Grupo Ultra

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Grupo Ultra (Ultrapar)
Logo Grupo Ultra 2020.jpg
Razão social Ultrapar Participações S/A
Empresa de capital aberto
Cotação B3UGPA3
NYSE: UGP
Atividade Conglomerado
Gênero Sociedade anônima
Fundação 30 de agosto de 1937
Fundador(es) Ernesto Igel
Sede São Paulo,  São Paulo
Área(s) servida(s)  Brasil
Presidente Marcos Lutz[1]
Pessoas-chave Rodrigo Pizzinatto (CFO)[2]
Empregados 16.279 diretos
76.000 indiretos
Produtos Combustíveis
Gás LP
Química
Logística
Postos de abastecimento
Subsidiárias Ipiranga
Ultragaz
Ultracargo
Acionistas Ultra S.A. Participações
Grupo Monteiro Aranha
Valor de mercado Baixa R$ 16 bilhões (2021)[3]
Lucro Prejuízo R$ 884 milhões (2021)[3]
LAJIR Aumento R$ 1.9 bilhão (2021)[3]
Faturamento Aumento R$ 119 bilhões (2021)[3]
Website oficial www.ultra.com.br

Grupo Ultra ou Ultrapar é uma companhia brasileira que atua nos setores de distribuição de combustíveis e gás, por meio da Ipiranga e da Ultragaz; serviços de armazenagem para granéis líquidos, por meio da Ultracargo. Todas são subsidiárias integralmente controladas da holding Ultrapar.[4] A companhia tem suas ações negociadas sob o nome Ultrapar nas bolsas de valores de São Paulo (B3) e de Nova York (NYSE).

O Grupo Ultra é uma das maiores empresas do Brasil, com receita líquida de R$ 81,2 bilhões em 2020, segundo o anuário Valor 1000, do jornal Valor Econômico.[5] No mundo, a companhia está entre as 500 maiores, segundo ranking elaborado pela revista Fortune em 2019.[6]

História[editar | editar código-fonte]

O Ultra originou-se da Empresa Brasileira de Gás a Domicílio, primeira empresa brasileira a engarrafar e distribuir gás de cozinha, fundada por Ernesto Igel em 1937.[4][7] A empresa começou a operar com uma frota de três caminhões e 166 clientes, mas logo se expandiu e deu origem à Ultragaz.

A Ultrapar Participações S.A. (Ultra) foi constituída em dezembro de 1953 e estendeu suas operações por meio do crescimento da Ultragaz e da criação de novas empresas. Três negócios resultantes desse processo de expansão da área de atuação do Ultra fazem parte do que hoje é a companhia: a Oxiteno, empresa pioneira na produção de óxido de eteno e derivados no Brasil, criada em 1970; e a Ultracargo, nascida da união das atividades de duas empresas – a Transultra, de transporte rodoviário e armazenagem de produtos químicos e petroquímicos, criada em 1966, e o terminal químico Tequimar, no porto de Aratu (BA), que incorporou a área de armazenagem aos serviços de logística em 1978.

O Ultra atuou no passado também nos segmentos de produção de fertilizantes, por meio da Ultrafértil; varejo de eletrodomésticos, por meio da Ultralar;[8] na engenharia industrial, por meio da Ultratec; e na produção e distribuição de alimentos congelados, por meio da Ultragel. Contudo, deixou esses setores ainda na década de 1970 para se concentrar em atividades em que a companhia enxergava demanda crescente e oportunidade de liderança. As atividades de Ultralar e Ultragel foram encerradas; e Ultratec e Ultrafértil foram vendidas. As atividades de transporte rodoviário da Ultracargo também foram vendidas posteriormente, em 2010, permitindo a concentração de sua estratégia de crescimento no segmento de terminais de armazenamento.

