Goianésia do Pará

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Município de Goianésia do Pará
"Goianas"
"Goianésia dos Carajás"
Canteiro central de Goianésia

Canteiro central de Goianésia
Bandeira de Goianésia do Pará
Brasão de Goianésia do Pará
Bandeira Brasão
Hino
Aniversário 13 de Dezembro
Fundação 1977 (40 anos)
Emancipação 13 de dezembro de 1991 (25 anos)
Gentílico goianesiense
Prefeito(a) Ribamar Ferreira Lima (PMDB)
(2017–2020)
Localização
Localização de Goianésia do Pará
Localização de Goianésia do Pará no Pará
Goianésia do Pará está localizado em: Brasil
Goianésia do Pará
Localização de Goianésia do Pará no Brasil
03° 50' 34" S 49° 05' 49" O03° 50' 34" S 49° 05' 49" O
Unidade federativa Pará Pará
Mesorregião Sudeste Paraense IBGE/2008 [1]
Microrregião Paragominas IBGE/2008 [1]
Municípios limítrofes Norte: Tailândia e Paragominas; Leste: Dom Eliseu e Rondon do Pará; Sul: Jacundá; Oeste: Breu Branco e Novo Repartimento
Distância até a capital 335 km
Características geográficas
Área 7 021,191 km² [2]
População 38 677 hab. IBGE/2016[3]
Densidade 5,51 hab./km²
Altitude 103 m
Clima Tropical semiúmido (Aw/As)
Fuso horário UTC−3
Indicadores
IDH-M 0,56 baixo PNUD/2010[4]
PIB R$ 318 753,75 mil IBGE/2014[5]
PIB per capita R$ 8 557,38 IBGE/2014[5]
Página oficial

Goianésia do Pará é um município brasileiro do estado do Pará. Localiza-se a uma latitude 03º50'33" sul e a uma longitude 49º05'49" oeste, estando a uma altitude de 103 metros. Sua população estimada em 2016 era de 38.677 habitantes.

História[editar | editar código-fonte]

Centro de Goianésia

A ocupação da área de Goianésia iniciou-se na década de 1970 com o advento das obras da hidroelétrica de Tucuruí. A penetração no território de Goianésia beneficiou-se da necessidade da construção dos linhões de transmissão que levariam energia à Marabá e às minas de ferro da Serra dos Carajás, e das estradas que dariam suporte logístico tanto para a construção, como para a manutenção da rede elétrica e ligação rodoviária de Tucuruí com o restante do território nacional.[6]

Colonização pelos imigrantes[editar | editar código-fonte]

Conforme as construtoras abriam as rodovias PA-263 e PA-150 (rodovia Paulo Fontelles), vários imigrantes vindos sobretudo do Goiás, do Maranhão, de Minas Gerais e do Paraná, instalaram-se à beira das estradas.[6]

Em 1977 a PA-263 alcança a PA-150, formando assim um entroncamento rodoviário. Neste entroncamento foi montado um grande canteiro de obras, que servia de suporte aos operários de ambas as rodovias, e aos operários construtores dos linhões de transmissão. Os imigrantes deslocaram-se para lá e montaram seus acampamentos ao lado dos canteiros, assim formando a primeira comunidade com características urbanas de Goianésia. Em pouco tempo os canteiros de obras foram desmontados, mas os colonos imigrantes resolveram permanecer na área. O local deste acampamento fazia parte da Fazenda Baronesa, de propriedade do Sr. Anézio Guerra, imigrante goiano natural da cidade de Goianésia de Goiás. O Sr. Guerra doou as terras de sua propriedade e organizou a ocupação dos colonos, nomeando a vila recém-formada de "Goianésia" (em homenagem à sua terra natal). A vila Goianésia era formada por somente 12 casas em sua fundação.[6]

A grande oferta de terras atraiu muitos imigrantes para a região, e a vila cresceu demograficamente entre as décadas de 1970 e 1980. Neste período floresceu na vila de Goianésia atividades relacionadas à extração de madeira. Foram instaladas inúmeras madeireiras e serrarias que contribuíram para o primeiro grande ciclo econômico local.[7]

Luta pela emancipação[editar | editar código-fonte]

Em 1986 Goianésia foi elevada à categoria de distrito de Rondon do Pará. Neste mesmo ano, é fundada a Associação de Moradores de Goianésia, que tinha como principal objetivo a emancipação política da localidade. A associação organizou os debates e juntou os grupos de classe que já lutavam pelo desenvolvimento local separadamente. Antes da organização da associação, o principal organismo de articulação local era a Comissão Pastoral da Terra.[8][9]

Em 1988 foi levantado pela Associação dos Moradores, um abaixo-assinado nas localidades que comporiam o novo município. O abaixo assinado foi encaminhado à assembleia legislativa estadual e tornou-se o ponto crucial para que fosse aprovada a realização do plebiscito emancipatório de 1991.[10]

Em 28 de janeiro de 1991 foi realizado o plebiscito em todas as regiões que comporiam o município, que confirmou com 95,83% de aprovação, o desejo pela emancipação. No total, 1.727 eleitores votaram, sendo que 1.655 optaram pelo sim à emancipação.[10]

O município de Goianésia do Pará foi criado em 13 de dezembro de 1991, pela lei n° 5.686. Teve sua área desmembrada dos municípios de Rondon do Pará, Jacundá,Moju e Tucuruí.[10]

