Halloween (filme de 1978)

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Halloween
No Brasil Halloween - A Noite do Terror
Em Portugal Halloween - O Regresso do Mal
 Estados Unidos
1978 •  cor •  91[1] min 
Direção John Carpenter
Produção Debra Hill
Roteiro
  • John Carpenter
  • Debra Hill
Elenco
Gênero terrorsuspense
Música John Carpenter
Cinematografia Dean Cundey
Edição
  • Tommy Wallace
  • Charles Bornstein
Companhia(s) produtora(s)
  • Compass International Pictures[2]
  • Falcon International Productions[3][4]
Distribuição
Lançamento Estados Unidos 25 de outubro de 1978
Brasil 16 de maio de 1980[6]
Idioma inglês
Orçamento US$ 300,000–325,000[7][8][9]
Receita US$ 60–70 milhões[7][8]
Cronologia
Halloween II
(1981)
Página no IMDb (em inglês)

Halloween (prt: Halloween - O Regresso do Mal[10]; bra: Halloween - A Noite do Terror[11]) é um filme slasher americano de 1978 dirigido por John Carpenter, coescrito pela produtora Debra Hill e estrelado por Donald Pleasence e Jamie Lee Curtis. O enredo é situado na cidade  fictícia de Haddonfield, Illinois. Na noite de Halloween, em 1963, um menino de seis anos, Michael Myers, vestido em um traje de palhaço assassina sua irmã mais velha, após esfaqueá-la com uma faca de cozinha. Quinze anos depois, Michael foge do hospital psiquiátrico, voltando para sua cidade natal, e persegue Laurie Strode e seus amigos. O psiquiatra de Michael, Dr. Sam Loomis, suspeita das intenções dele e segue-o para Haddonfield para tentar impedi-lo.

As filmagens aconteceram no sul da Califórnia em maio de 1978, antes da estreia em outubro, onde arrecadou 70 milhões de dólares, tornando-se um dos filmes independentes mais rentáveis. Primeiramente elogiado pela direção de Carpenter, muitos creditam o filme como o primeiro de uma longa linha de filmes de terror inspirados em Psycho (1960), de Alfred Hitchcock. Alguns críticos de filmes têm sugerido que Halloween pode incentivar o sadismo e a misoginia pelo público que se identifica com seu vilão. Outros críticos sugeriram que o filme é uma crítica social à imoralidade dos jovens e adolescentes na América dos anos 70, com muitas das vítimas de Myers sendo usuárias de substâncias sexualmente promíscuas, enquanto a heroína é descrita como inocente e pura. Carpenter rejeita tais análises.

Halloween gerou uma franquia de filmes composta por onze filmes que ajudaram a construir uma extensa história de fundo para o antagonista Michael Myers, às vezes divergindo narrativamente inteiramente das histórias [dos filmes] anteriores. Uma refilmagem foi lançada em 2007, que foi seguido por uma sequência em 2009. A décima primeira sequência, que serve como uma continuação direta do filme original que retrata todas as sequências anteriores, foi lançada em 2018. Além disso, um videogame e uma série de quadrinhos foram baseados no filme. Em 2006, o filme foi selecionado para preservação no National Film Registry dos Estados Unidos pela Biblioteca do Congresso como sendo cultural, histórica ou esteticamente significante.

Enredo[editar | editar código-fonte]

Na noite de Halloween de 1963 na pequena cidade de Haddonfield, Illinois, Michael Myers um garoto de 6 anos de idade, fantasiado de palhaço, assassina sua irmã mais velha, Judith Myers, com uma enorme faca de cozinha. 15 anos depois, na véspera de Halloween de 1978, Michael escapa do hospício onde estava preso desde o assassinato. Ele rouba o carro que estava destinado a leva-lo a uma audiência judicial, cuja intenção era de que ele nunca fosse solto.

No dia seguinte, Michael Myers, agora com 21 anos de idade, vestido com um macacão e o rosto coberto com uma máscara de Halloween, volta para Haddonfield e começa a perseguir Laurie Strode, uma colegial de 17 anos. Laurie, que sente a impressão de estar sendo seguida, avisa suas amigas Annie e Lynda, que ignoram suas preocupações. Mais tarde em sua casa, Laurie fica ainda mais assustada quando vê Michael observando seu quarto do quintal de seu vizinho. Enquanto isso, Dr. Loomis, o psiquiatra de Michael, que vinha cuidando de seu caso desde o assassinato de Judith, já tendo presumido que Michael voltou a Haddonfield, vai até o cemitério local, onde descobre que a lápide do túmulo de Judith Myers desapareceu. Loomis se encontra com Leigh Brackett, xerife de Haddonfield e lhe informa da situação e os dois saem juntos a procura de Michael.

