Guido von List

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Guido von List
Nome completo Guido Karl Anton List
Nascimento 5 de outubro de 1848
Viena
Morte 17 de maio de 1919 (70 anos)
Berlim
Nacionalidade Austríaco
Progenitores Mãe: Marian List
Pai: Karl Anton List
Ocupação Ocultista, Romancista
Carnuntum Heidentor.jpg

Guido Karl Anton List, mais conhecido como Guido von List (Viena, 5 de outubro de 1848Berlim, 17 de maio de 1919) foi um ocultista austríaco, jornalista, dramaturgo, e romancista. Foi um dos maiores expoentes do movimento Neopagão, denominado Odinismo, que visa o ressurgimento da Tradição Nórdica, em que se encontram os aspectos básicos da espiritualidade nativa dos povos antigos que habitavam o norte da Europa (Holanda, Alemanha, Países Bálticos, Escandinávia), as Ilhas Britânicas, as Ilhas Faroé e a Islândia. Originária da pré-história, a essência dessa tradição foi preserva da até hoje pela transmissão oral de mitos, lendas, contos de fadas, sagas, crenças e costumes folclóricos; pelas práticas xamânicas e pela medicina popular. Dentre seus ensinamentos, inclui uma série de preceitos filosóficos derivados da Ariosofia (ou Armanismo).

Nascido de uma abastada família de classe média em Viena, Von List revindicou o abandono dos preceitos e a fé Católica Romana de sua família logo na infância, a fim de devotar-se ao deus pré-cristão Wotan. Vivendo nas regiões agrícolas da Áustria, dedicou-se a escalada, remo e aos desenhos da paisagem. Em 1877 iniciou sua carreira como jornalista, primeiramente como autor de artigos em jornais e revistas rurais Austríacos, nos quais introduziu uma ênfase no Movimento Völkisch, na cultura popular e nos costumes camponeses, os quais acreditava serem sobreviventes da religião pré-cristã.

Publicou três romances, Carnuntum (1888), Jung Diethers Heimkehr (1894), e Pipara (1895), cada um a respeito das tribos germânicas durante a Idade do Ferro, atuando também como autor de diversas peças de teatro. Durante os anos 1890, continuou a escrever artigos com conteúdos Völkisch, agora para o jornal nacionalista Ostdeutsche Rundschau e com um viés anti-semita. Em 1893, foi cofundador da sociedade literária [Donaugesellschaft|Literarische Donaugesellschaft], envolvendo-se com o movimento nacionalista Pangermânico Austríaco que procurou a integração da Áustria com o Império Germânico.

Estudioso e praticante de várias doutrinas místicas, Von List teve uma profunda experiência iniciática, na qual perdeu temporariamente a visão, e assim permaneceu por um período de onze meses no ano de 1902. Considerando sua recuperação como um sinal divino, ele dedicou a vida aos mistérios germânicos e, principalmente, ao estudo das runas. Criou um novo sistema de dezoito caracteres, baseado na estrutura hexagonal dos cristais e na forma e simbologia da runa Hagalaz. Esse sistema foi denominado alfabeto Armanen, que serviu como base para a criação de uma organização oculta, a Armanen Orden[1]. Tornou-se profundamente interessado em ocultismo, em particular através da influência da Sociedade Teosófica. A popularidade de seus trabalhos em meio a comunidade völkisch e nacionalista resultou no estabelecimento de uma sociedade em 1908, atraindo apoio significativo de membros da classe média e alta. A Sociedade publicou os escritos de Von List e criou um grupo interno de Ariosofia, a High Armanen Orden, a qual Guido presidiu como Grand Master. Através dessas empreitadas, ele promoveu uma visão milenarista de que a sociedade moderna estava se degenerando, mas que que seria regenerada por um evento apocalíptico resultando no estabelecimento de um império Neo-pagão que abraçaria o Odinismo. Tendo erroneamente profetizado que este império seria estabelecido pela vitória dos Poderes Centrais na Primeira Guerra Mundial, Von List morreu durante uma visita a Berlim em 1919.

