Halitose

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O mau hálito, também conhecido como halitose, é um sintoma no qual um odor evidente e desagradável está presente na respiração. Pode resultar em ansiedade entre os afetados e também é associado com a depressão e sintomas de transtorno obsessivo compulsivo.[1]

Preocupações com o mau hálito pode ser divididas em casos genuínos e não genuínos.[2] Naqueles que têm mau hálito genuíno, cerca de 85% dos casos vem de dentro da boca.[1] Os restantes casos, acredita-se ser devido a distúrbios no nariz, seios nasais, garganta, pulmões, esôfago ou estômago.[3] Raramente, o mau hálito pode ser devido a uma condição médica subjacente, como insuficiência hepática ou cetoacidose. Casos não genuínos ocorrem quando alguém acha que tem mau hálito, mas alguém não o conseguem detectar. Este é estimado em fazer entre 5% e 72% dos casos.[2]

O tratamento depende da causa subjacente. Os esforços Iniciais podem incluir a língua de limpeza, anti-séptico bucal, e o uso de fio dental. Evidências experimentais suportam o uso de enxaguatório bucal contendo clorexidina ou cloreto de cetylpyridinium.[1][4] Enquanto há tentativa de se beneficiar do uso de um limpador de língua não há dados para insuficiente conclusões objetivas.[5] Tratamento da doença subjacente, como doença periodontal, cárie dentária, ou a doença do refluxo gastroesofágico pode ajudar. O aconselhamento pode ser útil para aqueles que falsamente acreditam que têm mau hálito.[1]

As taxas estimadas de mau hálito variam de 6% a 50% da população.[1] A preocupação com mau hálito é a terceira razão mais comum para as pessoas buscarem tratamento dentário, após a cárie dentária e a doença periodontal.[3] Acredita-se que para se tornar mais comum com a idade e é visto como um tabu social do qual aqueles afetados podem ser estigmatizados.[2][1] Nos Estados Unidos, a população gasta mais de $1 bilhão de dólares por ano em remédios para tratar a doença.[3]

Causas[editar | editar código-fonte]

A halitose é um sinal de que algo no organismo está em desequilíbrio e deve ser identificado e tratado. Existem mais de 50 causas e, em aproximadamente 90% dos casos, se manifestam na boca.[6] Pode ser de origem fisiológica (hálito da manhã, jejum prolongado, dietas inadequadas...), razões locais (higiene bucal deficiente, placas bacterianas retidas na língua (saburra) e/ou amígdalas, baixa produção de saliva, doenças da gengiva...) ou mesmo razões sistêmicas (diabetes, problemas renais ou hepáticos, prisão de ventre e outros).

Alimentos[editar | editar código-fonte]

Alimentos muito temperados como alho, cebola, pimenta ou qualquer outro alimento de forte odor, podem causar halitose. O mau hálito poderá acentuar quando os resíduos alimentares se acumulam entre os dentes, nas pontes dentárias ou mesmo nas dentaduras.

Bactérias[editar | editar código-fonte]

As bactérias que vivem na boca acabam por proliferar devido aos resíduos de comida que ficam entre os dentes. Acumulam na língua, gengivas, palato e garganta. Como os resíduos fermentam, seus subprodutos geram gás sulfeto de hidrogênio, o mesmo gás presente nos ovos podres. Essas bactérias se proliferam muito na parte posterior da língua, criando aquele muco esbranquiçado que geralmente constatamos ao acordar pela manhã.

A saliva é a defesa natural. Ela lava a cavidade bucal e permite a lubrificação necessária para manter as gengivas e mucosas saudáveis. Ela combate a bactéria bucal que causa mau hálito. Essas bactérias são anaeróbicas, isto é, elas sobrevivem em locais onde tem pouco ou nenhum oxigênio. A saliva, dentre outras coisas, contém excesso de oxigênio que eliminam essas bactérias.

O cheiro desagradável que se manifesta quando acordamos procede da boca seca durante o sono, como também dos pulmões devido a presença de corpos cetônicos, provenientes da queima de gordura. As glândulas salivares restringem ao mínimo sua produção durante as horas do sono, porque não estamos acordados e comendo. A boca resseca, e as bactérias multiplicam-se, fazendo com que o mau hálito seja mais forte.

Causas sistêmicas[editar | editar código-fonte]

Uma dentre as várias causas de mau hálito em humanos e animais pode ser o desequilíbrio da trimetilamina durante o processo digestivo.[7] A trimetilaminuria é uma desordem genética na qual o corpo é incapaz de metabolizar a trimetilamina dos alimentos. Os pacientes com tal problema desenvolvem um típico odor de peixe no suor, na urina e no hálito, principalmente após o consumo de alimentos ricos em colina. A trimetilaminuria é uma desordem autossômica recessiva que envolve uma deficiência de oxidase da trimetilamina. Evitar alguns tipos alimentos pode ajudar a diminuir seus efeitos, já que não existe cura para o problema.

Entre outras causas sistêmicas, a doença de refluxo gastroesofágico ou insuficiências renais, ou do fígado, também podem ser os causadores. Nesses últimos casos, em virtude de as toxinas desses órgãos serem excretadas pelos pulmões.[6][8]

A saburra lingual, originada da má higienização da boca, é a principal causa da halitose.

