Gokturks

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Canato Túrquico
Canato Göktürk

Império

552 – 744
Localização de Göktürks
Mapa do canato dos göktürks em 551-572
Göktürks
Territórios dos territórios dos göktürk no auge da sua expansão, c. 600

                     Canato Túrquico Ocidental                      Canato Túrquico Oriental

Continente Ásia
Capital Ötüken
Língua oficial Sogdiano
Turco antigo
Religião Tengriismo
Governo Canato
ou kagan
 • 551-553 Bumin
Legislatura Kurultai
Período histórico Idade Média
 • 552 Fundação
 • 744 Dissolução
Área
 • 557 6 000 000 km2
Os contornos mais claros correspondem aos territórios sob domínio efetivo, os mais escuros às áreas de influência.

O sogdiano foi a língua oficial durante o primeiro canato[1] e o turco antigo durante o segundo canato.

Os göktürks, köktürks ou kök türks foram uma confederação de nómadas da Ásia Central que, sob a liderança do kagan Bumin formaram o chamado Canato Túrquico ou Canato Göktürk, o qual sucedeu aos rouran como principal potência na região e ganhou o controlo do lucrativo comércio da Rota da Seda a partir de 552.

O nome dado à confederação tem ainda mais variantes. Em turco antigo eram chamados Old Turkic letter UK.svgOld Turkic letter R2.svgOld Turkic letter U.svgOld Turkic letter T2.svg (türük), Old Turkic letter UK.svgOld Turkic letter R2.svgOld Turkic letter U.svgOld Turkic letter T2.svg Old Turkic letter K.svgOld Turkic letter U.svgOld Turkic letter UK.svg (kök türük)[2] [3] ou Old Turkic letter K.svgOld Turkic letter R2.svgOld Turkic letter U.svgOld Turkic letter T2.svg (türük, turcos celestiais ou turcos azuis).[4] [5] Nas fontes chinesas aparecem como 突厥, que tem várias transliterações: tujué (Pinyin), t'u-chüeh (Wade-Giles) ou dʰuət-kĭwɐt (chinês medieval).

Os göktürks tornaram-se os líderes dos diversos povos das estepes da Ásia Central depois de se rebelarem contra o Canato Rouran. Sob o seu governo, o Canato Túrquico expandiu-se rapidamente, estendendo o seu domínio sobre um imenso território, unindo as tribos nómadas turcomanas num império que durou de 552 até 745 e que colapsou devido a uma série de conflitos dinásticos.[carece de fontes?]

Etimologia[editar | editar código-fonte]

De acordo com as fontes chinesas, o significado do termo que os chineses usavam para designar os turcos (tujué) era "capacete de combate" (兜鍪; Pinyin: doumóu, Wade-Giles: tou-mou), supostamente por causa da forma das montanhas Jinshan (金山, jinshan, Montanhas Altai) onde eles viviam ser semelhante à dos capacetes de combate e por isso eles se chamarem a si próprios 突厥 (tujué ou t'u-chüeh).[6] [7] [8]

Em mongol, duulg (дуулга), também pronunciado durk em alguns dialetos, significa igualmente capacete de combate. O plural em mongol seria duulgud, que muitos entendem como sendo o mesmo que turkut, o nome que os göktürks davam a si próprios, que significa "turcos". Pelo mesmo motivo, há teorias que defendem que a palavra turk ou dulg (tolga; [capacete] em turco) era o termo usado para designar capacete de combate, o qual foi aplicado ao clã Ashina, vassalo do canato mongol de Rouran.

A afirmação comum de que göktürks significa "turcos celestiais" é consistente com o "culto do governo ordenado divinamente (celestialmente)", o qual era um elemento crucial da cultura política altaica antes de ter sido importado para a China.[9] De igual modo, o nome do clã de Ashina possivelmente deriva do termo usado pelos sacas de Khotan (ou de Hotan) para "azul intenso" (āššɪna).[10] O nome pode também ter derivado duma tribo tungus aparentada com os Aisin Gioro.[11]

Origens[editar | editar código-fonte]

Os governantes göktürks descendiam do clã de Ashina, uma tribo de origens obscuras que vivia no canto norte da Ásia Interior.