1999 a 2010[editar | editar código-fonte]

Em outubro de 1999, o Ultra abriu seu capital e passou a ter suas ações negociadas nas bolsas de valores de São Paulo e Nova York.[9] Foi, na ocasião, a primeira empresa brasileira a abrir seu capital diretamente em Nova York. Essa iniciativa proporcionou uma maior capacidade de investimento para a companhia, que passou a dispor da alternativa de utilizar suas ações como moeda para aquisição de outras empresas. Capitalizado, o Ultra iniciou um processo de expansão de suas atividades na década seguinte.

Quatro anos depois, em agosto de 2003, adquiriu a Shell Gas, empresa de distribuição de GLP (gás de botijão) da Shell no Brasil, o que tornou a Ultragaz líder no mercado nacional de GLP.[10] Em dezembro do mesmo ano, a companhia iniciou suas operações no mercado internacional através da aquisição da Canamex, divisão química do grupo mexicano Berci, por meio da Oxiteno.[11]

Em 2005, iniciaram-se as operações da Ultracargo no terminal intermodal do Porto de Santos.[12]

Dois anos depois, em 2007, o Ultra adquiriu a rede de distribuição de combustíveis do Grupo Ipiranga nas regiões Sul e Sudeste do Brasil, bem como a marca Ipiranga. Tornou-se então a segunda maior companhia de distribuição de combustíveis líquidos do Brasil, detendo participação de 15% do mercado.[13]

O Ultra adquiriu a União Terminais, até então pertencente a União das Indústrias Petroquímicas (Unipar), em 2007, e tornou a Ultracargo a maior operadora de armazenagem de granéis líquidos do Brasil, detentora de 30% da capacidade brasileira.[14]

No ano seguinte, concluiu a compra da operação de distribuição de combustíveis da Texaco Brasil, ampliando a participação de mercado da Ipiranga em seu setor para 23% do mercado nacional de combustíveis.

2010 a 2019[editar | editar código-fonte]

Variação do logotipo da empresa.

O Ultra aderiu ao Novo Mercado da BM&FBovespa em agosto de 2010, passando a ter suas ações listadas no segmento da bolsa dedicado às companhias com padrões de governança mais altos.[15][16][17]

No ano seguinte, a Ipiranga, em parceria com a Odebrecht Transport, criou a ConectCar, empresa que atua no segmento de pagamento eletrônico de pedágios, estacionamentos e combustíveis.[18]

Em outubro de 2013, o Ultra se associou à Extrafarma, à época a oitava maior rede de farmácias do país, de origem paraense e com presença em outros estados do Norte e do Nordeste. Com a associação o Ultra incorporou 186 lojas no Pará, Amapá, Maranhão, Ceará e Piauí. O pagamento foi realizado em ações aos donos da Extrafarma, a família Lazera, que passou a deter 2,9% do Ultra.[13][19]

No mês de junho de 2016 o grupo Ultra fechou a compra da empresa distribuidora de combustíveis AleSat por 2,17 bilhões de reais.[20] Com a aquisição o Grupo Ultra se consolida como a segunda maior empresa de distribuição de combustíveis do Brasil com uma participação de 30% no mercado e perdendo apenas para a BR Distribuidora.[21] No entanto, a operação foi vetada pelo CADE em setembro de 2017.[22]

2020 a atual[editar | editar código-fonte]

Em março de 2020, o Grupo Ultra lançou sua nova marca durante evento com acionistas, investidores e analistas financeiros. Segunda a empresa, o lançamento da nova marca, é reflexo do posicionamento de uma empresa que olha para o futuro, tendo como base um legado de 80 anos de história, presente no mercado brasileiro e em mais de oito países.[23]

