Guará (futebolista)

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Guará
Informações pessoais
Nome completo Guaracy Januzzi
Data de nasc. 03 de dezembro de 1914
Local de nasc. Senador Firmino, MG,  Brasil
Falecido em 16 de novembro de 1978 (63 anos)
Local da morte Belo Horizonte, MG,  Brasil
Apelido Diabo Loiro
Informações profissionais
Posição Atacante
Clubes de juventude
Minas Gerais São José (???-1928)
Minas Gerais Aymorés (1928-1933)
Clubes profissionais
Anos Clubes Jogos e gol(o)s
1933–1940
1941
???
1951
Minas Gerais Atlético Mineiro
Rio de Janeiro Flamengo
Minas Gerais Siderúrgica
Minas Gerais Atlético Mineiro
200/(168)
1/(0)
-
-


Guaracy Januzzi, mais conhecido como Guará, (Conceição do Turvo, 03 de dezembro de 1914Belo Horizonte, 16 de novembro de 1978) foi um futebolista brasileiro, que atuava como atacante. Nasceu em Conceição do Turvo (atual Município de Senador Firmino), distrito de Piranga, filho do italiano Miguel Jannuzzi e da espanhola Rosa Gracia Ottero Jannuzzi. Foi casado com Amélia Januzzi, com quem teve cinco filhos: Vera Januzzi, Luiz Carlos Januzzi, Rosina Januzzi, Déa Januzzi e Kátia Januzzi.[1]

Início da Carreira[editar | editar código-fonte]

Seu pai Miguel Januzzi nunca gostou de ver seu filho chutar e correr atrás de uma bola. Por muitas vezes Miguel Januzzi tirou o cinto e castigou Guará em via pública, tudo isso para deixar claro: “Guaracy Januzzi jamais seria um jogador de futebol!” Mas Guará insistiu e mesmo sem aprovação de seu pai fundou o São José. Depois com catorze anos, atuou no Aymorés, melhor equipe de Ubá. Lá conheceu Nicola e fez outros amigos. Vendo a insistência do filho, Seu Miguel rendeu-se a vontade do filho.

No Aymorés de Ubá, Guará ganhou fama juntamente com Nicola. A torcida dizia que Guará e Nicola não apenas faziam chover, quando estavam inspirados os dois atacantes além da chuva, provocavam vendavais e inundações. Em uma visita à trabalho a cidade de Ubá, o caixeiro viajante Lafaiete Maia viu o que a torcida do Aymorés já sabia faz tempo. A habilidade e o talento de Guará e Nicola realmente era de espantar. Quando voltou a Belo Horizonte Lafaiete Maia, contou a que vira aos companheiros do Atlético Mineiro. Lafaiete já havia indicado outros jogadores para atuar no Atlético. Com esse histórico de bons serviços a nação atleticana, os dirigentes do Galo deram toda atenção as notícias que o caixeiro viajante trazia de Ubá. Diretores técnicos do atlético foram a Ubá para oferecer contrato para Guará e Nicola. Com Nicola o sim veio de imediato, na sua família não havia resistências. Porém, com Guará a coisa foi mais difícil. Se a essa altura Seu Miguel, pai de Guará, já não se opunha a vontade do filho, Dona Rosa Januzzi era terminantemente contra. E ela tentou o que pode para impedir que seu filho ainda com 16 anos, deixasse sua cidade natal para correr atrás de uma bola como jogador de futebol. Mas não teve jeito, Guará veio para Belo Horizonte dizendo a mãe:

Em 23 de setembro de 1933 se transferiu para o Clube Atlético Mineiro. Em BH, Guará e Nicola foram os primeiros a ocupar os dormitórios que haviam sido construídos debaixo das arquibancadas do Estádio Antônio Carlos na rua Rio Grande do Sul.

Seu apelido era Guara, sem acento, mas assim quem chegou a Belo Horizonte a imprensa mineira acentuou sem querer o nome daquele que seria um dos quatro maiores artilheiros de todos os tempos: Guará. O apelido Perigo Louro surgiu daquele jovem franzino, cujos passes e dribles mágicos iam invariavelmente parar nas redes. Ele fez 168 gols pelo Clube Atlético Mineiro, marca até hoje só ultrapassada por Reinaldo, Dadá Maravilha e Mário de Castro. Aos 24 anos, Guará já era o jogador mais bem pago do futebol mineiro: 18 contos de luvas e 800 mil réis por mês.