No pleito municipal de 3 de outubro de 1992 foi eleito o primeiro prefeito do município, Amário Lopes Fernandes. A prefeitura foi instalada no dia 1 de janeiro de 1993, com a posse do prefeito, do vice-prefeito e dos vereadores eleitos.[6][9]

Décadas de 1990 e 2000[editar | editar código-fonte]

Carros circulando pela rodovia Paulo Fontelles (PA-150) no centro de Goianésia

A década de 1990, marca a formação do município, que ainda tinha uma economia muito fragilizada e dependente das atividades econômicas relacionadas à madeira.[6]

Este período marcou a explosão da atividade madeireira em todo o município. Goianésia tornou-se um dos maiores produtores de madeira semi-beneficiada de toda a região norte, abastecendo a demanda do mercado internacional e do centro-sul brasileiro. Entretanto desde 2005 o município vem sofrendo com a crise do setor, que acabou deixando o município em dificuldades econômicas.[11][12]

Fatos recentes[editar | editar código-fonte]

Em 2011 Goianésia participou ativamente com todo o sudeste do Pará, da consulta plebiscitária que definiu sobre a divisão do estado do Pará. Desde a emancipação municipal, Goianésia insere-se como parte da proposta do estado do Carajás, tanto que o município é filiado desde a sua fundação aos dois principais organismos de luta pela causa na região, a "Comissão Brandão" e a "AMAT Carajás".[13]

Embora a expressiva votação favorável no plebiscito em Goianésia, tendo alcançado entre a população local mais de 85% de aprovação pela criação do estado do Carajás,[14] o peso da região de Belém se fez maior, e se sobrepôs ao anseio local.[15] Entretanto, mesmo com a derrota na votação, o município continua, juntamente com a região, a pleitear a separação para criação do estado do Carajás.[13]

Geografia[editar | editar código-fonte]

A sede de Goianésia apresenta as seguintes coordenadas: 3° 50’ 30’’ de latitude sul e 49° 06’ 06’’ de longitude WGr.[6]

Clima[editar | editar código-fonte]

O seu clima insere-se na categoria tropical semi-úmido, tipo As na classificação de Koppen, no limite da transição para o Aw. Possui temperatura média anual de 26,35 °C, apresentando máxima em torno de 32,01 °C, e mínima de 22,71 °C. A umidade relativa do ar é elevada, sendo a média real de novembro a maio, e o mais seco, de junho a outubro, estando o índice pluviométrico anual em torno de 2000 mm.[6]

Relevo, solos e vegetação[editar | editar código-fonte]

O solo do município está representado pelo latossolo amareli, podzóico vermelho amarelo, concrecionário laterítico e gley pouco úmido nas áreas aluviais.[6]

O relevo de Goianésia apresenta-se com altitudes modestas, em que suas formas são representadas por colinas, chapadas, superfícies aplainadas e tabuleiros aplainados ou dissecados. Nas margens dos rios; áreas aluviais como as várzeas dos rios Surubijú, Moju e Tocantins. Geomorfologicamente o relevo insere-se na unidade que corresponde a depressão periférica do sul do Pará.[6]

A vegetação do município é representada pela floresta densa de platôs, floresta densa de terraço e pela floresta densa de planície aluvial.[6]

Economia[editar | editar código-fonte]

O município de Goianésia insere-se na chamada fronteira agrícola Amazônica, maior região produtora de commodities agrícolas desta porção do território nacional.[16] O município produz principalmente carnes, leite, cereais e madeira beneficiada e semi-beneficiada.

Referências

  1. a b «Divisão Territorial do Brasil». Divisão Territorial do Brasil e Limites Territoriais. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 1 de julho de 2008. Consultado em 11 de outubro de 2008 
  2. IBGE (10 out. 2002). «Área territorial oficial». Resolução da Presidência do IBGE de n° 5 (R.PR-5/02). Consultado em 5 de dezembro de 2010 
  3. «Estimativas da população residente nos municípios brasileiros com data de Referência em 1 de julho de 2016» (PDF). Estimativa Populacional para 2016. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 1 de julho de 2016. Consultado em 29 de dezembro de 2016 
  4. «Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil». Atlas do Desenvolvimento Humano. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). 2010. Consultado em 22 de setembro de 2013 
  5. a b «PIBMunicipal2010-2014». Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Consultado em 28 de dezembro de 2016 
  6. a b c d e f g h i j Governo do estado do Pará; SUDAM (1993). Goianésia do Pará. Belém: SEPLAN 
  7. «Histórico de Goianésia - Parte I». GoiFest 
  8. «Histórico de Goianésia - Parte II». GoiFest 
  9. a b «Nossa Cidade». Prefeitura de Goianésia 
  10. a b c Assembleia Legislativa do Pará (20 de dezembro de 1991). Lei nº 5.686, de 13 de dez. de 1991: Cria o município de Goianésia do Pará e da outras providências 27.122 ed. Belém: Diário oficial do estado 
  11. «A Floresta Sitiada». Veja Especial Amazônia 
  12. «Governo se pronuncia sobre crise do setor madeireiro». O Liberal Digital 
  13. a b «Sessões marcam a luta pelo Estado de Carajás». Agora Press 
  14. «Resultado do plebiscito por município - Carajás». Camaléo 
  15. «Apenas 4 cidades que integrariam Tapajós votaram contra divisão do PA». G1 
  16. «Fazendeiro do Pará mascara trabalho escravo». Repórter Brasil 
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