Guilherme I de Inglaterra

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Guilherme, o Conquistador
Guilherme representado na Tapeçaria de Bayeux durante a Batalha de Hastings, levantando seu elmo para mostrar que ainda está vivo.
Duque da Normandia
Reinado 3 de julho de 1035
a 9 de setembro de 1087
Predecessor Roberto I
Sucessor Roberto II
Rei da Inglaterra
Reinado 25 de dezembro de 1066
a 9 de setembro de 1087
Coroação 25 de dezembro de 1066
Predecessor Haroldo II
Sucessor Guilherme II
Esposa Matilde de Flandres
Descendência
Roberto II
Ricardo
Guilherme II
Matilde
Cecília
Henrique I
Adeliza
Constança
Adela
Ágata (existência duvidosa)
Casa Normandia
Pai Roberto I, Duque da Normandia
Mãe Arlete de Falaise
Nascimento c. 1028
Castelo de Falaise, Falaise, Normandia, França
Morte 9 de setembro de 1087 (59 anos)
Ruão, Normandia, França
Enterro Abadia de Saint-Étienne, Caen, França

Guilherme I (Falaise, c. 1028[1]Ruão, 9 de setembro de 1087), geralmente chamado de Guilherme, o Conquistador e algumas vezes de Guilherme, o Bastardo,[2] [nota 1] foi o primeiro rei normando da Inglaterra, que reinou de 1066 até sua morte em 1087. Descendente de invasores vikings, tinha sido Duque de Normandia desde 1035. Depois de uma longa luta para estabelecer o seu poder, em 1060 seu domínio sobre a Normandia tornou-se seguro, e deu início à conquista normanda da Inglaterra em 1066. O resto de sua vida foi marcada por lutas para consolidar seu domínio sobre a Inglaterra e suas terras continentais e por dificuldades com seu filho mais velho.

Guilherme era o filho do solteiro Roberto I, duque da Normandia, com sua amante Herleva. Seu estado como filho ilegítimo e sua juventude causaram algumas dificuldades para ele depois que sucedeu seu pai, assim como a anarquia que assolou os primeiros anos de seu governo. Durante sua infância e adolescência, membros da aristocracia normanda lutaram entre si, tanto para ter o controle do jovem duque e para seus próprios fins. Em 1047, Guilherme foi capaz de esmagar uma rebelião e começar a estabelecer sua autoridade sobre o ducado, um processo que não ficou completo até cerca de 1060. Seu casamento no início da década de 1050 com Matilde de Flandres forneceu-lhe um poderoso aliado no condado vizinho do Flandres. Na época de seu casamento, o duque foi capaz de providenciar as nomeações de seus partidários como bispos e abades na igreja normanda. Sua consolidação no poder lhe permitiu expandir seus horizontes, e em 1062 foi capaz de garantir o controle do condado vizinho do Maine.

No final da década de 1050 e início da década de 1060, o duque se tornou um candidato ao trono da Inglaterra, então mantido pelo sem descendentes Eduardo, o Confessor, seu primo em primeiro grau, uma vez removido. Havia outros potenciais pretendentes, incluindo o poderoso conde inglês Haroldo Godwinson, que foi nomeado o próximo rei por Eduardo em seu leito de morte em janeiro de 1066. Guilherme argumentou que o falecido rei tinha prometido anteriormente o trono para ele, e que Haroldo tinha jurado apoiar sua reivindicação. Guilherme construiu uma grande frota e invadiu a Inglaterra em setembro de 1066, decisivamente derrotando e matando Haroldo na batalha de Hastings em 14 de outubro de 1066. Depois de mais alguns esforços militares, o duque normando foi coroado rei no dia de Natal de 1066, em Londres. Ele fez arranjos para a governança da Inglaterra no início de 1067, antes de voltar para a Normandia. Diversas rebeliões sem sucesso se seguiram, mas em 1075 o domínio de Guilherme na Inglaterra foi essencialmente assegurado, permitindo-lhe passar a maior parte do resto de seu reinado no continente.

Os anos finais de Guilherme foram marcados por dificuldades em seus domínios continentais, problemas com seu filho mais velho, e invasões na Inglaterra ameaçada pelos danos. Em 1086 o duque ordenou a compilação do Domesday Book, uma pesquisa que lista todos os proprietários de terras na Inglaterra, juntamente com as suas herdades. Guilherme morreu em setembro de 1087 enquanto liderava uma campanha no norte da França, e foi sepultado em Caen. Seu reinado na Inglaterra foi marcado pela construção de castelos, o estabelecimento de uma nova nobreza normanda sobre as terras, e a mudança na composição do clero inglês. Ele não tentou integrar seus vários domínios em um império, mas em vez disso continuou a administrar cada parte separadamente. As terras de Guilherme foram divididos após a sua morte: Normandia foi para o seu filho mais velho, Roberto, e seu segundo filho sobrevivente, Guilherme, recebeu a Inglaterra.

Antecedentes[editar | editar código-fonte]

Nórdicos inicialmente começaram a invadir o que se tornaria a Normandia no final do século oitavo. Assentamentos escandinavos permanentes foram criados antes de 911, quando Rollo (r. 911–927), um dos líderes vikings, e o rei Carlos, o Simples (r. 893–922) da França chegaram a um acordo entregando o Condado de Ruão a Rollo. As terras ao redor de Ruão tornaram-se posteriormente o núcleo do ducado da Normandia.[3] A região pode ter sido usada como uma base quando os ataques escandinavos na Inglaterra foram renovados no final do século X, o que teria piorado as relações entre a Inglaterra e a Normandia.[4] Em um esforço para melhorar a situação, o rei Etelredo, o Despreparado tomou Ema da Normandia, irmã do Duque Ricardo II, como sua segunda esposa em 1002.[5]

Ataques dinamarqueses na Inglaterra continuaram, e Etelredo procurou a ajuda de Ricardo, refugiando-se na Normandia, em 1013, quando o rei Sueno I da Dinamarca levou Etelredo e sua família da Inglaterra. A morte de Sueno em 1014 permitiu que o rei dos ingleses voltasse para casa, mas o filho de Sueno, Canuto, o Grande (r. 1018–1035), contestou o retorno de Etelredo. O rei dos ingleses morreu inesperadamente em 1016, e Canuto se tornou rei da Inglaterra. Etelredo e os dois filhos de Ema, Eduardo (r. 1042–1066) e Alfredo Atelingo, foram para o exílio na Normandia, enquanto a sua mãe, Ema, tornou-se a segunda mulher do rei da Suécia.[6]

Após a morte de Canuto em 1035 o trono inglês voltou-se para Haroldo Pé de Lebre, seu filho com sua primeira esposa, enquanto Hardacanuto (r. 1035–1042), seu filho com Ema, tornou-se rei da Dinamarca. A Inglaterra permaneceu instável. Alfredo voltou para a Inglaterra em 1036 para visitar sua mãe e talvez para desafiar Haroldo como rei. Uma história implica o Conde Goduino de Wessex na posterior morte de Alfredo, mas outros culparam Haroldo. Ema foi para o exílio no Flandres até Hardacanuto se tornar rei após a morte de Haroldo em 1040, e seu meio-irmão Eduardo seguir Hardacanuto para a Inglaterra; Eduardo foi proclamado rei após a morte de Hardacanuto em junho de 1042.[7] [nota 2]

Juventude[editar | editar código-fonte]

Castelo de Falaise em Falaise, Baixa Normandia, França; Guilherme nasceu em um edifício localizado aqui.

Guilherme nasceu em 1027 ou 1028 em Falaise, Normandia, mais provavelmente no final de 1028.[1] [8] [nota 3] Era o único filho de Roberto I, O Magnífico, filho de Ricardo II de Normandia.[nota 4] Sua mãe, Herleva, era filha de Fulberto de Falaise; ele pode ter sido um curtidor ou embalsamador.[9] Possivelmente ela era um membro da família ducal, mas não se casou com Roberto.[2] Em vez disso, ela se casou com Herluino de Conteville, com quem teve dois filhos – Odo de Bayeux e Roberto, Conde de Mortain – e uma filha cujo nome é desconhecido.[nota 5] Um dos irmãos de Herleva, Gualtério, tornou-se um defensor e protetor de Guilherme durante sua minoria.[9] [nota 6] Roberto também teve uma filha, Adelaide da Normandia, com outra amante.[12]

Roberto tornou-se duque da Normandia em 6 de agosto de 1027, sucedendo seu irmão mais velho, Ricardo III, que só tinha conseguido o título no ano anterior.[1] Roberto e seu irmão tinham estado em desacordo sobre a sucessão, e a morte de Ricardo foi repentina. Roberto foi acusado por alguns escritores de matar seu irmão, uma acusação plausível, mas agora considerada improvável.[13] As condições na Normandia eram incertas, quanto famílias nobres foram despojadas a Igreja e Alano III da Bretanha travaram uma guerra contra o ducado, possivelmente em uma tentativa de assumir o controle. Em 1031 Roberto havia reunido considerável apoio de nobres, muitos dos quais se tornariam proeminentes durante a vida de Guilherme. Eles incluíram o tio de Roberto, o arcebispo Roberto de Ruão, que havia originalmente se oposto ao duque, Osberno, sobrinho de Gunnora, a esposa do duque Ricardo I, e o conde Gilberto de Brionne, um neto de Ricardo I.[14] Após a sua adesão, Roberto continuou o apoio normando aos príncipes ingleses Eduardo e Alfredo, que ainda estavam no exílio no norte da França.[2]

Há indícios de que Roberto pode ter sido brevemente prometido em casamento a filha do rei Canuto, mas nenhum casamento ocorreu. Não está claro se Guilherme teria sido suplantado na sucessão ducal se Roberto tivesse tido um filho legítimo. Duques anteriores tinham sido ilegítimos, e a associação de Guilherme com seu pai nas cartas ducais parece indicar que Guilherme foi considerado o mais provável herdeiro de Roberto.[2] Em 1034 o Duque Roberto decidiu ir em peregrinação a Jerusalém. Embora alguns de seus partidários tentaram dissuadi-lo de empreender a viagem, Roberto convocou um conselho em janeiro de 1035 e teve os magnatas normandos reunidos jurando fidelidade ao seu filho ilegítimo como seu herdeiro[2] [15] antes de partir para Jerusalém. Ele morreu no início de julho em Niceia, em seu caminho de volta para a Normandia.[15]

Duque da Normandia[editar | editar código-fonte]

Desafios[editar | editar código-fonte]

Diagrama mostrando as relações familiares de Guilherme. Nomes com "---" sob eles foram adversários do duque da Normandia, e nomes com "+++" eram apoiantes de Guilherme. Alguns parentes mudaram de lado ao longo do tempo, e são marcados com os dois símbolos.