Após a morte de Von List, vários outros grupos neogermânicos continuaram a praticar e expandir seus ensinamentos, preservando sua ideologia e filosofia religiosa. Dois outros pesquisadores, Friedrich Marly e Siegfrid Kummer, criaram a “ioga teutônica” ou “rúnica”, constituída de uma série de posturas (chamadas stödhur) que expressam fisicamente o traçado das runas, de modo a canalizar seu poder para a vida do praticante. Marly escreveu alguns livros e fundou a Liga de Pesquisas Rúnicas para coordenar as investigações e organizações mágicas.[1]

Na década de 30 do século passado, membros de uma sociedade secreta chamada Thule começaram a desvirtuar a simbologia e o significado das runas, dando-lhes uma conotação nacionalista, fato que atraiu a atenção dos dirigentes do Partido Nazista Alemão. Hitler, obcecado pela ideia da supremacia da raça ariana, era um fervoroso admirador dos antigos mitos e símbolos teutônicos. Inspirado neles, ele escolheu o relâmpago de Thor como emblema da juventude hitlerista, a runa Sigel duplicada para ser o símbolo da Gestapo e, finalmente, para usar como estandarte, inverteu e inclinou a suástica. No período de sua ditadura, os estudos esotéricos eram permitidos e encorajados, mas apenas se oferecessem meios mágicos para enaltecer a ideologia nazista, o antissemitismo e o culto à personalidade de Hitler. No entanto, em vez da vitória por ele almejada, a alteração da suástica e o uso desvirtuado dos símbolos rúnicos canalizaram as forças sombrias da destruição e aceleraram o fim de sua tenebrosa campanha. Depois do fim da guerra, a associação negativa das runas e dos antigos símbolos sagrados teutônicos com o nazismo desencadeou uma onda de pavor e negação, relegando novamente ao ostracismo o uso e as práticas rúnicas. Foram necessários alguns anos para que alguns escritores e estudiosos ousassem tocar novamente nesse assunto, considerado tabu. Em 1955, Karl Spiesberger publicou dois livros nos quais o estudo das runas recebeu uma interpretação universalista, sem nuances nacionalistas. Em 1969, Adolf e Sigrun Schleipfer reativaram a Armanen Orden e assumiram a direção da sociedade Guido Von List, orientando sua atividade para o estudo do misticismo alemão e da magia rúnica. A partir de 1970, o interesse pelo simbolismo e uso mágico das runas ultrapassou as fronteiras da Alemanha, país onde até então eram conhecidas e praticadas, e alcançou a Inglaterra e os Estados Unidos. Foram criados vários grupos de cultos odinistas e jornais das assembleias religiosas Asatrú passaram a ser publicados. Asatrú foi aceita como religião oficial na Islândia e passou a ser reconhecida como a continuação da antiga tradição étnica dos povos nativos do norte da Europa. Uma das organizações mais importantes na divulgação e no ensinamento das práticas mágicas é a Rune Gild, fundada e dirigida por Edred Thorsson, cujos numerosos e excelentes livros são responsáveis pela revelação dos verdadeiros e profundos mistérios rúnicos e a expansão do seu uso esotérico. Outros grupos e publicações também têm divulgado as práticas rúnicas e informações mitológicas. O grupo Hrafnar, dirigido pela escritora e pesquisadora Diana Paxson e sediado em São Francisco, nos Estados Unidos, é reconhecido pela remodelação e divulgação da prática xamânica seidhr (transe profético), antigamente reservada apenas às sacerdotisas e aos xamãs do norte europeu, mas atualmente divulgada nas celebrações e encontros da comunidade neopagã norte-americana.[1]

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  1. a b c Faur, Mirella (2007). Mistérios Nórdicos [S.l.: s.n.] ISBN 978-85-315-1493-7.