George S. Patton

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George S. Patton
Tenente general Patton, na França em 1944
Nome completo George Smith Patton Jr.
Outros nomes "Bandito"
"Old Blood and Guts"
"The Old Man"
Nascimento 11 de novembro de 1885
San Gabriel, Califórnia
Morte 12 de setembro de 1945 (60 anos)
Heidelberg, Alemanha
Nacionalidade Povo dos Estados Unidos norte-americano
Progenitores Mãe: Ruth Wilson
Pai: George Smith Patton Sr.
Cônjuge Beatrice Banning Patton
Filho(s) Beatrice Smith Patton
Ruth Ellen Patton
George Smith Patton, IV
Alma mater Academia de West Point
Ocupação Militar
Serviço militar
Lealdade  Estados Unidos
Serviço Estados Unidos US Army
Tempo de serviço 1909–45
Patente US-O10 insignia.svg General
Unidades ArmyCAVBranchPlaque.png Cavalaria
Comando 7º Exército
3º Exército
15º Exército
Batalhas/Guerras
Condecorações Cruz de Serviços Distintos (2)
Medalha de Serviços Distintos (3)
Estrela de Prata (2)
Legião do Mérito
Estrela de Bronze
Coração Púrpura
Assinatura
George S Patton Signature.svg

George Smith Patton, Jr. (São Gabriel, 11 de novembro de 1885Heidelberg, 21 de dezembro de 1945) foi o general do 3º Exército dos Estados Unidos durante a Segunda Guerra Mundial. Conhecido como "Old Blood and Guts", era amado e odiado pelos seus soldados[1]. Amado por ser considerado um guerreiro nato e odiado pelo fato de ser rígido ao ponto de não admitir que seus soldados sofressem fadiga: "este é um santuário para guerreiros, tirem estes covardes daqui, eles fedem" declarou certa vez[1] sobre internados por fadiga de batalha na tomada de Palermo ao visitar um dos hospitais de campanha montados para receber os feridos.

Foi cotado para ser o líder da operação Overlord, mas perdeu o cargo para o seu então vice-comandante Omar Bradley.[2] Patton, então, comandou o avanço do 3º Exército dos EUA (Operação Cobra) durante os anos de 1944 e 1945, quando seus homens cruzaram a Europa numa velocidade espantosa, libertando cerca de 12 mil cidades e povoados.

Num curto intervalo de tempo percorreram 2 mil quilômetros e reconquistaram 200 mil quilômetros quadrados de território. Patton e sua tropa fizeram 1,2 milhão de prisioneiros, deixando igualmente para trás 386 mil feridos e mais de 144 mil soldados mortos. Em resumo, retiraram de combate mais de 1,8 milhão de soldados inimigos. Estes números tão impressionantes muito se devem a dois dos principais traços da sua personalidade: a capacidade de liderança e a extrema ousadia para ignorar ordens superiores.

Por trás do general sisudo escondia-se um homem de contrastes[1]. De um lado, um herói americano: patriota, casado, pai de duas filhas e dono de um bull terrier chamado Willie. De outro, um homem cheio de extravagâncias: falava francês, fazia poesias e gostava de desenhar seus uniformes, usava uma pistola Colt 45 com cabo revestido de marfim e suas iniciais gravadas em preto, mas xingava "como um caminhoneiro". Acreditava em reencarnação. Jurava ter lutado em Troia, tomado parte das legiões romanas de Júlio César contra Vercingetórix, ter sido o comandante cartaginês Aníbal Barca e ter participado das guerras napoleônicas. Orava de joelhos; como prova de sua religiosidade, pode-se conferir em seu livro autobiográfico, escrito durante as batalhas, intitulado "A guerra que eu vi", que certa vez pediu a um capelão que fizesse uma oração pedindo a Deus que melhorasse o clima, para que assim a operação prevista continuasse em andamento. Como tal oração de fato surtiu o efeito esperado, Patton condecorou o capelão alegando que este tinha "boas relações com Ele lá em cima". Era um dos generais mais ricos do exército dos Estados Unidos e foi graduado pela Academia Militar de West Point. Patton mais tarde seria acusado (após sua morte) de acumular relíquias da guerra, tais como um canhão, em sua residência, entre outras coisas.