Guilherme enfrentou vários desafios para se tornar duque, incluindo seu nascimento ilegítimo e sua juventude: as evidências indicam que ele tinha sete ou oito anos de idade na época.[16] [17] [nota 7] Ele contou com o apoio de seu tio-avô, o arcebispo Roberto, assim como o rei da França, Henrique I, habilitando-o para suceder ao ducado de seu pai.[20] O apoio dado aos príncipes ingleses exilados na sua tentativa de voltar para a Inglaterra em 1036 mostra que os guardiões do novo duque estavam tentando dar continuidade às políticas de seu pai,[2] mas a morte do arcebispo Roberto em março de 1037 removeu um dos principais apoiantes de Guilherme, e as condições na Normandia rapidamente caíram em caos.[20]

A anarquia no ducado durou até 1047,[21] e o controle do jovem duque era uma das prioridades das pessoas que disputavam o poder. No início, Alan de Bretanha tinha a custódia do duque, mas quando ele morreu tanto no final de 1039 ou outubro de 1040, Gilberto de Brionne se encarregou de Guilherme. Gilberto foi morto dentro de alguns meses, e outro guardião, Turchetil, também foi morto por volta da época da morte de Gilberto.[22] No entanto, outro guardião, Osberno, foi morto no início do ano de 1040 na câmara de Guilherme, enquanto o duque dormia. Dizia-se que Gualtério, tio materno de Guilherme, foi ocasionalmente forçado a esconder o jovem duque nas casas dos camponeses,[23] embora esta história pode ser um embelezamento de Orderico Vital. A historiadora Eleanor Searle especula que Guilherme foi levantado com os três primos que mais tarde se tornaram importantes em sua carreira – Guilherme FitzOsbern, Rogério de Beaumont, e Rogério de Montgomery.[24] Embora muitos dos nobres normandos envolvidos em suas próprias guerras e feudos foram privados durante a menoridade de Guilherme, os viscondes ainda reconheciam o governo ducal, e a hierarquia eclesiástica era apoiada por Guilherme.[25]

Coluna no local da batalha de Val-ès-Dunes.

O rei Henrique continuou a apoiar o jovem duque,[26] mas no final de 1046 opositores de Guilherme se uniram em uma rebelião centrada na Baixa Normandia, liderado por Guy de Borgonha com o apoio de Nigel, Visconde do Cotentin, e Ranulf, Visconde de Bessin. De acordo com as histórias que podem ter elementos lendários, foi feita uma tentativa de apreender Guilherme em Valognes, mas ele escapou protegido pela escuridão, buscando refúgio com o rei francês.[27] No início de 1047, Henrique e Guilherme voltaram a Normandia e foram vitoriosos na batalha de Val-ès-Dunes perto de Caen, embora alguns detalhes do verdadeiro combate são registrados.[28] Guilherme de Poitiers alegou que a batalha estava ganha, principalmente, por meio dos esforços do jovem duque, mas relatos anteriores afirmam que homens e a liderança do rei Henrique também desempenharam um papel importante.[2] Guilherme assumiu o poder na Normandia, e logo após a batalha promulgou a Trégua de Deus em todo seu ducado, em um esforço para limitar a guerra e a violência, restringindo os dias do ano em que a luta era autorizada.[29] Embora a batalha de Val-ès-Dunes marcou um ponto de virada no controle de Guilherme do ducado, não foi o fim de sua luta para ganhar vantagem sobre a nobreza. O período de 1047 e 1054 viu guerra quase contínua, com crises menores continuadas até 1060.[30]

Consolidação do poder[editar | editar código-fonte]

Imagem da tapeçaria de Bayeux mostrando Guilherme com seus meio-irmãos. O duque da Normandia está no centro, Odo está à esquerda com as mãos vazias, e Roberto está à direita com uma espada na mão.

Os próximos esforços de Guilherme eram contra Guy de Borgonha, que se retirou para seu castelo em Brionne, que o duque de Normandia sitiou. Depois de um longo esforço, ele conseguiu exilar Guy em 1050.[31] Para enfrentar o crescente poder do conde de Anjou, Godofredo Martel,[32] Guilherme juntou-se com o rei Henrique em uma campanha contra ele, a última cooperação conhecida entre os dois. Eles conseguiram capturar uma fortaleza angevina, mas conseguíram pouca coisa.[33] Godofredo tentou expandir sua autoridade para o condado de Maine, especialmente após a morte de Hugo IV de Maine em 1051. O centro para o controle do Maine eram as participações da família de Bellême, que controlava Bellême na fronteira do condado com a Normandia, assim como as fortalezas em Alençon e Domfort. O soberano de Bellême era o rei da França, mas Domfort estava sob a soberania de Godofredo Martel e o duque Guilherme era soberano de Alençon. A família Bellême, cujas terras eram estrategicamente bem colocadas entre os três diferentes soberanos, foram capazes de jogar cada um deles contra o outro e garantir a independência virtual para si mesmos.[32]

Com a morte de Hugo de Maine, Godofredo Martel ocupou o Maine em um movimento contestado por Guilherme e o rei Henrique; eventualmente, eles conseguiram retirar Godofredo do condado, e, no processo, Guilherme foi capaz de garantir as fortalezas da família Bellême em Alençon e Domfort para si mesmo. Ele era, portanto, capaz de afirmar a sua soberania sobre a família Bellême e obrigá-los a agir de forma coerente sob os interesses normandos.[34] Mas em 1052 o rei e Godofredo Martel fizeram causa comum contra Guilherme, ao mesmo tempo que alguns nobres normandos começaram a contestar o poder crescente do duque. A reviravolta de Henrique provavelmente foi motivada por um desejo de manter o domínio sobre a Normandia, que agora estava ameaçada pelo crescente domínio do ducado de Guilherme.[35] O duque normando estava envolvido em ações militares contra os seus próprios nobres durante todo ano de 1053,[36] assim como com o novo arcebispo de Ruão, Mauger.[37] Em fevereiro de 1054 o rei e os rebeldes normandos lançaram uma invasão dupla contra o ducado. Henrique liderou as principais linhas através do condado de Évreux, enquanto a outra ala, sob o irmão do rei francês, Odo, invadiu o leste da Normandia.[38]

Guilherme encontrou a invasão dividindo suas forças em dois grupos. A primeira, que ele liderou, enfrentou Henrique. A segunda, que incluía alguns que se tornaram apoiantes firmes de Guilherme, como Roberto, Conde d'Eu, Gualtério Gifardo, Rogério de Mortemer, e Guilherme de Warenne, enfrentou a outra força invasora. Esta segunda força derrotou os invasores na batalha de Mortemer. Além de acabar com ambas as invasões, a batalha permitiu apoiantes eclesiásticos do duque a depor Mauger do arcebispado de Ruão. Mortemer, assim, marcou mais um ponto de virada no controle crescente de Guilherme no ducado,[39] apesar de seu conflito com o rei francês e o conde de Anjou continuar até 1060.[40] Henrique e Godofredo lideraram outra invasão da Normandia em 1057, mas foram derrotados por Guilherme na batalha de Varaville. Esta foi a última invasão da Normandia durante a vida de Guilherme,[41] e as mortes dos condes e do rei, em 1060, cimentou a mudança no equilíbrio de poder para Guilherme.[41]

As assinaturas de Guilherme I e Matilda são as primeiras duas grandes cruzes sobre o Acordo de Winchester de 1072.

Um fator a favor de Guilherme era seu casamento com Matilde de Flandres, a filha do conde Balduíno V de Flandres. A união foi organizada em 1049, mas o Papa Leão IX proibiu o casamento no Concílio de Reims, em outubro de 1049.[nota 8] O casamento, no entanto, foi adiante em algum momento no início do ano de 1050,[43] [nota 9] possivelmente não sancionado pelo papa. De acordo com uma fonte tardia geralmente não considerada de confiança, a sanção papal não foi assegurada até 1059, mas como as relações papal-normandas na década de 1050 eram geralmente boas, e o clero normando foi capazes de visitar Roma em 1050 sem nenhum incidente, e provavelmente o casamento foi fixado anteriormente.[45] A sanção papal do casamento parece ter exigido a fundação de dois mosteiros em Caen – um por Guilherme e um por Matilda.[46] [nota 10] O casamento foi importante para sustentar a condição de Guilherme, já que Flandres era um dos territórios franceses mais poderosos, com laços com a casa real francesa e os imperadores alemães.[45] Escritores contemporâneos consideraram o casamento, que produziu quatro filhos e cinco ou seis filhas, como um sucesso.[48]

Aparência e características[editar | editar código-fonte]

Nenhum retrato autêntico de Guilherme foi encontrado; as representações contemporâneas dele na tapeçaria de Bayeux e de seus selos e moedas são representações convencionais destinadas a afirmar a sua autoridade.[49] Existem algumas descrições escritas de uma aparência forte e robusta, com uma voz gutural. Possuía excelente saúde até uma idade avançada, embora tenha se tornado obeso na velhice.[50] Era forte o suficiente para atirar com arcos que os outros eram incapazes de puxar, e tinha uma grande resistência.[49] Godofredo Martel o descreveu como alguém sem igual como lutador e como cavaleiro.[51] O exame de fêmur de Guilherme, o único osso a sobreviver quando o resto de seus restos mortais foram destruídos, mostrou que ele tinha aproximadamente 1,78 metros de altura, bastante alto para a época.[49]

Há registros de dois tutores do jovem duque durante o final dos anos de 1030 e início da década de 1040, mas a extensão da educação literária de Guilherme não é esclarecida. Ele não era conhecido como um patrocinador de autores, e há pouca evidência de que ele tenha feito mecenato do conhecimento ou outras atividades intelectuais.[2] Orderico Vital registra que Guilherme tentou aprender a ler inglês antigo no final da vida, mas não foi capaz de dedicar tempo suficiente para o esforço e rapidamente desistiu.[52] Parece que seu passatempo principal era a caça. Seu casamento com Matilda parece ter sido muito carinhoso, e não há sinais de que ele era infiel a ela – algo incomum para um monarca medieval. Escritores medievais criticaram Guilherme pela sua ganância e crueldade, mas sua piedade pessoal foi universalmente elogiada por contemporâneos.[2]

Administração normanda[editar | editar código-fonte]