A noite de Halloween chega e Laurie está de babá de Tommy Doyle, enquanto Annie está de babá de Lindsay Wallace, do outro lado da rua da casa dos Doyle. Quando Paul, namorado de Annie telefona pedindo que ela venha busca-lo, Annie deixa Lindsay com Laurie. Ao entrar no carro pra pegar Paul, Annie é estrangulada e tem a garganta cortada por Michael que estava escondido no banco traseiro. Na casa dos Doyle, enquanto faz uma brincadeira com Lindsay, Tommy vê Michael carregando o cadáver de Annie para dentro da casa dos Wallace e tenta avisar Laurie, que não entende quando ele diz que o "bicho-papão está lá fora" e acredita que tudo não passa de uma brincadeira de mau gosto dele. Alguns minutos depois, Lynda e seu namorado Bob chegam a casa dos Wallace e vão ter relações sexuais num dos quartos do andar de cima. Quando desce pra pegar uma cerveja pra Lynda, Bob é atacado por Michael que o mata, empalando ele na parede com uma faca. Em seguida, Michael fingindo ser Bob, veste uma fantasia de fantasma e vai até o quarto onde está Lynda. Irritada por Bob, que na verdade é Michael, não responder suas perguntas, Lynda liga para Laurie, mas não consegue dizer nada pois Michael a estrangula com o fio do telefone.

Assustada com os estranhos ocorridos, Laurie coloca Tommy e Lindsay na cama e vai até a casa dos Wallace checar se está tudo bem. Lá ela descobre os corpos de Annie, Bob e Lynda. De repente, Michael surge e a ataca, fazendo com que ela caia escada abaixo. Apesar de ferida, Laurie se recupera e consegue escapar da casa. Ela grita por socorro, mas sem sucesso. Voltando para casa dos Doyle, Laurie se da conta de que perdeu as chaves e a porta está trancada. Ao ver Michael se aproximando, Laurie entra em pânico e começa a gritar por Tommy, que felizmente chega a tempo de abrir a porta. Laurie manda Tommy se esconder e descobre que os telefones estão mudos e que Michael entrou por uma janela. Assustada ela se senta no sofá e fica apreensiva. Michael surge por trás do sofá e tenta esfaqueá-la, porém ela se esquiva e crava uma agulha de tricô em seu pescoço. Michael cai e parece estar morto.

Laurie sobe até o andar de cima e diz as crianças que matou o "bicho-papão", porém Michael surge mais uma vez. Laurie ordena que as crianças se escondam e corre para um dos quartos, onde abre as janelas para simular uma fuga e se esconde no guarda roupa. Mas o truque não funciona e Michael começa a destruir o guarda roupa para chegar até ela. Laurie inverga um cabide e finca no olho de Michael que atordoado derruba a faca, a qual Laurie apanha e a crava em seu peito. Michael cai e parece finalmente estar morto. Laurie manda Tommy e Lindsay pedirem ajuda e não vê Michael recuperar a consciência. Loomis, que está vagando pelas ruas, ainda a procura de Michael, vê as crianças correndo assustadas da casa e entra lá pra ver se está tudo bem. Michael tenta estrangular Laurie, mas Loomis chega a tempo de salva-la, Loomis dispara seis tiros em Michael que cai da varanda do quarto. Chorando, Laurie pergunta se era o bicho-papão" e Loomis responde que de uma certa forma era sim. Porém, ao olhar de novo da varanda para o gramado, vê que Michael não está mais lá.

Elenco[editar | editar código-fonte]

  • Donald Pleasence como Dr. Sam Loomis
  • Jamie Lee Curtis como Laurie Strode
  • Nick Castle como Michael Myers / The Shape
    • Tony Moran como Michael Myers (sem máscara)
    • Will Sandin como Michael Myers (6 anos de idade)
  • P.J. Soles como Lynda Van Der Klok
  • Nancy Loomis como Annie Brackett
  • Charles Cyphers como Sheriff Leigh Brackett
  • Kyle Richards como Lindsey Wallace
  • Brian Andrews como Tommy Doyle
  • John Michael Graham como Bob Simms
  • Nancy Stephens como Marion Chambers
  • Arthur Malet como Angus Taylor
  • Mickey Yablans como Richie Castle
  • Brent Le Page como Lonnie Elam
  • Adam Hollander como Keith
  • Sandy Johnson como Judith Margaret Myers
  • David Kyle as Danny Hodges
  • Peter Griffith como Morgan Strode
  • Robert Phalen como Dr. Terence Wynn

