Guiomar de Grammont

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Guiomar de Grammont
Nome completo Guiomar Maria de Grammont Machado de Araújo e Souza
Nascimento 3 de outubro de 1963 (55 anos)
Ouro Preto
Nacionalidade Brasileira
Ocupação Escritora, editora, curadora, dramaturga, historiadora e filósofa
Principais trabalhos Palavras cruzadas (2015)
Prémios Prêmio Casa de las Américas (1993)

Prêmio literário do PEN Clube do Brasil (2016)

Guiomar de Grammont (Ouro Preto, 3 de outubro de 1963) é uma escritora, editora, curadora, dramaturga, historiadora e filósofa brasileira.[1][2][3][4]

Seu nome completo é Guiomar Maria de Grammont Machado de Araújo e Souza.

Atualmente, também é diretora do Instituto de Filosofia Artes e Cultura da Universidade Federal de Ouro Preto em Minas Gerais.[2][3][5]

Biografia[editar | editar código-fonte]

Embora tenha nascido na cidade que colaborou para projetá-la como grande nome, Guiomar de Grammont chegou a viver em Brasília e em Goiás, terra natal do pai dela, uma família de costumes mais liberais e com forte pendor intelectual em contraste com a comedida e religiosa família materna, de origem ouro-pretana, paradoxo que também marca a formação artística da ouro-pretana.[6] É uma dos seis filhos do pai que fora estudante de Engenharia na Escola de Minas[6] e vítima da ditadura militar, cuja execução lembra à de Vladimir Herzog.[6]

Entre idas e vindas a Ouro Preto, a família se fixou definitivamente na cidade natal da escritora, onde ela estudou no católico Colégio Arquidiocesano e aos 16 anos ficou grávida de Raíssa de sua união com Paulo, estudante de Engenharia assim como o pai dela e professor de Química no mesmo colégio da juventude.[6]

Aprovada no vestibular em 1981, ingressou na primeira turma de História do Instituto de Ciências Humanas e Sociais da Universidade Federal de Ouro Preto.[6] Continuou na cidade de origem na década de 80 lecionando em escolas das redes pública e privada.[7]

Em 1983, nasce Maíra, sua segunda filha.[6]

No início da década seguinte, passou a dar aulas em uma faculdade privada de Governador Valadares, período no qual teve Pedro, o terceiro filho.[6]

Em 1993, retorna a Ouro Preto para lecionar no Instituto de Arte e Cultura, onde havia obtido a especialização em Cultura e Arte Barroca e foi efetiva em 1995 mediante concurso público.[6]A ligação com a instituição gerou muitos eventos e colóquios.[6]

Em 1998, obtém o mestrado em filosofia, após dissertação defendida na Universidade Federal de Minas Gerais.[6]

Entre 1999 e 2000, estagiou na École des hautes études en sciences sociales, em Paris, onde foi orientada pelo professor Roger Chartier[7] e conheceu o amigo Rui Tavares.[6] Retornou em 2007, onde foi professora visitante.[3]

Entre novembro de 1999 e fevereiro de 2000, foi organizadora do colóquio Autour du Brésil Baroque, na Embaixada do Brasil, em Paris, durante a exposição Brésil Baroque: Entre Ciel et Terre realizada no Museu do Petit Palais.[3]

Concluiu em 2002 o doutorado em Literatura Brasileira na Universidade de São Paulo sob orientação de João Adolfo Hansen.[2][7]

Foi coordenadora do Festival de Inverno de Ouro Preto e Mariana de 2004 a 2007.[3]

É idealizadora e organizadora do Fórum das Letras, realizado em Ouro Preto desde 2004, que ganhou "a dimensão de uma importante plataforma de lançamento de novas ideias, sintonizada com a mudança de fisionomia do panorama literário",[8] e curadora da Bienal do Livro de Minas Gerais, realizada em Belo Horizonte.[9]sem deixar o alcance popular.[4]

Em 2007, foi a curadora do Café Literário da Bienal do Rio de Janeiro.[10] Também foi curadora da Bienal da Bahia.[3]

Em 2008 e 2009, realizou, com Inês Pedrosa, o Letras em Lisboa, um encontro de escritores lusófonos, versão portuguesa do fórum realizado em Ouro Preto.[11][12]

Em 2009, também foi curadora da parte brasileira do Salão do Livro Latino-Americano de Paris.

