Guerras Ilíricas

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As Guerras Ilíricas (ou Ilírias) foram as campanhas militares que enfrentaram, entre 229 a.C. e 219 a.C., Roma e as tribos da Ilíria assentadas sobre o vale do Neretva. Ao término da invasão romana das posses ilírias, a República conseguiu acabar com a pirataria destes territórios,1 que punha em perigo o comércio itálico através do Mar Adriático. O conflito compreendeu duas campanhas; a primeira contra a reina Teuta e a segunda contra Demétrio de Faros.2 A campanha inicial, que começou em 229 a.C., foi a primeira vez que a armada romana cruzava o Mar Adriático a fim de se enfrentar com um inimigo.3

Primeira Guerra Ilírica[editar | editar código-fonte]

Primeira Guerra Ilírica
Data 229 a.C.228 a.C.
Local Ilíria
Resultado Vitória romana. Parada temporária da pirataria da Ilíria.
Combatentes
República Romana Ilíria
Comandantes
Lúcio Postúmio Albino
Cneu Fúlvio Centumalo
Rainha Teuta

A Primeira Guerra Ilírica foi lutada entre 229 e 228 a.C. pelos romanos contra a Ilíria, comandada pela rainha Teuta. Após a morte do rei Agron, sua viúva Teuta o sucedeu no trono e começou a dar cada vez mais apoio a pirataria no Mar Adriático, prejudicando os interesses romanos e atacando mesmo navios romanos. Ao mesmo tempo, a Ilíria começou um processo de expansão para o sul, visando o Reino do Épiro. Após conquistar algumas das principais cidades deste reino, os ilírios, sob o comando militar de Scerdilaidas, derrotaram uma expedição de auxílio das Ligas Etólia e Acaia. Enquanto ainda guerreava no sul e ao norte contra uma invasão dos Dardânios, os ilírios receberam uma embaixada romana e Teuta, sentindo-se desrespeitada por um dos embaixadores, segundo Políbio, mandou matá-lo. Os romanos reagiram imediatamente e despacharam uma expedição militar contra a Ilíria. Vencida a guerra, inclusive com a ajuda da traição de líderes ilírios, Roma controlou a pirataria no Mar Adriático e celebrou um tratado de aliança com os gregos.

Segunda Guerra Ilírica[editar | editar código-fonte]

Segunda Guerra Ilírica
Data 220 a.C.219 a.C.
Local Ilíria
Resultado Vitória romana
Combatentes
República Romana Ilíria
Comandantes
Lúcio Emílio Paulo Demétrio de Faros

Conhece-se como Segunda Guerra Ilírica ao conflito que aconteceu entre a República Romana e Ilíria (220 a.C.219 a.C.). Em 219 a.C. a República de Roma estava em guerra com os celtas da Gália Cisalpina, e a Segunda Guerra Púnica contra Cartago estava começando.4 Demétrio de Faros, que acedera ao poder após a Primeira Guerra Ilírica, aproveitou todas estas distrações para construir uma nova frota ilírica sem ser advertido. Liderando uma frota de 90 barcos, Demétrio de Faros saiu para sul de Lisso, violando o tratado com Roma e iniciando a guerra.

A frota de Demétrio atacou Pilos onde capturou após várias tentativas uns 50 barcos. De Pilos, a frota de Demétrio dirigiu-se para as Cíclades, eliminando a resistência que encontrou no caminho. Após estas vitórias iniciais, Demétrio enviou parte da sua frota através do Adriático. Os romanos aproveitaram o debilitamento conseguinte da divisão da armada ilírica para atacarem com sucesso a cidade de Dimale, na Ilíria.5 Esta cidade foi conquistada por uma frota romana sob o comando de Lúcio Emílio Paulo. A armada partiu de Dimale para as imediações da ilha de Faros. As forças romanas rodearam os ilírios e Demétrio fugiu para Macedônia, onde se incorporou à corte do rei Filipe V da Macedônia. Demétrio tornara-se num dos conselheiros mais próximos do monarca oriental. A Primeira Guerra Macedônica, teve como grande aliciente a influência de Filipe no monarca macedônio. Demétrio permaneceu junto a Filipe até a sua morte em 214 a.C.

Referências

  1. Wilkes, J. J. The Illyrians, 1992, p. 120, ISBN 0-631-19807-5. Página 158:
    Cquote1.svg ... o sucesso dos ilírios continuou à morte do seu rei Agron, que delegou o poder na sua esposa, Teuta. Aquando a sua ascensão ao poder, Teuta concedeu aos piratas navios destinados a abordar os barcos mercantes que circulavam pela sua área de influência. Em 231 a. C., a frota pirata atacou Mesénia Cquote2.svg
  2. Arthur Edward Romilly Boak, William Gurnee Sinnigen, A History of Rome to A.D. 565. Página 111:
    Cquote1.svg A ilha de Faros e algumas posses ilírias foram cedidas a Demétrio de Faros Cquote2.svg
  3. Gruen, 359.
  4. Theodore Ayrault Dodge, Hannibal: A History of the Art of War Among the Carthagonians and Romans Down to the Battle of Pydna, 168 B.C.,ISBN 0306806541,1995. Página 164:
    Cquote1.svg Aníbal estava ansioso por desembarcar na Itália e invadi-la antes que os romanos finalizaram as suas guerras com os gauleses e os ilírios. Este desejo levou-o a realizar muitos preparativos com este fim. Cquote2.svg
  5. Nicholas F. Jons, Public Organization in Ancient Greece: A Documentary Study (1987), ISBN 0-87169-176-0

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Políbio, História Universal sob a República Romana.
  • Apiano, História Romana
  • Eckstein, Arthur. "Polybius, Demetrius of Pharus and the Origins of the Second Illyrian War." Classical Philology 89, no. 1 (1994): 46-59
  • Gruen, Erich S. (1984). The Hellenistic World and the Coming of Rome: Volume II. Berkeley: University of California Press. ISBN 0-520-04569-6 (2 vols.)
  • Zock, Paul A. (1998). Ancient Rome: An Introductory History. Oklahoma: University of Oklahoma Press.
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