Gustavo Corção

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Gustavo Corção
Nome completo Gustavo Corção Braga
Nascimento 17 de dezembro de 1896
Rio de Janeiro
Morte 6 de julho de 1978 (81 anos)
Rio de Janeiro
Nacionalidade Brasileiro
Alma mater Escola técnica do Exército, atual IME
Ocupação Engenheiro
Escritor
Jornalista
Professor
Prémios Prêmio de Literatura (UNESCO) - 1952[1]
Prêmio de Literatura do IBCC - 1953[1]
Condecoração da Ordem do Rio Branco[2]
Magnum opus Lições de abismo
Religião Catolicismo

Gustavo Corção (Rio de Janeiro, 17 de dezembro de 1896 – Rio de Janeiro, 6 de julho de 1978) foi um escritor, engenheiro, ensaísta e jornalista católico brasileiro, autor de diversos livros sobre política e conduta, além de um romance. Foi membro da antiga União Democrática Nacional (UDN) e um expoente do pensamento conservador no Brasil.

Escreveu para diversos jornais, como Tribuna da Imprensa, Diário de Notícias e O Estado de S. Paulo.[3] Seu único livro de ficção, Lições de abismo, é considerado uma das obras-primas da literatura brasileira,[3] premiado pela UNESCO.[4] Como escritor, Corção foi amplamente admirado e elogiado por nomes como Antonio Olinto,[5] Raquel de Queiroz,[carece de fontes?] Ariano Suassuna,[6] Gilberto Freyre,[7] Nelson Rodrigues e Manuel Bandeira.[8]

Foto do autor Gustavo Corção

Biografia[editar | editar código-fonte]

Sua obra é influenciada pelo distributismo, a apologia católica do escritor inglês G.K. Chesterton, influência extensamente explicada no seu ensaio Três Alqueires e uma Vaca. Entretanto, uma outra influência sobre o seu pensamento veio do filósofo Jacques Maritain.[9]

Formado engenheiro, Corção só obteve notoriedade no campo das idéias aos 48 anos, ao publicar o livro A Descoberta do Outro, narrativa autobiográfica de sua conversão ao catolicismo (influenciado por Alceu Amoroso Lima). Como engenheiro, era um apaixonado pela eletrônica. Foi durante anos professor dessa disciplina na Escola técnica do Exército, atual Instituto Militar de Engenharia. O amor à eletrônica e à música sacra levou-o a ser um estudioso e intérprete de órgão Hammond. Este instrumento musical tornou-se uma de suas paixões, tanto pela engenhosidade de sua construção como por sua sonoridade.[10]

Sua produção literária e seu estilo foram considerados por muitos, como Oswald de Andrade à altura de Machado de Assis,[1][11] autor que o inspirou a produzir e publicar uma antologia.[12] Em 1965, Manoel Bandeira chegou a propor Corção para o Prêmio Nobel de Literatura.[13]

Sobre Gustavo Corção, Raquel de Queiroz afirmou em 1971: “A maioria dos brasileiros conhecem duas faces de Gustavo Corção. Uma, a do escritor exímio, a usar como ninguém a língua portuguesa, o autor que, vivo ainda, graças a Deus, é um indiscutível clássico da literatura nacional. [...] A segunda face é a do anjo combatente, de gládio na mão, a castigar os impostores que vivem a gritar o nome de Deus e da Sua Igreja, não para os louvar, antes para apregoar na feira inocente-útil do ‘progressismo’[14]. Tristão de Athayde, num depoimento sobre a morte do amigo, disse que Gustavo Corção "era o único escritor da literatura moderna, na linha de Machado de Assis. Era um límpido machadiano. Tinha o que se chama de 'senso de humor', à inglesa."[15]

O pensamento de Gustavo Corção caracteriza-se por uma postura política conservadora, inimiga do catolicismo liberal e favorável ao diálogo com a esquerda, representado por Alceu Amoroso Lima, Sobral Pinto, e Dom Hélder Câmara, e pela defesa do tradicionalismo litúrgico e doutrinário, o que o colocou em posição de antagonismo em relação à Igreja que emergiu do Concílio Vaticano II; concílio convocado pelo Papa João XXIII e encerrado pelo Papa Paulo VI.[16][17]

Suas polêmicas com católicos menos conservadores e com as esquerdas, ocorriam em grandes jornais como O Globo, Rio de Janeiro  e O Estado de S. Paulo .[18]

Apoio à Ditadura[editar | editar código-fonte]

Corção apoiou a intervenção militar de 1964, pois entendia que o governo de João Goulart abria as portas para o comunismo e consequentemente para a influência soviética no Brasil, implicando no fim da democracia e das liberdades individuais, incluindo a liberdade de possuir uma fé religiosa.[16] Christiane Jalles de Paula, professora da Universidade Federal de Juiz de Fora e autora de uma tese de doutorado sobre a obra do escritor disse: "Ele defendeu posições cada vez mais duras contra aqueles que considerava comunistas. Suas críticas a Alceu Amoroso Lima, a Sobral Pinto e a Carlos Lacerda o afastaram, inclusive, desses aliados ideológicos na segunda metade da década de 1960 e primeiros anos de 1970".[19]

Ainda de acordo com Christiane Jalles de Paula, Corção continuou defendendo a ditadura como um "mal menor", ainda que demonstrasse preocupações com o caráter possivelmente "revolucionário" do governo Castelo Branco:[20]

