Gumercindo Saraiva

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Gumercindo Saraiva
Gumercindo Saraiva
Nascimento 13 de janeiro de 1852
Arroio Grande, RS
Morte 10 de agosto de 1894 (42 anos)
Capão do Cipó, RS
Nacionalidade  brasileiro
Ocupação militar
comandante dos maragatos

Gumercindo Saraiva (Arroio Grande, 13 de janeiro de 1852 — Carovi , Capão do Cipó, 10 de agosto de 1894) foi um militar brasileiro, sendo um dos comandantes das tropas rebeldes (maragatos) durante a Revolução Federalista.

O início da revolução[editar | editar código-fonte]

Litografia de Gumercindo Saraiva

Em 1892, o governo de Júlio de Castilhos entra numa fase de instabilidade, o Rio Grande do Sul está em ebulição, de um lado os castilhistas Pica-paus e do outro os federalistas maragatos liderados pelo General João Nunes da Silva Tavares , o Joca Tavares, a Revolução Federalista estava se iniciando. Gumercindo tendo se negado a aderir ao castilhismo, estava sendo perseguido e resolve voltar ao Uruguai onde os rebeldes estavam formando suas tropas.

Em 2 de fevereiro de 1893, acompanhado por seu irmão Aparício Saraiva e liderando cerca de quatrocentos cavaleiros atravessou a fronteira pelo povoado da Serrilhada, entrando no Rio Grande do Sul, juntando-se aos homens do General João Nunes da Silva Tavares, formando assim o Exército Libertador, um contingente de mais de três mil homens, que em pouco tempo com as adesões, chegaria a doze mil. Consta que um terceiro irmão, Mariano, também teria participado desta revolução. No Uruguai os tres irmãos Saraiva (Saravia) eram conhecidos como Os tres de Cerro Largo.

Em 4 de abril de 1893 acontece a primeira batalha com as tropas legalistas (Pica-paus). Depois de vários combates com as forças do governo, percebendo estar diante de um exército melhor preparado e armado, Gumercindo Saraiva parte para a prática de guerrilha, evita combates convencionais, dispersa as tropas legais para tentar vencê-las depois, em partes, tática esta que deu certo.

Os maragatos vão ao norte[editar | editar código-fonte]

A obstinada resistência oposta às tropas federalistas na cidade de Lapa (Paraná), pelo Coronel Gomes Carneiro, frustrou as pretensões rebeldes de chegarem à capital da República.

Gumercindo Saraiva e sua tropa dirigiram-se para Dom Pedrito. De lá iniciaram uma série de ataques relâmpagos contra vários pontos do estado, desestabilizando as posições conquistadas pelos legalistas.

Em seguida rumaram ao norte, avançando em novembro sobre Santa Catarina e chegando ao Paraná, sendo detidos na cidade da Lapa, a sessenta quilômetros a sudoeste de Curitiba. Nesta ocasião, o coronel Gomes Carneiro morreu em fevereiro de 1894 sem entregar suas posições ao inimigo, no episódio que ficou conhecido como o Cerco da Lapa.

O almirante Custódio de Melo, que chefiara a revolta da Armada contra Floriano Peixoto, uniu-se aos federalistas e ocupou Desterro, atual Florianópolis. De lá chegou a Curitiba, ao encontro do caudilho-maragato Gumercindo Saraiva.

A resistência da Lapa impediu o avanço da revolução. Gumercindo, então impedido de avançar, bateu em retirada para o Rio Grande do Sul. Morreu em 10 de agosto de 1894 ,após ser atingido por um tiro desferido a traição enquanto reconhecia o terreno na véspera da Batalha do Carovi.

A volta aos pampas[editar | editar código-fonte]

Gumercindo ao lado do irmão Aparício Saraiva, ambos ao centro, na Revolução Federalista 1894

Após a queda da Lapa, rumou para Curitiba que encontrou completamente desguarnecida, partindo em seguida para Ponta Grossa, onde enfrentou as tropas legais que haviam recebido reforços de São Paulo, obrigando-o a recuar, iniciando assim a retirada e seu retorno ao Rio Grande do Sul, agora acossado pelas tropas do governo.

Em marcha pelos três estados, desde sua partida de Jaguarão até o retorno ao Sul, o General Gumercindo Saraiva e suas tropas percorreram a cavalo, um trajeto de mais de 3.000 km.

Em 27 de Junho de 1894 enfrentou sua última grande batalha. No dia 10 de Agosto morreu com um tiro no tórax, de tocaia, antes de iniciar a Batalha do Carovi, no lugar que ficou conhecido como Capão da Batalha, em área hoje situada no município de Capão do Cipó.

Numa guerra de barbáries em ambos os lados, dois dias depois de enterrado, no cemitério Santo Antônio de Capuchinhos, atual município de Itacurubi, seu corpo foi retirado da cova, teve a cabeça decepada e levada em uma caixa de chapéus ao governador Júlio de Castilhos. Seu corpo, mais tarde, foi levado e sepultado no cemitério municipal de Santa Vitória do Palmar, sem a cabeça[1].

