Goticismo

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Tabela dos povos originários da Escandinávia, segundo Johannes Magnus e Olaus Magnus, referenciando o historiador Jordanes.
Olof Rudbeck, adepto do goticismo.
Erik Gustaf Geijer, membro da Associação Gótica (Götiska förbundet), e divulgador entusiasta do heroismo dos víquingues.
O Salão Gótico (Götiska rummet) do rei Óscar I no Palácio Real de Estocolmo.

Goticismo (Sueco: Göticism; pronúncia aproximada iêticism) é o nome pelo qual é conhecido um movimento cultural patriótico na Suécia, centrado em torno da crença num passado glorioso do país. Um dos seus pilares básicos era o mito dos Godos continentais, considerados como sendo originários da Escandinávia - na opinião sueca, dos Gotas (Götar) da Suécia, e, na opinião dinamarquesa, dos Jutos (Jyder) da Dinamarca. O movimento tem raízes medievais e estende-se até ao séc. XIX.[1][2][3]

Os fundadores desta concepção foram o arcebispo de Uppsala Nicolaus Ragvaldi (1380-1448), o teólogo Ericus Olai (-1486), o erúdito Johannes Bureus (1568-1652), o historiador Olof Rudbeck (1630-1702), e os irmãos Johannes Magnus (1488-1544) e Olaus Magnus (1490-1557).[4][5][6]

A crença continuou em vigor no século XVII, quando a Suécia era uma grande potência após a Guerra dos Trinta Anos, mas perdeu a maior parte de sua influência no século XVIII. Foi revitalizada pelo romantismo nacional no início do século XIX, pela mão da Associação Gótica (Götiska förbundet) e de figuras literárias como Geijer e Tegnér, desta vez tendo as figuras heroicas dos vikings como pilar. No séc. XX, foi reanimada por círculos nacionalistas.[7]

Origens[editar | editar código-fonte]

O nome é derivado do relato de Jordanes sobre a terra original dos godos ter sido na Escandinávia (Scandza), e os goticistas na Suécia, acreditavam que os godos tinham a sua origem a partir da Suécia. O movimento goticista tinha orgulho da tradição gótica que os ostrogodos e seu rei Teodorico, o Grande, que assumira o poder no Império Romano tinha ascendência escandinava. Esse orgulho já estava expresso nas crônicas medievais, onde os cronistas escreveram sobre os godos como os antepassados dos escandinavos, e a ideia foi usada por Nicolaus Ragvaldi no Concílio de Basileia, para argumentar que a monarquia sueca foi a mais importante na Europa. Ele também permeou os escritos do escritor sueco Johannes Magnus (Historia de omnibus gothorum seonumque regibus) e seu irmão Olaus Magnus (Historia de gentibus septentrionalibus). Ambas as obras tiveram um grande impacto na ciência contemporânea, na Suécia.

Alguns estudiosos, na Dinamarca também tentaram identificar os godos com os jutos, no entanto, essas ideias não levaram ao mesmo e generalizado movimento cultural na sociedade dinamarquesa como foi na Suécia. Em contraste com os suecos, os dinamarqueses daquela época não apresentaram alegações de legitimidade política baseada em afirmações de que seu país foi a pátria original dos godos, e que a conquista do Império Romano foi uma prova de valor militar do seu próprio país e poder através da história.

Durante o século XVII, dinamarqueses e suecos disputaram a coleção e publicação dos manuscritos da Islândia, Sagas nórdicas, e as duas Eddas. Na Suécia, os manuscritos islandeses se tornaram parte de um mito de origem e foram vistos como prova de que a grandeza e o heroísmo dos antigos Getas (Godos) foram passado através das gerações para a população atual. Esse orgulho culminou na publicação de Atland eller Manheim de Olaus Rudbeck (1679-1702), onde ele afirmava que a Suécia era idêntica à Atlântida.