De acordo com o Livro de Zhou[8] e a História das Dinastias do Norte,[7] os Ashina eram um ramo dos Xiongnu, enquanto segundo o Livro de Sui [6] e o Tongdian[12] eram "uma mistura de Hu" (雜胡 / 杂胡; Pinyin: zá hú; Wade-Giles: tsa hu) de Pingliang. O Livro de Sui relata que quando o imperador Taiwu de Wei do Norte destronou Juqu Mujian de Liang do Norte em 18 de outubro de 439,[13] [14] [15] 500 famílias fugiram para o Caganato de Rouran.[6] No seio do heterogéneo Canato de Rouran, os göktürks viveram a norte das Montanhas Altai durante várias gerações, onde se dedicavam à metalurgia.[6] [16] Segundo Denis Sinor, a sua ascensão ao poder representou mais uma "revolução interna" na confederação do que uma conquista exterior.[17] Segundo Charles Holcombe, as primeiras populações tujue eram muito heterogéneas e muitos dos nomes do governantes turcos nem sequer eram túrquicos.[18]

Primeiro canato[editar | editar código-fonte]

Petróglifos göktürks da Mongólia do (século VI-VIII).

A subida ao poder dos göktürks começou em 546, quando Bumin lançou o que atualmente se chamaria um ataque preventivo contra as tribos uigures e tiele, que planeavam uma revolta contra os seus senhores supremos, os rouran. Bumin esperava ser recompensado por esse ataque com o casamento com uma princesa rouran. No entanto, o kaghan Anagui enviou um emissário a repreendê-lo dizendo — «Tu és o meu escravo ferreiro. Como te atreves a pronunciar essas palavras?». Como o comentário de Anagui sobre o "escravo ferreiro" (鍛奴/锻奴; Pinyin: duànnú, Wade-Giles: tuan-nu) foi registado nas crónicas chinesas, alguns autores defendem que os göktürks eram de facto servos dos rouran especializados em trabalhos metalúrgicos.[19] [20] [21] [22] e que o termo "escravos ferreiro" possa referir-se a uma espécie de sistema de vassalagem existente na sociedade rouran.[23] De acordo com Denis Sinor, essa referência indica que os göktürks eram especialistas em metalurgia, embora não seja claro se eram ferreiros ou mineiros.[24] [25]

Frustradas as suas expetativas, Bumin aliou-se com o estado de Wei do Norte contra o Canato de Rouran. Entre 11 de fevereiro e 10 de março de 552, Bumin derrotou o khan rouran Yujiulü Anagui a norte de Huaihuang (atualmente Zhangjiakou, na província de Hebei, uma das seis cidades da fronteira).[7]

Tendo tido sucesso na guerra e na diplomacia, Bumin proclamou-se a si próprio Illig (Khagan ou grande khan, rei de reis) do novo Canato em Ötüken, mas morreu um ano depois. O seu filho Mugan derrotou os heftalitas (厭噠; chamados "hunos brancos" pelos bizantinos),[8] os khitan (契丹) e os quirguizes (契骨).[26] O irmão de Bumin, Istämi, morto em 576, foi intitulado "yabgu do ocidente" e aliou-se aos persas sassânidas para derrotarem os hunos brancos aliados dos rouran. Esta guerra reforçou o controlo dos Ashina sobre a Rota da Seda e forçou a fuga dos ávaros eurasiáticos para a Europa.[carece de fontes?]

A política de expansão para ocidente de Istämi levou os göktürks até à Europa de leste.[carece de fontes?] Em 576 os göktürks atravessaram o Bósforo Cimério e penetraram na Crimeia. Cinco anos depois cercaram Chersonesos Taurica. A cavalaria göktürk errou pela Crimeia até 590. As fronteiras a sul foram traçadas a sul do Rio Amu Dária, o que provocou um conflito com os antigos aliados sassânidas. Grande parte da Báctria, incluindo Balkh, permaneceu na dependência dos Ashina até ao fim do século VI.[27]

Guerra civil (c. 584-603)[editar | editar código-fonte]

O primeiro canato göktürk dividiu-se em dois após a morte do quarto (ou khagan), Taspar Qaghan, cerca de 584. O testamento de Taspar determinava que o título de cã fosse dado a ao filho de Muqan, Ahina Daluobian (Apa Qaghan), mas o alto conselho nomeou Ishbara Qaghan. Formaram-se fações em volta dos dois líderes que disputavam o título. O conflito entre as duas facções foi instigado com sucesso pelas dinastias chinesas Sui e Tang.[carece de fontes?]

