HAL HF-24 Marut

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HAL HF-24 Marut
Um dos primeiros Marut produzidos está em exposição no Deutsches Museum Flugwerft Schleissheim, Munique.
Descrição
Fabricante Índia Hindustan Aircraft Limited
Entrada em serviço 1964
Missão ataque ao solo e superioridade aérea
Tripulação 1 (2 na versão IT)
Dimensões
Comprimento 15,87 m
Envergadura 9,00 m
Altura 3,60 m
Área (asas) 28 m²
Peso
Tara 6195 kg
Peso total 8951 kg
Peso bruto máximo 10.908 kg
Propulsão
Motores 2 × Bristol Siddeley Orpheus Mk 703 turbojet[1]
Força (por motor) 21.6 kN kN
Performance
Velocidade máxima 1086 km/h (Mach 0,91)
Alcance 396 km
Teto máximo 12000 m
Armamento
Mísseis/Bombas um lançadores de foguetes Matra Tipo 116M, equipados com 50 foguetes SNEB ar-terra de 68 mm
Notas
4 canhões ADEN Mk 2 de 30 mm e 4 mil kg de bombas

O HAL HF-24 Marut foi a primeira aeronave a jato projetada e construída na Índia.

História[editar | editar código-fonte]

Durante o desenvolvimento do Marut, foram adotados 4 canhões ADEN Mk2 de 30 mm posicionados abaixo do cockpit . Posteriormente, dois dos canhões foram removidos.

Após a partilha da colônia da Índia feita pela Grã Bretanha surgiram dois novos países: Paquistão (muçulmano) e a Índia (hindu). A partilha forçada das Índias colocaria muçulmanos e hindus em permanente estado de conflito. Após a Guerra Indo-Paquistanesa de 1947, o Paquistão reforçou sua força aérea através de uma aliança com os Estados Unidos, o que permitiu a aquisição de jatos F-86 Sabre (e futuramente Lockheed F-104 Starfighter).

Enquanto isso, a Índia equipava sua força aérea com equipamentos e auxílio técnico britânico e recebeu jatos Hawker Hunter e de Havilland Vampire, além de ter adquirido o Dassault Ouragan. Para diminuir a depedência estrangeira e ampliar sua indústria bélica, a Índia resolveu construir aeronaves sob licença e desenvolver suas próprias. O marechal do ar e comandante da Força Aérea da Índia, Subroto Mukerjee, lançou em 1956 um programa de desenvolvimento de uma aeronave capaz de atingir mach 2. Para dirigi-lo, contratou o engenheiro alemão Kurt Tank e sua equipe. Tank trabalhava no desenvolvimento de aeronaves para o governo argentino de Perón até que este foi derrubado por um golpe de estado. Ao chegar a Bangalore, tinha em sua bagagem o projeto de uma nova aeronave.[2] [3]

Instalado em Bangalore, Tank dirigiu o Madras Institute of Technology que ficou responsável pela elaboração da nova aeronave enquanto que a Hindustan Aircraft Limited se encarregou de construí-la. O primeiro protótipo ficou pronto em de 1959 e foi exaustivamente testado como um planador, sendo rebocado por um Douglas Dakota e lançado de altitudes de 12 mil e 15 mil pés. A primeira aeronave operacional teve sua construção iniciada em abril de 1960 e foi concluída no início do ano seguinte. [2] O jato, batizado de Marut (ou Maruta) termo sânscrito que significa Espírito da Tempestade, realizou seu primeiro voo em 17 de junho de 1961.[1] Equipado com dois motores ingleses Bristol Siddeley Orpheus Mk 703 turbo de 21,6 kN (4.850 lbf ) cada, o Marut alcançou velocidade próxima de mach 1, se tornando a primeira aeronave desenvolvida na Ásia a quebrar a barreira do som. Posteriormente, a indústria indiana nacionalizou a produção da turbina Orpheus. Essa medida facilitou a construção da pré-série de 18 aeronaves. No entanto, o governo indiano desejava que a aeronave atingisse mach 2. O desenvolvimento do Marut tomou toda a década de 1960, sendo atrasado por conta de limitações técnicas existentes na indústria aeronáutica da Índia. [2] [3]

