George Stinney

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa
George Stinney
Foto do Stinney
Nome completo George Junius Stinney Jr.
Nascimento 21 de outubro de 1929
Alcolu, Carolina do Sul
Morte 16 de junho de 1944 (14 anos)
Colúmbia, Carolina do Sul
Nacionalidade norte-americano

George Junius Stinney Jr. (21 de outubro de 192916 de junho de 1944) foi um adolescente afro-americano condenado erroneamente a pena de morte por um tribunal racista e discriminatório, em junho de 1944, em Alcolu, Carolina do Sul. Aos 14 anos, foi a pessoa mais jovem a enfrentar a execução nos Estados Unidos no século XX.[1]

A condenação de Stinney e o processo judicial que levou à sua execução ainda permanece controverso.

Vida e condenação[editar | editar código-fonte]

Em 1944, George Junius Stinney Jr. vivia em Alcolu, no condado de Clarendon, na Carolina do Sul, nos Estados Unidos. O garoto de 14 anos morava com o pai, George Stinney Sr., sua mãe Aime, os irmãos John, de 17 anos, e Charles, de 12 anos, e as irmãs Katherine, de 10 anos, e Aime, de 7 anos. O pai trabalhava numa serraria e a família vivia em uma casa fornecida pelo patrão dele. Alcolu era uma cidade pequena de classe trabalhadora, onde, na área residencial, a comunidade negra vivia separada dos brancos e imperava as Leis de Jim Crow. Isso era típico em várias outras cidades do sul dos Estados Unidos, com escolas, igrejas e outros locais públicos segregadas racialmente por força de lei, com brancos e negros raramente interagindo.[2]

Em 23 de março de 1944, duas meninas, Betty June Binnicker, de 11 anos, e Maria Emma Thames, de 8 anos, andavam de bicicleta à procura de flores. Ao passarem pela casa da família Stinney, elas perguntaram ao jovem George Stinney e à sua irmã, Katherine, se eles sabiam onde encontrar "flores-da-paixão". Mais tarde, quando as meninas não retornaram para casa, grupos de busca foram organizados, com centenas de voluntários. Os corpos das meninas foram encontrados na manhã seguinte em uma vala cheia de água lamacenta. Ambas tinham sofrido ferimentos graves na cabeça.[2]

Stinney foi preso algumas horas depois e foi interrogado por vários oficiais em uma sala trancada com nenhuma testemunha além dos agentes. Após uma hora, foi anunciado que Stinney havia confessado o crime. De acordo com a confissão, Stinney tentou abusar sexualmente de Betty enquanto ela catava as flores. Após perder a paciência com a menor que tentava proteger a amiga, ele acabou por matar as duas com uma barra de ferro e atirou os corpos em um buraco lamacento. De acordo com os policias, Stinney aparentemente tinha sido bem sucedido em matar ambas ao mesmo tempo, causando trauma contuso em suas cabeças, quebrando os crânios de cada uma em pelo menos 4 pedaços. No dia seguinte, Stinney foi acusado de assassinato em primeiro grau. O pai dele foi demitido de seu emprego na serraria local e sua família teve que se mudar, temendo por represálias. Mais tarde verificou-se que a tal barra de ferro usada no crime pesava mais de 9,7 kg. É altamente improvável que Stinney, um garoto de apenas 40 quilos, fosse capaz de erguer esse peso e ainda tivesse força para golpear e matar as duas meninas ao mesmo tempo. Além disso, os policiais presentes na suposta confissão de Stinney apresentaram informações conflitantes e não tinham qualquer evidência física que corroborasse as histórias.[2]

O julgamento ocorreu em 24 de abril no tribunal do condado de Clarendon. Após a seleção do júri, o julgamento começou, às 12h30 e terminou às 17:30. Depois de apenas dez minutos de deliberação, o júri, que foi composto inteiramente de homens brancos, emitiu o veredito de culpado e a sentença: morte na cadeira elétrica. O advogado de Stinney, Charles Plowden, apontado pelo estado, não tentou fazer qualquer contra-argumento, não convocou testemunhas e, depois, não recorreu da sentença. Sob as leis da Carolina do Sul, todas as pessoas com idade superior a 14 anos eram e ainda são tratados como um adulto.[2]

Execução[editar | editar código-fonte]

Em 16 de junho de 1944, George Stinney finalmente foi executado no complexo correcional de Colúmbia (Carolina do Sul). Às 19:30 da tarde, Stinney caminhou até a cadeira elétrica com a Bíblia debaixo do braço. O garoto, baixinho e muito magro, era pequeno demais para sua cadeira. Mesmo assim, os equipamentos da execução foram colocados nele e então 2,400 volts de eletricidade foram liberados pelo seu corpo. Segundo testemunhas, a máscara que encobria seu rosto caiu durante a execução, revelando sua face. Stinney chorava enquanto sentia a enorme dor, salivando incontrolavelmente. Foi necessário três descargas de eletricidade para mata-lo. Ele foi declarado oficialmente morto quatro minutos após o início de sua execução.[3]

Reavaliação[editar | editar código-fonte]

Todo o processo e a maneira como a investigação foi feita foi muito controverso. Já na época, muitos questionavam se sua execução fora justa.

Contudo, foi só a 17 de dezembro de 2014, 70 anos depois de sua execução, que a justiça reconsiderou o caso, por meio da juíza Carmen Mullins, anulando a condenação de George Stinney, inocentando-o formalmente do crime.[4]

Referências

  1. "When Killing a Juvenile Was Routine". New York Times. 5 de março de 2005.
  2. a b c d McVeigh, Karen (24 de fevereiro de 2018). «George Stinney was executed at 14. Can his family now clear his name?». The Observer. Cópia arquivada em 19 de março de 2016 
  3. Edwards, David (3 de outubro de 2011). «New evidence could clear 14-year-old executed by South Carolina». The Raw Story. Consultado em 15 de outubro de 2015. 
  4. "Exonerated After Execution: Judge Tosses Teen's Murder Conviction". Página acessada em 17 de dezembro de 2014