O governo normando sob Guilherme foi semelhante ao governo que existia liderado por duques anteriores. Era um sistema administrativo bastante simples, construído em torno da casa ducal,[53] que consistia de um grupo de oficiais, incluindo administradores, mordomos e marechais.[54] O duque viajava constantemente ao redor de suas terras, confirmando cartas e cobranças de receitas.[55] A maior parte da renda vinha das terras ducais, assim como das portagens e alguns impostos. Este rendimento era recolhido pela câmara, um dos departamentos domésticos.[54]

Guilherme cultivava relações estreitas com a igreja em seu ducado. Participou de conselhos da Igreja e fez várias nomeações para o episcopado normando, incluindo a nomeação de Maurílio como arcebispo de Ruão.[56] Outro compromisso importante foi a de seu meio-irmão Odo como Bispo de Bayeux por volta de 1049 ou 1050.[2] Ele também contou com o clero para o conselho, incluindo Lanfranco, um não-normando, que passou a se tornar um dos proeminentes conselheiros eclesiásticos de Guilherme no final dos anos de 1040 e permaneceu assim durante toda década de 1050 e 1060. O duque fazia doações generosas para a igreja;[56] entre 1035 e 1066, a aristocracia normanda fundou pelo menos 20 novas casas monásticas, incluindo dois mosteiros de Guilherme em Caen, uma expansão notável da vida religiosa no ducado.[57]

Questão inglesa[editar | editar código-fonte]

Cena da tapeçaria de Bayeux, cujo texto indica que Guilherme forneceu armas para Haroldo durante sua viagem para o continente em 1064.

Em 1051 o rei sem filhos Eduardo da Inglaterra parece ter escolhido Guilherme como seu sucessor ao trono inglês.[58] Guilherme era o neto do tio materno do rei, Ricardo II, duque da Normandia.[58] A Crônica Anglo-Saxônica, na versão "D", afirma que Guilherme visitou a Inglaterra no final de 1051, talvez para garantir a confirmação da sucessão,[59] ou talvez Guilherme estava tentando conseguir ajuda para seus problemas na Normandia.[60] A viagem é improvável dada a absorção de Guilherme na guerra com Anjou no momento. Quaisquer que fossem os desejos de Eduardo, era provável que qualquer reclamação de Guilherme seria contestada por Goduíno, o Conde de Wessex, um membro da família mais poderosa na Inglaterra.[59] Eduardo havia se casado com Edite, filha de Goduíno, em 1043, e o conde de Wessex parece ter sido um dos principais apoiantes da reivindicação de Eduardo ao trono.[61] Foi durante este exílio que Eduardo ofereceu o trono para Guilherme.[62] Goduíno retornou do exílio em 1052 com as forças armadas, e um acordo foi alcançado entre o rei e o conde, restaurando-o junto com sua família às suas terras e substituindo Roberto de Jumièges, um normando a quem Eduardo tinha nomeado arcebispo da Cantuária, por Stigand, o Bispo de Winchester.[63] Nenhuma fonte inglesa menciona uma suposta embaixada do arcebispo Roberto para o duque da Normandia transmitindo a promessa da sucessão, e as duas fontes normandas que o mencionam, Guilherme de Jumièges e Guilherme de Poitiers, não são precisos em suas cronologias de quando essa visita ocorreu.[60]

O conde Herberto II do Maine morreu em 1062, e Guilherme, que havia prometido seu filho mais velho Roberto à sua irmã Margarida, reivindicou o condado através de seu filho. Nobres locais resistiram a reivindicação, mas Guilherme invadiu e em 1064 tinha o controle seguro da área.[64] O duque nomeou um normando para o bispado de Le Mans em 1065. Ele também permitiu que seu filho Roberto Curthose fizesse homenagem ao novo conde de Anjou, Godofredo, o Barbudo.[65] A fronteira ocidental do duque foi, assim, garantida, mas a sua fronteira com a Bretanha manteve-se insegura. Em 1064 Guilherme invadiu a Bretanha, em uma campanha que permanece obscura em seus detalhes. Seu efeito, porém, era para desestabilizar a região, forçando o seu duque, Conan II, a se concentrar em problemas internos ao invés de expansão. A morte do duque em 1066 garantiu ainda mais as fronteiras de Guilherme, na Normandia. Guilherme também se beneficiou de sua campanha na Bretanha, assegurando o apoio de alguns nobres bretões, que passaram a apoiar a invasão da Inglaterra em 1066.[66]

Haroldo faz um juramento ao Duque Guilherme. Esta cena é demonstrada na na tapeçaria de Bayeux tendo ocorrido em Bagia (Bayeux, provavelmente na catedral de Bayeux). Mostra Haroldo tocando em dois altares com o duque entronizado olhando. É uma cena central para a invasão normanda da Inglaterra.

Na Inglaterra, o conde Goduíno morreu em 1053 e seus filhos estavam crescendo em poder: Haroldo sucedeu o condado de seu pai, e outro filho, Tostig, tornou-se Conde de Nortúmbria. Posteriormente outros filhos foram concedidos com condados: Gurt como Conde da Ânglia Oriental em 1057 e Leofivino como Conde de Kent em algum momento entre 1055 e 1057.[67] Algumas fontes afirmam que Haroldo tomou parte na campanha bretã de Guilherme em 1064 e que Haroldo jurou defender a afirmação de Guilherme ao trono inglês no final da campanha,[65] mas não há relatórios de origem inglesa desta viagem, e não está claro se isso realmente ocorreu. Pode ter sido propaganda normanda concebida para desacreditar Haroldo, que tinha emergido como o principal candidato para suceder o rei Eduardo.[68] Enquanto isso, outro concorrente para o trono tinha emergido – Eduardo, o Exilado, filho de Edmundo, Braço de Ferro e um neto de Etelredo II, voltou para a Inglaterra em 1057 e, embora morreu pouco depois de seu retorno, trouxe com sigo sua família, que incluía duas filhas, Margarida e Cristina, e um filho, Edgar, o Atelingo.[69] [nota 11]

Em 1065, Nortúmbria se revoltou contra Tostig, e os rebeldes escolheram Morcar, o irmão mais novo de Eduíno, Conde de Mércia, como conde no lugar de Tostig. Haroldo, talvez para assegurar o apoio de Eduíno e Morcar em sua busca pelo trono, apoiou os rebeldes e convenceu o rei Eduardo a substituir Tostig com Morcar. Tostig foi para o exílio no Flandres, juntamente com sua esposa Judite, que era filha do conde Balduíno IV, o Barbudo. Eduardo estava doente, e morreu em 5 de janeiro de 1066. Não está claro o que exatamente aconteceu no leito de morte do rei inglês. Uma história, decorrente de Vida de Eduardo, uma biografia de sua vida, afirma que Eduardo contou com a presença de sua esposa Edite, Haroldo, o arcebispo Stigand, e Roberto FitzWimarc, e que o rei nomeou Haroldo como seu sucessor. As fontes normandas não contestam o fato de que Haroldo foi nomeado como o próximo rei, mas declaram que o juramento de Haroldo e promessa anterior de Eduardo do trono não poderia ser alterado no leito de morte do rei. Mais tarde, fontes inglesas afirmaram que Haroldo tinha sido eleito como rei pelo clero e magnatas da Inglaterra.[71]

Invasão da Inglaterra[editar | editar código-fonte]

Preparações de Haroldo[editar | editar código-fonte]

Locais de alguns dos eventos de 1066

Haroldo foi coroado em 6 de janeiro de 1066 na nova Abadia de Westminster de arquitetura normanda reformada por Eduardo, embora existe controvérsia envolvendo quem realizou a cerimônia. Fontes inglesas alegam que Aldredo, o Arcebispo de Iorque, realizou a cerimônia, enquanto as fontes normandas afirmam que a coroação foi realizada por Stigand, que era considerado um arcebispo não-canônico pelo papado.[72] A reivindicação de Haroldo ao trono não era inteiramente segura, no entanto, não havia outros pretendentes, incluindo talvez seu irmão exilado Tostig.[73] [nota 12] O rei Haroldo Hardrada da Noruega também tinha uma reivindicação ao trono, como o tio e herdeiro do rei Magno I, que havia feito um pacto com Hardacanuto por volta de 1040 que caso Magno ou Hardacanuto morresse sem herdeiros, o outro iria suceder o seu trono.[77] O último requerente era Guilherme da Normandia, cuja invasão antecipou o rei Haroldo Godwinson a fazer a maior parte de seus preparativos.[73]

O irmão de Haroldo, Tostig, fez ataques de sondagem ao longo da costa sul da Inglaterra em maio de 1066, desembarcando na Ilha de Wight usando uma frota fornecida por Balduíno de Flandres. Tostig parece ter recebido pouco apoio local, e novas incursões em Lincolnshire e perto do rio Humber reuniram-se sem o mesmo sucesso, então ele se retirou para a Escócia, onde permaneceu por um tempo.[73] De acordo com o escritor normando Guilherme de Jumièges, Guilherme tinha enviado entretanto uma embaixada ao rei Haroldo Godwinson para lembrar Haroldo do seu juramento em apoiar sua reivindicação, embora se esta embaixada realmente ocorreu não esta claro. Haroldo montou um exército e uma frota para repelir com vigor uma invasão antecipada de Guilherme, a implantação de tropas e navios ao longo do Canal Inglês pela maior parte do verão.[73]

Preparações de Guilherme[editar | editar código-fonte]

Cena da tapeçaria de Bayeux mostrando os normandos se preparando para a invasão da Inglaterra.

