Gliricidia sepium

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Como ler uma infocaixa de taxonomiaGliricidia sepium
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Gliricidia sepium (Madre de cacao - Mindanao, Philippines).jpg
Classificação científica
Reino: Plantae
Clado: Tracheophytes
Clado: Angiosperms
Clado: Eudicots
Clado: Rosids
Ordem: Fabales
Família: Fabacea
Subfamília: Faboideae
Tribo: Robinieae
Género: Gliricidia
Espécie: G. Sepium
Sinónimos
  • Galedupa pungam Blanco
  • Gliricidia lambii Fernal
  • Gliricidia maculata (Kunth) Walp.
  • Gliricidia maculata var. multijuga Micheli
  • Gliricidia sepium (Jacq.) Kunth ex Griseb.
  • Lonchocarpus rosea (Mill.) DC.
  • Lonchocarpus sepium (Jacq.) DC.
  • Millettia luzonensis A.Gray
  • Millettia slendidissima "sensu Naves, non Blume"
  • Robinia maculata Kunth
  • Robinia rosea Mill.
  • Robinia sepium Jacq.
  • Robinia variegata Schltdl.

Gliricidia sepium, popularmente referenciada simplesmente por seu gênero Gliricidia, é uma árvore leguminosa de tamanho médio pertencente à família Fabaceae. É uma importante árvore multifuncional,[1] com uma distribuição nativa do México à Colômbia, mas agora amplamente introduzida em outras zonas tropicais.[2] No Brasil, é bastante usada atualmente em sistemas agroflorestais e na agricultura sintrópica.[3]

Descrição[editar | editar código-fonte]

Flor da Gliricidia Sepium

G. sepium é uma árvore de tamanho médio que cresce até 12 metros de altura. A casca é lisa e sua cor pode variar de um cinza esbranquiçado a um marrom-avermelhado.

As flores estão localizadas na extremidade dos ramos que não possuem folhas. Estas flores têm uma cor rosa brilhante a lilás tingido de branco. Uma pálida mancha amarela é geralmente visivel na base da flor.

O fruto da árvore é uma vagem de cerca de 10-15 cm, de cor verde quando imatura e amarelo-acastanhado quando atinge a maturidade. A vagem produz quatro a dez sementes redondas de cor castanha. Suas sementes são dispersas até 40 metros de distância, após a abertura "explosiva" das vagens, com uma taxa de germinação em torno de 90%. Por isso é considerada uma espécie invasora em algumas regiões.[4]

G. sepium é nativa de florestas tropicais secas no México e na América Central. Além de sua ocorrência nativa, é cultivada em muitas regiões tropicais e subtropicais, incluindo o Caribe, partes do norte da América do Sul, África Central, partes da Índia, partes de Mianmar e sudeste da Ásia.[5]

A árvore cresce bem em solos ácidos com um pH de 4,5-6,2. É encontrada em solos vulcânicos em sua ocorrência nativa na América Central e no México. No entanto, também pode crescer em solos arenosos, argilosos e calcários.[6][7]

É bastante tolerante a seca, produzindo bastante biomassa mesmo em condições de baixa disponibilidade hídrica.[8]

G. sepium é popularmente chamada ao redor do mundo de: mata ratón, cacao de nance, cacahuananche, balo-no-Panamá, piñón cubano na República Dominicana, madreado em Honduras, kakawate nas Filipinas, madre xacao ou madre de cacao nas Filipinas e na Guatemala, madera negro na Nicarágua, undirmari em Marathi, wetahiriya em Sinhala e quick-stick em inglês.[7]

Usos[editar | editar código-fonte]

G. sepium foi espalhada pelos trópicos para sombrear plantações, como as de café e cacau.[9] Hoje é usada para muitos outros fins, incluindo cercas vivas, forragem, lenha[10], adubo verde, cultivo intercalado e veneno de rato.[11] Seu uso se expandiu após a desfoliação generalizada de Leucaena, atacadas pelo psilídeo na década de 1980. No método charsutri de cultivo de arroz, as folhas de gliricidia são incorporadas ao solo durante a aração.

Forragem[editar | editar código-fonte]

G. sepium é usada como forragem para bovinos, ovinos e caprinos. Seu alto teor de proteína permite complementar forragens tropicais de baixa qualidade. G. sepium pode tolerar constantes podas, a cada 2 a 4 meses dependendo do clima. A poda da G. sepium faz com que ela retenha suas folhas durante a estação seca, quando muitas culturas forrageiras perderam suas folhas. Em alguns casos, é a única fonte de alimento durante a estação seca.[9]

Consórcio[editar | editar código-fonte]

G. sepium é usada em cultivos consorciados, em parte porque fixa nitrogênio no solo e tolera condições de baixa fertilidade. Portanto, quando são intercaladas com outras culturas, podem aumentar significativamente a produtividade das lavouras, sem a necessidade de fertilizantes químicos.

É altamente tolerável a podas drásticas anuais, até mesmo na altura de outras culturas baixas ou na base do tronco.[12] Dessa forma, é utilizada também como adubo verde.