Patton, pouco antes do fim da Segunda Grande Guerra Mundial, disse que era preciso atacar os bolcheviques, pois esses iriam "armar" algo (filme "Patton: Rebelde ou Herói?"). Esse "algo" acabou se transformando na Guerra Fria. Patton pagou por ter uma personalidade que não lhe permitia ficar calado sob quaisquer circunstância. Certa vez disse[3], referindo-se à guerra, "Deus que me perdoe, mas eu amo isso" enquanto observava juntamente com seus subordinados um recente campo de batalha. Destacava-se dos demais generais, da época e da atualidade, pois frequentemente era visto nos fronts das batalhas. Um dos seus maiores feito foi libertar a 101ª divisão Aerotransportada da floresta de Ardenas, no que ficou conhecido como Cerco de Bastogne, embora os militares desta divisão tenham alegado nunca terem precisado ou pedido sua ajuda para sair de lá (série Band of Brothers (em DVD), Entrevistas, Disco 6).

Biografia[editar | editar código-fonte]

Patton nasceu em 11 de novembro de 1885, em San Gabriel na Califórnia, filho de George Smith Patton Sr. e de sua esposa Ruth Wilson. Sua bisavó era de uma família da aristocracia galesa, descendente lordes galeses de Glamorgan,[4] que possuíam uma extensa tradição militar. Patton acreditava que em vidas passadas ele teria sido um soldado e acreditava que tinha laços místicos com seus antepassados.[5][6][7][8] Patton traçou a arvore genealógica de seus antepassados ingleses da época colonial e embora não diretamente, era descendentes de George Washington.[9][10] Ele também era descendente do rei da Inglaterra Eduardo I, filho de Edmundo de Woodstock, 1º Conde de Kent.[9][10] Segundo uma crença familiar, os Pattons eram descendentes de dezesseis barões que haviam assinado a Carta Magna.[11]

Patton também era descendente de Hugh Mercer, que tinha sido morto na batalha de Princeton durante a Revolução Americana. O avô paterno de Patton era o coronel George S. Patton Sr., que comandou a 22ª de Infantaria Confederada da Virgínia sob o comando Jubal Early no início da Guerra Civil Americana, sendo morto na Terceira Batalha de Winchester, enquanto seu tio-avô, o coronel Waller T. Patton, foi morto enquanto liderava a 7ª Infantaria Confederada da Virginia na Pickett’s Charge, durante a batalha de Gettysburg. O pai de Patton estudou no Instituto Militar da Virgínia (VMI), tornou-se um advogado e mais tarde o procurador do Condado de Los Angeles. O avô materno de Patton foi Benjamin Davis Wilson, que havia sido prefeito de Los Angeles e um comerciante bem sucedido.[12]

Educação[editar | editar código-fonte]

Patton no Instituto Militar da Virgínia

Patton foi educado em casa até a idade de onze anos, quando ele foi inscrito no colégio Stephen Clark, uma escola particular em Pasadena. Patton foi descrito como um rapaz inteligente e extremamente interessado em história militar, especialmente nos feitos de Aníbal, Cipião Africano, Júlio César, Joana d'Arc e Napoleão Bonaparte.[13] Patton era hábil e dedicado a equitação.[4]

Patton nunca considerou seriamente uma outra carreira que não fosse a militar.[4] Aos dezessete anos, ele escreveu uma carta ao Senador Thomas R. Bard, pedindo uma recomendação para ingressar na Academia Militar dos Estados Unidos. Bard pediu a Patton que fizesse um exame de admissão. Temendo um mau desempenho, Patton e seu pai procuraram universidades com programa preparatório para corpo de treinamento de oficiais da reserva. Patton foi aceito na Universidade de Princeton, mas decidiu ingressar no Instituto Militar da Virgínia.[14] Frequentou o "VMI" entre 1903-1904, aperfeiçoou sua leitura e escrita e tornou-se um membro da fraternidade Kappa Alpha Order. Em 3 de março de 1904, depois de Patton enviar novamente cartas mostrando um bom desemprenho preparatório, o senador Bard lhe deu uma recomendação para West Point.[15]