"Devo dizer-lhe que não sou grande admirador desse governo. Disse que os militares salvaram o Brasil de uma invasão comunista, mas não disse que daí por diante governaram bem. A mágoa que tenho é contrária a sua: acho que eles foram tímidos e quiseram entrar depressa demais no terreno da legalidade. Os atos institucionais, que os militares tiveram a má ideia de encomendarem aos mais ilustres juristas, na minha opinião, são ruins. Para mim, o governo atual é provisório e como que intermediário. E procuro julgar seus atos mais pelos proveitos revolucionários do que pelo teor de regularidade jurídica. Pensando assim estou convencido de estar desejando o bem máximo para o Brasil." - Disse Corção[21]

Em 1964, Corção acreditava que a ditadura seria temporária, contudo reconsiderou sua posição e, mais tarde, passou a apoiar até mesmo a corrente chamada linha-dura.[20]

Obras[editar | editar código-fonte]

  • A Descoberta do Outro (1944)
  • Três Alqueires e Uma Vaca (1946)
  • Lições de Abismo (1950) (Romance)
  • As Fronteiras da Técnica (1954)
  • Dez Anos (1956)
  • Claro Escuro (1958)
  • Machado de Assis (1959)
  • Patriotismo e Nacionalismo (1960)
  • O Desconcerto do Mundo (1965)
  • Dois Amores, Duas Cidades (1967)
  • A Tempo e Contra-tempo (1969)
  • Progresso e Progressismo (1970)
  • O Século do Nada (1973)

Obras Póstumas:

  • Conversa em Sol Menor (1980)
  • As Descontinuidades da Criação (1992)
  • Gustavo Corção Tomista (2012)
  • Uma Teologia da História (2015)
  • A Igreja Católica e a Outra (2018)

Ver também[editar | editar código-fonte]

Fontes[editar | editar código-fonte]

Wikiquote
O Wikiquote possui citações de ou sobre: Gustavo Corção
  • Biografia e bibliografia detalhada, além de vários textos do ilustre escritor católico, BR: Permanência .
  • de Assis, Machado, Corção, Gustavo, ed., Romance, Nossos Clássicos, Rio de Janeiro: Agir .
  • Santos, Ivanaldo, «O Tomismo de Gustavo Corção» (PDF), Aquinate, Estudos, 11 (3) .
  • Braga, Marta (2000), Lições de Abismo: Vida, Obra y Pensamiento de Gustavo Corção, thèse doctorale, Université de Navarre, Pampelune
  • PAULA, C. J. DE. (2012), Conflitos de gerações: Gustavo Corção e a juventude católica (Generation conflict: Gustavo Corção and Catholic Youth). HORIZONTE - Revista de Estudos de Teologia e Ciências da Religião, v. 10, n. 26, p. 619-637, 3 jul. 2012.
  • PAULA, C. J. DE (2013), A descoberta da “Outra”: Gustavo Corção e a recepção do Concílio Vaticano II

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. a b c O bom combate: Gustavo Corção na imprensa brasileira (1953-1976), p.72, ISBN-10: 8522515530, Editora FGV
  2. 'Permanecer em mim' e no meu 'itinerário': as interfaces do integrismo católico na trajetória dos intelectuais do grupo Permanência na França (1975-1989), USP, p.44
  3. a b «Gustavo Corção». UOL 
  4. O bom combate: Gustavo Corção na imprensa brasileira (1953-1976), p.72, ISBN-10: 8522515530, Editora FGV
  5. Olinto, Antônio (22 de fevereiro), «O Espaço do Autor» [The Space of the Author], BR: Academia, Tribuna da Imprensa (em Portuguese)  Verifique data em: |data=, |ano= / |data= mismatch (ajuda).
  6. Suassuna, Ariano (1971), «Gustavo Corção e Eu» [Gustavo Corção and Me], Permanência (em Portuguese) (edição comemorativa do 75° aniversário de Gustavo Corção) .
  7. Freyre, Gilberto (1986). Order and Progress: Brazil from Monarchy to Republic, University of California Press, p. xx.
  8. Bandeira, Manuel (1965), «Letter to Gustavo Corção», BR, Permanência .
  9. O bom combate: Gustavo Corção na imprensa brasileira (1953-1976), p.42, ISBN-10: 8522515530, Editora FGV
  10. (de Assis)
  11. Queirós, A (27 de julho de 2004), «Uma crônica sobre Gustavo Corção ou rompendo a conspiração do silêncio», Oito Colunas .
  12. (de Assis)
  13. O Desconcerto do Mundo, Agir, 1965 Leia a carta de Manuel Bandeira, propondo Corção para Prêmio Nobel por este livro.
  14. de Queirós, Raquel (novembro de 1971), «O amigo», Permanência 
  15. Veja, edição 514, de 12 de julho de 1978
  16. a b RBH (PDF), 32 (63), BR: Scielo, p. 8 .
  17. Permanência, BR .
  18. «Gustavo Corção e o compromisso com o eterno». Jornal Opção. 25 de julho de 2018. Consultado em 2 de março de 2020 
  19. «Gustavo Corção: o Olavo de Carvalho (sem os palavrões) dos anos 1960». web.archive.org. 1 de janeiro de 2020. Consultado em 2 de março de 2020 
  20. a b Revista Brasileira de História, On-line version ISSN 1806-9347, Rev. Bras. Hist. vol.32 no.63 São Paulo 2012, DOSSIÊ: IGREJA E ESTADO
  21. Corção, G. Arquivo Privado. Rio de Janeiro: Biblioteca Nacional, seção manuscritos, s.d. Carta endereçada a Sobral, 29 jun. 1966.
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