Em 2012, passou a comandar o Departamento de Literatura da editora Record, o que quase deixou Ouro Preto sem o fórum anual.[4]

Obras[editar | editar código-fonte]

Antologia
  • O achamento de Portugal[2]
Contos
  • Corpo e sangue, Belo Horizonte: Editora Dez Escritos, 1991[7]
  • O fruto do vosso ventre, São Paulo: Editora Maltese, 1994 (traduzido para o espanhol, alemão e francês)[7]
  • Fuga em Espelhos, São Paulo: Editora Giordano, 2001[2]
  • Caderno de Pele e de Pelo, Cahier de Peau et de Poil, bilíngue, edição própria[2]
  • Sudário, Ateliê Editorial,[1] 2006[3]
Crítica literária
  • Don Juan, Fausto e o Judeu Errante em Kierkegaard, Petrópolis: Catedral das Letras, 2003[2]
Dramaturgia
Romance
  • A casa dos espelhos, 1992[7]
  • Palavras cruzadas, 2015
Historiografia
  • O Aleijadinho eo Aeroplano - o Paraíso Barroco ea Construção do Herói Colonial, Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2008[7]

Crítica[editar | editar código-fonte]

Como escritora, é contista, cuja produção é baseada no "limite de prosa e poesia", ou seja, na "síntese poética ela procura configurar a intensidade da experiência de suas personagens".[13]

O livro Aleijadinho e o aeroplano, baseado em sua tese de doutorado defendida na USP, "caiu como uma bomba em território mineiro" pelo teor revisionista e crítico à mistificação de Aleijadinho. Desde o lançamento passou a enfrentar "olhares oblíquos de críticos e colecionadores que, de uma hora para outra, viram cair por terra seu herói colonial disforme".[14] O livro foi classificado por João Adolfo Hansen como "irônico, inteligente e corajoso".[15]

Prêmios[editar | editar código-fonte]

Foi semifinalista no 2° Festival de Novos Humoristas da ABN.[1]

Recebeu em 1993 o Prêmio Casa de las Américas, em Cuba, pelo livro O fruto do vosso ventre[7] em banca formada pelos célebres críticos literários Davi Arrigucci Júnior e Silviano Santiago.[6]

Foi finalista com A casa dos espelhos em 1995 no prêmio Cidade de Belo Horizonte em 1995.[7]

Em 2008, foi finalista no prêmio Prêmio Faz Diferença do jornal O Globo, que homenageia brasileiros que contribuíram para mudar o país, na categoria Prosa & Verso.[16]

Referências

  1. a b c d e f g Vitrine Literária. Entrevistas - Boa literatura x falsas esperanças, acesso em 25 de Abril de 2010
  2. a b c d e f g h i Secretaria de Estado de Cultura de Minas Gerais. (8 de Novembro de 2007). Terças Poéticas homenageia Carlos Drummond de Andrade e recebe Guiomar de Grammont, coordenadora do Fórum das Letras, acesso em 25 de Abril de 2010
  3. a b c d e f g Universidade Federal de Juiz de Fora (10 de março de 2009). Professora Guiomar de Grammont faz palestra, na UFJF, sobre livro que questiona existência de Aleijadinho, acesso em 22 de agosto de 2011
  4. a b c Rodrigues, Maria Fernanda (22 de novembro de 2012). O futuro dos livros. O Estado de S.Paulo, Caderno Cultura, acesso em 22 de novembro de 2012
  5. Jornal Folha de S.Paulo. (4 de Janeiro de 2009). Álbum de Família, acesso em 25 de abril de 2010
  6. a b c d e f g h i j k l Borges, Lázaro (2011). Guiomar só quer o Belo, acesso em 22 de novembro de 2012
  7. a b c d e f g h i Universidade Federal de Santa Catarina. A Mulher na Literatura, acesso em 25 de abril de 2010
  8. Gonçalves Filho, Antonio (2 de novembro de 2009). Ouro Preto, a nova plataforma de ideias. Jornal O Estado de S.Paulo
  9. Portal de Ouro Preto. Guiomar de Grammont é curadora de dois espaços da Bienal do Livro de Minas, realizada em BH, acesso em 25 de Abril de 2010
  10. Jornal Pampulha. Bienal do Livro espera 160 mil pessoas, acesso em 25 de Abril de 2010
  11. Agência RIFF. (Dezembro de 2008). Arte e encantamento na veia, acesso em 25 de abril de 2010
  12. Rievers, Marina. Portugal Digital. (20 de Outubro 2008). Escritores de Portugal e Moçambique participam de encontro sobre literatura em Ouro Preto., acesso em 25 de abril de 2010
  13. Amâncio, Moacir. Germina Literatura. O Sudário de Guiomar de Grammont, acesso em 25 de Abril de 2010
  14. Gonçalves Filho, Antonio (4 de janeiro de 2009). Aleijadinho, um mito?. Jornal O Estado de S.Paulo
  15. Grammont, Guiomar de. Aleijadinho e o aeroplano - o paraíso barroco e a construção do herói colonial. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2008, 320 p.
  16. Universidade Federal de Ouro Preto. Guiomar de Grammont é indicada para o Prêmio Faz Diferença de O GLOBO, acesso em 25 de abril de 2010


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