Em maio de 2021, o Grupo Pague Menos fez uma oferta pela Extrafarma por R$ 700 milhões. A Extrafarma faz parte das 10 maiores redes de farmácias do Brasil, com cerca de 400 lojas distribuídas no Norte e no Nordeste do país.[24][25] O Cade deve avaliar a venda no dia 22 de junho de 2022, quando dará parecer da venda, a Ultrapar se mostrou preocupada quanto a venda não ser consumada, apesar da Superintendência do órgão ter recomendado a aprovação previamente.[26][27][28] O Grupo Drogaria Pacheco São Paulo (DPSP) participará do ato de concentração como parte interessada no processo.[29][30]

Em agosto de 2021, o grupo vendeu a Oxiteno que atuava na produção de especialidades químicas para o grupo tailandês Indorama Ventures,[31] no ano seguinte a venda foi aprovada pelo CADE.[32]

O Grupo Ultra também faz parte do Índice de Carbono Eficiente da B3 (ICO2 B3), que foi criado em 2020 com o propósito de induzir discussões sobre a mudança do clima no Brasil, por meio da adesão de companhias que estejam comprometidas com a transparência das suas emissões.[33][34] A companhia ainda foi destaque no Carbon Disclosure Project (CDP), obtendo nota B na dimensão Mudanças Climáticas, superando a média regional da América do Sul e do setor de varejo de óleo e gás, classificados com D.[35]

Posição no mercado[editar | editar código-fonte]

Segundo o Sindigás, sindicato que reúne distribuidoras do produto, a Ultragaz é líder de mercado na distribuição de gás LP com 23,25% do mercado nacional em 2019.[36]

A Ipiranga é a segunda maior distribuidora de combustíveis do Brasil, com cerca de 7.090 postos (2019) em todo o território nacional, e é a maior distribuidora de capital privado.[37]

A Oxiteno é líder na produção de óxido de eteno e seus principais derivados na América Latina. A Ultracargo é a maior provedora de armazenagem para granéis líquidos do Brasil, com sete terminais e capacidade de armazenagem de aproximadamente 664 mil metros cúbicos. É a única em seu setor a ter presença em todos os principais portos brasileiros.