Guilherme de Poitiers descreveu um conselho convocado pelo duque Guilherme, em que o escritor dá um relato de um grande debate que aconteceu entre nobres e apoiantes do duque normando sobre a possibilidade de arriscar uma invasão da Inglaterra. Apesar de algum tipo de reunião formal, provavelmente, ser realizada, é improvável que qualquer debate ocorreu, já que até então o duque tinha que estabelecer o controle sobre seus nobres, e a maioria dos que estavam reunidos estavam ansiosos para garantir a sua parte das recompensas da conquista da Inglaterra.[78] Guilherme de Poitiers também relata que o duque obteve o consentimento do papa Alexandre II para a invasão, juntamente com uma bandeira papal. O cronista alegou também que o duque garantiu o apoio do Sacro Imperador Romano Henrique IV e do rei Sueno II da Dinamarca. No entanto, Henrique ainda era menor de idade e o rei da Dinamarca era mais propenso a apoiar Haroldo, que poderia, então, ajudá-lo contra o rei norueguês, de modo que essas alegações deveriam ser tratadas com cautela. Embora Alexandre deu aprovação papal para a conquista após isto acontecer, nenhuma outra fonte afirma o apoio papal antes da invasão.[nota 13] [79] Os eventos após a invasão, que incluíram a penitência realizada por Guilherme e as declarações de papas mais tarde, emprestam apoio circunstancial ao pedido de aprovação papal. Para lidar com assuntos normandos, Guilherme colocou o governo da Normandia nas mãos de sua esposa durante o período da invasão.[2]

Durante todo o verão, Guilherme reuniu um exército e uma frota de invasão na Normandia. Embora a alegação de Guilherme de Jumièges que a frota ducal contava com 3000 navios seja claramente um exagero, era provavelmente grande e quase toda montada a partir do zero. Embora Guilherme de Poitiers e Guilherme de Jumièges discordam sobre onde a frota foi montada – Poitiers afirma que foi construída na foz do rio Dives, enquanto Jumièges afirma que foi montada em Saint-Valery-sur-Somme – ambos concordam que, eventualmente, navegou de Valery-sur-Somme. A frota transportou uma força de invasão, que incluía, além de tropas dos territórios de Guilherme na Normandia e Maine, um grande número de mercenários, aliados e voluntários da Bretanha, nordeste da França, e no Flandres, juntamente com números menores de outras partes da Europa. Embora o exército e a frota estavam prontos até o início de agosto, os ventos adversos mantiveram os navios na Normandia parados até o final de setembro. Havia provavelmente outras razões para a demora de Guilherme, incluindo relatórios de inteligência da Inglaterra, revelando que as forças de Haroldo estavam implantadas ao longo da costa. Guilherme teria preferido adiar a invasão até que ele pudesse fazer um pouso sem oposição.[79] Haroldo manteve suas forças em alerta durante todo o verão, mas com a chegada da temporada de colheita, ele dissolveu o exército no dia 8 de setembro.[80]

Invasão de Tostig e Hardrada[editar | editar código-fonte]

Local moderno de onde ocorreu a batalha de Stamford Bridge.

O irmão de Haroldo, Tostig e Haroldo Hardrada, invadiram Nortúmbria em setembro de 1066 e derrotaram as forças locais sob Morcar e Eduíno na Batalha de Fulford perto de Iorque. Rei Haroldo recebeu a notícia da invasão e marchou para o norte, derrotando os invasores e matando Tostig e Hardrada em 25 de setembro na batalha de Stamford Bridge.[77] A frota normanda finalmente partiu dois dias depois, desembarcando na Inglaterra na baía de Pevensey em 28 de setembro. Guilherme, em seguida, mudou-se para Hastings, algumas milhas a leste, onde ele construiu um castelo como uma base de operações. De lá, ele devastou o interior e esperou pelo retorno de Haroldo do norte, recusando-se a se aventurar muito longe do mar, sua linha de comunicação com Normandia.[80]

Batalha de Hastings[editar | editar código-fonte]

Haroldo, depois de derrotar seu irmão Tostig e Haroldo III da Noruega, deixou uma parte de seu exército no norte, incluindo Morcar e Eduíno, e marchou com o resto para o sul para lidar com a ameaça da invasão normanda.[80] Ele provavelmente ficou sabendo do desembarque de Guilherme enquanto estava viajando para o sul. O rei parou em Londres, e ficou lá por cerca de uma semana antes de marchar para Hastings, por isso é provável que ele passou cerca de uma semana em sua marcha ao sul, com uma média de cerca de 43 quilômetros por dia,[81] em uma distância de aproximadamente 320 quilômetros.[82] Embora o rei inglês tentou surpreender os normandos, escuteiros de Guilherme relataram a chegada inglesa para o duque. Os eventos exatos que precedem a batalha são obscuros, com relatos contraditórios nas fontes, mas todos concordam que Guilherme liderou seu exército de seu castelo e avançou em direção ao inimigo.[83] Haroldo tinha tomado uma posição defensiva na parte superior do Monte Senlac (atual Battle, East Sussex), a cerca de 9,7 quilômetros do castelo de Guilherme em Hastings.[84]

Cena da tapeçaria de Bayeux descrevendo a batalha de Hastings.

A batalha começou por volta das 9 horas da manhã em 14 de outubro e durou o dia todo, mas enquanto um contorno largo é conhecido, os acontecimentos exatos são obscurecidos por relatos contraditórios nas fontes.[85] Embora os números de cada lado eram aproximadamente iguais, Guilherme tinha ambos cavalaria e infantaria, incluindo muitos arqueiros, enquanto Haroldo tinha apenas soldados a pé e poucos arqueiros, se é que tinha.[86] Os soldados ingleses formaram-se como uma parede de escudos ao longo do cume e ficaram primeiramente tão eficazes que o exército de Guilherme foi jogada para trás com pesadas baixas. Algumas das tropas bretãs de Guilherme entraram em pânico e fugiram, e algumas das tropas inglesas parecem ter perseguido os bretões que fugiam até que eles próprios foram atacados e destruídos pela cavalaria normanda.[87] Durante a fuga dos bretões que varreu as forças normandas surgiram rumores de que o duque havia sido morto, mas Guilherme conseguiu mobilizar suas tropas. Duas outras retiradas normandas foram fingidas, para mais uma vez atrair os ingleses em perseguição e expô-los aos repetidos ataques da cavalaria normanda. As fontes disponíveis são mais confusas sobre eventos no período da tarde, mas parece que o evento decisivo foi a morte de Haroldo, sobre a qual diferentes histórias são contadas. Guilherme de Jumièges alegou que Haroldo foi morto pelo duque. A tapeçaria de Bayeux tem sido reivindicada por mostrar a morte de Haroldo por uma flecha no olho, mas que pode ser uma reformulação depois da tapeçaria em conformidade com histórias do século XII em que Haroldo foi morto por um ferimento de flecha na cabeça.[88]

O corpo de Haroldo foi identificado no dia seguinte à batalha, seja por meio de sua armadura ou marcas em seu corpo. Os ingleses mortos, que incluía alguns dos irmãos do rei e seus housecarls, foram deixados no campo de batalha. Gytha, a mãe de Haroldo, ofereceu ao duque vitorioso o peso do corpo de seu filho em ouro pela sua custódia, mas sua oferta foi recusada.[nota 14] Guilherme ordenou que o corpo de Haroldo fosse lançado ao mar, mas se isso ocorreu é incerto. Abadia de Waltham, que tinha sido fundada por Haroldo, mais tarde afirmou que seu corpo tinha sido enterrado secretamente lá.[92]

Marcha para Londres[editar | editar código-fonte]

Guilherme pode ter esperado que os ingleses estivessem dispostos a se entregar na sequência da sua vitória, mas não o fizeram. Em vez disso, alguns membros do clero e magnatas ingleses nomearam Edgar, o Atelingo como rei, embora o seu apoio a ele fosse indiferente. Depois de esperar um curto tempo, Guilherme assegurou Dover, partes de Kent, Cantuária e, ao mesmo tempo, o envio de uma força para capturar Winchester, onde estava o tesouro real.[93] Estas capturas garantiram áreas de retaguarda para Guilherme e também a sua linha de retirada para a Normandia, se isso fosse necessário.[2] Guilherme, em seguida, marchou para Southwark, através do Tâmisa para Londres, onde chegou no final de novembro. Em seguida, ele conduziu suas forças em torno do sul e oeste da capital inglesa, queimando ao longo do caminho. Ele finalmente atravessou o Tâmisa em Wallingford no início de dezembro. Lá o arcebispo Stigand se submeteu a Guilherme, e logo depois quando o duque passou para Berkhamsted, Edgar, o Atelingo, Morcar, Eduíno, e o arcebispo Aldredo também se apresentaram. Guilherme, em seguida, enviou forças para Londres para construir um castelo; ele foi coroado na Abadia de Westminster no dia de Natal de 1066.[93]

Consolidação[editar | editar código-fonte]

Primeiros atos[editar | editar código-fonte]

Guilherme permaneceu na Inglaterra após sua coroação e tentou reconciliar os magnatas nativos. Os restantes condes – Eduíno (de Mercia), Morcar (de Nortúmbria), e Valteofo (de Northampton) – foram confirmados em suas terras e títulos.[94] Valteofo era casado com a sobrinha do duque normando Judite, filha de Adelaide,[95] e um casamento entre Eduíno e uma das filhas de Guilherme foi proposto. Edgar, o Atelingo também parece ter recebido terras. Ofícios eclesiásticos continuaram a ser mantidos pelos mesmos bispos como antes da invasão, incluindo o não-canônico Stigand.[94] Mas as famílias de Haroldo e seus irmãos perderam suas terras, assim como alguns outros que tinham lutado contra Guilherme em Hastings.[96] Até março, o duque estava seguro o suficiente para voltar para a Normandia, mas levou consigo Stigand, Morcar, Eduíno, Edgar, e Valteofo. Ele deixou seu meio-irmão Odo, o bispo de Bayeux, no comando da Inglaterra, juntamente com outro defensor influente, Guilherme FitzOsbern, filho de seu antigo tutor.[94] Os dois homens também foram nomeados para condados – FitzOsbern para Hereford (ou Wessex) e Odo para Kent.[2] Embora ele tenha colocado dois normandos como encarregados gerais, manteve muitos xerifes nativos da Inglaterra.[96] Uma vez na Normandia o novo rei inglês foi para Ruão e a Abadia de Fecamp,[94] e, em seguida, assistiu à consagração de novas igrejas em dois mosteiros normandos.[2]

Enquanto Guilherme estava na Normandia, um ex-aliado, Eustácio, o conde de Bolonha, invadiu a cidade de Dover, mas foi repelido. A resistência inglesa também tinha começado, com Eadrico, o Selvagem atacando Hereford e revoltas em Exeter, onde a mãe de Haroldo, Gytha, era um foco da resistência.[97] FitzOsbern e Odo encontraram dificuldades para controlar a população nativa e empreenderam um programa de construção de castelos para manter seu domínio sobre o reino.[2] Guilherme retornou à Inglaterra em dezembro de 1067 e marchou em Exeter, que ele sitiou. A cidade resistiu por 18 dias, e depois caiu perante seu novo rei, ele construiu um castelo para garantir seu controle. Entretanto, os filhos de Haroldo foram invadir o sudoeste de Inglaterra a partir de uma base na Irlanda. Suas forças desembarcaram perto de Bristol, mas foram derrotados por Eadnoth. Na Páscoa, Guilherme estava em Winchester, onde logo foi acompanhado por sua esposa Matilda, que foi coroada em maio de 1068.[97]

Resistência inglesa[editar | editar código-fonte]

Os restos da Colina Baile, o segundo castelo de mota-e-fortificação construído por Guilherme em Iorque.

