Governador Supremo da Igreja da Inglaterra

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O rei Carlos III é o Governador Supremo da Igreja desde 8 de setembro de 2022

O Governador Supremo da Igreja de Inglaterra (em inglês: Supreme Governor of the Church of England) é um título possuído pelo monarca britânico, que dá direito a ele de governar a Igreja de Inglaterra.[1] O arcebispo de Canterbury é o cargo mais alto do clero, por isso é o bispo sênior, e a ele são encarregadas as funções administrativas. Mesmo que a autoridade do monarca sobre a Igreja de Inglaterra não seja total, a situação ainda é muito relevante para a Igreja e ainda mais como simbólica. O Governador Supremo nomeia formalmente os altos membros da Igreja sobre o conselho do primeiro-ministro do Reino Unido, que, por sua vez, é aconselhado por líderes da Igreja.[1]

História[editar | editar código-fonte]

O título foi criado por Isabel I. O parlamento inglês aprovou o ato de supremacia em 1534 o que fez com que Igreja inglesa rompesse com a autoridade da Igreja Católica Romana, após o Papa ter excomungado o rei Henrique VIII por ter anulado o seu casamento com Catarina de Aragão em 1533. O Ato de Supremacia de 1534 confirmou o estatuto do Rei como tendo supremacia sobre a Igreja na Inglaterra e exigia que a nobreza prestasse juramento reconhecendo a supremacia de Henrique.[2] A filha de Henrique, Maria I, tentou restaurar fidelidade da Igreja com o Papa e revogou o Ato de Supremacia em 1555.[3] Isabel subiu ao trono em 1558 e, no ano seguinte, o Parlamento aprovou o Ato de supremacia de 1559, que restaurou o ato inicial.[4] No entanto, para aplacar os críticos, os nobres eram obrigados a prestar o Juramento de Supremacia, e o monarca passou a ter o título de Governador Supremo da Igreja, em vez de Chefe Supremo. Esta formulação evitou a acusação de que a monarquia usurpou a divindade de Jesus Cristo, a quem a Bíblia identifica como Chefe da Igreja.[5]

Defensor da Fé fazia parte do título do monarca britânico desde que este foi concedido a Henrique VIII pelo Papa Leão X, em 1521, em reconhecimento do papel que Henrique teve na oposição à Reforma Protestante.[2] O Papa retirou o título, mas foi mais tarde reconferido pelo Parlamento, no reinado de Eduardo VI.

Henrique VIII rompeu com Roma mas ainda não usava o título de Governador Supremo.

Os Trinta e Nove Artigos[editar | editar código-fonte]

O que se segue está escrito e reconhecido no Prefácio dos Trinta e Nove Artigos de Religião de 1562. Ele afirma que:

"Sendo por Ordenação de Deus, de acordo com o Nosso justo Título, Defensor da Fé e Governador Supremo da Igreja, dentro destes Nossos domínios, Nós asseguramo-la mais agradável por este Nosso Majestoso Gabinete, e pelo Nosso próprio zelo religioso, para conservar e manter a Nossa Igreja empenhada no Dever, na Unidade da verdadeira religião, e na obrigação de Paz (...) Temos, portanto, após madura deliberação, bem como com os Conselhos de tantos dos Nossos Bispos que possam ser convenientemente chamados juntos, pensamento apto a fazer presente Declaração seguinte (...) Que Nós somos o Governador Supremo da Igreja da Inglaterra ... "

O Artigo 37.º torna esta reivindicação da real supremacia mais explícito:

"A Majestade do Rei tem o supremo poder no Reino da Inglaterra, e nos outros seus domínios; pertence-lhe o supremo governo de todos os Estados do referido reino, sejam eles Eclesiásticos ou Civis, em todas as suas causas, e não é, e nem pode ser sujeito a nenhuma jurisdição estrangeira.(...) Não queremos dar aos nossos Príncipes a administração da Palavra de Deus, nem a dos Sacramentos, (...) mas unicamente a prerrogativa que nas Sagradas Escrituras vemos, foi sempre dada por Deus a todos os Príncipes piedosos; isto é, que todos eles governassem, mantendo em seu dever todos os estados e classes entregues por Deus a todos os Príncipes piedosos; isto é, que eles governassem, mantendo em seu dever todos os estados e classes entregues por Deus a seu cargo fossem Eclesiásticos ou temporais, refreassem com espada civil os contumazes e malfeitores. (...) O Bispo de Roma não tem jurisdição neste reino da Inglaterra." [6]

Igreja da Escócia[editar | editar código-fonte]

No Igreja da Escócia, (uma Igreja nacional Presbiteriana), o monarca é automaticamente um membro, mas não tem liderança. No entanto, o monarca nomeia o Senhor Alto Comissário para a Assembléia Geral da Igreja da Escócia como seu representante pessoal, com um papel em grande parte cerimonial. No entanto, a Rainha tem na ocasião um papel desempenhado pessoalmente, como quando ela abriu a própria Assembleia Geral em 1977 e 2002 (por ocasião do seu Jubileu de Prata e Ouro).[7]

Lista de Governadores[editar | editar código-fonte]

A rainha Isabel II foi o monarca com maior tempo como governadora da Igreja, de 1952 à 2022 (70 anos).[8]
Nome Período Observações
Henrique VIII (1536-1547) Como Chefe Supremo
Eduardo VI (1547-1553) Como Chefe Supremo
Maria I de Inglaterra (1553-1558) Católica
Isabel I (1559-1603)
Jaime I (1603-1625)
Carlos I (1625-1649) Executado.
Oliver Cromwell (1653-1658)
Richard Cromwell (1658-1659)
Carlos II (1660-1685) Converteu-se ao Catolicismo Romano na hora da sua morte.[9]
Jaime II (1685-1688) Católico Romano, deposto.
Maria II (1689-1694) Juntamente com Guilherme III
Guilherme III (1689-1702) Juntamente com Maria II (1689-1694)
Ana I (1702-1714)
Jorge I (1714-1727)
Jorge II (1727-1760)
Jorge III (1760-1820)
Jorge IV (1820-1830)
Guilherme IV (1830-1837)
Vitória I (1837-1901)
Eduardo VII (1901-1910)
Jorge V (1910-1936)
Eduardo VIII (1936)
Jorge VI (1936-1952)
Isabel II (1952-2022)
Carlos III (2022-)

Referências

  1. a b «The Monarchy Today > Queen and State > Queen and Church > Queen and Church of England». Consultado em 3 de julho de 2009. Arquivado do original em 8 de outubro de 2006 
  2. a b Catholic Encyclopedia: Henry VIII
  3. Catholic Encyclopedia: Mary Tudor
  4. Elizabeth's Supremacy Act (1559)
  5. Efésios 5:23
  6. Os Trinta e Nove Artigos
  7. BBC News "Royal Thanks at Church Assembly"
  8. Kirsty.Oram (7 de janeiro de 2016). «The Queen, the Church and other faiths». The Royal Family (em inglês). Consultado em 9 de setembro de 2022 
  9. Abbott, Jacob (1849). History of King Charles the Second of England" p. 302.