Graham Greene

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Graham Greene
Nome completo Henry Graham Greene
Nascimento Berkhamsted, Inglaterra
Morte Vevey, Suíça
3 de abril de 1991 (86 anos)
Residência St. James’s Street, Londres
Nacionalidade InglaterraInglês
Influenciados
Prémios James Tait Black Memorial Prize (1948)

Prémio John Dos Passos (1980)
Prémio Jerusalém (1981)

Magnum opus O Terceiro Homem

Henry Graham Greene (Berkhamsted, 2 de outubro de 1904Vevey, 3 de abril de 1991) mais conhecido como Graham Greene, foi um jornalista e escritor inglês, com uma obra composta de romances, contos, peças teatrais e críticas literárias e de cinema.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Formou-se na Universidade de Oxford, e começou sua carreira como jornalista, trabalhando como repórter e subeditor do The Times. Publicou cerca de 60 romances.

Ao longo de sua vida, Greene esteve em vários países bem distantes da Inglaterra, aos quais ele se referia como lugares selvagens e remotos do mundo. Em 1935, visitou a África (especialmente Serra Leoa e Libéria), onde, além de buscar material para seus artigos do Times e para um futuro livro (Journey Without Maps), também prestou serviços à Anti-Slavery and Aborigines' Protection Society [1][2]

As viagens o levaram a ser recrutado pelo MI6, o serviço secreto britânico, através de sua irmã, Elisabeth, que trabalhava para a organização, e ele foi enviado para Serra Leoa durante a Segunda Guerra Mundial.[3]Assim, de 1941 a 1943, ele trabalhou para a inteligência britânica, em Freetown. Muitos de seus romances, a partir de então, tiveram como tema ou pano de fundo a espionagem. Kim Philby (que posteriormente descobriu-se ser um agente duplo, ao serviço da KGB) era seu supervisor no MI6 e seu amigo.[4][5] Posteriormente, Greene escreveria o prefácio do livro de memórias de Philby, My Silent War (1968).

Em seus romances, o escritor retrata pessoas que encontrou e lugares onde viveu. Deixou a Europa pela primeira vez aos 30 anos de idade, em 1935, rumo à Liberia. Essa viagem seria a inspiração para o livro Journey Without Maps.[6] Sua viagem ao México em 1938, para observar os efeitos da campanha anticatólica do governo, que promovia a secularização forçada, foi paga pela editora Longman[7]e foi assunto de dois livros.

Seu primeiro livro de sucesso foi O Expresso do Oriente (1932). Outras obras: O Poder e a Glória (1940), Our Man in Havana (1958, "Nosso homem em Havana"br e "O Nosso Agente em Havana"pt) e O Fator Humano (1978). Muitas de suas obras foram transformadas em filmes. Suas obras falam muito de situações políticas de países pouco conhecidos e aos quais viajava frequentemente, como Cuba e Haiti.

Outra temática frequente em sua obra é a religião. Tendo se convertido ao catolicismo em 1926, os dilemas morais e espirituais de sua época eram representados através de suas personagens. Graham Greene era considerado o maior 'escritor católico' da Grã-Bretanha, apesar de sua resistência em ser retratado dessa maneira.

Foi também autor de quatro livros infantis; O Pequeno Comboio (1946), O Pequeno Carro de Bombeiro (1950), O Pequeno Ônibus a Cavalos (1952) e O Pequeno Rolo Compresor a Vapor (1953).

Greene e Shirley Temple[editar | editar código-fonte]

Em 1937, Greene era editor da revista literária britânica Night and Day e escreveu uma crítica sobre filme Wee Willie Winkie (1937), estrelado por Shirley Temple, então com oito anos. O texto assinalava a coqueteria da pequena atriz e o efeito que ela provocava entre homens de meia idade e clérigos. Em consequência desse comentário, Greene foi alvo de um processo judicial movido pela Twentieth Century Fox. [8]Temendo ser preso, o escritor refugiou-se no México, país que não permitia a extradição - e que inspiraria seu livro The Power and the Glory. Afinal, a justiça decidiu em favor do estúdio - concordando com o advogado dos demandantes, que se referiram à resenha de Greene como "uma das calúnias mais horríveis que se pode imaginar". Assim, foi fixada uma indenização de 3.500 libras, das quais £500 saíram do bolso de Greene. O restante foi pago pela revista.[9]

Obras[editar | editar código-fonte]

