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Golpe de Estado na Guiné-Bissau em 2025

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Golpe de Estado na Guiné-Bissau em 2025
Período26 de novembro de 2025
LocalBissau, Guiné-Bissau
ResultadoGolpe bem-sucedido
Partes

Guiné-Bissau Alto Comando Militar para a Restauração da Segurança Nacional e Ordem Pública

Líderes
Dinis Incanha
Horta Inta-A Na Man[1][2]
Ilídio Vieira Té[3]
Umaro Sissoco Embaló
Guiné-Bissau Botche Candé
Biaguê Na N'Tan
Mamadou Touré
Domingos Pereira

Em 26 de novembro de 2025, o presidente da Guiné-Bissau, Umaro Sissoco Embaló, foi preso como parte de um golpe de Estado executado pelo Chefe do Gabinete Militar da Presidência, Brigadeiro-General Dinis Incanha. Oficiais militares declararam "controle total" sobre o país e estabeleceram o Alto Comando Militar para a Restauração da Segurança Nacional e Ordem Pública, liderado pelo General Horta Inta-A Na Man. O golpe ocorreu um dia antes da divulgação oficial dos resultados das eleições gerais de 2025 na Guiné-Bissau, realizadas em 23 de novembro, nas quais Embaló concorria à reeleição.

Eleições gerais foram realizadas na Guiné-Bissau em 23 de novembro de 2025 para eleger o presidente e os membros da Assembleia Nacional Popular. A credibilidade da votação foi questionada por grupos da sociedade civil e outros observadores após o principal partido de oposição, o Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), ser impedido de concorrer à eleição presidencial e ao parlamento.[4] Outras questões que antecederam o dia da votação foram as denúncias de que o presidente Embaló estava promovendo silenciamento forçado da oposição, sessões de tortura contra opositores e proibição de manifestação política de apoio a outros candidatos de fora da coligação governista Plataforma Republicana – "Nô Kumpu Guiné".[5]

A CEDEAO havia retirado sua missão de observação depois de ser ameaçada com expulsão vários meses antes.[6] Observadores da União Africana, no entanto, estavam presentes.[7] Tanto o presidente que buscava a reeleição, Umaro Sissoco Embaló, quanto o candidato da oposição, Fernando Dias da Costa, reivindicaram vitória na eleição presidencial. O golpe ocorreu enquanto os resultados oficiais da votação ainda não haviam sido divulgados, o que estava previsto para 27 de novembro.[8]

Este é o nono golpe ou tentativa de golpe na Guiné-Bissau desde que o país conquistou a independência de Portugal em 1974: as duas tentativas mais recentes, em 2022 e 2023, também tinham Embaló como alvo,[9] e também houve alegações de uma conspiração golpista no final de outubro de 2025.[10] A última tentativa de golpe em 2023 levou-o a dissolver a Assembleia, embora críticos o tenham acusado de fabricar crises como desculpa para reprimir a oposição.[11]

Em 26 de novembro de 2025, um dia antes do esperado anúncio do resultado oficial das eleições,[4] tiros foram ouvidos fora do palácio presidencial em Bissau, e homens em uniformes militares foram vistos assumindo o controle da estrada principal que leva ao edifício.[8] Tiroteios também foram ouvidos no ministério do interior[11] e na Comissão Nacional Eleitoral,[12] forçando centenas de pessoas a fugir das áreas afetadas.[9] Um porta-voz do presidente Embaló acusou homens armados afiliados a Fernando Dias de atacarem a comissão eleitoral para impedir a liberação dos resultados das eleições. Enquanto isso, o ex-primeiro-ministro Domingos Simões Pereira, que apoiava Dias e o acompanhava em uma reunião com observadores eleitorais quando a notícia da violência surgiu, acusou Embaló de tentar simular um golpe para poder declarar estado de emergência após determinar que havia perdido a eleição.[11]

Mais tarde naquele dia, o presidente Embaló informou à Jeune Afrique que havia sido detido sem violência em seu escritório às 13:00 GMT em um "golpe de Estado" liderado pelo chefe do Estado-Maior do Exército. Posteriormente, foi noticiado que Embaló havia sido detido no quartel-general do Estado-Maior e estava sendo "bem tratado".[13] Vários funcionários também foram presos, incluindo o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, General Biaguê Na N'Tan, seu vice, General Mamadou Touré, e o ministro do Interior, Botche Candé.[12] Fernando Dias da Costa e o ex-primeiro-ministro Domingos Simões Pereira também foram presos.[14][4] Um observador eleitoral internacional também informou que o presidente da comissão eleitoral havia sido preso, e que a sede da comissão foi lacrada pelos militares.[15] Soldados da guarda presidencial e de uma unidade de elite da gendarmaria asseguraram o palácio presidencial.[16]

