Grupo Domo

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O Grupo Domo de Teatro e Artes Integradas foi fundado na cidade de Brasília em 1994, por seu diretor André Garcia de Carvalho Marques, com a participação de atores que se conheceram nos bastidores do projeto OFICENAS (dirigido pelo fundador do grupo “Asdrúbal Trouxe o Trombone”, Hamilton Vaz Pereira). André Garcia de Carvalho Marques, Anderson Riedel e Mônica Amado (sobrinha do escritor Jorge Amado) deram início aos trabalhos, e logo se juntaram ao grupo outros artistas advindos de diversas fontes.

Tanto atores quanto bailarinos, artistas plásticos e performers vieram se somando aos estudos do grupo, que buscava, de início, um aprofundamento na percepção da criação artística, nos meios para se concretizar uma obra. A sequência lógica, a partir da criação de um método próprio de trabalho, que envolvia em sua base o exercício estético e físico, e a encenação, seja ela nas artes cênicas ou na dança, foi a realização de performances e espetáculos, que externavam os processos vividos nas oficinas e celeiros de criação instaurados pelo Grupo.

Centrando a pesquisa e o resultado na linguagem teatral, o Grupo Domo vem ao longo de mais de uma década dando sua contribuição frente à produção da cena teatral brasiliense, procurando um viés próprio, uma vertente das artes de Dionísio ligada a uma forma intimista e autoral, ligada ao Teatro com T maiúsculo, pois ainda em mutação, ainda rito, em pesquisa, em aprofundamento, em contínuo re-encantamento. Como tema, sempre, os temas de sempre, de todo tempo, a vida do homem, com suas questões, com o eterno embate na busca do auto-conhecimento, mas, renovados pelo olhar da arte moderna, renovados com o frescor dos nossos tempos.

O nome do Grupo, Domo, vem de sua forma latina, domus, que em princípio quer dizer “casa”. Uma casa aberta, que se renova com o passar de seus habitantes. Também os domos construídos, aqueles das catedrais e prédios geodésicos, têm, vistos de cima, a forma circular, a linha que parte de um ponto e se completa reencontrando a si mesma, fechando um ciclo, abrindo outro. Um símbolo de plenitude, que abrange, mas que também carrega em si mesmo a integridade do que é.

Espetáculos[editar | editar código-fonte]

Os trabalhos do Grupo, de certa forma, giram sempre em torno das relações humanas, de nossas crenças e da maneira como encaramos nossa cultura, nossa sociedade e civilização. O primeiro espetáculo como grupo, “O Grito” (1995) retratava exageros, excessos nos tratos com a fé pré-programada na notícia, aquela vinda da TV e dos meios de comunicação, de como somos postos a engolir tudo o que é externo.

Em seguida, “O Grande Dormitório” (1997), propunha uma viagem imaginária ao mundo dos seres humanos após a morte física, inspirados em ensinamentos de diversas tradições religiosas, aonde cada personagem vai reconhecendo o que foi, e se abrindo para o que pode vir a ser. Uma alegoria para a transitoriedade e para a infinitude do ser. Esta peça obteve grande êxito de público e crítica, prêmio, dois anos de temporadas em várias cidades brasileiras e também no exterior, gerando performances pelas ruas e cemitérios de Londres, Paris, Amsterdã, Berlim e Barcelona.

“As Lavadeiras”(1999), com temporadas também em 2000, 2001 e 2006, comédia de duas horas e meia de duração, partiu de um longo trabalho de pesquisa no interior do Brasil, e tratava da vida de duas lavadeiras de roupa numa cidade pequena. A despeito do humor e da aventura em outro tipo de dramaturgia, o Grupo Domo fala, através de símbolos discretos, da situação do país, das dificuldades de uma vida sertaneja, uma vida sem dinheiro e quase sem água, uma vida de miséria, mas, ao mesmo tempo, vivida pela beleza de um povo perseverante.

O trabalho seguinte foi “Dos Anjos e de Todos Nós” (2005), tratando da vida e da obra do escritor paraibano Augusto dos Anjos, peça que teve excelente repercussão, e deverá ser reapresentada a partir de 2011. Produzida em conjunto com a Professora Doutora em Literatura Luisa Melo, a peça é uma verdadeira viagem sonora/textual/visual ao mundo daquele escritor, tanto o real quanto o imaginário, exposto a partir de dois estudantes que querem conhecer sua obra profundamente.

Todos esses anos também o Grupo desenvolveu trabalhos menores, como “No Clown” (2003), a saga de dois palhaços assassinos e pervertidos, disputando a mão de uma noiva mórbida. Outras performances também foram apresentadas em Brasília em teatros e locais públicos, como o Superior Tribunal de Justiça (sobre o funcionalismo público), o Hospital Regional da Asa Sul (sobre obra de Fernando Pessoa), o Cine Brasília (sobre obra de Carlos Drummond de Andrade), entre outros.

Em 2008, o Grupo estreou a peça "O Julgamento", que trata das mazelas do homem contemporâneo frente as estruturas complexas de sociedade e de ideias que ele mesmo constrói para si. A peça mostra um tribunal surreal onde um jovem rapaz está sendo julgado por um Estado totalitário por difundir ideias sobre política e sociedade que divergem daquelas que os governantes antevêem e pretendem inalterável. Entre drama e humor, as mazelas de conceitos pré-concebidos vão sendo exibidas, e dando lugar a uma reflexão mais severa sobre como admitimos, inconscientemente, certos valores. E também, quanto nossa sociedade tem ainda que caminhar para superar sua adolescência evolutiva, para nos tornarmos mais afins com o nome que recebemos: Humanos.

O Grupo também já se prepara para suas nova montagem: “Manhã”, escrita durante estada do Grupo na Inglaterra em 2001, “Terra”, uma alegoria sobre a beleza do nosso planeta e uma ode ao seu poder vital, e “Casais, sempre casais”, uma comédia sobre os tipos inusitados de casais, uma brincadeira com os tipos que vemos nas ruas, na mídia e também os que não vemos com tanta freqüência.