Gertrude Himmelfarb

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Gertrude Himmelfarb
Nascimento 8 de agosto de 1922
Brooklyn, Nova Iorque - Estados Unidos
Nacionalidade norte-americana
Cônjuge Irving Kristol (1942 até 2009; seu falecimento)
Filho(s) William Kristol
Elizabeth Nelson
Alma mater Brooklyn College (1942)
Universidade de Chicago (M.A. 1944, PhD 1950)
Jewish Theological Seminary of America (1939–42)
Cambridge (1946–47)[1]
Ocupação Historiadora, historiógrafa
Prémios FBA
Fellow da Academia de Artes e Ciências dos Estados Unidos
Fellow da Royal Historical Society
Fellow da Society of American Historians
Conselheira da National Endowment for the Humanities (1982–88)
Conselheira da Scholars of the Library of Congress (1984–2008)
Conselheira de Curadores da Woodrow Wilson Center (1985–96)
Conselheira da Academic Advisors of the American Enterprise Institute (1987–presente)
Jefferson Lecture (1991)
Medalha Nacional de Humanidades (2004)

Gertrude Himmelfarb FBA (Nova Iorque, 8 de agosto de 1922) também conhecida como Bea Kristol, é uma historiadora americana. Ela é um expoente da interpretação conservadora da história e da historiografia. A autora tem escrito extensivamente sobre a história intelectual, com foco na história britânica e na Era Vitoriana, bem como sobre a sociedade e cultura contemporâneas.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Himmelfarb nasceu no Brooklyn em Nova Iorque, filha de pais russos com ascendência judaica.[2] Graduou-se no Brooklyn College em 1942 e obteve seu doutorado na Universidade de Chicago em 1950. Ela também estudou na Jewish Theological Seminary e em Cambridge. Em 1942 se casou com Irving Kristol, conhecido como “O fundador do neoconservadorismo", com quem teve dois filhos; Elizabeth Nelson e Willian Kristol – que é comentarista político do Weekly Standard. Himmefarb continua envolvida nos círculos conservadores judaicos.[3]

Professora emérita da Universidade da Cidade de Nova Iorque, ela coleciona diversos prêmios e honrarias. Himmerfarb tem sido conselheira em diversas universidades e instituições, como o Scholars of the Library of Congress, o Council of Academic Advisors of the American Enterprise Institute e o Council of the National Endowment for the Humanities. Ela é doutora da Academia Britânica e da American Academy of Arts and Sciences. Em 1991 Himmerfarb recebeu a mais alta honraria do governo federal, conferida aos intelectuais que prestaram grandes serviços à Humanidade – o Jefferson Lecture in the Humanities. Em 2004 recebeu a Medalha Nacional de Humanidades das mãos do Presidente dos Estados Unidos.[4]

Historiografia[editar | editar código-fonte]

De origem trotskista, o processo de constante afastamento do marxismo pode ser verificado na crescente amplitude de interesses da autora. O período de estudos para seu doutorado na Inglaterra foi fundamental para essa dissidência das ideias comunistas. Lá a autora pesquisou para sua tese sobre o historiador conservador Lord Acton e manteve contato com dois grandes filósofos conservadores, Leo Strauss e Michael Oakeshott.[5]

Himmelfarb analisa o papel do Iluminismo em três sociedades distintas: o iluminismo na Grã-Bretanha, nos Estados Unidos e na França. Para a autora, os britânicos seguiram a "sociologia das virtudes" - uma tentativa de entender como se constroem vidas pautadas pelo cuidado com a família e com os vínculos afetivos e sociais, num contexto secular. Já os franceses adotaram a "ideologia da razão", uma vida reduzida ao elemento abstrato racional em detrimento da tradição, de crenças religiosas, angústias morais ou econômicas. E os americanos, por sua vez, produziram uma sólida reflexão sobre as formas de produção de uma sociedade pautada pela "política da liberdade".[5][6]

A historiadora tem ajudado o movimento neoconservador nas esferas políticas e intelectuais; seu marido Irving Kristol ajudou-a a fundar o movimento.[7]