Nacionalismo romântico[editar | editar código-fonte]

Durante o século XVIII, o movimento goticista sueco tinha moderado um pouco, mas ressurgiu novamente durante o romantismo nacionalista a partir de 1800 e em diante com os escritores Erik Gustaf Geijer e Esaias Tegnér da Associação Gótica (Götiska förbundet). Na Dinamarca, o nacionalismo romântico levou a despertar escritores como Johannes Ewald, Nicolai Grundtvig (cuja tradução de Beowulf em dinamarquês foi a primeira numa linguagem moderna) e a Adam Gottlob Oehlenschläger a ter um interesse renovado nos antigos temas nórdicos. E em outras partes da Europa, o interesse em mitologia nórdica, a história e a sua linguagem foram representados pelo inglês Thomas Gray, John Keats e William Wordsworth e os alemães Johann Gottfried Herder e Friedrich Gottlieb Klopstock.

Arquitetura[editar | editar código-fonte]

No campo da arquitetura escandinava, o goticismo teve seu auge na década de 1860 e 1870, e sua influência continuou até cerca de 1900. O interesse nos antigos temas nórdicos levou à criação de uma arquitetura especial em madeira inspirados nas igrejas de madeira (stavkirke, em norueguês) e foi na Noruega que o estilo teve seu maior impacto. Neste estilo de arquitetura, muitas vezes são encontrados detalhes como cabeças de dragão, e também é freqüentemente referido como "estilo dragão", arcadas falsas, colunas torneadas, sótão e telhado projetado.[8]

Referências

  1. Karen Skovgaard-Petersen. «Arguments agains Barbarism. Early native, literary Cuslture in three scandinavian national Histories - Johannes Magnus's History of Sweden (1554), Johannes Pontanus's History of Denmark (1631), and Tormod Torfæus's History of Norway (1711)» (PDF) (em inglês). Renæssanceforum 5, 2008. Consultado em 27 de fevereiro de 2017 
  2. Harrison, Dick (26 de maio de 2015). «Så uppstod göticismen». Svenska Dagbladet. ISSN 1101-2412. Consultado em 15 de março de 2017 
  3. Peter Hallberg. «Göticism» (em sueco). Nationalencyklopedin – Enciclopédia Nacional Sueca. Consultado em DATA  Verifique data em: |acessodata= (ajuda)
  4. Miranda, Ulrika Junker; Anne Hallberg (2007). «Göticism». Bonniers uppslagsbok (em sueco). Estocolmo: Albert Bonniers Förlag. p. 355. 1143 páginas. ISBN 91-0-011462-6 
  5. Hillman, Göran (1993). «Konsthistoriskt översikt». Vem är vem i svensk konst. Från runristaren Balle till Ulf Rollof (em sueco). Estocolmo: Rabén & Sjögren. p. 13-14. 249 páginas. ISBN 91-29-61718-9 
  6. Harrison, Dick. «Så uppstod göticismen» [Assim apareceu o goticismo]. Svenska Dagbladet (em sueco). Estocolmo. Consultado em 18 de dezembro de 2016 
  7. Peter Hallberg. «Göticism» (em sueco). Nationalencyklopedin – Enciclopédia Nacional Sueca. Consultado em 17 de abril de 2016 
  8. Gunilla Lind. «Göticism» (em sueco). Nationalencyklopedin – Enciclopédia Nacional Sueca. Consultado em 17 de abril de 2016 

Fonte[editar | editar código-fonte]

  • Este artigo foi, de início, elaborado a partir do artigo da Wikipédia em Inglês, intitulado Gothicismus

[(veja lista de autores)]

  1. (en) Steven P. Sondrup, Virgil Nemoianu, Nonfictional Romantic Prose : Expanding Borders, John Benjamins, coll. « International Comparative Literature Association's History of Literatures in European Languages Series », 2004 (ISBN 9027234515).

Ver também[editar | editar código-fonte]