Georgi Piatakov

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Georgi Piatakov
Nascimento 18 de agosto de 1890
Kiev
Morte 30 de janeiro de 1937 (46 anos)
Moscou
Cidadania Império Russo, República Socialista Soviética Ucraniana, União Soviética
Alma mater Universidade Estatal de São Petersburgo
Ocupação estadista, político
Prêmios Ordem do Estandarte Vermelho, Ordem de Lenin
Causa da morte fuzilamento

Georgi Leonidovitch Piatakov (em russo: Георгий Леонидович Пятаков) (6 de agosto de 1890 - 30 de janeiro de 1937), também conhecido pelas alcunhas de Kievski, Lialin, Petro e Iapontets, foi um líder revolucionário bolchevique e, posteriormente, membro da Oposição de Esquerda ao regime stalinista.

Primeiros anos[editar | editar código-fonte]

Piatakov nasceu em 6 de agosto de 1890 no distrito de Tcherkasi, no Oblast de Kiev (atualmente Ucrânia), no assentamento da fábrica de açúcar Mariinski, propriedade do seu pai, o russo Leonid Timofeevitch Piatakov. Durante os seus anos como estudante de ensino secundário, começou a participar em atividades anarquistas, mas em 1910 aderiu ao Partido Operário Social-Democrata Russo (POSDR), juntando-se à fação bolchevique em 1912. Nesse ano foi arrestado e deportado à região de Irkutsk, mas conseguiu fugir por Japão e chegar a Suíça onde participa, em 1915, no congresso do Partido em Berna.

Época revolucionária e líder da Ucrânia bolchevique[editar | editar código-fonte]

Algumas da suas opiniões e estratégias colidiram com as linhas do Comité Central do Partido, nomeadamente no que tem a ver com a questão dos direitos das nações, e a questão do humilhante acordo de paz com a Alemanha, onde o recém-criado governo bolchevique cedia um terço da população da Rússia, metade de sua indústria e nove décimos de suas minas de carvão,[1] sobre as quais foi um dos mais importantes opositores às ideias de Lenin. Contudo, Piatakov dirigiu o Comité do POSDR desde março de 1917 e o Comité Militar Revolucionário de Kiev. Ademais, desde 1918 dirigiu a fação dos comunistas de esquerda em Ucrânia, que derivou na fundação do Partido Comunista (bolchevique) da Ucrânia, tornando-se o seu secretário geral durante o seu I Congresso.

Desde outubro de 1918 a janeiro de 1919 foi o chefe do Conselho de Comissários do Povo da RSS da Ucrânia. Durante esse tempo, opus-se ao Diretório e colaborou na criação do Exército Vermelho na Ucrânia. Porém, as suas posições à esquerda da direção revolucionária fizeram com que fosse substituído pelo búlgaro Christian Rakovski, mais moderado. A sua distância com os líderes da revolução continuou a crescer, o que favoreceu a sua relação com Nikolai Bukharin. Nessa época, foi posto à frente da indústria mineira do Bacia Donets em 1921, até 1922, quando foi eleito vice-presidente do Gosplan da RSFS da Rússia e do Conselho Supremo de Economia Nacional da URSS.

Oposição de esquerda e morte[editar | editar código-fonte]

Em 1923 - após a morte de Lenin - ingressou no Comité Central do Partido, mas na época do stalinismo, a sua oposição à direção revolucionária fez-se ainda mais dura, especialmente na questão do centralismo democrático, a que se opus junto com outros bolcheviques da velha guarda, muitos dos quais seriam depois processados no Grande Expurgo[2]. Nessa época, aderiu à denominada "Oposição de Esquerda" dirigida por Lev Trotski. Pela sua oposição a Stalin, ele foi perdendo os seus cargos oficiais progressivamente, até ser expulso do Partido.

Porém, abandonou a oposição em 1928. Como consequência, foi readmitido no Partido e nomeado vice-ministro de Indústria Pesada, como segundo de Sergo Ordjonikidze. Volveu ingressar no Comité Central entre 1930 e 1934. Contudo, em 12 de setembro de 1936[3] foi novamente acusado de atividade anti-Partido e anti-soviética no marco do denominado segundo processo de Moscovo ou "Processo Piatakov", o que fez com que fosse novamente expulso. Piatakov foi julgado junto com outros líderes revolucionários opostos a Stalin, como Karl Radek, Grigori Sokolnikov, Nikolai Muralov, Mikhail Boguslavski, Leonid Serebriakov e outros.

Durante o seu julgamento, foi acusado de conspirar com Trotski para derrocar o Governo soviético. Também foi acusado de conspiração com o nazismo para tomar o poder na URSS. Em 30 de janeiro de 1937 foi condenado a morte e fuzilado no día seguinte. Como a maior parte dos velhos bolcheviques, Piatakov foi reabilitado em 1988.

Referências

  1. «Título ainda não informado (favor adicionar)». www.rpfuller.com 
  2. O Comité Central recebeu em 15 de outubro de 1923 um documento dirigido pela velha guarda bolchevique opondo-se ao centralismo democrático. Junto com Piatakov, havia outros líderes como Evgeni Preobrajenski, Leonid Serebriakov, Ivan Smirnov, Nikolai Osinski, Andrei Bubnov e outros
  3. Khlevniuk, Oleg: Le Cercle du Kremlin. Staline et le Bureau politique dans les années 30 : les jeux du pouvoir, Seúl, 1996.