Gripe espanhola de 1918

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
(Redirecionado de Gripe de 1918)
Ir para: navegação, pesquisa
Nota: Peste pneumónica redireciona para aqui. Para a doença provocada pela bactéria Yersinia pestis, consulte Peste pulmonar.
Wikitext.svg
Esta página ou seção precisa ser wikificada (desde abril de 2013).
Por favor ajude a formatar esta página de acordo com as diretrizes estabelecidas.
NoFonti.svg
Esta página ou secção cita fontes confiáveis e independentes, mas que não cobrem todo o conteúdo (desde Setembro de 2011). Por favor, adicione mais referências e insira-as corretamente no texto ou no rodapé. Material sem fontes poderá ser removido.
Encontre fontes: Google (notícias, livros e acadêmico)
Vírus da gripe espanhola reconstituído

A Gripe de 1918 (frequentemente citada como Gripe Espanhola) foi uma pandemia do vírus influenza que se espalhou por quase toda parte do mundo. Foi causada por uma virulência incomum e frequentemente mortal de uma estirpe do vírus Influenza A do subtipo H1N1.

A origem geográfica da pandemia de gripe de 1918-1919 (espanhola) é desconhecida. Foi designada de gripe espanhola, gripe pneumónica, peste pneumónica ou, simplesmente, pneumónica.

A designação "gripe espanhola" deu origem a algum debate na literatura médica da época, que talvez se deva ao fato de a imprensa na Espanha, não participando na guerra, ter noticiado livremente que civis em muitos lugares estavam adoecendo e morrendo em números alarmantes.

A doença foi observada pela primeira vez em Fort Riley, Kansas, Estados Unidos, em 4 de Março de 1918,[1] e em Queens, Nova Iorque em 11 de Março do mesmo ano. Os primeiros casos conhecidos da gripe na Europa ocorreram em Abril de 1918 com tropas francesas, britânicas e americanas, estacionadas nos portos de embarque na França durante a Primeira Guerra Mundial. Em Maio, a doença atingiu a Grécia, Portugal e Espanha. Em Junho, a Dinamarca e a Noruega. Em Agosto, os Países Baixos e a Suécia. Todos os exércitos estacionados na Europa foram severamente afectados pela doença, calculando-se que cerca de 80% das mortes da armada dos Estados Unidos se deveram à gripe.

Estima-se que a gripe espanhola tenha vitimado entre 50 e 100 milhões de pessoas em todo o mundo, se tornando um dos desastres naturais mais letais da história da humanidade.[2]

Evolução da epidemia[editar | editar código-fonte]

A pandemia desenvolveu-se em três ondas epidémicas:

  • A primeira, mais benigna, termina em Agosto de 1918;
  • A segunda inicia-se no outono e termina entre os meses de Dezembro e Janeiro, tendo sido de extraordinária gravidade, afetando uma grande parte da população e com uma taxa de letalidade de 6 a 8%;
  • A terceira e derradeira, começa em Fevereiro de 1919 e termina em Maio do mesmo ano.

A pandemia, caracterizou-se mundialmente pela elevada morbilidade e mortalidade, especialmente nos sectores jovens da população e pela frequência das complicações associadas. Calcula-se que afetou 50% da população mundial, tendo matado cerca de 40 milhões de pessoas, pelo que foi qualificada como o mais grave conflito epidémico de todos os tempos. A falta de estatísticas confiáveis, principalmente no Oriente (como China e Índia) pode ocultar um número ainda maior de vítimas.

É provável que o vírus responsável pela pandemia esteja relacionado com o vírus da gripe suína, isolado por Richard E. Shope em 1920.

Em Portugal, verificou-se uma elevadíssima taxa de mortalidade, com duas ondas epidémicas e uma ocorrência muito marcada entre os 20 e os 40 anos, que terá causado cerca de 120 000 mortos.[3]

No Brasil a doença chegou em setembro de 1918. No dia 24 daquele mês a Missão Médica enviada pelo país para ajudar no esforço de guerra francês foi atingida pela gripe no porto de Dacar, Senegal, que à época era colônia francesa. No mesmo mês chegou ao país o paquete Demerara, vindo da Europa, e que é apontado por alguns autores como o primeiro navio portador do vírus para dentro do Brasil. Em poucos dias a epidemia irrompeu em diversas cidades:Recife, Salvador e Rio de Janeiro, chegando em novembro de 1918 à Amazônia. Foram registradas em torno de 300 mil mortes relacionadas à epidemia. A doença foi tão severa que vitimou até o Presidente da República, Rodrigues Alves, em 1919.

Personalidades brasileiras vítimas da gripe[editar | editar código-fonte]

Personalidades portuguesas vítimas da gripe[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Avian Bird Flu. 1918 Flu (Spanish flu epidemic)
  2. Taubenberger, Jeffery K.; Morens, David M. (2006). «1918 Influenza: the mother of all pandemics». Emerging Infectious Diseases Centers for Disease Control and Prevention [S.l.] 12 (1). doi:10.3201/eid1201.050979. PMC 3291398. PMID 16494711. Arquivado desde o original em 1 de outubro de 2009. Consultado em 5 de março de 2016. 
  3. Gripe Espanhola foi provocada por um vírus das aves
  4. Alfaro 2006, pp. 491-493

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Alfaro, Catarina (2006). «Biografia de Amadeo de Souza-Cardoso: 1887-1918». In: A.A.V.V. Amadeo de Souza-Cardoso: diálogo de vanguardas. (Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian). ISBN 978-972-635-185-6.