Glicemia pós-prandial

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Variação da glicemia pós prandial em refeição com rica em carboidratos simples (em vermelho) e em carboidratos complexos (em azul).

Glicemia pós-prandial (do greco antigo: γλυκός açúcar; αἷμα sangue; e do latim post, após; prandium almoço) é o aumento do nível de glicose na corrente sanguínea cerca de 10 minutos após uma refeição. Em resposta à absorção de carboidratos, o organismo libera insulina para permitir a entrada da glicose pelas células, como sua principal fonte de energia.

Níveis normais[editar | editar código-fonte]

As concentrações de glicemia em jejum (8 a 10h) variam geralmente entre 70 e 110 mg/dl (5 a 6mmol/L). Após um refeição rica em carboidratos (ex.: pão, arroz, batata, milho, mandioca...) a glicemia sobe até chegar a um máximo, em uma pessoa saudável, de 140mg/dl. Depois segue diminuindo por 2 a 3h até voltar aos valores de prévios. A absorção de carboidratos continua por mais de 5 a 6h.[1]

Patogênese da diabetes mellitus[editar | editar código-fonte]

A elevada glicemia após as refeições (causada pela resistência à insulina) ao longo do tempo, com a hiperinsulinemia compensatória e a diminuição da função das células β, são fundamentais para o processo patogénico. [2]

Hiperglicemia pós prandial[editar | editar código-fonte]

Diabéticos tipo I não produzem insulina e os do tipo II não respondem à insulina. Em ambos os casos, a glicose no sangue permanece elevada por muitas horas (hiperglicemia). Níveis altos de glicose no sangue (mais de 200mg/dl ou 11mmol/L) com o tempo danificam os pequenos vasos sanguíneos dos olhos, rins, coração e dos nervos. Os níveis se somam aos das alimentações seguintes, mas os sintomas só aparecem com níveis acima de 250–300 mg/dl (15–20 mmol/L).[3]

Os primeiros sintomas de hiperglicemia são a tríada: muita sede (Polidipsia), muita fome (Polifagia) e urinar muito (Poliúria). Conforme a glicemia aumenta, pode causar: visão embaçada, fadiga, arritmia cardíaca, boca seca, cicatrização lenta, impotência e formigamento. A capacidade cognitiva também é reduzida e o emocional é sensibilizado com tristeza e ansiedade.[4] Em casos graves causa convulsões, estupor, insuficiência cardíaca, coma e pode ser fatal.

Hipoglicemia pós-prandial[editar | editar código-fonte]

Em diabéticos insulinodependentes, se após a injeção da dose de insulina não for consumida uma refeição substancial, adequada à dose da insulina, os níveis de glicose podem cair abaixo do normal (menos de 3 mmol/L ou 50 mg/dL). Possíveis sinais ou sintomas de hipoglicemia abaixo de 3mmol/L incluem:

  • Tremores, ansiedade e irritabilidade;
  • Palpitações e taquicardia;
  • Sudorese e sensação de calor;
  • Palidez e pele fria;
  • Fome e mal-estar estomacal;
  • Náusea e vômito;
  • Dor de cabeça.

A hipoglicemia pós-prandial é comum após exercícios mais intensos ou prolongados que o usual ou após ingestão excessiva de álcool. Ingerir mais alimentos pode corrigir esse desequilíbrio.

Referências

  1. American Diabetes Association. Postprandial Blood Glucose Diabetes Care 2001 Apr; 24(4): 775-778.
  2. Jennie C Brand-Miller. Postprandial glycemia, glycemic index, and the prevention of type 2 diabetes. 2004 American Society for Clinical Nutrition.
  3. Total Health Life (2005). "High Blood Sugar". Total Health Institute. http://www.totalhealthlife.com/Conditions/high-blood-sugar.html
  4. Pais I, Hallschmid M, Jauch-Chara K, et al. (2007). "Mood and cognitive functions during acute euglycaemia and mild hyperglycaemia in type 2 diabetic patients". Exp. Clin. Endocrinol. Diabetes. 115 (1): 42–6. doi:10.1055/s-2007-957348