Referências

  1. «Marcos Lutz se torna CEO do Grupo Ultra». Money Report. Consultado em 4 de janeiro de 2022 
  2. «Conselho da Ultrapar escolhe novo Diretor Financeiro e de RI». Investing.com. Consultado em 26 de outubro de 2021 
  3. a b c d «Relatório Integrado 2021» (PDF). Grupo Ultra. 25 de abril de 2022. p. 8, 14, 35, 40, 85, 89. Consultado em 21 de junho de 2022 
  4. a b «Ultra». www.ultra.com.br. Ultra. Consultado em 20 de fevereiro de 2020 
  5. «As 1000 maiores | Valor Econômico». Valor Econômico. Consultado em 26 de outubro de 2021 
  6. «Global 500». Fortune (em inglês). Consultado em 20 de fevereiro de 2020 
  7. «Ultra - História». www.ultra.com.br. Consultado em 20 de fevereiro de 2020 
  8. Pedro Paulo Galindo Morales (1 de julho de 2012). «Ultra: Uma das pioneiras no setor de grandes magazines». História de Empresas. Consultado em 2 de Junho de 2015 
  9. «Preço de largadas pode ser superestimado». UOL. 18 de outubro de 1999. Consultado em 1 de Junho de 2015 
  10. «Ultragaz compra Shell Gás por R$ 170 milhões». Estadão. 18 de janeiro de 2003. Consultado em 2 de Junho de 2015 
  11. «Informações sobre empresas classificadas por ramo de atividade». EconoInfo. Consultado em 2 de Junho de 2015 [ligação inativa]
  12. «Ultracargo inaugura Terminal Intermodal de Santos». Newslog. 26 de julho de 2005. Consultado em 2 de Junho de 2015 
  13. a b Juliana Rangel (19 de março de 2007). «Compra do grupo Ipiranga, de US$4 bilhões, é maior aquisição já realizada no país». O Globo. Consultado em 2 de Junho de 2015 
  14. «Ultra compra União terminais». PortoGente. 8 de julho de 2008. Consultado em 2 de Junho de 2015 
  15. «Grupo Ultra se ajustará ao Novo Mercado». Estadão. 6 de abril de 2011. Consultado em 2 de Junho de 2015 
  16. «Ultrapar é pilar de estabilidade em tempos de incertezas, diz banco». Exame. 17 de agosto de 2011. Consultado em 2 de Junho de 2015 
  17. «Conselho da Ultrapar aprova adesão ao novo mercado da BM&FBovespa». Estadão. 5 de abril de 2011. Consultado em 2 de Junho de 2015 
  18. «Ultrapar atuará em pagamento eletrônico no setor de transportes». Reuters. 27 de novembro de 2012. Consultado em 2 de Junho de 2015 
  19. «Ultra compra Extrafarma por R$ 1 bi». Valor Econômico. Consultado em 20 de fevereiro de 2020 
  20. «Ultrapar anuncia compra da Alesat pela Ipiranga por de R$ 2,17 bilhões». Valor Econômico. Consultado em 20 de fevereiro de 2020 
  21. «Ipiranga compra rede Ale por R$ 2,1 bilhões e se fortalece no Nordeste». O Globo. 12 de junho de 2016. Consultado em 20 de fevereiro de 2020 
  22. Social, Assessoria de Comunicação. «Compra da Alesat pela Ipiranga é vetada pelo Cade — CADE». www.cade.gov.br. Consultado em 20 de fevereiro de 2020 
  23. «Ultra - Somos o Grupo Ultra». www.ultra.com.br. Consultado em 24 de junho de 2020 
  24. Ultrapar confirma a venda da Extrafarma para a Pague Menos; entenda o que muda para as companhias Seu Dinheiro
  25. «Números Abrafarma». abrafarma. Consultado em 20 de fevereiro de 2020 
  26. «Negócio ameaçado? Ultrapar (UGPA3) diz que venda da Extrafarma pode não sair». Seu Dinheiro. 10 de maio de 2022. Consultado em 21 de junho de 2022 
  27. «Cade deve julgar venda da Extrafarma para Pague Menos no dia 22». Valor Econômico. 14 de junho de 2022. Consultado em 21 de junho de 2022 
  28. «Superintendência do Cade recomenda aprovação de compra da Extrafarma pela Pague Menos com restrições». Conselho Administrativo de Defesa Econômica. 9 de maio de 2022. Consultado em 21 de junho de 2022 
  29. «DPSP contesta venda da Extrafarma em julgamento no Cade». 15 de junho de 2022. Consultado em 21 de junho de 2022 
  30. «Pauta da sessão de julgamento da próxima quarta-feira (22/06) é publicada. Confira!». Conselho Administrativo de Defesa Econômica. 15 de junho de 2022. Consultado em 21 de junho de 2022 
  31. «Ultrapar vende Oxiteno para tailandesa Indorama por US$ 1,3 bilhão». G1. 16 de agosto de 2021. Consultado em 5 de abril de 2022 
  32. «Superintendência do Cade aprova venda da Oxiteno, da Ultrapar, para Grupo Indorama Ventures». Conselho Administrativo de Defesa Econômica – CADE. 8 de março de 2022. Consultado em 5 de abril de 2022 
  33. «Índice Carbono Eficiente (ICO2 B3)». B3. Consultado em 26 de outubro de 2021 
  34. «Índice Carbono Eficiente - ICO2 B3». B3. Consultado em 26 de outubro de 2021 
  35. «Grupo Ultra apresenta seu Relatório Integrado 2020». Acionistas.com.br. 17 de maio de 2021. Consultado em 26 de outubro de 2021 
  36. «Sindigás » Market Share». Consultado em 20 de fevereiro de 2020 
  37. «Grupo Ultra quer ir além do negócio de combustível». Exame. 17 de fevereiro de 2014. Consultado em 2 de Junho de 2015 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]