Em seu primeiro ano na academia, Patton não teve problemas para se ajustar a rotina militar de treinamento,[16] mas seu desempenho acadêmico era fraco e foi obrigado a repetir o primeiro ano depois de ter falhado em matemática.[17] Patton dedicou-se ao estudo durante toda suas férias de verão e ao retornar, mostrou um aperfeiçoamento acadêmico substancial. No restante de sua graduação na academia, Patton se destacou em exercícios militares, mas seu desempenho acadêmico permaneceu na média. Juntou-se ao time de futebol, mas machucou o braço e deixou a jogar em várias ocasiões e entrou para os times de esgrima e atletismo,[18] tonando-se rapidamente um dos melhores espadachins da academia.[19] Patton concluiu sua graduação na Academia em 11 de junho de 1909 como oficial, recebendo a patente de segundo tenente de cavalaria.[20]

Vida pessoal[editar | editar código-fonte]

No verão de 1902, durante uma viagem familiar para a Ilha de Santa Catalina, Patton conheceu Beatrice Banning Ayer, filha de Frederick Ayer, um industrial de Boston.[14] Os dois casaram em 26 de Maio de 1910 em Beverly Farms, Massachusetts. Eles tiveram três filhos, Beatrice Smith (nascida em março 1911),[21] Ruth Ellen (nascida em fevereiro 1915),[22] e George Patton IV (nascido em dezembro de 1923).[23]

Expedição Pancho Villa[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Expedição Pancho Villa

Em 1915, foi atribuído a Patton a patrulha da fronteira norte-americana com o México, junto com o comando da 8ª Cavalaria com sede em Sierra Blanca.[24][25]

Em março de 1916, forças mexicanas leais a Pancho Villa cruzaram o Novo México e atacaram a cidade fronteiriça de Columbus. Após a violenta ação em Columbus, os Estado Unidos lançaram uma expedição punitiva ao México em busca de Pancho Villa. Inconformado ao descobrir que sua unidade não iria participar, Patton apelou para o comandante da expedição, o general John J. Pershing e foi nomeado como auxiliar pessoal do comandante da expedição. Isto significava que Patton teria um papel na organização da expedição e seu entusiasmo e dedicação à tarefa impressionariam Pershing.[26][27] Patton aprimorou muito de seu estilo de liderança, depois que Pershing o favoreceu em ações fortes e decisivas de comandando durante a expedição.[28][29] Como assessor, Patton supervisionou a logística de transporte e atuou como mensageiro pessoal de Pershing.[30]

Em meados de abril, Patton pediu a Pershing uma oportunidade de comandar as tropas e a ele foi dado o comando da "Tropa C" da 13ª Cavalaria, com a missão de ajudar na caçada a Villa e seus subordinados.[31] Sua primeira experiência de combate veio em 14 de maio de 1916, o que se tornaria o primeiro ataque motorizado na história de guerra dos Estados Unidos. Uma força sob seu comando de dez soldados e dois guias civis, junto com a 6ª Infantaria, surpreenderam três homens de Villa durante uma expedição de forrageamento, matando Julio Cárdenas e dois de seus guardas.[27][32] Não ficou claro se Patton pessoalmente matou qualquer um dos homens, mas a ele foi atribuído o fato de ter ferido os três.[33] O acontecimento ganhou grande destaque nos meios de comunicações, gerando elogios a Patton.[27][34] Em 23 de maio de 1916, Patton foi promovido a primeiro-tenente e alocado na 10ª Cavalaria.[24] Patton permaneceu no México até o final do ano. O Presidente Woodrow Wilson havia proibido a expedição de realizar patrulhas agressivas dentro de território mexicano, assim permaneciam acampados na maior parte do tempo. Em outubro, Patton retirou-se brevemente da expedição, logo após ser queimado por uma explosão de uma lâmpada de gás, onde ficou levemente ferido.[35] Patton retornou permanentemente a expedição em fevereiro de 1917.[36]

Primeira Guerra Mundial[editar | editar código-fonte]