nº seq. Título em Portugal Tradutor(a) Pt. Título no Brasil Tradutor(a) Br. Título original Ano do lançamento
01 O outro eu Maria Tereza/João Carlos Beckert de Assunção, outra de Sofia Gomes The Man Within (1929)
02 Expresso Oriente Jorge de Sena Trem de Istambul/Expresso do Oriente Marília Guerra de Vasconcelos Stamboul Train (1932)
03 Um campo de batalha Carlos Branco É um campo de batalha It's a Battlefield (1934)
04 Navegamos no mesmo barco Silva Duarte Bela e querida Inglaterra Lígia Junqueira England made me (1935)
05 Pago para matar Isabel da Nóbrega ''This Gun for Sale'' (1936)
06 A inocência e o pecado Vera Caeiro O condenado Leonel Vallandro Brighton Rock (1938)
07 (pt tit) Agente confidencial The confidencial agent (1939)
08 O Poder e a Glória Antonio Gonçalves Rodrigues O poder e a glória Mário Quintana The Power and the Glory (1940)
09 O ministério do Medo Marília Guerra de Vasconcelos, outra de Maria Lucília Rebocho Filipe, e outra de Eduardo Solo O ministério do medo Marília Guerra de Vasconcelos The Ministry of fear (1943)
10 O nó do problema J. P. de Barreto Mendonça O coração da matéria/O cerne da questão Oscar Mendes/Otacílio Nunes The Heart of the Matter (1949/1948)
11 O terceiro homem Ana Maria Sampaio O terceiro homem Antonio Celso Nogueira The third man (1949)
12 O fim da aventura Jorge de Sena O crepúsculo de um Romance/Fim de caso) Branca Maria de Queiroz Costa The end of the affair (1951)
13 (pt tit) Vinte e uma histórias (***) Twenty-One Stories (1954)
14 (pt tit) Quem perde ganha Brenno Silveira Loser takes all (1955)
15 O americano tranquilo P. J. de Morais O Americano Tranquilo Brenno Silveira The Quiet American (1955)
16 O Nosso Agente em Havana Nosso homem em Havana Brenno Silveira Our Man in Havana (1958)
17 (pt tit) Um caso liquidado Brenno Silveira A burnt-out case (1960)
18 (pt tit) Uma sensação de realidade Fernando da Castro Ferro A sense of reality (1963)
19 Os melhores contos de Graham Greene(*) Ana de Freitas Uk tit (1963)
20 Os comediantes Bertha Mendes Os farsantes Ana Maria Capovilla The Comedians (1966)
21 Empresta-nos o seu marido? e outras comédias da vida sexual Bertha Mendes Empreste-nos seu marido e outras comédias da vida sexual José Laurênio de Melo May we rorrow your husband? And other comedies of the sexual Life (1967)
22 (pt tit) Viagens com a minha tia Thelmo Martino Travels with my aunt (1969)
23 (pt tit) Quase uma vida Jorge Arnaldo Fortes A sort of life (1972)
24 (pt tit) O Cônsul Honorário Hélio Pólvora The Honorary Cônsul (1973)
25 O factor humano João Belchior Viegas O fator humano A. B. Pinheiro de Lemos The Human Factor (1978)
26 (pt tit) Doutor Fischer de Genebra ou A festa da bomba Lya luft Doctor Fischer of Geneva (1980)
27 (pt tit) Pontos de Fuga (autobiografia) Sônia Coutinho Ways of escape (1980)
28 Monsenhor Quixote Ana Maria Sampaio Monsenhor Quixote A.B. Pinheiro de Lemos Monsignor Quixote (1982)
29 (pt tit) Um lobo solitário Julieta Leite Getting to know the general (1984)
30 (pt tit) O décimo homem Flávio Moreira da Costa The Tenth Man (1985)
31 O capitão e o inimigo Carlota Pracana O homem de muitos nomes Donaldson M. Garschagen The captain and the enemy (1988)
32 A última palavra e outros contos Isabel Veríssimo A última palavra (coletânea de contos) The last words (1990)
33 (pt tit) Reflexões Waltensir Dutra Reflections (1990(**))
34 (pt tit) (br tit) ''No Man's Land'' [10] (2005)

(*) Inclui os contos: O fim da festa, Eu vi, O outro lado da ponte, Prova cabal, A oportunidade do Sr. Lever, Vislumbre de explicação, A segunda morte, Um dia poupado, Um cinema barato por detrás da avenida, Pobre Maling, Funções especiais, Os destruidores e Uma visita a Morin.

(**) São 70 textos curtos, datados entre 1923 a 1988, selecionados por Judith Adamson

(***)Contos

Observação: No quadro "Obras" as informações quanto ao título em Português e nome do tradutor(a) foram pesquisadas em exemplares dos próprios livros ou ainda em registros disponibilizados on line pela Biblioteca Nacional do Brasil, seja da Biblioteca Nacional de Portugal.

Referências

  1. Butcher, Tim Chasing the Devil: The Search for Africa's Fighting Spirit , p. 6 (carta de um funcionário do Ministério das Relações Exteriores, sobre o plano de Graham Greene de visitar a Libéria, 20 de dezembro de 1934).
  2. On Reading Graham Greene in Liberia in a Time of Ebola. Por Brian Castner. Los Angeles Review of Books, 20 de fevereiro de 2015.
  3. Christopher Hawtree. "A Muse on the tides of history: Elisabeth Dennys". The Guardian, 10 de fevereiro de 1999.
  4. Robert Royal (novembro de 1999). «The (Mis)Guided Dream of Graham Greene». First Things. Consultado em 2 de junho de 2010 
  5. «BBC – BBC Four Documentaries – Arena: Graham Greene». BBC News. 3 de outubro de 2004. Consultado em 2 de junho de 2010 
  6. Butcher, Tim (2010). «Graham Greene: Our Man in Liberia». History Today Volume: 60 Issue: 10. Consultado em 2. insisted this trip, his first to Africa and his first outside Europe  Verifique data em: |acessodata= (ajuda)
  7. Graham Greene, Uneasy Catholic. Times Literary Supplement, 22 de agosto de 2006.
  8. Was Graham Greene right about Shirley Temple? Por Alexander Chancellor. The Spectator, 22 de fevereiro de 2014.
  9. What Was the Deal With Graham Greene Calling Shirley Temple "a Fancy Little Piece"? Por L.V. Anderson. Slate, 12 de fevereiro de 2014.
  10. «God beneath the banalities». The Guardian. 24 de dezembro de 2005. Consultado em 17 de maio de 2017 
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