Guerra cambial

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Guerra cambial (também 'guerra monetária ou guerra das moedas), é um termo recente usado para caracterizar as políticas econômicas adotadas pelos países e blocos econômicos, a fim de controlar e influenciar a macroeconomia por meio de sua força econômica. Um modo considerado desleal é a utilização de uma Política monetária de taxa de câmbio fixa, impactando diretamente nas relações de taxa de câmbio.

O termo guerra cambial vem sendo usado por diversos governos e economistas para descrever uma suposta disputa entre os países envolvendo suas moedas. Acredita-se que alguns países, os emergentes, estariam desvalorizando artificialmente suas moedas para beneficiar seus ganhos com exportação,[1] pois os mesmos consideram a importação como algo negativo e a exportação como positivo, afinal, eles medem a saúde de uma nação pela balança comercial.

Origem[editar | editar código-fonte]

Os Estados Unidos, donos das maiores reservas de ouro, da mesma forma eram o único país em condições de efetivar a conversão monetária adotando, assim, um sistema de taxa de conversão fixa. Assim é que, nesta razão, o dólar (taxa de US$35 a onça de ouro) passou a ser utilizado como reserva cambiária pela comunidade das nações, sendo criados, junto com o FMI, os chamados "direitos de saque", que derivam de uma fórmula que refletia a dimensão econômica e importância comercial dos países-membros.

Ora, no entanto, com a evolução da situação foi constatado que os valores de ouro depositados em poder dos americanos e a sua produção mundial, não acompanhavam a expansão da economia mundial, sendo que um economista belga Robert Triffin, publicou um livro intitulado "O Ouro e a Crise do Dólar"(Gold and the Dollar Crisis), diagnosticando um dilema que passou a ter o seu nome: O Dilema de Triffin.[2]

Assim é, que do sistema urdido em Bretton Woods, não restou nada na razão de sua própria condição de insustentabilidade em face de seu paradoxo central monetário.

Ora, a contar desta época até nossos dias, já se passaram várias dezenas de anos, sendo que gradativamente foi havendo uma expansão do meio circulante internacional, lastreado num dólar sem lastro ouro e sem a sua correspondência com o PIB americano. Acoplado a este fenômeno inflacionário, agregou-se um fenômeno múltiplo, também inflacionário, da supervalorização de ativos em títulos de crédito, privados e públicos dos demais países que compõem a rede internacional ou chamada economia globalizada, criando por sua vez, uma interdependência sistêmica e patológica, que manifesta-se através da instabilidade inerente deste não-sistema, que é caótico e kafkaniano.[2]

Consequências[editar | editar código-fonte]

Aliado ao processo inflacionário contido na moeda internacional, o dólar, e nas moedas nacionais dos demais países, através do aumento da dívida pública, que se estende cada vez mais para futuro, temos uma rolagem deste bolo passivo, que cada vez de forma mais acelerada faz com que o futuro quando se torna presente, pelo implemento do termo, torne-se um presente cada vez mais oneroso, pela incidência contabilizada de juros sobre juros e capital e pelos sucessivos refinaciamentos e novações de dívidas, que transformam o futuro num grande buraco-negro a engolir o presente. Esta é a anatomia deste processo patológico que cada vez mais se agrava, inflando o processo inflacionário e distanciando-se, por sua vez, como economia fictícia da economia real, que pela gradativa inadimplência é levada, em face do esgotamento paulatino de sua capacidade de produção, à insolvência, arrastando nações, empresas e trabalhadores.[2]

E a consequência final será a completa destruição dos sistemas monetários nacionais[3].

Parâmetro atual[editar | editar código-fonte]

A queda gradual e constante da valor monetário no oriente e a estabilização do ocidente, notadamente a Europa, faz com que o dólar americano e as economias que lhe são dependentes, como a América Latina, fiquem isolados com uma super valorização monetária que lhes agrava os processos, tanto o de Importação como de Exportação, perdendo a capacidade de concorrência frente aos dumpings sociais somados aos dumpings monetários destes países, fazendo com que ocorra a destruição de sua economia interna, ou pela extinção de seu capitalismo autóctone, como é o caso da América Latina, ou a perda de suas indústrias, através de greves, como é o caso dos EUA.[4]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. BBC: Entenda o debate em torno da 'guerra cambial' entre os países
  2. a b c AS BOLSAS E A BOLHA Sérgio Borja – Gazeta Mercantil do RS nos dias 8 e 9 de setembro de 1998, fls. 2
  3. «A irônica guerra cambial». Mises Brasil. Consultado em 6 de março de 2018 
  4. A GUERRA DAS MOEDAS Sérgio Borja – Publicado no Jornal do Comércio de 15.07.1998

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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