Nos seis anos de carreira Guaracy Januzzi, honrou a criação que seus pais lhe deram em Ubá. Guará jamais deu motivos para reclamações de qualquer torcedor ou dirigente. Em campo era um profissional exemplar e sempre foi atencioso com a torcida e a impressa. O apelido de Diabo Loiro era mesmo porque Guará fazia o inferno com as defesas adversárias.

A Cabeçada Fatal[editar | editar código-fonte]

Mas a "fama teve inveja de Guará", escreve Ary Barroso no prefácio do livro "Cabeçada Fatal". No dia 04 de julho de 1939, o Atlético Mineiro e o Palestra Itália (atual Cruzeiro) se enfrentavam pela segunda rodada do Campeonato da Cidade. Aos dez minutos de partida o centroavante Guará e o zagueiro Caieira, do Palestra, correram em direção à bola. Os dois saltaram juntos, mas não acertaram a bola. Chocaram cabeça com cabeça. O jogo parou para atendimento médico dos dois jogadores, que caíram atordoados no gramado. Caieira mesmo tonto pelo choque, conseguiu se levantar, mas Guará foi retirado do campo inconsciente. Todos pensavam que Guará tinha sofrido uma ligeira contusão sem maiores conseqüências. Mas não. Ele permaneceu mais de uma hora desmaiado no ambulatório do estádio de onde foi levado para o Pronto Socorro. Seguindo conselho médico foi transferido, no dia seguinte, para o Hospital São José, onde os fãs faziam fila, rezavam. Mais de 700 pessoas faziam plantão na porta do hospital, à espera de um milagre.

Durante 10 dias ficou em estado grave no hospital e correu um sério risco de vida. Mas aos poucos foi reagindo e 23 dias depois pôde voltar para casa. Para os gramados, só 8 meses depois mas já não era o mesmo. Seus gols rarearam e o Diabo Loiro não mais fazia os beques adversários tremerem. Guará se despediu do Atlético em 05 de maio de 1940.

Vítima de traumatismo craniano, Guará nunca mais conseguiu jogar em alto nível, apesar das muitas tentativas Ele não era mais o mesmo. Tinha medo de pisar no gramado. Chegou a ser contratado pelo Flamengo em 1941, mas acabou disputando apenas um jogo. Era o fim de uma carreira brilhante, pois a estrela do centroavante Guará se apagou - e ele teve que se afastar, definitivamente, dos campos de futebol.

Depois do Futebol[editar | editar código-fonte]

Tentou de tudo depois daquele trágico acidente. Vendeu tabletes de doce de leite Virgínia, bilhetes de loteria, fez "Livro de Ouro", lançou "Vida de Glórias e Sacrifícios", em parceria com o jornalista Antônio Tibúrcio Henriques. Relançou o mesmo livro, na década de 1960, com o nome "Cabeçada Fatal". Foi por muitos anos funcionário da Câmara Municipal de Belo Horizonte.

Guará morreu em 16 de novembro de 1978 vitima de um ataque cardíaco. A essa carreira de dedicação e correção lhe rendeu, em 1965, a homenagem da Rádio Itatiaia que dá seu nome ao prêmio que promove todos os anos o Troféu Guará, que é o reconhecimento da impressa mineira aos melhores jogadores do futebol mineiro em sua posição.

Curiosidade[editar | editar código-fonte]

O pai do jogador Guará, Miguel Januzzi, era sapateiro e proprietário de um salão de bilhar em Conceição do Turvo. A loja exibia um título pomposo: "Salão Batuta, de Miguel Januzzi".[2]

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Referências

  1. Rodrigo Celi da Veiga Dias, historiador
  2. Rodrigo Celi da Veiga Dias, historiador

GaloDigital.com.br - Guaracy Januzzi (em português)

WebGalo.comze.com - Guará "O Diabo Loiro" (em português)

trofeuguara.com.br - Troféu Guará 50 Anos (em português)