) e o musical My Fair Lady (1956), adaptado para o cinema em 1964.
  • Heartbreak House (1920)
  • Back to Methuselah (1922)
  • Saint Joan (1923)

Referências

  1. Gibbs, A. M. (2005). Bernard Shaw: A Life (em inglês) (Gainesville, Florida: University Press of Florida). p. 375–376. ISBN 0-8130-2859-0. Consultado em 02 de novembro de 2012. 
  2. «The Progressive». George Bernard Shaw (em inglês) (Nova Iorque: J Lane & Co). 1909. 
  3. George Bernard Shaw (em inglês) no Find a Grave
  4. Holroyd, Michael (1989). Bernard Shaw Vol. II The Pursuit of Power (em inglês) (Nova Iorque: Random House, Inc.). p. 354. ISBN 0-394-57553-9. 

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Brown, G.E. "George Bernard Shaw". Evans Brothers Ltd, 1970
  • Chappelow, Alan. "Shaw the Villager and Human Being — a Biographical symposium", with a preface by Dame Sybil Thorndike (1962). "Shaw — the 'Chucker-Out", 1969. ISBN 0-404-08359-5
  • Elliot, Vivian. "Dear Mr Shaw Selections from Bernard Shaw's postbag" Bloomsbury, 1987 ISBN 0-7475-0256-0 . With an introduction by Michael Holroyd
  • Evans, T.F. "Shaw: The Critical heritage". The Critical Heritage series. Routlege & Kegan Paul, 1976
  • Gibbs, A.M (Ed.). "Shaw: Interviews and Recollections".
  • Gibbs, A.M. "Bernard Shaw, A Life". University of Florida Press, 2005. ISBN 0-8130-2859-0

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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Precedido por
Władysław Reymont
Nobel de Literatura
1925
Sucedido por
Grazia Deledda
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