As conseqüências da retirada de Gumercindo[editar | editar código-fonte]

Quando da chegada das tropas de Gumercindo Saraiva à Desterro (hoje, Florianópolis) e Curitiba, as tropas florianistas deixaram as cidades desguarnecidas, abandonaram suas defesas e recuaram, deixando somente alguns soldados na retaguarda e a população entregue à própria sorte. Em ambas as cidades, a elite política, comerciantes e industriais, resolveram, para evitar saques, mortes e estupros, fazer um acordo com Gumercindo Saraiva, neste, as tropas dos Maragatos, respeitariam um acordo de não violência e em troca a população pagaria um tributo de guerra. O acordo foi estabelecido e a população foi poupada.

Mas os federalistas, depois de sucessivas lutas e atos de heroísmo e bravura que se inscrevem nos anais da História Pátria, são derrotados e, com a volta das tropas legais foi feito um sangrento "acerto de contas".

Em Curitiba, diante da iminência do ataque, o povo recorreu ao Barão do Serro Azul (Ildefonso Pereira Correia), pois nenhum outro líder inspirava confiança. O governo estava acéfalo. Formou-se uma Junta Governativa do Comércio, sob a chefia de Serro Azul, habilitado a conter os excessos de uma cidade despoliciada e aturdida. Criaram o empréstimo de guerra e foram a Gumercindo Saraiva negociar a invasão de Curitiba.

O mesmo aconteceu em Desterro, onde o Barão de Batovi (Manoel de Almeida Coelho da Gama Lobo d'Eça) presidiu uma tumultuada e histórica reunião realizada no dia 29 de setembro de 1893, durante a qual optou-se pela capitulação frente aos navios da Armada, amotinados contra o Vice-presidente da República, no exercício da presidência, Floriano Peixoto. Batovi não fez senão render-se às aspirações dos habitantes de Desterro apavorados e subitamente envolvidos em tão espetaculares acontecimentos.

E, as até então pacatas Curitiba e Desterro, entram para a lista negra de Floriano Peixoto.

Em defesa do governo da República, o marechal Floriano nomeia e manda para Santa Catarina, o impetuoso tenente-coronel de Infantaria do Exército. Antônio Moreira César, nome que a historia celebra pelas alcunhas de Corta-Cabeças. Ao mesmo tempo tropas do coronel Pires Ferreira ocupam Curitiba, abandonada pelos revoltosos e o comandante do distrito militar, general Ewerton de Quadros, impunha a lei marcial.

No Paraná, dezenas de pessoas, entre civis e militares foram executados sumariamente, já em Santa Catarina esse número subiu para cerca de 300 pessoas.

O reconhecimento histórico[editar | editar código-fonte]

A propaganda de guerra governista acusou-o de atrocidades, fato esse que foi desmentido por centenas de testemunhos, inclusive de inimigos políticos seus. Pois em casos de abusos cometidos por seus comandados, punia exemplarmente, como o foi com o soldado Diniz. Em estudo realizado numa pesquisa da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (ECEME), foi considerado o maior líder de combate dessa Revolução.

Correlatos[editar | editar código-fonte]

Representações na cultura[editar | editar código-fonte]

Na literatura brasileira (romance histórico):

No cinema:

Maria Bueno[editar | editar código-fonte]

Maria da Conceição Bueno nasceu na região de Morretes, em dezembro de 1854. Posteriormente mudou-se para Campo Largo, e mais tarde para Curitiba.

Maria Bueno gostava de dançar e frequentar bailes. E em um desses bailes conheceu Inácio Diniz, anspeçada do Exército, com quem passou a viver em concubinato.[2]

Em um certo dia haveria um grande baile na cidade e ela queria participar. Porém, Diniz não queria permitir, pois na ocasião ele estaria de serviço no quartel. Os dois discutiram fortemente, e Diniz foi para o aquartelamento.

Mais tarde, contrariando Diniz, Maria Bueno foi ao baile. E de madrugada, desconfiado, Diniz saiu escondido do quartel e foi espionar se Maria Bueno realmente havia ido ao baile; permanecendo de tocaia no caminho que ela teria de fazer para voltar para casa. Quando Maria Bueno passou, matou-a com um punhal; desferindo-lhe grande quantidade de golpes pelo corpo.

O crime abalou a pequenina Curitiba da época. Diniz foi preso e levado a julgamento, mas foi absolvido devido seu álibi, por constar como em serviço no quartel e ninguém ter testemunhado sua ausência. O que então gerou grande indignação popular.

Durante a Revolução Federalista, Diniz, então fora do Exército, foi apanhado com algumas mulas roubadas. Preso, foi sumariamente fuzilado pelos federalistas. O que na voz do povo passou a representar como um castigo divino.

Sabre de Gumercindo Saraiva[editar | editar código-fonte]

Sabre de Gumercindo Saraiva, acervo do Museu Paranaense.

O Museu Paranaense foi invadido durante a tomada de Curitiba pelos maragatos, sendo levadas diversas peças de seu acervo (armas e moedas). E ao receber reclamação pelo fato, a título de ressarcimento, Gumercindo Saraiva doou seu sabre ao Museu (onde se encontra até hoje).

Referências

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • GOYCOCHEA, Luiz Felipe Castilhos. Gumercindo Saraiva na Guerra dos Maragatos. Rio de Janeiro: Ed. Alba, 1943.
  • MEIRINHO, Jali. República e Oligarquias: subsídios para a História Catarinense, 1899-1934. Florianópolis: Insular, 1997.
  • CAVALARI, Rossano Viero. O Ninho dos Pica-paus-Cruz Alta na Revolução Federalista de 1893. Porto Alegre:Martins Livreiro Editor, 2001.