Após a Expedição Pancho Villa (14 de Março de 1916 - 7 de Fevereiro de 1917) os EUA entram para a Primeira Guerra Mundial e John J. Pershing é nomeado Comandante das Forças Expedicionárias Americanas (FEA ou AEF na sigla inglesa), George Patton pediu para se juntar a equipe de J. Pershing[27] e foi promovido a capitão em 15 de maio de 1917, partindo para a Europa em 28 de maio entre os 180 homens do grupo avançado de Pershing que chegou em Liverpool no dia 8 de junho.[37] Tomado como assessor pessoal de John Pershing, supervisionou o treinamento das tropas americanas em Paris até setembro daquele ano, em seguida, mudou-se para Chaumont onde lhe foi atribuído um posto de ajudante, auxiliando a empresa sede a supervisionar a base. Patton estava insatisfeito com o cargo e começou a se interessar por tanques, assim J. Pershing deu-lhe o comando de um batalhão de infantaria.[38]

O então Major Patton em 1918, na França. Atrás dele, um tanque Renault FT

Em 10 de novembro de 1917, Patton foi designado para estabelecer a Escola de Combate Leve das Forças Expedicionárias Americanas[27] e foi promovido a major em 26 de janeiro de 1918.[39]

George Patton treinou tripulações dos tanques para operar em apoio de infantaria[40] e foi promovido a tenente-coronel em 3 de abril de 1918, e frequentou o Colégio Maior de Generais do Comando do Exército dos Estados Unidos em Langres.[41]

Em agosto de 1918, ele foi colocado no comando da 1ª Brigada Provisória de Tanques (renomeada Brigada de Tanques 304 em 06 de novembro de 1918). George Patton supervisionou pessoalmente a logística dos tanques de sua brigada em seu primeiro uso em combate por forças norte-americanas, e reconheceu áreas-alvo para seu primeiro ataque próprio, ele ordenou que durante as batalhas nenhum tanque dos Estados Unidos fosse entregue.[41][42] Durante a batalha de Saint-Mihiel, estava no comando de tanques Renault FT tripulados por americanos, ao lado dos 275 tanques com as tropas francesas.[43] A batalha cessou em 12 de setembro de 1918 com os americanos e franceses vitoriosos. A audácia de comandantes como Patton, que lideravam seus homens ficando na linha de frente, influenciou de forma primordial o resultado da batalha. A brigada de Patton foi deslocada pelo general Pershing para auxiliar os americanos na Ofensiva Meuse-Argonne.[43] Liderou pessoalmente uma tropa de tanques dentre a névoa espessa em linhas alemãs, George Patton foi ferido na coxa esquerda enquanto levava seis homens e um tanque a um ataque contra metralhadoras alemãs perto da cidade de Cheppy.[44][45]

Ainda durante o confronto, Patton comandou a batalha de um buraco por mais uma hora antes de ser evacuado por conta do ferimento. Ele ainda parou em um posto de comando para apresentar o seu relatório antes de ir para um hospital. Mais tarde foi condecorado com a Cruz de Serviços Distintos.[46]

Enquanto se recuperava de seu ferimento na coxa, Patton foi promovido a coronel no Corpo de Tanques do Exército Nacional Americano em 17 de outubro. Ele voltou ao dever em 28 de outubro, mas não viu nenhuma ação adicional e seus esforços terminaram com o armistício de 11 de novembro de 1918.[47]

Ao final da guerra, Patton havia adquirido duas condecorações: A Cruz de Serviços Distintos por seu trabalho em Cheppy e a Medalha de Serviços Distintos por sua liderança na escola de brigada e tanques. A guerra também lhe deu outra condecoração, o Coração de Púrpura, esse criado apenas em 1932, premiava heróis que morriam ou eram feridos em combate, no caso de Patton por seu ferimento na coxa durante a Ofensiva Meuse-Argonne.[48]

Segunda Guerra Mundial[editar | editar código-fonte]

Campanha na Africa do Norte[editar | editar código-fonte]

Patton (esquerda) ao lado do Contra-almirante Henry Kent Hewitt, a bordo do USS Augusta, na costa da África do Norte em Novembro 1942.
Ver artigos principais: Operação Tocha e Campanha da Tunísia