Em 1068 Eduíno e Morcar se revoltaram, apoiados por Gospatric. O cronista Orderico Vital afirma que a razão de Eduíno se revoltar era que o casamento proposto entre ele e uma das filhas de Guilherme não tivesse ocorrido, mas outras razões provavelmente incluem o aumento do poder de Guilherme FitzOsbern em Herefordshire, o que afetou o poder dele dentro de seu próprio condado. O rei marchou nas terras de Eduíno e construiu um castelo em Warwick. Eduíno e Morcar se apresentaram, mas Guilherme continuou rumo a Iorque, construindo o Castelo de Iorque e o Castelo de Nottingham antes de retornar para o sul. Em sua jornada para o sul, o rei começou a construir castelos em Lincoln, Huntingdon, e Cambridge. Guilherme colocou apoiantes responsável por estas novas fortificações – entre eles Guilherme Peverel em Nottingham e Henrique de Beaumont em Warwick. Em seguida, o rei voltou à Normandia no final de 1068.[97]

No início de 1069, Edgar, o Atelingo se rebelou e atacou Iorque. Embora Guilherme voltou para a cidade e construiu um outro castelo, Edgar permaneceu livre, e no outono, ele se juntou com o rei Sueno da Dinamarca.[nota 15] O rei dinamarquês tinha trazido uma grande frota para a Inglaterra e atacou não só Iorque, mas também Exeter e Shrewsbury. Iorque foi capturada pelas forças combinadas de Edgar e Sueno. Edgar foi proclamado rei pelos seus apoiantes, mas Guilherme reagiu rapidamente, ignorando uma revolta continental no Maine. O rei normando simbolicamente usava sua coroa nas ruínas de Iorque no dia de Natal de 1069, e então passou a subornar os dinamarqueses. Ele marchou até o rio Tees, devastando a paisagem que o seguia. Edgar, tendo perdido muito de seu apoio, fugiu para a Escócia,[98] onde o rei Malcolm III era casado com sua irmã Margarida.[99] Valteofo, que se juntou à revolta, se apresentou, juntamente com Gospatric, e ambos foram autorizados a reter suas terras. Mas Guilherme não tinha terminado; ele marchou ao longo dos montes Peninos durante o inverno e derrotou os rebeldes restantes em Shrewsbury antes de construir castelos em Chester e Stafford. Esta campanha, que incluiu a queima e destruição de uma parte do campo que as forças reais marcharam, é geralmente conhecida como o "esbulhar do Norte"; acabou em abril de 1070, quando Guilherme usava sua coroa cerimonialmente para a Páscoa em Winchester.[98]

Assuntos da Igreja[editar | editar código-fonte]

Enquanto em Winchester em 1070, Guilherme se reuniu com três legados papaiss – João Minuto, Pedro, e Ermenfrido de Sion – que haviam sido enviados pelo Papa Alexandre. Os legados cerimonialmente coroaram o rei durante o cortejo da Páscoa.[100] O historiador David Bates vê essa coroação como a cerimonia papal que deu o "selo de aprovação" para a conquista de Guilherme.[2] Os legados e o rei então começaram a realizar uma série de concílios eclesiásticos dedicados à reforma e reorganização da igreja na Inglaterra. Stigand e seu irmão, Etelmar, o Bispo de Elmham, foram depostos de seus bispados. Alguns dos abades nativos também foram depostos, tanto no conselho realizado perto da Páscoa e em um concelho próximo do dia de Pentecostes. O conselho de Pentecostes viu a nomeação de Lanfranco como o novo arcebispo de Cantuária, e Tomas de Bayeux como o novo arcebispo de Iorque, para substituir Aldredo, que morreu em setembro de 1069.[100] Odo, o meio-irmão do rei normando, talvez esperava ser nomeado para Cantuária, mas Guilherme provavelmente não quis dar tanto poder a um membro da família.[nota 16] Outra razão para a nomeação pode ter sido a pressão do papado de nomear Lanfranco.[101] O clero normando foi designado para substituir os bispos e abades depostos, e no final do processo, apenas dois bispos ingleses nativos permaneceram no cargo, juntamente com vários prelados continentais nomeados por Eduardo, o Confessor.[100] Em 1070 Guilherme também fundou a Abadia de Battle, um novo mosteiro no local da Batalha de Hastings, em parte como uma penitência pelas mortes na batalha e, em parte, como um memorial aos mortos.[2]

Problemas na Inglaterra e no continente[editar | editar código-fonte]

Invasões dinamarquesas e rebelião no norte[editar | editar código-fonte]

Embora Sueno havia prometido deixar a Inglaterra, ele voltou na Primavera de 1070, invadindo ao longo do Humber e Ânglia Oriental em direção à Ilha de Ely, onde se juntou com Herevardo, o Vigilante, um thegn (servo) local. As forças de Herevardo atacaram a Abadia de Peterborough, que eles capturaram e saquearam. Guilherme foi capaz de garantir a retirada de Sueno e sua frota em 1070,[102] permitindo-lhe regressar ao continente para lidar com problemas no Maine, onde a cidade de Le Mans havia se revoltado em 1069. Outra preocupação era a morte do conde Balduíno VI de Flandres, em julho de 1070, o que levou a uma crise de sucessão já que sua viúva estava governando para seus dois filhos, mas seu governo foi contestado por Roberto, irmão de Balduíno. A viúva propôs casamento a Guilherme FitzOsbern, que estava na Normandia, e FitzOsbern aceitou. Mas depois que ele foi morto em fevereiro de 1071 na batalha de Cassel, Roberto tornou-se conde. Ele se opunha ao poder do rei Guilherme no continente, assim, a batalha de Cassel não só fez o rei perder um importante apoiante, mas também perturbou o equilíbrio de poder no norte da França.[103]

Em 1071 Guilherme derrotou a última rebelião do norte. O conde Eduíno foi traído por seus próprios homens e morto, enquanto o rei construía uma ponte para subjugar a Ilha de Ely, onde Herevardo, o Vigilante e Morcar estavam escondidos. Herevardo escapou, mas Morcar foi capturado, privado de seu condado, e preso. Em 1072 Guilherme invadiu a Escócia, derrotando Malcolm, que tinha invadido recentemente o norte da Inglaterra. Guilherme e Malcolm concordaram com a paz, ao assinar o Tratado de Abernethy, e Malcolm provavelmente desistiu de seu filho Duncan como refém pela paz. Talvez uma outra disposição do Tratado foi a expulsão de Edgar, o Atelingo da corte do rei dos escoceses.[104] Guilherme então voltou sua atenção para o continente, voltando para a Normandia no início de 1073 para lidar com a invasão do Maine por Fulque le Rechin, o conde de Anjou. Com uma campanha rápida, Guilherme apreendeu Le Mans das forças de Fulque, completando a campanha em 30 de março de 1073. Isso fez com que o seu poder ficasse mais seguro no norte da França, mas o novo conde de Flandres aceitou Edgar, o Atelingo em sua corte. Roberto também casou sua meia-irmã Berta com o rei da França, Filipe I, o Amoroso, que se opunha ao poder normando.[105]

Guilherme retornou à Inglaterra para lançar seu exército de serviço em 1073, mas rapidamente voltou para a Normandia, onde passou todo ano de 1074.[106] Ele deixou a Inglaterra nas mãos de seus partidários, incluindo Ricardo fitzGilbert e Guilherme de Warenne,[107] bem como Lanfranco.[108] A capacidade do rei de deixar a Inglaterra por um ano inteiro era um sinal de que ele sentiu que seu controle do reino era seguro.[107] Enquanto Guilherme estava na Normandia, Edgar, o Atelingo retornou para a Escócia do Flandres. O rei francês, buscando um foco para aqueles que se opunham ao poder de Guilherme, em seguida, propôs que Edgar recebesse o castelo de Montreuil-sur-Mer no Canal Inglês, o que teria-lhe dado uma vantagem estratégica contra o duque normando.[109] Edgar foi forçado a submeter-se a Guilherme pouco tempo depois e, no entanto, voltou para a corte do duque.[106] [nota 17] Filipe, embora frustrado nesta tentativa, voltou as suas atenções para a Bretanha, conduzindo a uma revolta em 1075.[109]

Revolta dos Condes[editar | editar código-fonte]

O castelo de Norwich. A torre de menagem data depois da Revolta dos Condes, mas o monte do castelo é anterior.[110]

Em 1075, durante a ausência de Guilherme, Raul de Gael, o Conde de Norfolk, e Rogério de Breteuil, Conde de Hereford, conspiraram para derrubar o rei na "Revolta dos Condes".[108] Raul era em parte bretão, e passou a maior parte de sua vida antes de 1066 na Bretanha, onde ele ainda tinha terras.[111] Rogério era um normando, filho de Guilherme FitzOsbern, mas tinha herdado menos autoridade do que seu pai mantinha.[112] A autoridade do conde de Norfolk também parece ter sido menor do que seus antecessores no condado, e esta foi provavelmente a causa da revolta.[111]

A razão exata para a rebelião não esta clara, mas foi lançada no casamento de Raul com um parente de Rogério, realizado em Exning. Outro conde, Valteofo, embora um dos favoritos de Guilherme, também esteve envolvido, e havia alguns senhores bretões que estavam prontos para se rebelar em apoio de Raul e Rogério. O conde de Norfolk também solicitou ajuda dinamarquesa. Guilherme permaneceu na Normandia, enquanto seus homens na Inglaterra subjugaram a revolta. Rogério não foi capaz de deixar sua fortaleza em Herefordshire por causa dos esforços de Vulfstano, bispo de Worcester, e Etelvigo, o abade de Evesham. Raul foi cercado no Castelo de Norwich pelos esforços combinados de Odo de Bayeux, Godofredo de Montbray, Ricardo fitzGilbert, e Guilherme de Warenne. Raul finalmente deixou Norwich no controle de sua esposa e deixou a Inglaterra, terminando finalmente na Bretanha. Norwich foi sitiada e se rendeu, com a guarnição autorizada a ir para a Bretanha. Enquanto isso, o irmão do rei dinamarquês, Canuto, o Santo, finalmente chegou à Inglaterra com uma frota de 200 navios, mas era tarde demais como Norwich já havia se rendido. Os dinamarqueses, em seguida, invadiram ao longo da costa, antes de voltar para casa.[108] Guilherme voltou para a Inglaterra mais tarde em 1075 para lidar com a ameaça dinamarquesa, deixando sua esposa Matilda no comando da Normandia. Ele comemorou o Natal em Winchester e lidou com o rescaldo da rebelião.[113] Rogério e Valteofo foram mantidos em prisão, onde o conde de Northampton foi executado em maio de 1076. Antes disso, Guilherme tinha voltado para o continente, onde o conde de Norfolk tinha continuado a rebelião da Bretanha.[108]