Na sede do exército, oficiais militares, liderados pelo porta-voz Dinis Incanha, emitiram um comunicado na televisão estatal[15] anunciando que haviam assumido o "controle total" do país,[8] e ordenaram a suspensão de todas as instituições políticas e veículos de mídia,[15] a interrupção do processo eleitoral, o fechamento das fronteiras internacionais[8] e um toque de recolher noturno por tempo indeterminado.[4] Os oficiais anunciaram a formação do "Alto Comando Militar para a Restauração da Segurança Nacional e Ordem Pública", composto por todos os ramos das forças armadas,[17] que lideraria o país até novo aviso e pediram calma aos cidadãos.[18] Também foi relatado que o exército tentava cortar o acesso à internet do país.[4] Incanha também afirmou que o golpe havia sido lançado em resposta à "descoberta de um plano em andamento", orquestrado por políticos e outras figuras domésticas e estrangeiras, juntamente com um "conhecido traficante de drogas", com o objetivo de desestabilizar o país ao tentar "manipular os resultados eleitorais".[15]

Em 27 de novembro, o Alto Comando Militar proclamou o chefe do Estado-Maior do Exército, general Horta Inta-A Na Man, como chefe de um governo militar que supervisionaria um período de transição de um ano.[19] Ao anoitecer, o governo do Senegal anunciou a chegada de Embaló ao país, acrescentando que havia negociado com figuras da Guiné-Bissau pela sua libertação e fretado uma aeronave para transportá-lo.[20]

Em 28 de novembro, o Alto Comando Militar nomeou o ministro das finanças Ilídio Vieira Té como primeiro-ministro.[21]

Reações

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A Frente Popular, uma coalizão da sociedade civil na Guiné-Bissau, acusou Embaló e o exército de encenarem um "golpe simulado" para impedir a divulgação dos resultados eleitorais e permanecer no poder, com o objetivo de permitir que Embaló nomeasse um novo presidente e primeiro-ministro que convocariam novas eleições, nas quais ele poderia se candidatar novamente à presidência.[15] Crenças semelhantes foram expressas por Fernando Dias da Costa. O PAIGC convocou protestos contra o golpe e pela divulgação dos resultados das eleições.[22]

Em uma declaração conjunta, observadores eleitorais da CEDEAO e da União Africana disseram que "deploram esta tentativa flagrante de interromper o processo democrático" e solicitaram que "a União Africana e a CEDEAO tomem as medidas necessárias para restaurar a ordem constitucional".[23][24] A União Africana condenou o golpe e pediu a libertação imediata e incondicional de Embaló e de outros funcionários detidos.[25] O Secretário-Geral das Nações Unidas, António Guterres, fez um apelo para que "todas as partes interessadas na Guiné-Bissau exerçam moderação e respeitem o Estado de Direito".[15]

O governo de Portugal, antiga potência colonial da Guiné-Bissau, instou "todas as partes envolvidas a se absterem de qualquer violência institucional ou civil" e "a restaurar o funcionamento regular das instituições para permitir a conclusão da apuração dos votos e a divulgação dos resultados eleitorais".[26][4] O golpe também foi condenado pela África do Sul e pela França.[27] O primeiro-ministro senegalês Ousmane Sonko questionou a autenticidade do golpe, chamando-o de "farsa" e exigindo a libertação de políticos da oposição presos, bem como a divulgação dos resultados das eleições.[28] O ex-presidente da Nigéria, Goodluck Jonathan, ecoou essas preocupações, chamando o evento de "golpe cerimonial" e questionando por que Embaló foi o primeiro a anunciar sua própria derrubada, em vez dos líderes do golpe, em contraste com outros golpes na região.[28] A imprensa também repercutiu o caráter pouco ortodoxo do movimento golpista, que passou a ser considerado um estratagema político de Embaló, dado que Fernando Dias da Costa, candidato independente apoiado por Pereira e sua coligação, era franco favorito à vitória presidencial, e prometia restaurar os direitos do parlamento eleito em 2023.[29] Além disso, Embaló conseguiu fácil contato com autoridades do exterior e conseguiu também ser facilmente liberto, enquanto Domingos Simões Pereira (o alvo político preferencial de Embaló) permenece preso desde o dia 26 de novembro de 2025.[30]