Sob comando do general Dwight D. Eisenhower, Patton foi designado para ajudar no planejamento da invasão aliada no Norte da África Francesa, como parte da Operação Tocha no verão de 1942.[49][50] Patton comandou a Força-Tarefa Ocidental, liderando 33.000 homens em 100 navios desembarcando na cidade de Casablanca, no Marrocos. Os desembarques aconteceram em 8 de Novembro de 1942 e no desembarque foram confrontados pelo exercito de Vichy, mas os homens de Patton rapidamente tomaram a praia, três dias depois a cidade foi tomada pelos aliados e Patton negociou um armistício com o general francês Charles Nogues.[51][52] O sultão do Marrocos ficou tão impressionado, que condecorou Patton com a Ordem do Ouissam Alaouite, na medalha estava escrito; "Les Lions dans leurs tanières tremblent en le voyant approcher"' (Os leões em suas tocas irão tremer diante de sua chegada).[53] Patton supervisionou a criação de um "Porto Militar" em Casablanca e organizou a Conferência de Casablanca, em janeiro de 1943.[54]

Em 6 de março de 1943, após a derrota do U.S. II Corps para os alemães da Afrika Korps, comandados pelo Generalfeldmarschall Erwin Rommel na batalha de Kasserine Pass, Patton substituiu o Major General Lloyd Fredendall como comandante geral do U.S. II Corps e foi promovido a tenente general. Logo depois, Omar Bradley foi transferido para o seu corpo de exército como seu vice-comandante.[55] Com ordens para formar uma ação para atacar e desmoralizar o inimigo dentro de 10 dias, Patton imediatamente introduziu mudanças radicais sobre seus comandados.[56] Seu estilo de liderança intransigente é evidenciado por suas ordens duras e palavras fortes para com seus subordinados.[57]

A formação de Patton foi eficaz e em 17 de Março a 1ª Divisão de Infantaria dos Estados Unidos tomou Gafsa, vencendo a batalha de El Guettar. Em 5 de abril, Patton removeu o Major-general Orlando Ward do comando da 1ª Divisão Blindada, após seu fraco desempenho em Maknassy contra forças alemãs que estavam numericamente inferiores. Durante seu avanço a Gabès, seu corpo ficou pressionado na Linha Mareth[56] e durante este período, Patton relatou ao comandante do Exército Britânico Harold Alexander, sobre a falta de apoio aéreo aproximado fornecido para suas tropas, entrando em conflito com Vice-Marechal-do-ar Arthur Coningham, que negava que isto estivesse acontecendo. Coningham enviou três oficiais a sede do comando de Patton para persuadi-lo de que os britânicos estavam fornecendo apoio aéreo amplo, mas durante o encontro, Patton e os oficiais britânicos ficaram sob um forte ataque aéreo alemão e parte do teto de seu escritório desabou ao seu redor.[58] Logo após o ocorrido, suas forças chegaram a Gabès e encontraram a cidade abandonada pelo alemães e Patton deixou o comando do U.S. II Corps para Bradley e retornou para o I Corpo blindado em Casablanca para ajudar no planejamento da Operação Husky. Temendo que as tropas norte-americanas fossem colocadas de lado pelos aliados, Patton convenceu os comandantes britânicos a permitir que ele continuasse até ao fim na Campanha da Tunísia.[58][59]

Campanha na Sicília[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Invasão aliada da Sicília

Como reconhecimento, o general Eisenhower concedeu[carece de fontes?] a Patton o comando do 7º Exército na Operação Husky, que liberou as cidades de Messina e Palermo do controle nazista e para o desembarque das tropas aliadas na Sicília, sul da Itália. Ali, a rivalidade entre o general Patton e o general britânico Bernard Montgomery havia se acirrado. Na Sicília, a ordem era clara: Patton deveria defender os flancos de Montgomery, que avançaria até a cidade de Messina, cuja localização norte era estratégica, encurralando o inimigo e impedindo uma retirada organizada. Patton não aceitou a ideia de ficar com o papel de coadjuvante. Todavia, nada saiu como planejado. Montgomery encontrou resistência e pediu ao general Harold Alexander que enviasse Patton para ajudá-lo.[carece de fontes?] Alexander emitiu ordens. O general americano simulou problemas na transmissão e seguiu travando uma guerra pessoal contra os alemães, italianos e, de quebra, contra o "aliado" Montgomery. A intenção era chegar na frente do britânico. Patton conseguiu resgatar o restante da ilha, libertou Palermo e ainda atingiu o destino, reivindicando a glória.

