Gilberto Mendes

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Gilberto Mendes
Nascimento 13 de outubro de 1922
Santos, SP, Brasil
Morte 1 de janeiro de 2016 (93 anos)
Santos, SP, Brasil
Nacionalidade Brasil brasileiro
Cônjuge Eliane Ghigonetto
Ocupação maestro
Disambig grey.svg Nota: Se procura o ator, encenador e dramaturgo moçambicano, veja Gilberto Mendes (ator).

Gilberto Ambrósio Garcia Mendes (Santos, 13 de outubro de 1922 - Santos, 1º de janeiro de 2016) foi um compositor, regente orquestral, professor e jornalista brasileiro.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Gilberto Mendes iniciou seus estudos de música aos 18 anos, no Conservatório Musical de Santos, com Savino de Benedictis e Antonieta Rudge. Praticamente autodidata em composição, compôs sob orientação de Cláudio Santoro e Olivier Toni, e frequentou o Ferienkurse fuer Neue Musik de Darmstadt, Alemanha, em 1962 e 1968.

Entre 1945 e 1963, foi membro do Partido Comunista Brasileiro e deixou também sua marca na história social da música Em 1997, musicou o poema "O anjo esquerdo da História", de Haroldo de Campos, que fala sobre os 19 sem-terra assassinados em Eldorado dos Carajás, no Pará, no dia 17 de abril de 1996 - data que se tornou o Dia Mundial da Luta Camponesa e Dia Nacional de Luta pela Reforma Agrária.

Já em Vila Socó, Meu Amor, Gilberto Mendes homenageia os 93 mortos no incêndio da favela Vila Socó, de Cubatão, em 1984.[1] Ele escreveu a música dias após a catástrofe: "Não devemos esquecer os nossos irmãos da Vila Socó, transformados em cinzas, lixo em pó. A tragédia da Vila Socó mostra como o trabalhador é explorado, esmagado sem nenhum dó."[2][3]

Um dos pioneiros da música concreta no Brasil, foi um dos signatários do Manifesto Música Nova, publicado pela revista de arte de vanguarda Invenção, de 1963. [2]Foi porta-voz da poesia concreta paulista, do grupo Noigandres. Como consequência dessa tomada de posição, tornou-se um dos pioneiros no Brasil no campo da música concreta, da música aleatória, da música serial integral , mixed média, experimentando ainda novos grafismos, novos materiais sonoros e a incorporação da ação musical à composição, com a criação do teatro musical, do happening.

Professor universitário, conferencista, colaborador das principais revistas e jornais brasileiros, Gilberto Mendes foi fundador (1962), diretor artístico e programador do Festival Música Nova de Santos, o mais antigo em seu gênero em toda a América. Como professor convidado e composer in residence, deu aulas Universidade de Wisconsin-Milwauke (Estados Unidos) na qualidade de University Artist 78/79 e Tinker Visiting Professor.[2]

Gilberto Mendes era doutor pela Universidade de São Paulo, onde deu aulas no Departamento de Música da Escola de Comunicações e Artes até se aposentar[4].

Obra[editar | editar código-fonte]

Sua obra já foi tocada nos cinco continentes, principalmente na Europa e EUA. Destacam-se, dentre as peças para orquestra:

  • Santos Football Music
  • Concerto para Piano e Orquestra

Para grupos instrumentais:

  • Saudades do Parque Balneário Hotel
  • Ulysses em Copacabana Surfando com James Joyce e
  • Dorothy Lamoura
  • Longhorn Trio
  • Rimsky

Para coro:

  • Beba Coca-Cola
  • Ashmatour
  • O Anjo Esquerdo da História,
  • Vila Socó Meu Amor

Para soprano solista:

  • "Ópera aberta: a soprano e o halterofilista" para soprano solo "a capela" e halterofilista (ator)

Escreveu também inúmeras peças para piano e canções.

Seu livro Uma Odisséia Musical foi publicado pela Edusp.

Prêmios e honrarias[editar | editar código-fonte]

No Brasil, recebeu, entre outros, o Prêmio Carlos Gomes, do Governo do Estado de São Paulo, foi também diversos prêmios da APCA, o I Prêmio Santos Vivo, dado pela ONG de mesmo nome, pela sua obra "Santos Football Music", além de ter sido indicado para o Primeiro Prêmio Multicultural do jornal "O Estado de S. Paulo". Também recebeu a Bolsa Vitae, o prêmio Sergio Mota hors concours 2003 e o título de "Cidadão Emérito" da cidade de Santos, dado pela Câmara Municipal de Vereadores.

Em cerimônia no Palácio do Planalto, em Brasília, no ano de 2004, o autor recebeu a insígnia e diploma de sua admissão na Ordem do Mérito Cultural, na classe de comendador, do Ministério da Cultura, das mãos do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e do Ministro da Cultura, Gilberto Gil.

Era membro honorário da Academia Brasileira de Música e do Colégio de Compositores Latino-americanos de Música de Arte, com sede no México.

Verbetes com seu nome constam das principais enciclopédias e dicionários mundiais, como o Grove em inglês, o Rieman alemão, o Dictionary of Contemporarry Music, de John Vinton e vários outros.

Morte[editar | editar código-fonte]

Gilberto Mendes morreu em 1º de janeiro de 2016, aos 93 anos. por falência múltipla de órgãos. O compositor era casado há 40 anos com Eliane Ghigonetto.[5][6][7][8]

Referências

Ligações externas[editar | editar código-fonte]