Giovanni Battista Sartori

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Giovanni Battista Sartori
Bispo da Igreja Católica
Bispo de Mindo
Giovanni Battista Sartori
Atividade eclesiástica
Diocese Diocese de Mindo (suprimida)
Predecessor Dom Klaus Münst
Sucessor Dom Carlo Vittore Papardo
Mandato 26 de novembro de 1826 - 18 de julho de 1858
Ordenação e nomeação
Nomeação episcopal 3 de julho de 1826
Ordenação episcopal 26 de novembro de 1826
por Cardeal Giacinto Placido Zurla
Brasão episcopal
Brasão do Bispo Giovanni Battista Sartori.jpg
Dados pessoais
Nascimento Crespano del Grappa
18 de agosto de 1775
Morte Possagno
18 de julho de 1858 (82 anos)
Funções exercidas Bispo de Mindo, prelado doméstico de Sua Santidade, assistente do Sólio Pontifício, secretário de Antonio Canova, professor, tradutor, literato e mecenas
Bispos
Categoria:Hierarquia católica
Projeto Catolicismo

Giovanni Battista Sartori ou Sartori-Canova (Crespano del Grappa, 18 de agosto de 1775 — Possagno, 18 de julho de 1858) foi um bispo, professor, intelectual e mecenas italiano.

Membro da antiga e nobre família Sartori de Vicenza, era filho de Franceso Sartori e Angela Zardo Fantolini. Através do primeiro casamento de sua mãe foi meio-irmão de Antonio Canova, o maior nome da escultura do neoclassicismo.[1]

Fez seu preparo religioso no Seminário Episcopal de Pádua, onde também estudou os clássicos. Ali foi ordenado padre e nomeado professor. Em 1801, estando Canova em Roma, já famoso e muito requisitado, chamou seu irmão para ser seu secretário, função que desempenharia por toda a vida, e por seu meio estabeleceria proveitosos contatos com destacados artistas e intelectuais, pois entre suas principais tarefas estava a de administrar a copiosa correspondência do escultor, além de acompanhá-lo em suas viagens à França, Inglaterra e Áustria, onde atendeu a encomendas das cortes.[1] Também era encarregado de ler literatura clássica para Canova enquanto ele esculpia e gerenciar a reprodução das esculturas em gravura.[2] Neste período aperfeiçoou seu conhecimento do grego, latim e história e iniciou o estudo do hebreu e do aramaico.[1]

Em 1815 Canova foi incumbindo pelo papa Pio VII de importante missão em Paris para tentar reaver o tesouro artístico saqueado da Itália por Napoleão, e na mesma ocasião o papa nomeou Sartori orador oficial da embaixada e representante do povo romano. A ele coube preparar toda a argumentação do pleito.[1][2] A embaixada não teve um êxito completo, mas conseguiu repatriar dezenas de pinturas famosas de Rafael Sanzio, Domenichino, Guercino, Carracci, Fra Angelico, Perugino e outros pintores, mais de 60 estátuas e bustos, incluindo obras-primas como o Apolo Belvedere, os Cavalos de São Marcos, a Vênus Médici, o Grupo de Laocoonte, o Torso Belvedere, o Gladiador moribundo, diversos vasos etruscos, entre muitas outras peças que haviam sido tomadas em várias cidades.[3]

Em 1819 Canova decidiu construir em Possagno uma igreja, hoje chamada Templo Canoviano, mas o projeto foi interrompido pela sua morte em 1822. O desaparecimento de Canova permitiu que Sartori voltasse a dedicar seu tempo aos assuntos eclesiásticos, e em 1826, por indicação do cardeal Giacinto Placido Zurla, foi feito bispo, com o título de Mindo,[1] e no mesmo ano o papa o nomeou prelado doméstico de Sua Santidade e assistente do Sólio Pontifício.[4] Em 1827 fixou residência definitiva em Possagno. Contudo, Canova havia nomeado Sartori seu único herdeiro e executor testamentário, incumbindo-o de terminar a igreja, que foi inaugurada em 1830, tendo custado mais de um milhão de francos, a maior parte paga por Sartori. Com o rico espólio artístico deixado pelo irmão, Sartori criou o Museu Canoviano, dotado em 1853 com uma fundação administrativa e uma sede própria. No mesmo ato Sartori doou todo o patrimônio do museu à comuna de Possagno.[1][2] O acervo foi constituído com cerca de dois mil desenhos, numerosas estátuas em gesso e mármore, esboços preparatórios e pinturas, e incluiu sua vasta correspondência, seus diários e outros manuscritos e sua biblioteca.[5] Pela associação com Canova ele acabou sendo conhecido também com o sobrenome Sartori-Canova, e seu brasão episcopal usa elementos das armas do irmão.[1]