Problemas em casa e no exterior[editar | editar código-fonte]

Conde Raul tinha o controle seguro do castelo em Dol, e em setembro de 1076 Guilherme avançou para Bretanha e sitiou o castelo. O rei Filipe da França mais tarde aliviou o cerco e derrotou Guilherme na cidade, forçando-o a recuar para a Normandia. Embora esta foi a primeira derrota de Guilherme em batalha, ele fez pouco para mudar as coisas. Um ataque angevino no Maine foi derrotado no final de 1076 ou 1077, com o conde Fulque le Rechin ferido na investida malsucedido. Mais grave foi a reforma de Simão de Crépy, o conde de Amiens, a um mosteiro. Antes de se tornar um monge, Simão entregou seu condado de Vexin sobre o rei Felipe. Vexin era um estado tampão entre a Normandia e as terras do rei francês, e Simão tinha sido um apoiante do duque normando.[nota 18] Guilherme foi capaz de fazer a paz com Felipe em 1077 e garantiu uma trégua com o conde Fulque no final do mesmo ano ou no início de 1078.[114]

No final de 1077 ou início de 1078 um problema começou entre Guilherme e seu filho mais velho, Roberto. Embora Orderico Vital o descreve começando uma briga com seus dois irmãos mais novos, Guilherme e Henrique, incluindo uma história que a briga começou quando Guilherme e Henrique jogaram água em Roberto, é muito mais provável que o filho mais velho do rei estava se sentindo impotente. O cronista relata que ele tinha exigido anteriormente o controle do Maine e Normandia e que tinha sido rejeitado. O problema em 1077 ou 1078 resultou em Roberto deixando a Normandia acompanhado por um grupo de homens jovens, muitos deles filhos de apoiantes de seu pai. Entre eles estava Roberto de Bellême, Guilherme de Breteuil, e Rogério, filho de Ricardo fitzGilbert. Este grupo de jovens foi para o castelo em Rémalard, onde passaram a atacar a Normandia. Os invasores foram apoiados por muitos dos inimigos continentais de Guilherme.[115] O duque normando atacou imediatamente os rebeldes e os expulsou de Rémalard, mas o rei Filipe deu-lhes o castelo em Gerberoi, onde se juntaram a eles novos apoiadores. Guilherme então sitiou Gerberoi em janeiro de 1079. Depois de três semanas, as forças sitiadas atacaram o castelo e conseguiram pegar os sitiantes de surpresa. Guilherme foi derrubado por Roberto e só foi salvo da morte por um inglês. Suas forças foram forçadas a levantar o cerco, e o rei voltou para Ruão. Em 12 de abril de 1080, Guilherme e Roberto tinham chegado a um alojamento, com o rei mais uma vez afirmando que seu filho mais velho iria receber a Normandia quando ele morresse.[116]

Mapa mostrando as terras de Guilherme em 1087 (as áreas pintadas em rosa eram controladas pelo rei normando).

A informação da derrota de Guilherme em Gerberoi suscitou dificuldades no norte da Inglaterra. Em agosto e setembro de 1079, o rei Malcolm dos escoceses invadiu o sul do rio Tweed, devastando as terras entre o rio Tees e o Tweed em uma operação que durou quase um mês. A falta de resposta normanda parece ter causado uma crescente inquietude dos nortúmbrios, e na primavera de 1080 eles se rebelaram contra o governo de Guilherme Walcher, o bispo de Durham e conde de Nortúmbria. O bispo foi morto em 14 de maio de 1080, e o rei normando despachou seu meio-irmão Odo para lidar com a rebelião.[117] Guilherme partiu da Normandia, em julho de 1080,[118] e no outono seu filho Roberto foi enviado em uma campanha contra os escoceses. Roberto invadiu em Lothian e forçou Malcolm a concordar com os termos, construindo uma fortificação em Newcastle upon Tyne, quando regressava a Inglaterra.[117] O rei estava em Gloucester para o Natal de 1080 e em Winchester para o Pentecostes em 1081, cerimonialmente vestindo sua coroa em ambas as ocasiões. A embaixada papal chegou à Inglaterra durante este período, pedindo que Guilherme fizesse lealdade para a Inglaterra ao papado, um pedido que o monarca rejeitou.[118] Também visitou o País de Gales durante 1081, embora as fontes inglesas e gaulesas divergem sobre a finalidade exata da visita. A Crônica Anglo-Saxônica afirma que foi uma campanha militar, mas fontes galesas a registram como uma peregrinação a St. Davids em honra de São Davi. O biógrafo de Guilherme, David Bates, argumenta que a explicação anterior é mais provável, explicando que o equilíbrio de poder tinha recentemente mudado no País de Gales e que Guilherme teria desejado tirar vantagem da alteração das circunstâncias para estender o poder normando. Até o final de 1081, o rei estava de volta ao continente, lidando com distúrbios no Maine. Embora ele liderou uma expedição no condado, o resultado foi, em vez disso, uma solução negociada providenciada por um legado papal.[119]

Últimos anos[editar | editar código-fonte]

Fontes para ações de Guilherme entre 1082 e 1084 são escassas. De acordo com o historiador David Bates, isso provavelmente significa que pouca coisa aconteceu, e isso porque Guilherme estava no continente, não havia nada para a Crônica Anglo-Saxônica registrar.[120] Em 1082 Guilherme ordenou a prisão de seu meio-irmão Odo. As razões exatas não são claras, como nenhum autor contemporâneo registrou o que causou a briga entre os meio-irmãos. Orderico Vital mais tarde registrou que Odo tinha aspirações de se tornar papa. Orderico também relatou que Odo havia tentado persuadir alguns dos vassalos de Guilherme para se juntar a ele em uma invasão do sul da Itália. Isto teria sido considerado a adulteração da autoridade do rei sobre seus vassalos, oque Guilherme não teria tolerado. Embora Odo permaneceu no confinamento para o resto do reinado de seu irmão, suas terras não foram confiscadas. Mais dificuldades o atingiu em 1083, quando seu filho mais velho Roberto se rebelou mais uma vez com o apoio do rei francês. Um novo golpe foi a morte de sua esposa Matilda, em 2 de novembro de 1083. Guilherme foi sempre descrito como próximo a ela, e sua morte teria acrescentado aos seus problemas.[121]

Maine continuou a ser difícil, com uma rebelião de Huberto de Beaumont-au-Maine, provavelmente em 1084. Huberto foi sitiado em seu castelo em Sainte-Suzanne pelas forças de Guilherme por pelo menos dois anos, mas ele finalmente fez as pazes com o rei e foi restaurado favoravelmente. Seus movimentos durante 1084 e 1085 não são claros – ele estava na Normandia na Páscoa de 1084, mas pode ter estado na Inglaterra, antes, em seguida, para recolher o danegeld ("tributo dinamarquês") avaliado nesse ano para a defesa da Inglaterra contra uma invasão pelo rei Canuto IV, o Santo. Embora forças inglesas e normandas permaneceram em alerta durante todo o ano de 1085 e em 1086, a ameaça de invasão terminou com a morte do rei dos dinamarqueses em julho de 1086.[122]

Caraterísticas do reinado[editar | editar código-fonte]

Mudanças na Inglaterra[editar | editar código-fonte]

A Torre Branca em Londres foi erguida por Guilherme.[123]

Como parte de seus esforços para assegurar a Inglaterra, Guilherme ordenou a construção de muitos castelos, torres e construiu motas – entre eles a fortaleza central da Torre de Londres, a Torre Branca. Essas fortificações permitiram que os normandos se recuassem em segurança quando ameaçados com uma rebelião e permitia que guarnições fossem protegidas enquanto eles ocupavam o campo. Os primeiros castelos eram simples construções de terra e madeira, mais tarde substituídos com estruturas de pedra.[124]

No início, a maioria dos normandos recém-estabelecidos mantinham cavaleiros domésticos e não resolveram os seus retentores com feudos próprios, mas, gradualmente, estes cavaleiros domésticos passaram a conceder suas próprias terras, um processo conhecido como subfeudo. Guilherme também exigiu que os seus magnatas recém-criados contribuíssem com cotas fixas de cavaleiros não só para campanhas militares, mas também para guarnições do castelo. Este método de organizar as forças militares era uma prática orientada da pré-conquista inglesa de basear o serviço militar em unidades territoriais como a hide.[125]

Com a morte do rei, depois de resistir a uma série de rebeliões, a maioria da aristocracia nativa anglo-saxônica tinha sido substituída por normandos e outros magnatas continentais. Nem todos os normandos que acompanharam o duque na conquista inicial adquiriram grandes quantidades de terra na Inglaterra. Alguns pareciam serem relutantes em aproveitar as terras em um reino que não aparecia ser sempre pacifico. Embora alguns dos novos normandos ricos da Inglaterra vieram de perto da família do rei ou da nobreza normanda superior, outros eram de origens relativamente humildes.[126] O monarca concedeu algumas terras para seus seguidores continentais a partir das explorações para um ou outro inglês mais específico; em outros momentos, concedeu um agrupamento compacto de terras anteriormente detidas por muitos ingleses diferentes para um seguidor normando, muitas vezes para permitir a consolidação das terras em torno de um castelo estrategicamente colocado.[127]

O cronista medieval Guilherme de Malmesbury disse que o rei também apreendeu e despovoou muitos quilômetros de terras (36 paróquias), transformando-as na região real de New Forest para apoiar a sua diversão entusiasta da caça. Os historiadores modernos têm chegado à conclusão de que o despovoamento de New Forest foi muito exagerado. A maior parte das terras de New Forest são terras agrícolas pobres, e estudos arqueológicos e geográficos têm mostrado que a região foi provavelmente pouco povoada, quando foi transformada em uma floresta real.[128] Guilherme era conhecido por seu amor pela caça, e ele introduziu a legislação florestal em áreas do país, regulando quem poderia caçar e o que poderia ser caçado.[129]

Administração[editar | editar código-fonte]

Moeda inglesa de Guilherme, o Conquistador.

