Glyptodontidae

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Como ler uma infocaixa de taxonomiaGliptodontes, Gliptodontídeos
Ocorrência: Eoceno até Holoceno 55.8–0.01 Ma
Reconstituição de um gliptodonte.
Reconstituição de um gliptodonte.
Estado de conservação
Extinta (fóssil)
Classificação científica
Reino: Animalia
Divisão: Chordata
Classe: Mammalia
Ordem: Cingulata
Família: Glyptodontidae
Burmeister, 1879
Gêneros
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Glyptodontidae é uma família de mamíferos herbívoros extintos, assemelhados aos tatus, que viveram nas Américas e conhecidos popularmente como gliptodontes ou gliptodontídeos[1][2].

O nome gliptodonte se origina do grego "Glyptodon" e significa "dente esculpido" (glyptos=esculpido e odontes=dentes), devido ao formato típico, bastante sulcado, dos dentes destes animais[2].

Origem e distribuição[editar | editar código-fonte]

Os gliptodontes se originaram na América do Sul e se expalharam para as américas central e do norte através da formação do Istmo do Panamá, durante o Mioceno[1]. Através de pesquisas recentes, em 2016, com amostradas de DNA de ossos de gliptodontes encontrados na Argentina, conclui-se que este grupo de animais deve ter evoluído a partir grupos muitos antigos de tatus da família Chlamyphoridae[3].

Os registros fósseis mais antigos de gliptodontes datam do fim do período Eoceno e os mais recentes do início do período Holoceno[1], tendo alcançado sua maior diversidade biológica entre os períodos Oligoceno e Pleistoceno[1].

Conviveram por milhares de anos com grupos humanos pré-históricos, sendo extintos há aproximadamente 10.000 anos durante o término da última era glacial, juntamente com um grande número de outras espécies da megafauna pleistocênica[1], incluindo as preguiças gigantes e as "lhamas macrauquênias". Seus parentes muito menores, mais leves e com couraça mais flexível, os tatus, sobreviveram.

Características[editar | editar código-fonte]

Certas espécies de gliptodonte mediam cerca de 3 metros de comprimento e pesavam cerca de 1,4 toneladas, sendo equivalente em forma, tamanho e peso a um Volkswagen Fusca.

Eram herbívoros e, pela sua constituição, depreende-se que não fossem muito ágeis[1]. Porém, a principal característica do gliptodontídeos era a sua couraça que os protegia de predadores, como as aves gigantes da família das forusracídeas e tigres-dentre-de-sabre. Diferente dos tatus, que têm a carapaça flexível, os gliptodontes tinham a sua carapaça bastante rígida, com exceção de algumas partes em algumas poucas espécies[1].

As várias espécies de gliptodonte são distinguidas principalmente pelos padrões e tipos de carapaça, sendo complicada a distinção entre as espécies quando há poucos fragmentos de ossos disponíveis para identificação, o que é comum e tem ocasionado confusões e sinonímias taxonômicas na identificação das espécies[4].

Interações com seres humanos[editar | editar código-fonte]

Acredita-se os humanos pré-históricos tenham utilizado os gliptodontes como caça, além de outros usos, como as carapaças como abrigo[5]. Há autores que inclusive citam que na era moderna, índios do século XVII também utilizavam esqueletos fósseis de gliptodontes como abrigos[6].

Uma das primeiras indicações desta interação foi o interessante achado arqueológico conhecido como "Esqueleto de Fontezuelas", encontrado em 1881 e estudado pelo cientista argentino Florentino Ameghino, o qual consiste num esqueleto humano pré-histórico encontrado soterrado dentro de uma carapaça de gliptodonte fóssil[5][7].

Fósseis de diferentes espécies de gliptodontes, no Museu de La Plata, Argentina. Da esquerda para a direita: Sclerocalyptus ornatus (reconstrução), Glyptodon clavipes, Panochthus intermedius e Doedicurus clavicaudatus

Gêneros[editar | editar código-fonte]

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. a b c d e f g Zurita, Alfredo & Scillato-Yané, Gustavo & Ciancio, Martin & Zamorano, Martín & , Laureano & Gonzalez-Ruiz, Laureano (2016). «Los Glyptodontidae (Mammalia, Xenarthra): Historia biogeográfica y evolutiva de un grupo particular de mamíferos acorazados» (PDF). Contribuciones del Museo Argentino de Ciencias Naturales "Bernardino Rivadavia". 6. Consultado em 15 de novembro de 2018 
  2. a b Santos, José Darival Ferreira dos (2014). Estudo do gênero Panochthus Burmeister, 1866 (Mammalia, Xenarthra, Glyptodontidae) do pleistoceno do estado do Rio Grande do Sul, Brasil» (PDF). Dissertação de Mestrado da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Instituto de Geociências. Programa de Pós-Graduação em Geociências. Consultado em 15 de novembro de 2018.
  3. Mitchell et. al. (2016). «Ancient DNA from the extinct South American giant glyptodont Doedicurus sp. (Xenarthra: Glyptodontidae) reveals that glyptodonts evolved from Eocene armadillos». Mol Ecol. Consultado em 15 de novembro de 2018 
  4. Elaide & Porpino (2018). «Histological variation in osteoderms Panochthus sp. and Glyptotherium sp.(Xenarthra: Mammalia) from the Brazilian intertropical region». Revista Brasileira de Paleontologia 21(2):141-157 
  5. a b Gustavo G. Politis, María A. Gutiérrez. «Gliptodontes y Cazadores-Recolectores de la Region Pampeana (Argentina)». Latin American Antiquity 9(2):111. Consultado em 15 de novembro de 2018 
  6. Evaristo Eduardo Miranda (2004). O Descobrimento da Biodiversidade. A Ecologia de Índios, Jesuítas e Leigos no Século XVI. [S.l.: s.n.] Consultado em 15 de novembro de 2018 
  7. Politis & Bonomo (2011). Vida y Obra de Florentino Ameghino - Capítulo "Nuevos datos sobre el “Hombre Fósil” de Ameghino". [S.l.]: Asociación Paleontológica Argentina. Consultado em 15 de novembro de 2018 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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