O beligerante mais aguerrido foi o do yabgu do ocidente Tardu, filho de Istämi, um homem violento e ambicioso que entretanto já se tinha declarado independente após a morte do seu pai. Auto-intitulando-se cã, Tardu liderou um exército e marchou para leste para reclamar a capital imperial, Ötüken.[carece de fontes?]

Para fortificar a sua posição, Ishbara, do canato oriental, pediu proteção ao imperador chinês Yangdi. Tardu atacou Changan, a capital Sui, a atual Xian, cerca do ano 600, exigindo a Yangdi que deixasse de interferir na guerra civil. Em retaliação, a diplomacia chinesa incitou uma revolta dos tiele, vassalos de Tardu, a qual conduziu ao fim do reino de Tardu em 603. Entre as tribos dissidentes encontravam-se os uigures e os Syr-Tardush (ou Xueyantuo ou Se-Yanto).[carece de fontes?]

Primeiro Canato Túrquico Oriental (603-630)[editar | editar código-fonte]

A guerra civil deixou o império dividido nas partes ocidental e oriental. Esta última continuou a ser governada a partir de Ötüken, na órbita do Império Sui, e manteve o nome Göktürk. Os cãs Shibi (609-619) e Illig (620-630) atacaram a China no período em que esta esteve mais enfraquecida, durante a transição entre as disnastias Sui e Tang. A 11 de setembro de 615, o exército de Shibi cercou o imperador Sui Yangdi em Yanmen, no que é atualmente o Xian de Dai, província de Shanxi.[28] [29]

Em 626, Illig Cã aproveita o Incidente na Porta Xuanwu e marchou sobre Changan. A 23 de setembro desse ano,[30] Illig e os seus cavaleiros com armaduras chegam às margens do Rio Wei, a norte da ponte de Bian, onde se situa atualmente Xianyang.[31] Dois dias depois, Li Shimin (o imperador Taizong da dinastia Tang) forma uma aliança com Illih, matando um cavalo branco na ponte Bian. Os Tang pagaram compesações e prometeram mais tributos em troca da retirada da cavalaria de Illig Cã. O acordo ficou conhecido como "Aliança do Rio Wei" (渭水之盟) ou Aliança de Bian Qiao (便橋會盟 / 便桥会盟).[32] Ao todo foram registadas 67 incursões de göktürks em territórios chineses.[27]

Antes de meados de outubro de 627, grandes nevões na estepe mongol cobriram os terrenos de neve com mais de um metro de altura, impossibilitando que o gado dos nómadas se alimentasse e causando grande mortandade entre os animais.[33] De acordo com o Novo Livro dos Tang, em 628 Taizong contou que «Houve gelo em pleno verão. O sol nasceu no mesmo sítio durante cinco dias. O campo ficou cheio de atmosfera vermelha (tempestade de poeira).»[34]

Illig Cã foi derrubado do poder por uma revolta das tribos Tiele suas vassalas (626-630), as quais se aliaram ao imperador Taizong. Esta aliança tribal aparece nos anais chineses como sendo os Huihe (uigures).[carece de fontes?]

A 27 março de 630,[35] um exército Tang comandado pelo general Li Jing derrota as tropas do Canato Túrquico Oriental comandadas por Illig Cã na batalha de Yinshan (陰山之戰 / 阴山之战),[36] [37] [38] travada nos Montes Yin, no limite sul do Deserto de Gobi. Illig Cã fugiu para junto de Ishbara Shad, mas a 2 de maio de 630[39] o exército de Zhang Baohiang marchou sobre o quartel-general de Ishbara Shad. Illig foi feito prisioneiro e enviado para Changan.[38] O Canato Túrquico Oriental colapsou e foi incorporado do sistema Jimi do império Tang. O imperador Taizong disse a propósito que «É suficiente para mim compensar a minha desonra no Rio Wei.»[37]

Canato Túrquico Ocidental[editar | editar código-fonte]

Mapa político do Império Chinês sob a Dinastia Tang e dos estados à sua volta cerca de 660 d.C.

O cã ocidental Shekuei e Tong Yabghu formaram uma aliança com o Império Bizantino contra os persas sassânidas e conseguiram repor as fronteiras do sul, ao longo dos rios Tarim e Oxus (Amu Dária). A sua capital era Suyab, no vale do rio Chu, a cerca de 6 km a sudeste da moderna Tokmok. Em 627, Tung Yabghu, apoiado pelos cazares e pelo imperador bizantino Heráclio, lançou uma invasão massiva à Transcaucásia, que culminou na conquista de Derbent e Tbilisi, um conflito que ficou conhecido como a "terceira guerra perso-túrquica".

