Guerra do Coco

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Disambig grey.svg Nota: Este artigo é sobre o conflito em Vanuatu. Para a guerra em Bougainville, veja Revolução dos Cocos.

A Guerra do Coco foi um breve conflito entre os soldados da Papua-Nova Guiné e rebeldes na ilha de Espiritu Santo, pouco tempo antes e após a independência da República de Vanuatu ser declarada em 30 de julho de 1980.

Antecedentes[editar | editar código-fonte]

Antes da independência de Vanuatu, as ilhas eram conhecidas como Novas Hébridas. As Novas Hébridas eram governadas por um condomínio da França e do Reino Unido. Em 1980, a França e o Reino Unido concordaram que seria concedido a independência a Vanuatu em 30 de julho de 1980.

A partir de junho de 1980, Jimmy Stevens, chefe do movimento Nagriamel, liderou uma revolta contra as autoridades coloniais e os planos para a independência. [1][2][3][4] A revolta durou cerca de 12 semanas. Os rebeldes bloquearam o Aeroporto Internacional Santo-Pekoa, destruíram duas pontes, e declararam a independência da ilha de Espiritu Santo como o "Estado de Vemerana". Stevens foi apoiado por latifundiários francófonos e pela Fundação Phoenix, uma fundação empresarial estadunidense que defendia a criação de um paraíso fiscal libertário nas Novas Hébridas.[5]

Confronto[editar | editar código-fonte]

Em 8 de junho de 1980, o governo de Novas Hébridas solicitou a Grã-Bretanha e a França o envio de tropas para sufocar uma rebelião na ilha de Espiritu Santo. [6] A França recusou-se a permitir que o Reino Unido mobilizasse tropas para resolver a crise, e os soldados franceses estacionados em Espiritu Santo nada fizeram. Como o dia da independência se aproximava, o primeiro-ministro eleito, Walter Lini,[7] pediu para que a Papua-Nova Guiné enviasse tropas para intervir. [1] Enquanto soldados de Papua-Nova Guiné começaram a chegar em Espiritu Santo, [8] a imprensa estrangeira passou a referir-se aos acontecimentos em curso como a "guerra do coco".

No entanto, a "guerra" foi breve e pouco convencional. Os moradores de Espiritu Santo, em geral, acolheram favoravelmente os soldados de Papua-Nova Guiné como companheiros melanésios. Seguidores de Stevens estavam armados apenas com arcos e flechas, pedras e estilingues (fisgas). Houve poucas baixas, e a guerra chegou a um fim súbito. Quando um veículo que transportava o filho de Stevens irrompeu uma barreira imposta pela Papua-Nova Guiné no final de agosto de 1980, soldados abriram fogo contra o veículo, matando o filho de Stevens. Pouco tempo depois, Jimmy Stevens se rendeu, afirmando que jamais teve intenção de que alguém fosse prejudicado.[9]

No julgamento de Stevens, o apoio da Fundação Phoenix ao movimento Nagriamel foi revelado. Também foi revelado que o governo francês havia secretamente apoiado Stevens em seus esforços. Stevens foi condenado [2] a 14 anos de prisão; ele permaneceu na prisão até 1991.

Referências

  1. a b MICHAEL T. KAUFMAN (23 de Fevereiro de 1999). «Walter Lini, 57, Clergyman Who Led Nation of Vanuatu» The New York Times [S.l.] Consultado em 2009-09-18. 
  2. a b «South Pacific Rebel Seized» The New York Times via REUTERS [S.l.] 14 de Setembro de 14, 1982. Consultado em 2009-09-18. 
  3. «Pacific Islands in Election Battle» The New York Times [S.l.] 1 de Novembro de 1983. Consultado em 2009-09-18. 
  4. William Borders (12 de Junho de, 1980). «British Answering New Hebrides Call; Company of Marines Being Sent 'to Provide Stability' French Antiriot Police Arrive Threat to Independence One Killed on 2d Island 55 French Riot Police Land» The New York Times [S.l.] Consultado em 2009-09-18. 
  5. Treaster, Joseph B. (7 de Junho de 1980). «U.S. Land Developer Aids New Hebrides Dissidents» The New York Times [S.l.] Consultado em 2009-09-18. 
  6. «New Hebrides Asks for Aid in Revolt; Plea Might Go to U.N.» The New York Times [S.l.] 8 de Junho de 1980. Consultado em 2009-09-18. 
  7. Bernard D. Nossiter (9 de Julho de 1981). «Vanuatu, New Pacific Nation, Moving Toward Seat at U.N.» The New York Times [S.l.] Consultado em 2009-09-18. 
  8. Graeme Dobell (26 de Junho de 2003). «Alexander Downer announces moves toward a new foreign policy -- Transcript» PM [S.l.] Consultado em 2009-09-17. 
  9. «New Hebrides Rebel Urges Peace; Willing to Fight British and French One British Officer Injured» The New York Times [S.l.] 9 de Junho de 1980. Consultado em 2009-09-18. 

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Richard Shears (1980). The Coconut War: The Crisis on Espiritu Santo (Cassel: North Ryde, NSW ISBN 0-7269-7866-3)
  • Andrew Stewart (2001). Of Cargoes, Colonies and Kings: Diplomatic and Administrative Service from Africa to the Pacific (I. B. Tauris: London ISBN 1-86064-713-8) pp. 214–224
  • "A Memory of the Coconut War: Rebel Leader Jimmy Stevens Freed", The Economist, 31 de agosto de 1991

Reportagens de jornais contemporâneas[editar | editar código-fonte]

  • "New Hebrides Calling for Help to Put Down Rebellion", New York Times, 31 de maio de 1980, p. 11
  • "Separatists Threaten Hebrides Unity", New York Times, 8 de junho de 1980, p. E2
  • "New Hebrides Asks for Aid in Revolt; Plea Might Go to U.N.", New York Times, 8 de junho de 1980, p. 12
  • "Unrest Spreads in New Hebrides", New York Times, 11 de junho de 1980, p. A8
  • "British Answering New Hebrides Call; Company of Marines Being Sent 'to Provide Stability'", New York Times, 12 de junho de 1980, p. A5
  • "British-French Control Ends in New Hebrides, Now Named Vanuatu", New York Times, 30 de julho de 1980, p. 11
  • "Rebels Blow Up 2 Bridges On Island of Espiritu Santo", New York Times, 4 de agosto de 1980, p. A5
  • "40 Are Seized on Espiritu Santu In a Drive Against Secessionists", New York Times, 4 de agosto de 1980, p. B8
  • "55 French Are Evacuated From Espiritu Santo Island", New York Times, 18 de agosto de 1980, p. A5
  • "Leader of Espiritu Santo Rebels Says That He'll Surrender Today", New York Times, 29 de agosto de 1980, p. 3
  • "Troops Reportedly Crush Rebellion on Espiritu Santo", New York Times, 1 de setembro de 1980, p. A5

Ligações externas[editar | editar código-fonte]