Assim, a Índia resolveu firmar convênio de cooperação técnica com a União Soviética que forneceu o MiG 21 e o Sukhoi SU-7. Parte dessas aeronaves foi montada na Índia pela Hindustan, com supervisão soviética, o que contribuiu para o desenvolvimento da indústria aeronáutica local. Para dotar sua força aérea com uma aeronave de ataque, o governo indiano adquiriu o Dassault Mystère IV. A segunda guerra indo paquistanesa serviu para demonstrar a fragilidade dos Vampire frente aos F-86 paquistaneses, além do envelhecimento dos Hunter. Para substituí-los, a Índia tinha duas opções: adquirir uma nova aeronave para fazer frente aos F-86 ou continuar a desenvolver o Marut. Em 1967, Kurt Tank e sua equipe deixaram o projeto enquanto que uma equipe de técnicos e cientistas indianos assumiu o mesmo. No início dos anos 1970, o governo da índia tentou importar o motor Turbo Union RB199 para equipar o Marut, porém a realização dos testes nucleares em Pokhran causou uma pressão internacional que impediu a aquisição de peças e novos motores, além de impedir a adoção de motores mais potentes para o jato indiano. Por conta disso, o governo indiano resolveu abandonar o desenvolvimento do jato supersônico e assinou um novo convênio de cooperação técnica com a União Soviética (enquanto que o seu rival histórico Paquistão estreitava ainda mais sua relação com os Estados Unidos). Os soviéticos forneceram o MiG 23 e auxiliaram os indianos na implantação de uma linha de montagem dos MiG em Bangalore.[3]

Em operação[editar | editar código-fonte]

Um dos três Marut utilizados na Batalha de Longewala, durante a Guerra Indo-Paquistanesa de 1971. A aeronave está exposta em um monumento próximo ao local da batalha.

O Marut foi utilizado em combate pela primeria vez em 1971, durante a Guerra Indo-Paquistanesa de 1971. Empregado em combate ar-ar, o Marut revelou-se uma excelente aeronave de combate, destacando-se na Batalha de Longewala. Nenhum Marut foi derrubado em combates ar-ar. No entanto, quatro aeronaves foram derrubadas pela artilharia antiárea paquistanesa e duas foram destruídas em solo. Três pilotos operando o Marut foram agraciados com a Vir Chakra, medalha de reconhecimento dos serviços prestados.[3]

Com a aquisição do MiG 23, o Marut foi relegado a segundo plano, servindo como aeronave de treinamento e instrução, ao lado do Gnat e de outras aeronaves. Os primerios Marut foram aposentadas em 1985 e as últimas aeronaves foram retiradas de serviço em 1990.[3]

Versões[editar | editar código-fonte]

  • HF-24 MkI – monoposto de ataque ao solo e superioridade aérea, 139 aeronaves construídas;
  • HF-24 Mk IT – biposto de treinamento, 18 aeronaves construídas;

Utilizadores[editar | editar código-fonte]

Ex utilizadores[editar | editar código-fonte]

  •  Índia – Força Aérea da Índia (1964-1990) – 147 aeronaves operadas nos esquadrões nº 10, 31 e 220.[1]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • BHARGAVA, Kapil. HA-300: Egypt's Cosmopolitan Status Symbol (Indian Test Pilot in Egypt) Air Enthusiast Quarterly. Volume 11. November 1979 - February 1980.
  • CHOPRA, Pushpindar Singh. No. 10 Squadron, Indian Air Force. Wings of Fame. Volume 12, No. 5, May 1999.
  • CHOPRA, Pushpindar Singh. Harnessing the Storm Spirit (Marut). Air Enthusiast. Volume 4, No. 5, May 1973.
  • GREEN, William and SWANBOROUGH, Gordon. Eds. The Cutting Edge of Indian Air Power. Air International. Volume 38, No. 6, June 1990.
  • GREEN, William, CHOPRA, Pushpindar Singh and SWANBOROUGHh, Gordon. Eds. The Indian Air Force and its Aircraft. IAF Golden Jubilee. 1932-82. Ducimus Books, London, UK.
  • GUNSTON, Bill; Guia de armas de guerra - Caças e aviões de ataque modernos; Londres, Salamander Books, 1980; republicado pela editora Nova Cultural, São Paulo 1986, pp 32-33
  • GUPTA, Amit Sisir. Building an Arsenal: The evolution of Regional Power force structures. Westport, Connecticut and London: Praeger, 1998.
  • LAKE, Jon. Indian Air Power. World Air Power Journal Volume 12 Spring 1993.
  • LAL, Pratap Chandra. My years with the IAF. Lancer International, New Delhi 1986.

Referências

  1. a b c Fernando "Nunão" De Martini (26 de setembro de 2008). HAL HF-24 Marut: o primeiro caça a jato projetado na Índia, “by Kurt Tank” Poder Aéreo. Visitado em 5 de julho de 2013.
  2. a b c Flight International (2 de julho de 1964). Maruta. Visitado em 2 de julho de 2013.
  3. a b c d e Bharat Rakshak

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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