Em abril de 630, Böri Shad, um alto comandante (şad) de Tung, enviou a cavalaria göktürk para invadir a Arménia bizantina, onde o seu general Chorpan Tarkhan infligiu uma pesada derrota às forças persas, que se retiraram atabalhoadamente. O assassinato de Tung Yabghu em 630 forçou os göktürks a retirar da Transcaucásia.[carece de fontes?]Ishbara Qaghan (Ashina Helu), que reinou de 634 a 639, levou a cabo uma reforma administrativa que modernizou o Canato Túrquico Ocidental que passou a ser conhecido como Onoq. O nome refere-se às dez "flechas" que foram concedidas aos cinco chefes (shads) das duas confederações tribais que constituíam os territórios do canato, dos clãs Dulo e Nushibi, cujas terras eram divididas pelo rio Chu.[40] O termo "flecha" era o nome de uma divisão das tribos túrquicas.[nt 1]

A divisão estimulou as tendências separatistas e não tardou que as tribos búlgaras sob o comando do cehfe tribal Kubrat se separassem do canato. Em 657, a parte oriental do canato foi invadida pelo general Tang Su Ding Fang. Na mesma altura em que se formou na parte central o canato independente da Cazária, liderado por um ramo da dinastia Ashina. O imperador Tang Taizong foi proclamado cagã (cã) dos göktürks.[carece de fontes?]

Em 659 o imperador da China podia afirmar que governava toda a Rota da Seda até Po-sse (em chinês: 波斯; pinyin: bōsī, Pérsia). Os göktürks ostentavam então títulos chineses e lutavam ao seu lado nas guerras destes. O período entre 659 e 681 foi caracterizado por numerosos governantes independentes, fracos, divididos, e constantemente envolvidos em pequenas guerras. No leste, os uigures derrotaram os seus antigos aliados Syr-Tardush, enquanto no ocidente, os turgesh emergiram como sucessores dos onoq.[carece de fontes?]

Os turcos orientais sob o sistema Jimi[editar | editar código-fonte]

Em 19 de maio de 639,[41] Ashina Jiesheshuai e os homens da sua tribo atacaram Taizong no Palácio Jiucheng (九成宮, nas proximidades da atual cidade de Baoji, província de Shaanxi). No entanto, o ataque não foi bem sucedido e fugiram para norte, tendo sido capturados e mortos pelos perseguidores perto do Rio Wei. Ashina Hexiangu foi exilou-se em Lingbiao.[42] Depois do ataque fracassado de Ashina Jiesheshuai, a 13 agosto de 639, Taizong nomeou Ashina Simo como Yiminishuqilibi Cã e ordenou ao povo túrquico que seguissem Ashina Simo para norte do Rio Amarelo para se fixarem entre a Grande Muralha e o Deserto de Gobi.[34]

Em 679, Ashide Wenfu e Ashide Fengzhi, líderes túrquicos no protetorado de Shanyu (單于大都護府), declararam Ashina Nishufu como cã e revoltaram-se contra a dinastia Tang. Em 680, Pei Xingjian derrotou Ashina Nishufu e o seu exército, tendo Ashina Nishufu sido morto pelos seus homens. Ashide Wenfu fez de Ashina Funian o novo cã e revoltou-se novamente contra os Tang.[43] Ambos acabaram por se render a Pei Xingjian. A 5 de dezembro de 681,[44] 54 göktürks, entre os quais Ashide Wenfu e Ashina Funian, foram executados em público no mercado oriental de Changan.[43] Em 682, Ashina Kutlug e Ashide Yuanzhen revoltaram-se e ocuparam o Castelo Heisha (situado a noroeste da atual Hohhot, na Mongólia Interior) com o que restava dos homens de Ashina Funian.[45]

Segundo Canato Túrquico Oriental (682-744)[editar | editar código-fonte]

Mapa político da Ásia cerca do ano 700

Apesar dos reveses, Ashina Kutlug (Ilterish Qaghan) e o seu irmão Kapaghan lograram restabelecer o canato. Em 681,[carece de fontes?] eles revoltaram-e contra o domínio do Império Tang e ao longo das décadas seguintes tomaram o controlo firme das estepes exteriores à Grande Muralha da China. Em 705, tinham-se expandido a sul até Samarcanda e ameaçaram o domínio árabe sobre a Transoxiana. Os göktürks enfrentaram os Califado Omíada numa série de batalhas em 712 e 713, mas os últimos acabaram vencedores.[carece de fontes?]