Referências

  1. «Golpe na Guiné-Bissau: Empossado presidente de transição». DW. 27 de novembro de 2025 
  2. «General Horta Inta-A empossado Presidente de transição». RTP. 27 de novembro de 2025 
  3. «Ilídio Vieira Té nomeado primeiro-ministro e ministro das Finanças da Guiné-Bissau». Lusa. 28 de novembro de 2025 
  4. a b c d e f Staff, Al Jazeera. «Guinea-Bissau army officers say they have seized power; president deposed». Al Jazeera (em inglês). Consultado em 26 de novembro de 2025 
  5. «Estudantes da Faculdade de Direito de Bissau anseiam por maior liberdade de expressão». RFI. 15 de novembro de 2025 
  6. AfricaNews (3 de março de 2025). «ECOWAS team leaves Guinea-Bissau after threat of expulsion». Africanews (em inglês). Consultado em 27 de novembro de 2025 
  7. Kodjo, Tchioffo. «Announcement of the Arrival of the African Union Election Observation Mission for the general elections of 23 November 2025 in the Republic of Guinea-Bissau-African Union - Peace and Security Department». African Union,Peace and Security Department (em inglês). Consultado em 27 de novembro de 2025 
  8. a b c d «Guinea-Bissau military officers claim 'total control' of country». France 24 (em inglês). 26 de novembro de 2025. Consultado em 26 de novembro de 2025 
  9. a b «Umaro Sissoco Embaló: Guinea-Bissau's president arrested by armed men». www.bbc.com (em inglês). Consultado em 26 de novembro de 2025. Cópia arquivada em 26 de novembro de 2025 
  10. «Guinea-Bissau arrests officers for alleged coup attempt». AP News (em inglês). 31 de outubro de 2025. Consultado em 26 de novembro de 2025 
  11. a b c «Gunfire erupts in Guinea-Bissau capital ahead of election results, witnesses say». Reuters 
  12. a b Jnr, Sheriff Bojang (26 de novembro de 2025). «Coup in Guinea-Bissau. Embaló arrested». The Africa Report (em inglês). Consultado em 26 de novembro de 2025 
  13. «G.Bissau rocked by coup, president's arrest». France 24 (em inglês). 26 de novembro de 2025. Consultado em 27 de novembro de 2025 
  14. «Guinée-Bissau : le président Embaló arrêté, des militaires disent « prendre le contrôle total du pays »». JeuneAfrique.com (em francês). Consultado em 27 de novembro de 2025 
  15. a b c d e f Sambu, Assana; español, MARK BANCHEREAU Leer en (26 de novembro de 2025). «Soldiers in Guinea-Bissau appear on state television saying they have seized power». AP News (em inglês). Consultado em 26 de novembro de 2025 
  16. «Guinea-Bissau military claims to have seized power after disputed vote». RFI (em inglês). 26 de novembro de 2025. Consultado em 26 de novembro de 2025 
  17. «Guinea-Bissau military deposes President Embalo after vote – DW – 11/26/2025». dw.com (em inglês). Consultado em 27 de novembro de 2025 
  18. «Guinea-Bissau coup: Soldiers say they have taken power as President Umaro Sissoco Embaló arrested». www.bbc.com (em inglês). 26 de novembro de 2025. Consultado em 26 de novembro de 2025 
  19. AfricaNews (27 de novembro de 2025). «Guinea-Bissau soldiers announce Gen. Horta N'Ta as junta leader». Africanews (em inglês). Consultado em 27 de novembro de 2025 
  20. Staff, Al Jazeera. «Guinea-Bissau's deposed President Embalo arrives in Senegal after coup». Al Jazeera (em inglês). Consultado em 29 de novembro de 2025 
  21. Sambu, Assana; español, MARK BANCHEREAU Leer en (28 de novembro de 2025). «Guinea-Bissau soldiers appoint ally of deposed president as prime minister». AP News (em inglês). Consultado em 29 de novembro de 2025 
  22. «General Horta N'Tam sworn in as Guinea-Bissau transitional leader following coup». France 24 (em inglês). 27 de novembro de 2025. Consultado em 27 de novembro de 2025 
  23. Kodjo, Tchioffo. «Joint Statement by the Heads of the African Union Election Observation Mission, ECOWAS Election Observation Mission, and the West African Elders Forum On the Post-Election Situation in the Republic of Guinea-Bissau-African Union - Peace and Security Department». African Union,Peace and Security Department (em inglês). Consultado em 27 de novembro de 2025 
  24. «West Africa bloc, African Union observers voice concern over Guinea-Bissau coup». Reuters 
  25. Agencies, News. «Guinea-Bissau general sworn in as transitional president after coup». Al Jazeera (em inglês). Consultado em 27 de novembro de 2025 
  26. «'I have been deposed,' Guinea-Bissau's President Embalo confirms to FRANCE 24». France 24 (em inglês). 26 de novembro de 2025. Consultado em 27 de novembro de 2025 
  27. Asadu, Chinedu; español, ASSANA SAMBU Leer en (27 de novembro de 2025). «Deposed Guinea-Bissau President Embaló arrives in neighboring Senegal as soldiers name junta leader». AP News (em inglês). Consultado em 29 de novembro de 2025 
  28. a b «Guinea-Bissau coup was a sham, West African political figures say». www.bbc.com (em inglês). 28 de novembro de 2025. Consultado em 29 de novembro de 2025 
  29. «Guiné-Bissau vive "uma farsa" atribuída a um Presidente "derrotado nas urnas"». RFI. 28 de novembro de 2025 
  30. «PAICV apela à libertação imediata de Domingos Simões Pereira». LUSA. 29 de novembro de 2025