Geraldo Pereira
| Geraldo Pereira | |
|---|---|
| Nome completo | Geraldo Teodoro Pereira |
| Nascimento | 23 de abril de 1918 Juiz de Fora, MG, Brasil, Brasil |
| Morte | 8 de maio de 1955 (37 anos) Rio de Janeiro, DF, Brasil |
| Gênero(s) | Samba, samba sincopado |
| Ocupação | Compositor e sambista |
Geraldo Teodoro Pereira (Juiz de Fora, 23 de abril de 1918 — Rio de Janeiro, 8 de maio de 1955) foi um sambista e compositor brasileiro. É reconhecido como um dos principais desenvolvedores do samba sincopado (ou samba de divisão), vertente rítmica que influenciou musicalmente a criação da Bossa Nova.[1]
Biografia
[editar | editar código]Nascido no interior de Minas Gerais, Geraldo Pereira migrou para o Rio de Janeiro ainda na infância. Estabeleceu-se no Morro da Mangueira, na Zona Norte da cidade, onde teve contato com o samba e as rodas de calango. Na Mangueira, aprendeu a tocar violão, iniciou sua produção autoral e chegou a integrar a escola de samba Estação Primeira de Mangueira e a extinta Unidos de Mangueira.
Buscando atuar profissionalmente, passou a frequentar a Praça Tiradentes, no Centro do Rio de Janeiro, um dos principais núcleos musicais e do teatro de revista na década de 1940. Nesse ambiente, passou a comercializar suas composições e formou parcerias.
Sua primeira composição gravada foi "Se você sair chorando", interpretada por Roberto Paiva no Carnaval de 1940. No mesmo ano, em parceria com Wilson Batista, compôs o samba de breque "Acertei no milhar", que alcançou sucesso na interpretação de Moreira da Silva.
A obra de Geraldo Pereira caracterizou-se pelo uso do samba sincopado, com deslocamento dos acentos rítmicos. O cantor Ciro Monteiro foi o intérprete que mais gravou suas obras, registrando doze canções do compositor.
No aspecto lírico, de acordo com análises literárias (como a da pesquisadora Cilene Margarete Pereira), Geraldo compôs letras que frequentemente retratavam personagens femininas independentes, distanciando-se do arquétipo da mulher submissa, como evidenciado em canções como "Ela não teve paciência" (1941) e "Quando ela samba" (1942).[2]
João Gilberto, que se mudou para o Rio em 1950, falou em entrevista sobre sua amizade com o compositor mais velho: "Geraldo era aquele malandro alto, forte. Mas não era daqueles tipos agressivos (...) era um malandro bem suave, falava manso, tinha aquela ginga certa de quem não tem pressa e sabe das coisas." E após lembrar momentos juntos na Lapa, João Gilberto conclui: "Geraldo Pereira não tinha consciência disso, mas foi um inovador de nossa música."[3]
Morte
[editar | editar código]Geraldo Pereira faleceu aos 37 anos, no Hospital dos Servidores Municipais, no Rio de Janeiro. Sua internação ocorreu dias após uma briga com o capoeirista e transformista Madame Satã, em um bar na Lapa.
Embora a versão popular atribua sua morte diretamente a um golpe desferido por Satã, biógrafos apontam que o trauma físico resultante do confronto agravou uma hemorragia intestinal preexistente, condição que já debilitava a saúde do compositor.[4][5]
Obra e legado
[editar | editar código]Sua obra catalogada conta com 77 canções gravadas. Sua composição mais conhecida é "Falsa Baiana" (1944). Gravada originalmente por Ciro Monteiro, a música foi regravada por diversos artistas, incluindo João Gilberto e Gal Costa (no álbum Fa-Tal - Gal a Todo Vapor).[6]
Outros sambas de sua autoria incluem Acertei no milhar, Escurinha, Sem compromisso, Pisei num despacho e Bolinha de Papel.
No cinema, sua vida foi retratada no filme biográfico O Rei do Samba (1998), dirigido por José Sette, com o ator Gerson Rosa no papel do compositor.[7]
Foi homenageado na música "Sambista Perfeito", de Arlindo Cruz e Nei Lopes (do álbum homônimo de 2007), que cita seu nome em referência à métrica do samba sincopado.[8]
Bibliografia
[editar | editar código]- DUARTE, Alice Silva de Campos, et al. Um Certo Geraldo Pereira. Rio de Janeiro: Funarte, 1983.
- PEREIRA, Cilene Margarete. De mulheres e malandros: o samba de Geraldo Pereira (e outros sambas). In: RECORTE – revista eletrônica. V. 10 – Nº 2 (julho-dezembro 2013).
Referências
- ↑ «Geraldo Pereira - Biografia». Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira. Consultado em 27 de abril de 2025
- ↑ Cilene Margarete Pereira (2013). De mulheres e malandros: o samba de Geraldo Pereira (e outros sambas). [S.l.]: Revista Recorte, v. 10, nº 2
- ↑ «Revista Veja». Veja (140). Maio de 1971 – via Citado no encarte do LP História da Música Popular Brasileira - Geraldo Pereira (Abril Cultural – MPB 31)
- ↑ Almanaque do samba. [S.l.]: Jorge Zahar Editor. 2006. 68 páginas. ISBN 9788571108974
- ↑ Eduardo Afonso (6 de outubro de 2020). «Geraldo Pereira, assassinado por Madame Satã?». Arquivos do Samba. Consultado em 27 de abril de 2025
- ↑ «12 sambas de Geraldo Pereira». O Globo. Consultado em 27 de abril de 2025
- ↑ «O Rei do Samba». Cinemateca Brasileira. Consultado em 10 de julho de 2013
- ↑ «CD Sambista Perfeito». Instituto Memória Musical Brasileira. Consultado em 27 de abril de 2025