Hélio Fernandes

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Hélio Fernandes
Nome completo Hélio Fernandes
Nascimento 17 de outubro de 1920 (100 anos)
Rio de Janeiro
 Brasil
Ocupação Jornalista
Filho(s) Rodolfo Fernandes e Hélio Fernandes Filho
Nacionalidade Brasil brasileiro
Atividade 1933- presente
Trabalhos notáveis O Cruzeiro, Tribuna da Imprensa

Hélio Fernandes (Rio de Janeiro, 17 de outubro de 1920) é um jornalista brasileiro. Sua história profissional confunde-se com a própria história da Tribuna da Imprensa, jornal de que é proprietário desde 1962. Hélio é pai dos jornalistas Rodolfo Fernandes e Hélio Fernandes Filho e irmão do desenhista e humorista Millôr Fernandes.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Hélio Fernandes (1963).

Seu primeiro emprego foi na revista O Cruzeiro, quando tinha 13 ou 14 anos de idade, onde entrou a pedido do tio, gráfico de profissão, e lá permaneceu por aproximadamente 16 anos, junto com seu irmão mais novo Millôr Fernandes. A seguir, foi chefe da seção de esportes do Diário Carioca, onde chegou ao cargo de secretário, semelhante ao atual editor. Quando o jornal fechou, foi ser diretor da revista Manchete.

Após o final do Estado Novo, em 1945, cobriu a Assembleia Constituinte de 1946, onde conhece o jornalista Carlos Lacerda, com quem teve longa relação profissional e de amizade. Trabalhou como jornalista no recém-lançado jornal Tribuna da Imprensa. É o único jornalista ainda vivo que participou da cobertura da Assembleia Constituinte de 1946.

Foi assessor de imprensa de Juscelino Kubitschek durante a campanha deste à presidência da república em 1955, quando viajou por todo o pais acompanhando o candidato. Após a campanha, polêmico como sempre, volta ao jornalismo de oposição ao governo que ajudara a eleger.

Trabalha também na televisão, num programa onde comenta a situação política, com sucesso.

No começo da década de 1960, Helio Fernandes adquire o jornal Tribuna da Imprensa, fundado alguns anos antes por Carlos Lacerda agora governador do estado da Guanabara. Vários jornalistas importantes dessa época ganharam destaque com ele, como Paulo Francis e Sebastião Nery.

Jornalista sempre polêmico e com ideias de esquerda, já era perseguido antes do Golpe Militar de 1964, preso pela primeira vez em julho de 1963 por ordem do Ministro da Guerra de João Goulart, general Jair Dantas Ribeiro.[1] Após onze dias preso, quatro deles incomunicável, foi libertado por ordem do Supremo Tribunal Federal.[1] Foi o redator do manifesto pela Frente Ampla, lançado por Juscelino, Lacerda e João Goulart e chegou a ser candidato a deputado federal pelo MDB, mas teve seus direitos políticos cassados em 1966.

Com a violenta censura à imprensa imposta principalmente com o AI-5 em 1968, foi preso várias vezes, inclusive no DOI-CODI, foi afastado compulsoriamente do Rio de Janeiro e obrigado a passar períodos de exílio interno em Fernando de Noronha e em Pirassununga(SP). Ao contrario de outros donos de jornal, nunca aceitou a censura e nunca deixou de tentar publicar as notícias do período. Seu jornal foi o que mais sofreu intervenção durante o Regime Militar: teve mais de vinte apreensões e censores instalados dentro de seu prédio por dez anos e dois dias.[1] Em 1973 foi preso por seis dias no quartel da Polícia do Exército na rua Barão de Mesquita.[1]

A sede do jornal chegou a ser alvo de um atentado a bomba, poucos dias antes do Riocentro, já na época final da ditadura militar, em 1981, mas no dia seguinte o jornal estava nas bancas.

Nonagenário (2007), Helio Fernandes passou o comando do jornal a seu filho Hélio Fernandes Filho (1954-2011). Seu outro filho, Rodolfo Fernandes (1962-2011) foi editor do concorrente O Globo. Mas continua polêmico, único, combativo e independente.

No seu site atual, no qual são publicadas diariamente suas preciosas aulas de história e de jornalismo, http://heliofernandesonline.blogspot.com/, é possível apreciar e acompanhar as lúcidas e bem informadas análises políticas do veterano jornalista, mestre do jornalismo brasileiro.

Citação[editar | editar código-fonte]

  • E a Tribuna da Imprensa, por que é que teve dez anos de censura?”. E o general “ah, bom, porque eu não consegui falar nunca com o jornalista Hélio Fernandes. Eu telefonava e ele mandava dizer que não estava. Uma vez eu telefonei e ele mandou um recado perguntando se eu podia telefonar dentro de cinco anos. Gal. Hugo Abreu, ministro do presidente Ernesto Geisel em seu livro de memórias O outro lado do poder.

Referências

  1. a b c d Gaspari, Elio (2014). A Ditadura Escancarada 2 ed. Rio de Janeiro: Editora Intrínseca. 526 páginas. ISBN 978-85-8057-408-1 

Ver também[editar | editar código-fonte]

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