Ir para o conteúdo

Governo-Geral do Rio de Janeiro

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Governo-Geral do Rio de Janeiro

unidade administrativa
(Reino de Portugal)

[[Estado do Brasil|]]
1572  1577 [[Estado do Brasil|]]

Bandeira de {{{nome_comum}}}

Bandeira
Continente América
Região América do Sul
País América Portuguesa
Capital Rio de Janeiro
Governo Monarquia
Rei Sebastião I de Portugal
Período histórico Brasil Colônia
  1572Divisão do Estado do Brasil
  1577Reunificação do governo-geral

O Governo-Geral do Rio de Janeiro ou Governo-Geral do Sul foi a repartição administrativa meridional do Estado do Brasil, criada pela Coroa portuguesa em 1572 no contexto da primeira divisão do governo-geral. Com sede na cidade do Rio de Janeiro, existiu até 1577, quando a administração colonial voltou a ser centralizada em Salvador.[1][2]

A criação dessa estrutura integrou o processo de adaptação institucional do império português às condições da colonização americana, marcado por tensões entre centralização administrativa e necessidades militares regionais.[3]

A implantação do governo-geral em 1548 representou a superação parcial do modelo descentralizado das capitanias hereditárias, considerado insuficiente para garantir a defesa do território e a exploração econômica da colônia.[4]

Durante o governo de Mem de Sá consolidou-se a presença portuguesa no litoral centro-sul, com a expulsão dos franceses da França Antártica e a fundação do Rio de Janeiro, que se tornou um ponto estratégico no Atlântico sul.[5]

A extensão territorial do Estado do Brasil e as dificuldades de comunicação entre as capitanias motivaram a Coroa a experimentar uma administração dual.[6]

Criação e jurisdição

[editar | editar código]

Em 1572 o território foi dividido em dois governos-gerais:

A repartição meridional abrangia as capitanias situadas ao sul de Porto Seguro, incluindo Espírito Santo, Rio de Janeiro e São Vicente.[7]

A cidade do Rio de Janeiro foi escolhida como capital por sua importância militar e por sua posição estratégica na defesa do litoral e das rotas oceânicas.[8]

Administração

[editar | editar código]

O governo reproduziu a estrutura político-administrativa do governo-geral, concentrando atribuições na figura do governador-geral de cunho:[9]

  • militares;
  • judiciais;
  • fazendárias;
  • administrativas.

A principal preocupação da administração foi a consolidação do domínio português sobre o litoral sul e a eliminação de alianças entre populações indígenas e potências europeias rivais.[10]

Governador

[editar | editar código]

Lista de governadores

[editar | editar código]

Seu governo foi marcado pela ofensiva contra os grupos indígenas aliados aos franceses na Guerra de Cabo Frio (1575), episódio que consolidou o domínio português na região fluminense.[11]

Reunificação

[editar | editar código]

A experiência administrativa mostrou-se pouco eficaz devido:

  • à falta de coordenação entre os dois governos;
  • às dificuldades militares;
  • à fragmentação política da colônia.

Em 1577 a Coroa restaurou a unidade do Estado do Brasil, novamente centralizado em Salvador.[2]

Essa decisão reafirmou o princípio de centralização administrativa que caracterizou o governo colonial português até o século XVII.[12]

Análise historiográfica

[editar | editar código]

A divisão de 1572 é interpretada pela historiografia como uma solução conjuntural para problemas militares e administrativos, e não como uma ruptura estrutural do modelo colonial.[13]

Para a história política do Brasil colonial, a experiência demonstra:

  • a flexibilidade institucional do império português;
  • a centralidade estratégica do Rio de Janeiro desde o século XVI;
  • os limites da administração colonial diante da escala territorial americana.[14]

Embora breve, o Governo-Geral do Rio de Janeiro contribuiu para:

  • a consolidação da cidade como centro militar do sul da colônia;
  • a integração das capitanias meridionais;
  • a projeção futura do Rio de Janeiro como capital colonial em 1763.[15]

Domínios portugueses na América do Sul

[editar | editar código]

Ver também

[editar | editar código]

Referências

  1. Vainfas 2000, p. 97.
  2. 1 2 Fausto 2013, p. 43.
  3. Bicalho 2010, p. 45.
  4. Schwartz 1988, pp. 33–35.
  5. Boxer 2002, pp. 114–118.
  6. PradoJr 2011, p. 52.
  7. 1 2 Vainfas 2000, p. 98.
  8. Bicalho 2010, p. 46.
  9. Schwartz 1988, p. 36.
  10. Boxer 2002, p. 119.
  11. Donato 1996, p. 224.
  12. Vainfas 2000, p. 99.
  13. Bicalho 2010, p. 47.
  14. PradoJr 2011, p. 53.
  15. Bicalho 2010, p. 49.

Bibliografia

[editar | editar código]
  • Bicalho, Maria Fernanda (2010). A cidade e o império: o Rio de Janeiro no século XVIII. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira 
  • Boxer, Charles R. (2002). O império marítimo português: 1415–1825. São Paulo: Companhia das Letras 
  • Donato, Hernâni (1996). Dicionário das batalhas brasileiras. São Paulo: IBRASA 
  • Fausto, Boris (2013). História do Brasil. São Paulo: EdUSP 
  • Prado Júnior, Caio (2011). Formação do Brasil contemporâneo. São Paulo: Brasiliense 
  • Schwartz, Stuart B. (1988). Segredos internos: engenhos e escravos na sociedade colonial. São Paulo: Companhia das Letras 
  • Vainfas, Ronaldo (2000). Dicionário do Brasil colonial (1500–1808). Rio de Janeiro: Objetiva 

Precedido por:
Governo-Geral
1548-1572

História do Brasil

Sistema Dual
Governo-Geral do Rio de Janeiro
Governo-Geral de Salvador
1572-1577

Sucedido por:
Governo-Geral
1577-1621