Estabilização do solo[editar | editar código-fonte]

G. sepium é uma planta pioneira de rápido crescimento e fácil propagação por estacas ou sementes. Por isso, também é plantada para evitar a erosão da camada superficial do solo nos estágios iniciais do reflorestamento de áreas desmatadas e como uma etapa intermediária a ser realizada antes da introdução de espécies que demoram mais para crescer, ou são mais exigentes quanto a qualidade do solo e quantidade de luz solar.[12]

Árvore de sombra[editar | editar código-fonte]

O nome vulgar madre de cacao (literalmente "mãe do cacau " em espanhol), usado na América Central e nas Filipinas, é uma referência ao seu uso tradicional como árvore de sombra para as plantações de cacau.[13]

Outros[editar | editar código-fonte]

G. sepium é amplamente utilizado como estaca para cercas vivas em Cuba e Índia, com o intuito de proteger as culturas de animais como cabras, vacas e búfalos. Para esta finalidade, é considerada uma das melhores plantas.[14] Também é usada por suas propriedades repelentes de insetos. Fazendeiros da América Latina costumam lavar seus rebanhos com uma pasta feita de folhas esmagadas de G. sepium para afastar a mosca-berneira. Nas Filipinas, o extrato obtido de suas folhas é transformado em xampu anti-sarna para cães.[6]

Referências

  1. BATISH, Rani Daizy; etal.(2007).Ecological Basis of Agroforestry. CRC Press. Isbn 978-1-4200-4327-3. Disponível em https://books.google.com/books?id=HsDrg48t4TkC&pg=PA44&dq=Gliricidia+sepium#PPA44,M1
  2. Kewscience: plants of the world online. Giricídia Kunth. Disponível em http://www.plantsoftheworldonline.org/taxon/urn:lsid:ipni.org:names:327152-2
  3. MARTINELLI, João Victor. Os sistemas agroflorestais no Brasil: abordagem conceitual, ecológica e socioeconômica. 2020. Dissertação (Mestrado em Ciências Ambientais). Universidade Estadual do Oeste do Paraná, Toledo. Disponível em http://tede.unioeste.br/bitstream/tede/5085/2/Joao_Martinelli_2020.pdf
  4. SIMONS A.J.; STEWART J.L. 2007. Gliricidia sepium - a Multipurpose Forage Tree Legume. In: Fodder Tree Legumes in Tropical Agriculture. Gutteridge, R. C. and Shelton, H.M.J. (Eds.). pp. 30-48. CABI, Wallingford, UK. Acessado em 11 de abril de 2021. Disponível em https://www.gov.uk/research-for-development-outputs/gliricidia-sepium-a-multipurpose-forage-tree-legume
  5. HUGHES, C.E. (1987). Biological considerations in designing a seed collection strategy for Gliricidia sepium (Jacq.) Walp. (Leguminosae). Commonwealth Forestry Review 66, 31-48. Disponível em https://www.gov.uk/research-for-development-outputs/biological-considerations-in-designing-a-seed-collection-strategy-for-gliricidia-sepium-jacq-walp-leguminosae
  6. a b (2008). Treating Livestock with Medicinal Plants: Beneficial or Toxic?. Cornell University.
  7. a b Australian Centre for International Agricultural Research. Tropical Forages: Gliricidia sepium. Disponível em https://web.archive.org/web/20150913010418/http://www.tropicalforages.info/key/Forages/Media/Html/Gliricidia_sepium.htm
  8. MARIN, Aldrin Martin Pérez, MENEZES, Rômulo Simões César, SILVA, Emanuel Dias, & SAMPAIO, Everardo Valadares de Sá Barreto. (2006). Efeito da Gliricidia sepium sobre nutrientes do solo, microclima e produtividade do milho em sistema agroflorestal no Agreste Paraibano. Revista Brasileira de Ciência do Solo, 30(3), 555-564. https://dx.doi.org/10.1590/S0100-06832006000300015 Acessado em 11 de abril de 2021.
  9. a b STUTTLE, J.M. (2015). Gliricidia sepium (Jacq.). Food and Agriculture Organization of the United Nations. Disponível em: https://web.archive.org/web/20151126195540/http://www.fao.org/ag/agp/AGPC/doc/gbase/data/pf000156.htm
  10. LOWE, Andrew; etal. (2004). Ecological Genetics: Design, Analysis, and Application. Wiley. Isbn 1405100338, 9781405100335. Disponível em https://books.google.com.br/books?id=L1hy1hu6MW0C&redir_esc=y
  11. ELEVITCH, Craig R. (2004). The Overstory Book: Cultivating Connections with Trees. Permanent Agriculture Resources. Isbn 0-9702544-3-1. Disponível em https://books.google.com.br/books?id=SAJQhK1fWDoC&pg=RA1-PA152&dq=Gliricidia+sepium&redir_esc=y#v=onepage&q=Gliricidia%20sepium&f=false
  12. a b KINVER, Mark. Trees 'boost African crop yields and food security. BBC News. Disponível em https://www.bbc.co.uk/news/science-environment-15305271
  13. ABULUDE, F.O.; ADEBOTE, V.T.(2009). Antibacterial investigation of crude extracts of the root bark of Gliricidia sepium. Continental J. Microbiology. Disponível em https://core.ac.uk/display/144828062
  14. GONZÁLEZ, José Raúl Hernandez. Plantas, flora y vegetación endémica de Cuba. Disponível em https://www.monografias.com/docs113/plantas-flora-y-vegetacion-endemica-cuba/plantas-flora-y-vegetacion-endemica-cuba.shtml