Depois de 1066, Guilherme não tentou integrar seus domínios separados em um reino unificado com um conjunto de leis. Seu sinete posterior ao ano de 1066, dos quais seis impressões ainda sobrevivem, foi feito para ele depois que conquistou a Inglaterra e destacou seu papel como o rei, ao mencionar separadamente o seu papel de duque.[nota 19] Quando na Normandia, o duque reconheceu que devia vassalagem ao rei francês, mas na Inglaterra nenhum reconhecimento foi feito – mais provas de que as várias partes de suas terras foram consideradas independentes. O aparelho administrativo da Normandia, Inglaterra e Maine continuou a existir de forma separada das outras terras, com cada um mantendo as suas próprias formas. Por exemplo, a Inglaterra continuou a utilização de decretos, que não eram conhecidos no continente. Além disso, as cartas e documentos produzidos para o governo na Normandia diferiam em fórmulas daquelas produzidas na Inglaterra.[130]

Guilherme assumiu um governo inglês que era mais complexo do que o sistema normando. O país era dividido em shires ou condados, os quais eram divididos em hundred (centenas), nativamente também conhecidas como wapentakes. Cada condado era administrado por um oficial do rei, chamado de xerife, que tinha aproximadamente o mesmo estatuto que um visconde normando. Um xerife era responsável pela justiça real e o recebimento das receitas reais.[54] Para supervisionar o seu domínio expandido, Guilherme foi forçado a viajar ainda mais do que ele tinha como duque. Ele transitou entre o continente e a Inglaterra ao menos 19 vezes entre 1067 e sua morte. Ele passou a maior parte de seu tempo na Inglaterra entre a batalha de Hastings e 1072, e depois passou a maior parte de seu tempo na Normandia.[131] [nota 20] O governo ainda estava centrado em torno da Household do rei; quando estava em uma parte de seus reinos, as decisões seriam tomadas por outras partes de seus domínios e transmitidas através de um sistema de comunicação que utilizava cartas e outros documentos. Também nomeou deputados que poderiam tomar decisões enquanto ele estava ausente, especialmente se a ausência era esperada para ser demorada. Normalmente, este era um membro próximo de sua família, frequentemente seu meio-irmão Odo ou sua esposa Matilda. Às vezes, os deputados eram designados para lidar com questões específicas.[132]

O monarca continuou a recolha de danegeld, um imposto sobre a terra. Esta era uma vantagem para Guilherme, já que era o único imposto universal recolhido pelos governantes da Europa Ocidental durante esse período. Era um imposto anual com base no valor da propriedade da terra, e que poderia ser recolhido em taxas diferentes. Na maioria dos anos via-se uma taxa de dois xelins por hide, mas em crises, poderia ser aumentada em até seis xelins por hide.[133] A cunhagem entre as várias partes de seus domínios continuou a ser feita em diferentes ciclos e estilos. Moedas inglesas eram em geral de alto teor de prata, com altos padrões artísticos, e foram obrigadas a serem recunhadas de três em três anos. Moedas normandas tinham um teor de prata muito mais baixo, eram muitas vezes de má qualidade artística, e raramente eram recunhadas. Além disso, na Inglaterra nenhuma outra cunhagem era permitida, enquanto no continente outra cunhagem era considerada de curso forçado. Também não há evidências de que muitas moedas de dinheiro inglesa estavam circulando na Normandia, o que mostra pouca tentativa de integrar os sistemas monetários da Inglaterra e Normandia.[130]

Além da tributação, o latifúndio de Guilherme em toda a Inglaterra reforçou seu domínio. Como herdeiro do rei Eduardo, ele controlava todas as antigas terras reais. Também manteve o controle de grande parte das terras de Haroldo e sua família, o que fez dele o rei com a maior propriedade de terras seculares naquele país por uma ampla margem.[nota 21]

Domesday Book[editar | editar código-fonte]

Uma página do Domesday Book para Warwickshire.

No Natal de 1085, Guilherme ordenou a compilação de um levantamento das propriedades rurais detidas por si mesmo e por seus vassalos em todo o reino, organizado por condados. Isso resultou em um trabalho hoje conhecido como Domesday Book. A listagem para cada condado mostra as participações de cada proprietário de terras, agrupados pelos proprietários. As listagens descrevem a participação que a terra possuía antes da conquista, o seu valor, o que era a taxa de assentamento, e, geralmente, o número de camponeses, arados, e quaisquer outros recursos que tinham exploração. Cidades eram listadas separadamente. Todos os condados ingleses ao sul do rio Tees e do rio Ribble estão incluídos, e toda a obra parece ter sido concluída principalmente até 1º de agosto de 1086, quando a Crônica Anglo-Saxônica registra que o governante recebeu os resultados e que todos os principais magnatas se uniram no Juramento de Salisbury, uma renovação dos seus juramentos de fidelidade.[135] A motivação exata do rei em ordenar a pesquisa é obscura, mas provavelmente tinha vários propósitos, como fazer um registro de obrigações feudais e justificar o aumento dos impostos.[2]

Morte e consequências[editar | editar código-fonte]

Guilherme deixou a Inglaterra no final de 1086. Após sua chegada de volta no continente, ele casou sua filha Constança com Alano Luva de Ferro, o duque de Bretanha, na prossecução de sua política em buscar aliados contra os reis franceses. Seu filho Roberto, ainda aliado com o rei francês Filipe I, parece ter sido ativo na criação de problemas, o suficiente para que o duque liderasse uma expedição contra o Vexin francês em julho de 1087. Enquanto apreendia Mantes, Guilherme tanto adoeceu ou foi ferido por uma alça de sua sela.[136] Ele foi levado para o priorado de Saint Gervase em Ruão, onde morreu em 9 de setembro de 1087.[2] O conhecimento dos eventos que precederam a sua morte são confusos visto que existem dois contos diferentes. Orderico Vital preserva um relato longo, com discursos feitos por muitos dos subordinados, mas este é mais provavelmente uma descrição de como um rei deveria morrer do que o que realmente aconteceu. A outra, o De Obitu Willelmi, ou Sobre a Morte de Guilherme, foi mostrada para ser uma cópia de dois relatos do século IX com nomes alterados.[136]

Placa marcando o local da sepultura de Guilherme.

Guilherme deixou a Normandia para Roberto, e a custódia da Inglaterra foi dada ao seu segundo filho sobrevivente, também chamado de Guilherme, na suposição de que ele iria se tornar rei. O filho mais novo, Henrique, recebeu dinheiro. Depois de ter confiado a Inglaterra ao seu segundo filho, o velho Guilherme enviou seu jovem filho de volta para a Inglaterra em 7 ou 8 de setembro, trazendo uma carta para Lanfranco ordenando o arcebispo para ajudar o novo rei. Outras heranças incluíam presentes para a Igreja e dinheiro a ser distribuído aos pobres. Guilherme também ordenou que todos os seus prisioneiros fossem libertados, incluindo seu meio-irmão Odo.[136]

A desordem sucedeu após sua morte; todo mundo que tinha estado em seu leito de morte deixou o corpo em Ruão e correu para atender a seus próprios assuntos. Eventualmente, o clero de Ruão se organizou para enviar o corpo para Caen, onde Guilherme tinha desejado ser enterrado em sua fundação da Abbaye-aux-Hommes. O funeral, do qual participaram os bispos e abades da Normandia, assim como seu filho, Henrique, foi perturbado pela afirmação de um cidadão de Caen, que alegou que sua família tinha sido ilegalmente despojada do terreno sobre o qual a igreja foi construída. Após consultas apressadas a alegação foi mostrado como verdadeira, e o homem foi compensado. Uma outra indignidade ocorreu quando o cadáver foi rebaixado para a tumba. O cadáver era muito grande para o espaço, e quando atendentes forçaram o corpo para dentro do túmulo ele explodiu, espalhando um odor repugnante por toda a igreja.[137]

Seu túmulo está marcada por uma placa de mármore com uma inscrição em latim que data do início do século XIX. O túmulo foi perturbado várias vezes desde 1087, pela primeira vez em 1522, quando o túmulo foi aberto por ordem do papado. O corpo intacto foi restaurado para a tumba naquela época, mas em 1562, durante as guerras religiosas na França, o túmulo foi reaberto e os ossos dispersos e perdidos, com a exceção de um osso da coxa. Esta relíquia solitária foi enterrada novamente em 1642 com um novo marcador, que foi substituído 100 anos mais tarde com um monumento mais elaborado. Este túmulo foi novamente destruído durante a Revolução Francesa, mas acabou por ser substituído com o marcador atual.[138] [nota 22]

Legado[editar | editar código-fonte]

Estátua de Guilherme, o Conquistador em Falaise, França.

Uma consequência imediata após a morte do rei foi uma guerra entre seus filhos Roberto e Guilherme II sobre o controle da Inglaterra e Normandia.[2] Mesmo após a morte de Guilherme II em 1100 e a sucessão de seu irmão mais novo Henrique I como rei, Normandia e Inglaterra permaneceram controvertidas entre os irmãos, até a captura de Roberto por Henrique na batalha de Tinchebray em 1106. As dificuldades na sucessão levaram a uma perda de autoridade na Normandia, já que a aristocracia recuperou muito do poder que tinham perdido para o conquistador. Seus filhos também perderam muito de seu controle sobre o Maine, que se revoltou em 1089 e conseguiu manter-se na maior parte livre de influência normanda mais tarde.[140]

O impacto da conquista de Guilherme na Inglaterra foi profundo; mudanças na igreja, aristocracia, cultura e na língua do país têm persistido até os tempos modernos. A conquista trouxe ao reino um contato mais próximo com a França e forjou laços entre o país e a Inglaterra, que duraram toda a Idade Média. Outra consequência da invasão de Guilherme foi o rompimento dos laços anteriormente estreitos entre a Inglaterra e Escandinávia. Seu governo misturou elementos dos sistemas inglês e normando em um novo, que posteriormente lançou as bases do reino medieval inglês.[141] Quão bruscas e quão grande alcance as mudanças tiveram ainda é uma questão de debate entre os historiadores, com alguns, como Richard Southern alegando que a conquista foi a única mudança tão radical na história da Europa entre a queda de Roma e o século XX. Outros, como H. G. Richardson e G. O. Sayles, vendo as mudanças trazidas pela conquista como muito menos radicais do que Southern sugere.[142] A historiadora Eleanor Searle descreveu a invasão de Guilherme como "um plano que nenhum governante, mas um escandinavo teria considerado".[143]