De acordo com a tradição Ashina,[carece de fontes?] o poder do Segundo Canato Oriental estava centrado em Ötüken, nas áreas mais a montante do Vale de Orkhon.[46] [47] [48] Este estado foi descrito pelos historiadores como uma iniciativa conjunta do clã de Ashina e dos sogdianos, em que também estiveram envolvidos muitos burocratas chineses.[49]

O filho de Ilterish, Bilge, foi igualmente um líder forte, cujos feitos foram registados nas inscrições de Orkhon. Depois da sua morte em 734, o Segundo Canato Túrquico Oriental entrou em declínio. Os göktürks acabaram por ser vítimas de uma série de crises e de novas campanhas militares chinesas.[carece de fontes?]

Quando o líder uigure Kul Bilge se aliou com os karluks e com os basmil, o poder dos göktürks já estava em grande declínio. Em 744 Kutluk cercou Ötüken e decapitou o último cã göktürk, Ozmysh Qaghan, cuja cabeça foi enviada para a corte chinesa dos Tang.[50] No espaço de poucos anos, os uigures ganharam a supremacia na Ásia Interior e estabeleceram os Canato Uigure.

Cultura e religião[editar | editar código-fonte]

O "monumento a Kul Tigin", uma das inscrições em göktürk do Vale de Orkhon. Kul Tigin foi um dos últimos cãs do Canato Túrquico Oriental.

Os cagãs göktürks temporários do clã de Ashina estavam subordinados a uma autoridade soberana que estava nas mãos de um conselho de chefes tribais.[carece de fontes?]Peter B. Golden aponta para a possibilidade dos líderes do império göktürk, os Ashina, fossem originalmente um clã indo-europeu, possivelmente iranianos, que posteriormente adotaram o túrquico, mas herdaram os seus títulos originais indo-europeus.[51] O turcologista Wolfgang-Ekkehard Scharlipp escreveu que uma quantidade notável de títulos túrquicos primitivos têm origem no iranianos.[nt 2]

Os göktürks foram o primeiro povo túrquico conhecido a escrever a sua própria língua usando uma escrita rúnica (ver Alfabeto de Orkhon). As histórias das vidas de Kul Tigin e Kul Bilge Qaghan e do chanceler Tonyukuk foram registados nas inscrições de Orkhon.

Religião

O canato recebeu missionários budistas, cujos ensinamentos foram incorporados no tengriismo. Mais tarde, a maior parte dos turcos que se estabeleceram na Ásia Central, Médio Oriente e África adotaram a fé islâmica.[carece de fontes?]

Notas[editar | editar código-fonte]

  1. Trecho baseado no artigo «Western Turkic Khaganate» na Wikipédia em inglês (acessado nesta versão).
  2. «(...) Über die Ethnogenese dieses Stammes ist viel gerätselt worden. Auffallend ist, dass viele zentrale Begriffe iranischen Ursprungs sind. Dies betrifft fast alle Titel (...). Einige Gelehrte wollen auch die Eigenbezeichnung türk auf einen iranischen Ursprung zurückführen und ihn mit dem Wort „Turan“, der persischen Bezeichnung für das Land jeneseits des Oxus, in Verbindung bringen.»[52]

Referências

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Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Findley, Carter Vaughin. The Turks in World History (em inglês). Oxford: Oxford University Press, 2005. ISBN 0195177266
  • Gumilev, Lev. Os Gokturks (Древние тюрки; Drevnie ti︠u︡rki) (em russo). Moscovo: AST, 2007. ISBN 5-17-024793-1
  • Wink, André. Al-Hind: The Making of the Indo-Islamic World (em inglês). [S.l.]: Brill Academic.
  • Zhu, Xueyuan (朱学渊). 中国北方诸族的源流 (As origens da etinicidade do norte da China) (em chinês). Pequim: Zhonghua Shuju (中华书局), 2004. ISBN 7-101-03336-9

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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  • Göktürks (em inglês) . AltaicWiki: All About Altaic Studies (altaic-wiki.wikispaces.com). Página visitada em 19 de janeiro de 2011.
  • Göktürks (em inglês) Facebook/Mehmet Bozacı. Página visitada em 19 de janeiro de 2011.