Exército fantasma[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Batalha da Normandia

Durante a preparação para a Operação Overlord, os Aliados precisavam despistar os alemães de suas reais intenções, invadir a França pela Normandia. Pas-de-Calais seria o ponto de desembarque mais óbvio, ficando a Leste da Normandia, era mais próximo da Inglaterra e de Berlin, o que facilitaria muito o trabalho das tropas aliadas. Um engenhoso sistema de falsas informações foi montado pelos estrategistas aliados (Operação Guarda-Costas), incluindo o posicionamento de um exército fictício (FUSAG)em Dover, ponto mais próximo de Pas-de-Calais. O exército incluía tanques infláveis, aviões de madeira e lona e balsas para desembarque falsas de forma a confundir aviões que fizessem incursões de reconhecimento.

Patton era conhecido pelos alemães como um general de ataque e por isso foi escolhido como o comandante deste exército fictício o que aumentou a crença dos alemães de que o ataque aliado seria por Pas-de-Calais. A estratégia foi bem sucedida a ponto de Hitler ter demorado a autorizar reforços à Normandia, pois acreditava que aquele era apenas um pequeno movimento visando despistar o real ataque que seria comandado por Patton.

Batalha das Ardenas[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Batalha das Ardenas

Em 16 de dezembro de 1944, num gesto desesperado, Hitler quis cortar as linhas do inimigo e conquistar a cidade de Antuérpia, foi sua última grande ofensiva e uma das batalhas mais sangrentas da Segunda Guerra Mundial. Ele havia percebido corretamente a fragilidade dos aliados na floresta das Ardenas, fronteira da Bélgica com a Alemanha. O local era de difícil acesso e de fato estava mal guarnecido. Foi um risco calculado, justificou-se depois o general Omar Bradley. A ofensiva se deu seis meses depois do desembarque na Normandia, quando os belgas se preparavam para celebrar seu primeiro Natal em liberdade depois de cinco anos.

Patton em 1943.

Patton teve mais uma chance de exibir sua astúcia na Batalha das Ardenas, na fronteira da Bélgica com a Alemanha. Durante cinco dias, os alemães isolaram 18 mil soldados americanos na cidade de Bastogne.[carece de fontes?] Patton foi convocado para salvá-los. Em apenas três dias, resgatou os compatriotas. O destino seguinte era o coração da própria Alemanha. Quando cruzou o Reno, Patton violou novamente ordens que proibiam o 3º Exército de atravessar o rio.[carece de fontes?] Uma noite, ouvindo uma transmissão da BBC, escutou um discurso de Churchill atribuindo a Montgomery a façanha de ser o primeiro general a atingir o Reno. Patton enfureceu-se e, diante dos auxiliares, arriou as calças e urinou no Reno gritando: Eu fui o primeiro!

Avanço na Alemanha[editar | editar código-fonte]

A Alemanha estava se esfacelando e a guerra se aproximava do fim, mas Patton queria chegar antes dos soviéticos a Berlim. O Alto Comando tinha outros planos. O 3º Exército foi enviado para Áustria. Praga, capital da antiga Tchecoslováquia, estava ao alcance das mãos, mas reservado à esfera de influência de Stálin. Quando percebeu que a guerra terminaria sem um confronto com os comunistas, o velho Patton atacou a política de Eisenhower e do presidente Harry Truman, que assumira o cargo em abril de 1945. "Com o 3º Exército, varreríamos o que restou dos soviéticos", disse em discurso.[carece de fontes?]

Pós-Guerra[editar | editar código-fonte]

Depois da guerra, o general ganhou um posto administrativo na Baviera, Alemanha. Insatisfeito, voltou a criticar a política de Eisenhower, que defendia a não-participação de filiados ao partido nazista na reconstrução da Europa. Como na Baviera boa parte da população era filiada, ficava impossível administrar. Assim Patton antecipou sua aposentadoria.