Saburra lingual[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Saburra lingual

É a massa composta de células descamadas da boca, bactérias, muco da saliva e restos alimentares que aderem à superfície da língua.[9] Ela é responsável por grande parte dos tipos de halitose e o maior desafio é descobrir por que ela está se formando, pois mesmo realizando a limpeza da língua corretamente, algumas pessoas poderão continuar a apresentar formação acentuada de saburra.

Outras causas[editar | editar código-fonte]

Os especialistas concordam em pelo menos um ponto: stress e medicamentos (em especial os controlados, como os antidepressivos) são também responsáveis pelo mau hálito. Eles inibem a produção de saliva, o que aumenta a quantidade da proteína mucina. Ela atrai restos de alimentos e, dessa maneira, forma-se na língua uma camada branca, chamada saburra, onde proliferam bactérias que lançam o gás sulfídrico.

Mau hálito e estômago[editar | editar código-fonte]

Pesquisas efetuadas pela Associação Brasileira de Halitose, (ABHA) concluíram que é um mito que mau hálito teria origem no estômago. Segundo esta pesquisa isso raramente acontece e constatou-se ainda que este engano ainda persiste entre muitos profissionais da área de saúde.

A polêmica existe porque associou-se estômago vazio com halitose. É verdade, mas é um fenômeno passageiro. Quando se permanece mais de quatro horas sem se alimentar, o corpo sofre com hipoglicemia. Ou seja, existe uma diminuição na quantidade de açúcar para o organismo queimar. Desta forma o organismo passa a consumir o ácido graxo (gordura), que está presente na corrente sanguínea. O problema é que ele possui um odor fétido e é volátil. Quando o indivíduo expira e acontece a troca de gases no pulmão – oxigênio e gás carbônico –, o cheiro ruim do ácido graxo é eliminado. É justamente por isso que a maioria das pessoas tem halitose pela manhã. Mas basta se alimentar e o mau cheiro desaparece.

Parte do hálito alterado pode se dar devido a liberação de corpos cetônicos, dando origem ao hálito cetônico.

Autoidentificação da halitose[editar | editar código-fonte]

  1. Fazer um auto-exame na língua, diante de um espelho, para verificar se há saburra lingual, que é uma espécie de massa esbranquiçada ou amarelada, que se deposita na parte de trás (dorso posterior) da língua;
  2. Perguntar a uma criança (ou alguém de sua confiança, ex: pai, mãe) se ela sente em você algum mau odor bucal (as crianças e os pais geralmente são muito sinceros e não têm vergonha de dizer o que pensam);
  3. Consultar um profissional apto a tratar halitose, pois ele tratará a causa e o efeito do problema. Tendo o profissional a máquina Japonesa OralChroma ou o Halímetro (equipamentos que medem o hálito).

Referências

  1. a b c d e f Kapoor, U; Sharma, G; Juneja, M; Nagpal, A (2016). «Halitosis: Current concepts on etiology, diagnosis and management.». European journal of dentistry. 10 (2): 292–300. PMID 27095913 
  2. a b c Harvey-Woodworth, CN (abril de 2013). «Dimethylsulphidemia: the significance of dimethyl sulphide in extra-oral, blood borne halitosis.». British dental journal. 214 (7): E20. PMID 23579164. doi:10.1038/sj.bdj.2013.329 
  3. a b c Loesche, WJ; Kazor, C (2002). «Microbiology and treatment of halitosis.». Periodontology 2000. 28: 256–79. PMID 12013345 
  4. Fedorowicz, Z; Aljufairi, H; Nasser, M; Outhouse, TL; Pedrazzi, V (8 de outubro de 2008). «Mouthrinses for the treatment of halitosis.». Cochrane Database of Systematic Reviews (4): CD006701. PMID 18843727. doi:10.1002/14651858.CD006701.pub2 
  5. Van der Sleen, Mi; Slot, De; Van Trijffel, E; Winkel, Eg; Van der Weijden, Ga (1 de novembro de 2010). «Effectiveness of mechanical tongue cleaning on breath odour and tongue coating: a systematic review». International Journal of Dental Hygiene (em inglês). 8 (4): 258–268. ISSN 1601-5037. PMID 20961381. doi:10.1111/j.1601-5037.2010.00479.x. Cópia arquivada em 20 de dezembro de 2016 
  6. a b Da redação (18 de julho de 2006). «Conheça causas do mau hálito e fuja desse problema». Portal Terra. Consultado em 10 de dezembro de 2014. 
  7. OLIVEIRA, Simone Tostes de (2004). «Alterações de compostos nitrogenados não proteicos em cães e gatos» (PDF). UFRG. Consultado em 10 de dezembro de 2014. 
  8. ISAAC, Nkechi (12 de outubro de 2013). «Bad Breath (Halitosis) - Causes, Treatment». Portal All Africa. Consultado em 10 de dezembro de 2014. 
  9. Erro de citação: Código <ref> inválido; não foi fornecido texto para as refs de nome Halitose

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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