Glafkos Klerides

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Glafkos Ioannou Klerides
Presidente de  Chipre
Período 28 de fevereiro de 1993
até 28 de fevereiro de 2003
Antecessor(a) Georgios Vasiliou
Sucessor(a) Tassos Papadopoulos
Dados pessoais
Nascimento 24 de abril de 1919 (99 anos)
Nicósia, Chipre
Primeira-dama Eirini Kliridou (m. 2007)
Partido Demokratikos Synagermos
Profissão advogado e político

Glafkos Ioannou Klerides (Nicósia, 24 de abril de 191915 de novembro de 2013) ), advogado e político foi presidente do Chipre em duas ocasiões: interinamente entre 23 de julho e 7 de dezembro de 1974, e entre 1993 e 2003.

Primeiros Anos[editar | editar código-fonte]

Filho de um advogado, recebeu a sua educação no Pancyprian Gymnasium de Nicósia e com o início em 1939 da Segunda Guerra Mundial listou-se na RAF britânica para servir como piloto de combate. Em 1942 o seu aparelho foi derrubado e passou o resto da guerra num campo alemão de prisioneiros. Após licenciar-se, com um reconhecimento por seus serviços, estudou Direito no King's College de Londres e obteve a graduação em 1948. Em 1951 concluiu seus estudos no Gray's Inn e até 1960 praticou como advogado em Chipre.

Guerra da Independência[editar | editar código-fonte]

Em 1955 esteve ao serviço da Organização Nacional de Combatentes Cipriotas (EOKA), a guerrilha grecocipriota do coronel Georgios Grivas que empreendeu a luta contra a autoridade colonial britânica e para conseguir a união (Enosis) de Chipre a Grécia. No movimento nacionalista Klerides forneceu assistência legal a ativistas presos e reuniu provas contra o governo britânico para serem apresentadas à Comissão de Direitos Humanos do Conselho da Europa.

Em abril de 1959, depois de assistir à Conferência multipartidária de Londres, que sancionou o esquema constitucional de transição para a ilha, foi-lhe confiado o Ministério de Justiça no Governo do arcebispo Makarios III, função que desempenhou até a proclamação da independência da República de Chipre em 16 de agosto de 1960. Neste ano, dirigiu a delegação grecocipriota na Comissão Constitucional Conjunta e nos comícios de julho saiu eleito deputado por Nicósia nas listas da Frente Patriótica, a coligação que servia de suporte político a Makarios. Na inauguração do Legislativo em agosto, foi-lhe conferida a presidência da Câmara de Representantes.

Vida Pública[editar | editar código-fonte]

Na agitada primeira década da independência, que a partir de 1963 conheceu o insucesso do marco constitucional unitário com a ruptura política e institucional entre as comunidades grega e turca e o início de violências sectárias, Klerides desempenhou diversas missões como alto oficial do Estado, representando sempre à comunidade grecocipriota, como chefe de delegação na Conferência de Londres de 1964 e negociador-chefe nas conversações intercomunais que ocorreram em Beirute em 1968 com a égide da ONU, que se prolongaram durante seis anos sem resultados práticos.

Depois de desagregar-se a Frente Patriótica, em fevereiro de 1969 Klerides pôs em marcha a sua própria força política, o Partido Unido (Eniaion), grupo de direita moderado sustentando nas classes urbanas que se pôs ao serviço de Makarios e as suas políticas, sintetizadas na rejeição à Enosis, a salvaguarda de um Chipre independente e não alinhado exteriormente, e a procura de soluções pacíficas para os conflitos intercomunais. Nas eleições legislativas do 5 de julho de 1970 o Eniaion foi a lista mais votada com 15 cadeiras, e ganhou do poderoso agrupamento comunista local, o Partido Progressista da Classe Trabalhadora (AKEL), e de outra formação surgida da desagregação do citado bloco governamental, a União Democrática pela Enosis do Chipre (EDEK), ou Partido Socialista, liderança por Vassos Lyssarides.

Invasão Turca e primeira chefia do Estado[editar | editar código-fonte]

Sendo presidente do Parlamento, Klerides ocupou a chefia interina do Estado em entre 23 de julho e 7 de dezembro de 1974, enquanto Makarios esteve no exílio, devido ao fracassado golpe de estado ultradireitista e pró-Enosis perpetrado pela Guarda Nacional cipriota, mas orquestado pela junta militar que regia em Atenas. Klerides comandou o país na etapa mais delicada da sua história, quando ocorreu a invasão e a ocupação pelo Exército de Turquia (Operação Átila) do terço norte da ilha sob o pretexto da proteção da comunidade turcociprio. Tal golpe de força veio a tornar irreversível a divisão da ilha, ademais de gerar uma onda de refugiados grecocipriotas do norte para o sul.

Em agosto, sob a ameaça do governo de Ancara, presidido por Bülent Ecevit, de conduzir uma segunda operação militar contra a ilha, Klerides susteve em Genebra em negociações de emergência com o representante turcocipriota, Rauf Denktash, que tentou arrancar uma solução baseada na fórmula de uma federação bizonal que outorgaria 34% do território aos turcocipriotas. Klerides rejeitou de pronto um tratado que ameaçaria o princípio fundador da República de Chipre, e em 14 de agosto as tropas turcas renovaram o seu avanço para o sul até a declaração, dois dias depois de um cessar-fogo e da criação de linha de demarcação, denominada Linha Átila, que se iniciava na baía de Morfu ao noroeste, indo até a cidade de Famagusta ao leste, e dividia a capital Nicósia em dois setores (Linha Verde). Em 13 de fevereiro de 1975 os turcocipriotas proclamaram em 37% do território que controlavam um Estado Federado Turco, com Denktash como presidente.

Precedido por
Georgios Vasiliou
Presidente de Chipre
1993 - 2003
Sucedido por
Tassos Papadopoulos