Continuou seus estudos, reuniu uma importante coleção numismática com mais de 5 mil moedas e medalhas romanas dos períodos republicano e imperial, incluindo peças raríssimas,[6] tornou-se um grande orador,[2] um reputado comentarista de autores gregos e latinos,[1] hábil tradutor de tragédias gregas e textos aramaicos[2] e consultor de outros eruditos, sendo elogiado por Pietro Giordani, Pietro Canal, Giacomo Leopardi e Giovanni Battista Niccolini pela sua erudição e pela fineza do seu juízo crítico. Dava palestras e fez vários alunos, mas não publicou nada em vida, segundo Domenico Villa, por modéstia, a despeito de receber muitos incentivos para fazê-lo.[1]

Dedicou-se ainda à beneficência. Transformou seus palácios em Possagno e Crespano em abrigos para pobres, gastou uma fortuna financiando pessoalmente o embelezamento de igrejas e a construção de escolas, estradas, pontes, fontes e outras obras públicas em Possagno e Crespano, fez dotações financeiras para vários orfanatos e asilos, e doou importantes obras de arte e coleções de moedas para vários museus em Bassano del Grappa, Florença, Parma, Piacenza, Treviso, Veneza e Asolo, e valiosas coleções de manuscritos e livros raros para os seminários de Treviso e Pádua.[1][2][7]

Foi sócio honorário do Instituto de Ciências e Artes de Veneza, membro de diversas academias literárias e científicas,[7] recusou o título de cardeal que lhe foi oferecido pelos papas Leão XIII e Gregório XVI, e em reconhecimento de suas obras sociais foi nomeado comendador da Ordem da Coroa de Ferro pelo imperador Fernando I da Áustria.[1] A comuna de Bassano del Grappa o nomeou cidadão honorário e instalou um busto no Museu Cívico.[7] Seu sepultamento foi acompanhado por muitas autoridades, sendo proferidos longos discursos em sua homenagem, que traçaram sua trajetória e o cobriram dos mais altos elogios, enfatizando que a grandeza sublime que Canova expressou na arte encontrou um espelho perfeito na bondade, na inteligência e nas virtudes cristãs de Sartori. Três deles foram publicados, sendo importantes fontes sobre sua biografia. Segundo Andrea dal Negro, sua memória foi muito eclipsada pela vasta fama do irmão, mas como seu secretário e factótum deu uma contribuição fundamental para que a carreira dele fosse tão bem sucedida, além de ter deixado notável legado beneficente em Possagno.[2]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Commons
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Referências

  1. a b c d e f g h i j k Villa, Domenico. Orazione letta nelTempio di Possagno nei funerali dell'Illmº e Revmº Mons. Giambattista, Sartori-Canova, Vescovo di Mindo. Roberti, 1858, pp. 7-26
  2. a b c d e f g Dal Negro, Andrea. "Giovanni Battista Sartori Canova, Vescovo di Mindo. Una persona da rivalutare". In: Dal Negro, Andrea (ed.). La biblioteca di Canova. Tra collezione e ricerca. Possagno, 2007, pp. 9-16
  3. Ferrazzi, Giuseppe Jacopo. Nelle solenni esequie di Monsignore Giambattista Sartori-Canova, Vescovo di Mindo. Roberti, 1858, pp. 34-35
  4. Ferrazzi, p. 37
  5. Marinelli, Sergio; Mazzariol, Giuseppe; Mazzocca, Fernando. Il Veneto e l'Austria: vita e cultura artistica nelle città venete, 1814-1866. Electa, 1989, p. 307
  6. Ferrazzi, p. 40
  7. a b c Ferrazzi, pp. 43-44