Seu reinado causou polêmica histórica desde antes de sua morte. Guilherme de Poitiers escreveu elogiosamente sobre o reinado do conquistador e seus benefícios, mas o obituário de Guilherme na Crônica Anglo-Saxônica o condena usando termos duros.[142] Nos anos desde a conquista, políticos e outros líderes têm usado Guilherme e os acontecimentos de seu reinado para ilustrar eventos políticos ao longo da história inglesa. Durante o reinado da rainha Isabel I de Inglaterra, o arcebispo Matthew Parker viu a conquista como tendo corrompido a pura Igreja Inglesa, que ele tentou restaurar. Durante os séculos XVII e XVIII alguns historiadores e juristas viram seu reinado impondo um "jugo normando" sobre os nativos anglo-saxões, um argumento que continuou durante o século XIX com elaborações adicionais ao longo de linhas nacionalistas. Estas várias controvérsias levaram a Guilherme ser visto por alguns historiadores tanto como um dos criadores da grandeza da Inglaterra quanto por infligir uma das maiores derrotas na história do país. Outros têm visto Guilherme como um inimigo da constituição inglesa, ou, alternativamente, como seu criador.[144]

Família e descendência[editar | editar código-fonte]

Guilherme e sua esposa Matilde de Flandres tiveram pelo menos nove filhos. A ordem de nascimento dos meninos é claro, mas nenhuma fonte dá a ordem relativa de nascimento das filhas.[2]

  1. Roberto II, nascido entre 1951 e 1054, e morto em 10 de fevereiro de 1134.[48] Duque da Normandia, casou-se com Sibila de Conversano, filha de Godofredo de Conversano.[145]
  2. Ricardo, nascido depois de 1056 e morto por volta de 1075.[48]
  3. Guilherme II nasceu entre 1056 e 1060, e morreu 2 de agosto de 1100.[48] Rei da Inglaterra, morto em New Forest.[146]
  4. Henrique I nasceu no final de 1068, morreu em 1º de dezembro de 1135.[48] Rei da Inglaterra, casou com Edite da Escócia, filha de Malcolm III da Escócia. Sua segunda esposa foi Adeliza de Lovaina.[147]
  5. Alice (ou Adeliza,[148] Adelaide[147] ) morreu antes de 1113, alegadamente prometida a Haroldo II Godwinson, provavelmente tornou-se uma freira de Saint Léger em Préaux.[148]
  6. Cecília nasceu antes de 1066, morta em 1127, abadessa da Abbaye aux Dames, Caen.[48]
  7. Matilda[2] [148] nasceu por volta de 1061, e morreu, talvez, por volta de 1086.[147] Mencionada no Domesday Book como uma filha de Guilherme.[48]
  8. Constança, duquesa da Bretanha, morta em 1090, casou-se com Alano IV, Luva de Ferro, Duque da Bretanha.[48]
  9. Adela, morta em 1137, casou-se Estêvão II de Blois.[48]
  10. (Possivelmente) Ágata (c. 1064 - 1079), prometida em casamento a Afonso VI de Leão e Castela.[nota 23]

Não há nenhuma evidência de qualquer filho ilegítimo do conquistador.[152]

Ancestrais[editar | editar código-fonte]

Notas

  1. Ele só foi descrito como "o Bastardo" em fontes escritas por não-normandos.[2]
  2. Embora o cronista Guilherme de Poitiers alegou que a sucessão de Eduardo era devido aos esforços do duque Guilherme, isso é altamente improvável, já que Guilherme era naquele tempo praticamente impotente em seu próprio ducado.[2]
  3. A data exata do nascimento de Guilherme é confundida por declarações contraditórias por parte dos cronistas normandos. Orderico Vital tem Guilherme em seu leito de morte alegando que ele tinha 64 anos de idade, o que colocaria o seu nascimento em torno de 1023. Mas em outros lugares, Orderico afirma que Guilherme tinha 8 anos quando o pai partiu para Jerusalém, em 1035, colocando seu ano de nascimento em 1027. Guilherme de Malmesbury citou que ele tinha 7 anos quando seu pai o deixou, indicando 1028. Outra fonte, De Obitu Willelmi, afirma que Guilherme tinha 59 anos quando ele morreu em 1087, alegando tanto 1028 ou 1029.[9]
  4. Isso fez com que Ema da Normandia fosse sua tia-avó e Eduardo, o Confessor, seu primo.[10] [11]
  5. Esta filha mais tarde se casou com Guilherme, senhor de La Ferté-Macé.[9]
  6. Gualtério tinha duas filhas. Uma tornou-se uma freira, e a outra, Matilda, casou-se com Ralph Tesson.[9]
  7. Como a ilegitimidade era vista pela igreja e sociedade leiga que estava passando por uma mudança durante este período. A Igreja, sob a influência da reforma gregoriana, mantinha a visão de que o pecado do sexo extraconjugal contaminava qualquer descendência resultante, mas os nobres não tinham abraçado totalmente o ponto de vista da igreja durante a vida de Guilherme.[18] Em 1135, o nascimento ilegítimo de Roberto de Gloucester, neto de Guilherme, filho do rei Henrique I de Inglaterra, foi o suficiente para barrar a sucessão de Roberto como rei quando seu pai morreu sem herdeiros masculinos legítimos, mesmo que ele tivesse algum apoio dos nobres ingleses.[19]
  8. As razões para a proibição não estão claras. Não há registro do motivo do Conselho, e a principal evidência é de Orderico Vital. Ele deu a entender que obliquamente Guilherme e Matilda também eram intimamente relacionados, mas não deu detalhes, portanto, a questão permanece obscura.[42]
  9. A data exata do casamento é desconhecida, mas foi provavelmente em 1051 ou 1052, e, certamente, antes do final de 1053, já que Matilda é nomeada como a esposa de Guilherme em uma carta datada do final do mesmo ano.[44]
  10. Os dois mosteiros são a Abbaye-aux-Hommes (ou St Étienne) para os homens, que foi fundada por Guilherme por volta de 1059, e a Abbaye aux Dames (ou Sainte Trinité) para as mulheres que foi fundada por Matilda cerca de quatro anos mais tarde.[47]
  11. Atelingo (no original Ætheling) significa "príncipe da casa real" e, geralmente denotado um filho ou irmão de um rei governante.[70]
  12. Edgar, o Atelingo era outro pretendente,[74] mas Edgar era jovem,[75] provavelmente tinha apenas 14 anos em 1066.[76]
  13. A tapeçaria de Bayeux pode descrever uma bandeira papal transportada pelas forças de Guilherme, mas isso não é nomeado como tal na tapeçaria.[79]
  14. Guilherme de Malmesbury afirma que Guilherme aceitou a oferta de Gytha, mas Guilherme de Poitiers afirma que o duque recusou a oferta.[89] Biógrafos modernos de Haroldo concordam que ele recusou a oferta.[90] [91]
  15. Cronistas medievais frequentemente referem aos acontecimentos do século XI somente pela época, tornando impossível datá-los de forma mais precisa.
  16. O historiador Frank Barlow aponta que Guilherme tinha sofrido pelas ambições de seu tio Mauger enquanto jovem e, portanto, não teria tolerado essa situação de novo.[101]
  17. Edgar permaneceu na corte de Guilherme até 1086, quando ele foi para o principado normando no sul da Itália.[106]
  18. Embora Simão fosse um defensor de Guilherme, Vexin ficou definitivamente sob a soberania do rei Filipe, razão pela qual o rei francês assegurou o controle do condado quando Simão se tornou um monge.[114]
  19. O selo mostra um cavaleiro montado e é o primeiro exemplo existente de um selo equestre.[130]
  20. Entre 1066 e 1072, o duque passou apenas 15 meses na Normandia e o resto de seu tempo na Inglaterra. Depois de voltar para a Normandia em 1072, Guilherme passou cerca de 130 meses em sua terra natal, contra cerca de 40 meses na Inglaterra.[131]
  21. No Domesday Book, as terras do rei valiam quatro vezes mais do que as terras de seu meio-irmão Odo, o segundo maior proprietário de terras, e sete vezes mais do que as de Rogério de Montgomery, o terceiro maior proprietário de terras.[134]
  22. Assumisse que o osso da coxa atualmente no túmulo seja aquele que foi enterrado novamente em 1642, mas o historiador vitoriano Edward Augustus Freeman opinou que o osso tinha sido perdido em 1793.[139]
  23. Guilherme de Poitiers relata que dois irmãos, reis ibéricos, eram concorrentes a mão de uma filha de Guilherme, o que levou a uma disputa entre eles.[149] Alguns historiadores identificaram estes como Sancho II de Castela e seu irmão Garcia II da Galiza, e a noiva documentada como esposa de Sancho, Alberta, que carrega um nome não-ibérico.[150] O anônimo vita do Conde Simão de Crépy por sua vez torna os concorrentes Alfonso VI de Leão e Roberto Guiscardo, enquanto ambos Guilherme de Malmesbury e Orderico Vital mostram uma filha tendo sido prometida a Alfonso, "rei da Galiza", mas tendo morrido antes do casamento. Em sua Historia Ecclesiastica, Orderico nomeia especificamente ela como Ágata, "ex-noiva de Haroldo".[149] [150] Isso entra em conflito com as próprias adições anteriores do historiador no Gesta Normannorum Ducum, onde em vez nomeou a noivo de Haroldo como a filha de Guilherme, Adelidis.[148] Contos recentes da história conjugal complexa de Alfonso VI aceitaram que ele estava noivo de uma filha de Guilherme nomeada Ágata,[149] [150] [151] enquanto Douglas descarta Ágata como uma referência para confundir a filha conhecido como Adeliza.[48] Elisabeth van Houts é ambivalente, estando aberta à possibilidade de que Adeliza foi contratada antes de se tornar uma freira, mas também aceitando que Ágata pode ter sido uma filha distinta de Guilherme.[148]

Referências

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  152. Given-Wilson and Curteis Royal Bastards p. 59

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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Guilherme I de Inglaterra
Casa da Normandia
c. 1028 – 9 de setembro de 1087
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Roberto I
Duque da Normandia
como Guilherme II
3 de julho de 1035 – 9 de setembro de 1087
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Roberto II
Precedido por
Haroldo II
Rei da Inglaterra
25 de dezembro de 1066 – 9 de setembro de 1087
Sucedido por
Guilherme II