Acidente e morte[editar | editar código-fonte]

Três meses depois de sair da ativa, em dezembro de 1945, envolveu-se em um acidente de carro, onde o veiculo que o transportava chocou-se contra um caminhão que transportava soldados, deixando o general gravemente ferido. Faleceu em 21 de dezembro de 1945 durante o sono.[60] Foi enterrado em Hamm, Luxemburgo, junto aos combatentes mortos na Batalha das Ardenas.[61] É o único general americano sepultado fora de sua terra natal.

Legado[editar | editar código-fonte]

O General Patton escreveu um diário de guerra, que foi compilado e organizado pela sua esposa Beatrice Ayer Patton, chamado "A guerra que eu vi (War as I knew it)", publicado em 1974. São memórias deste no período em que participou da Segunda Guerra Mundial. Contém impressões pessoais, táticas e estratégias de guerra além de conselhos de combate. Conta também em detalhes as estratégias utilizadas nas campanhas da África e Sicília, operação Overlord, campanha do Palatinado e outras.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • George S. Patton, Jr., War As I Knew It; Houghton Mifflin
    ISBN 0-395-73529-7;(1947/1975); (Soft Cover)
    ISBN 0-395-08704-6 (1947/1975); (Hard Cover)
  • George S. Patton, Jr., The poems of General George S. Patton, Jr.: Lines of fire, edited by Carmine A. Prioli. Edwin Mellen Press, 1991.
  • Patton's photographs: War as he saw it, edited by Kevin Hymel. Potomac Books,
    ISBN 1-57488-871-4 (2006) (Hard Cover);
    ISBN 1-57488-872-2 (2006) (Soft Cover; Alkali Paper).
  • Blumenson, Martin, The Patton Papers. Vol. 1, 1885–1940,
    ISBN 0-395-12706-8 (Hard Cover) Houghton Mifflin Co., 1972. 996 pp.
    ISBN 0-306-80717-3 (Soft Cover; Alkali Paper) Da Capo Press; 1998; 996 pp.
  • Blumenson, Martin, The Patton Papers: Vol. 2, 1940–1945,
    ISBN 0-395-18498-3 (Hard Cover); Houghton Mifflin, 1974. 889 pp.
    ISBN 0-306-80717-3 (Soft Cover; Alkali Paper); Da Capo Press, 1996. 889 pp.
  • Patton, Robert H., The Pattons: A Personal History of An American Family,
    ISBN 1-57488-127-2 (Soft Cover); Crown Publishers (1994); Brassey's (1996) 320 pp.
  • Platt, Anthony M. with O'Leary, Cecilia E., Bloodlines: Recovering Hitler's Nuremberg Laws, From Patton's Trophy To Public Memorial,
    ISBN 1-59451-140-3 (paperback); Paradigm Publishers, 2006. 268 pp.

Leitura secundária[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c «Biography of General George S. Patton, Jr» (em inglês). generalpatton.com. Consultado em 10 de agosto de 2012. 
  2. Dale Wilson. «The American Expeditionary Forces Tank Corps in World War I: From Creation to Combat» (PDF) (em inglês). p. 19. Consultado em 10 de agosto de 2012. 
  3. «Patton - Film (1970)». Consultado em 07/12/2014. 
  4. a b c Axelrod 2006, p. 13.
  5. Army Times (1967). Warrior; the story of General George S. Patton Putnam [S.l.] p. 15. 
  6. Michael Keane (2014). George S. Patton: Blood, Guts, and Prayer Regnery [S.l.] p. 84. 
  7. Willard Sterne Randall; Nancy Nahra (2014). Great Leaders: George Patton New Word City [S.l.] pp. 3–4. 
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  9. a b George S. Patton By Earle Rice page 23
  10. a b Patton Ordeal and Triumph by Ladislas Farago
  11. George S. Patton By Earle Rice page 23, quoting Blumenson: "Even farther in the dim recesses of time were sixteen barons who signed the Magna Carta ... all of whom the Pattons believed were their direct ancestors."
  12. Zaloga 2010, p. 6.
  13. Axelrod 2006, pp. 11–12.
  14. a b Axelrod 2006, pp. 14–15.
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  17. Zaloga 2010, p. 7.
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  21. Axelrod 2006, pp. 28–29.
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