Himmelfarb é defensora dos métodos históricos tradicionais. Seu livro The New History and The Old (publicado em 1987 e revisado em 2004) é uma crítica da corrente historiográfica chamada de nova história, que procura substituir a antiguidade por uma “história quantitativa” presunçosamente mais “cientifica” que a convencional, mas baseada em um acervo dúbio e parcial.[8] Para a autora, a historiografia marxista deriva de suposições econômicas e modelos que deixam pouco espaço para ideias sobre os reais protagonistas dos eventos da história[9] e a psicanálise depende de teorias e especulações que violam o critério de evidências históricas.[10] Apesar de se identificar como conservadora, vários políticos de esquerda admiram seu trabalho. Um de seus admiradores é ex-primeiro-ministro e membro do partido trabalhista Gordon Brown. Na introdução do seu livro Roads to Modernity, Gordon diz: “Eu tenho admirado o trabalho histórico de Gertrude Himmelfarb, em particular seu amor pela história das ideias, e sigo seu trabalho desde que eu era um estudante da Universidade de Edimburgo”.[11]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Lord Acton: A Study of Conscience and Politics (1952) OCLC 3011425
  • Darwin and the Darwinian Revolution (1959) OCLC 676436
  • Victorian Minds (1968) OCLC 400777
  • On Liberty and Liberalism: The Case of John Stuart Mill (1974) OCLC 805020
  • The Idea of Poverty: England in the Early Industrial Age (1984) OCLC 9646430
  • Marriage and Morals Among the Victorians (1986) OCLC 12343389
  • Himmelfarb, Gertrude (2004) [1987], The New History and the Old, Harvard University Press, OCLC 15107685 .
  • Poverty and Compassion: The Moral Imagination of the Late Victorians (1991) OCLC 22488559
  • On Looking into the Abyss: Untimely Thoughts on Culture and Society (1994) OCLC 28213630
  • The De-Moralization of Society: From Victorian Virtues to Modern Values (1995) OCLC 30474640
  • One Nation, Two Cultures (1999) OCLC 40830208
  • Himmelfarb, Gertrude (2008) [2004], The Roads to Modernity: The British, French, and American Enlightenments, OCLC 53091118 
  • The Moral Imagination: From Edmund Burke to Lionel Trilling (2006) OCLC 61109330
  • The Jewish Odyssey of George Eliot (2009) OCLC 271080989
  • The People of the Book: Philosemitism in England, from Cromwell to Churchill (Encounter Books, 2011) OCLC 701019524

Livros editados[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. «Gertrude Himmelfarb». Gale (em inglês). Detroit: Contemporary Authors Online. 2008. Consultado em 8 de agosto de 2016 
  2. «Himmelfarb, Gertrude 1922–» (em inglês). online encyclopedia. Consultado em 15 de agosto de 2016 .
  3. Frankel, Oz (20 de março de 2009). «Gertrude Himmelfarb» (em inglês). Jewish Women: A Comprehensive Historical Encyclopedia. Consultado em 15 de agosto de 2016 
  4. «Winners of the National Humanities Medal and the Charles Frankel Prize» (em inglês). National Endowment for the Humanities 
  5. a b Bueno, José Luiz (2011). Gertrude Himmelfarb - Modernidade, Iluminismo e as virtudes sociais. [S.l.]: É Realizações. p. 1-5. ISBN 978-85-8033-222-3 
  6. Himmelfarb, Gertrude (1999). The Victorian Ethos: Before and After Victoria. Londres: Folio Society. ISBN 9780737702217 .
  7. Christopher C. DeMuth and William Kristol eds. (1995). «Reflections of a Neoconservative Disciple». The Neoconservative Imagination: Essays in Honor of Irving Kristol. [S.l.]: American Enterprise Institute. 165 páginas. ISBN 9780844738994 
  8. Himmelfarb, Gertrude (2008). The Roads to Modernity: The British, French and American Enlightenments. Londres: Vintage. pp. 43, 59–64. ISBN 9781400077229 
  9. Himmelfarb, Gertrude (2008). The Roads to Modernity: The British, French and American Enlightenments. Londres: Vintage. pp. 88–111. ISBN 9781400077229 
  10. Himmelfarb, Gertrude (2008). The Roads to Modernity: The British, French and American Enlightenments. Londres: Vintage. pp. 51–59, 25–113. ISBN 9781400077229 
  11. Himmelfarb, Gertrude (2008). The Roads to Modernity: The British, French and American Enlightenments. Londres: Vintage. ISBN 9781400077229 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

  • Himmelfarb, Gertrude (9 de Março de 1995). «The De-Moralization of Society» (entrevista). Booknotes 1995. Entrevista com Brian Lamb. Brian Lamb. C-SPAN. Consultado em 8 de agosto de 2016