Guido Wilmar Sassi

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Guido Wilmar Sassi (Lages-SC, 15 de setembro de 1922 - 5 de Maio de 2002) foi um funcionário público e escritor brasileiro.


Biografia[editar | editar código-fonte]

Passou sua infância e juventude entre Lages e Campos Novos, no interior do planalto catarinense. As duas cidades foram importantes fontes para as histórias que o autor escreveria anos mais tarde. Na década de 1950 participou do Grupo Sul (editora e grupo de escritores novos), de Florianópolis, na época sob a liderança de Salim Miguel e Eglê Malheiros.

O escritor não chegou a completar os estudos formais, tornando-se autodidata. Leitor dedicado, teve contato com as letras desde cedo. Em entrevista de 1990, a Giovanni Ricciardi e publicada na edição de número 53 de "Ô Catarina", Guido refaz seu caminho até a literatura: "O pai era semi-analfabeto. Ele sabia ler, mas era incapaz de assinar o próprio nome. Tinha grande cultura oral e contava causos fabulosos. (...) Deixei os estudos, sem concluir a 4ª série ginasial. Tornei-me autodidata".[1]

Sassi começa a carreira literária em 1949 com a publicação do conto Amigo Velho na Revista do Globo, de Porto Alegre. O conto tinha um pinheiro como personagem principal e contava as consequências da ação das serrarias.

Guido Wilmar Sassi morou também em São Paulo e no Rio de Janeiro. O seu primeiro livro foi lançado em 1953, “Piá”, uma coletânea de contos. Com ele, o autor ganhou o Prêmio Arthur Azevedo. A sua obra mais importante, no entanto, é “Geração do Deserto”, de 1964. A obra ganhou uma adaptação para o cinema em 1971 - A Guerra dos Pelados, filme brasileiro de Silvio Back. O romance trata da Guerra do Contestado, que envolveu os estados de Santa Catarina e do Paraná, trazendo a luta dos camponeses e o papel dos jagunços, assim como os heróis messiânicos. Lembra, assim, a Guerra de Canudos.

Em 1964, publicou “Testemunha do Tempo”, livro que reunia contos de ficção científica, aproveitando um novo impulso à ficção científica escrita por brasileiros com a coleção de livros lançada pela Edições G.R.D. de Gumercindo Rocha Dorea, que passou a encomendar trabalhos dentro do gênero a autores já consagrados na literatura mainstream.

Depois disso, deixou a carreira literária por 16 anos. Acredita-se que a pausa aconteceu em razão da perda da filha de 12 anos e um de seus melhores amigos.

Já “O Calendário da Eternidade” marca a volta de Sassi, lançado na década de 1980. O livro fala da vida dos mergulhadores de plataforma de petróleo.

Guido Wilmar Sassi foi um autor reconhecido pela utilização de uma linguagem local e coloquial, principalmente ao retratar a história do sul do país em “Geração do Deserto”. O aclamado livro retrata a Guerra do Contestado, a vida dos habitantes da região e o caráter messiânico do conflito que ocorreu na região entre Paraná e Santa Catarina.Foi um importante escritor catarinense, pois escreveu, entre diversos temas, sobre a realidade do sul do Brasil, tendo extrema relevância na propagação da cultura regional.[2]


Estilo Literário[editar | editar código-fonte]

Guido Wilmar Sassi pode ser classificado como um autor da literatura contemporânea brasileira. O escritor de Santa Catarina ficou conhecido pelo livro com temática regionalista típica de autores da última fase modernista. A obra falava sobre a Guerra do Contestado, um importante episódio da história política nacional. O pinheiro em particular, e a exploração da madeira, em geral, tornaram-se, por algum tempo, o tema principal de sua literatura, além de retratar a infância, os dilemas das classes populares e ser um dos principais responsáveis em dar destaque para o movimento do Contestado, com a obra Geração do Deserto (1964). Guido utiliza uma linguagem com características regionais. O autor aposta no coloquialismo e no entendimento fácil do texto. Sassi demonstra preocupação com a preservação das matas e da fauna, criticando assim a ação das serrarias. Percebe-se um certo tom amargo em seus textos.

Segundo Raul Arruda Filho, professor e doutor em literatura pela Universidade Federal de Santa Catarina, “depois de Guido Wilmar Sassi, poucos escritores significativos surgiram no Planalto Catarinense”. Para o jornalista Joel Gehlen, Sassi foi "um dos mais importantes prosadores de Santa Catarina, ao lado de Salim Miguel e Adolfo Boos Jr.".


Obras[editar | editar código-fonte]

SASSI, Guido Wilmar. Piá. Florianópolis: Edições Sul, 1953.

SASSI, Guido Wilmar. Amigo Velho. Florianópolis: Edições Sul, 1957.

SASSI, Guido Wilmar. São Miguel. São Paulo: Editora Boa Leitura, 1962.

SASSI, Guido Wilmar. Testemunha do tempo. Rio de Janeiro: G.R.D. 1963.

SASSI, Guido Wilmar. Geração do Deserto. Rio de Janeiro, Ed. Civilização Brasileira, 1964.

SASSI, Guido Wilmar. O calendário da eternidade. Florianópolis. Ed. da UFSC, 1983.

SASSI, Guido Wilmar. A bomba atômica de Deus. Florianópolis: FCC,1986.

SASSI, Guido Wilmar. Os sete mistérios da casa queimada. Florianópolis. Ed. da UFSC, 1989.


Trabalhos acadêmicos dedicados à obra do autor[editar | editar código-fonte]

MORITZ, Heloísa Helena Clasen. Aspectos da narrativa de Guido Wilmar Sassi. Dissertação de Mestrado. Florianópolis: UFSC, 1977.

MELO, Leonete Neto Garcia. O regionalismo na literatura de Guido Wilmar Sassi. Dissertação de Mestrado. Florianópolis: UFSC, 1978.[3]

SACHET, Celestino. Antologia de autores catarinenses. Rio de Janeiro: Editora Laudes S.A.

MIRANDA, Heloisa Pereira Hübbe. Travessias pelo Sertão do Contestado: entre ficção e história, no deserto e na floresta. Dissertação de Mestrado. Florianópolis: UFSC, 1997.[4]

SOARES, Iaponam; MIGUEL, Salim (org.) Guido Wilmar Sassi: literatura e cidadania. Florianópolis: Ed. da UFSC, 1992.

ARRUDA FILHO, Raul José Mattos de. Baruio di purungo: literatura no Planalto Serrano de Santa Catarina. Dissertação em Letras – Literatura e Teoria Literária. Florianópolis: Universidade Federal de Santa Catarina, 2000.[5]


Referências

  1. Revista Ô Catarina. N.53, Fundação Cultural de Cultura: Florianópolis, 1990.
  2. Cf. MIGUEL, Salim. Minha memória dos escritores. Editora Unisul, 2008.
  3. MELO, Leonete (1978). «O regionalismo na literatura de Guido Wilmar Sassi». Universidade Federal de Santa Catarina 
  4. Miranda, Heloísa (1997). «Travessias pelo sertão Contestado : entre ficção e historia, no deserto e na floresta». Universidade Federal de Santa Catarina 
  5. ARRUDA FILHO, RAUL (2000). «Baruio di purungo: Literatura no Planalto Serrano de Santa Catarina» (PDF). Universidade Federal de Santa Catarina 


Ligações externas

http://educacao.globo.com/literatura/assunto/autores/guido-wilmar-sassi.html


Categoria:Literatura do Brasil | Categoria:Contistas de Santa Catarina