Produção[editar | editar código-fonte]

Concepção[editar | editar código-fonte]

Depois de assistir ao filme de Carpenter, Assault on Precinct 13 (1976) no Festival de Milão, o produtor de cinema independente Irwin Yablans e o financista Moustapha Akkad procuraram Carpenter para dirigir um filme para eles sobre um assassino psicótico que perseguia babás.[12][13] Em uma entrevista à revista Fangoria, Yablans declarou: "Eu estava pensando no que faria sentido no gênero horror, e o que eu queria fazer era criar um filme que tivesse o mesmo impacto que The Exorcist."[12] Carpenter concordou em dirigir o filme, dependendo de ele ter total controle criativo,[14] e recebeu 10 mil dólares por seu trabalho, que incluía escrever, dirigir e pontuar o filme.[14] Ele e sua então namorada Debra Hill começaram a escrever uma história originalmente intitulado de The Babysitter Murders.[15] Yablans sugeriu subsequentemente localizar o filme na noite de dia das Bruxas e o nomeou de Halloween preferivelmente, a que Carpenter concordou e desenvolveu a história.[15][14][16] Carpenter disse do conceito básico: "Noite de dia das Bruxas. Nunca foi o tema de um filme. A minha ideia era fazer um bom e velho filme de casa assombrada."[17]

Roteiro[editar | editar código-fonte]

Levou aproximadamente 10 dias para escrever o roteiro.[15] Yablans e Akkad cederam a maior parte do controle criativo aos escritores Carpenter e Hill (que Carpenter queria como produtora), mas Yablans sugeriu várias idéias. De acordo com uma entrevista de Hill para Fangoria, "Yablans queria que o roteiro fosse escrito como um programa de rádio, com 'vaias' a cada 10 minutos."[12] Pela recordação de Hill, o roteiro levou três semanas para ser escrito, e grande parte da inspiração por trás da trama veio das tradições celtas do dia das Bruxas, tais como o festival de Samhain. Embora Samhain não seja mencionado na trama do primeiro filme, Hill afirma que:

...a ideia era que não se podia matar o mal, e foi assim que surgiu a história. Voltamos à velha ideia de Samhain, que o dia das Bruxas foi a noite em que todas as almas são libertadas para causar estragos na vida dos vivos e, em seguida, surgiu a história do garoto mais malvado que já viveu. E quando John veio com essa fábula de uma cidade com um segredo sombrio de alguém que já viveu lá, e agora que o mal voltou, foi isso que fez Halloween funcionar.[18]

Eu conheci essa criança de seis anos com esse rosto pálido, sem emoção e os olhos mais negros; os olhos do diabo... eu percebi que o que estava vivendo atrás dos olhos daquele garoto era pura e simplesmente... maldade.

— A descrição de Loomis do jovem Michael, foi inspirada pela experiência de John Carpenter com um paciente mental da vida real.[14]

Hill, que tinha trabalhado como babá durante sua adolescência, escreveu a maioria do diálogo das personagens femininas,[14] enquanto Carpenter redigiu as falas de Loomis sobre a falta de alma de Michael Myers. Muitos detalhes do roteiro foram extraídos das próprias origens e carreiras de Carpenter e Hill: a cidade fictícia de Haddonfield, Illinois, foi derivada de Haddonfield, Nova Jérsei, onde Hill foi criada,[19] enquanto vários nomes de ruas foram retirados da cidade natal de Carpenter, Bowling Green, Kentucky.[19] Laurie Strode era alegadamente o nome de uma das antigas namoradas do Carpenter,[20] enquanto Michael Myers era o nome de um produtor inglês que já tinha ido, com Yablans, em vários festivais de cinema europeus.[12] A homenagem é prestada a Alfred Hitchcock com nomes de dois personagens: Tommy Doyle recebeu o nome do Thomas J. Doyle (Wendell Corey) de Rear Window (1954),[21] e o nome do Dr. Loomis foi derivado de Sam Loomis (John Gavin) de Psycho, o namorado de Marion Crane (Janet Leigh, que é a mãe na vida real de Jamie Lee Curtis).[22][15] O xerife Leigh Brackett que tem o nome de um roteirista de Hollywood e colaborador frequente de Howard Hawks.[23]

Ao elaborar a história de fundo para o vilão do filme, Michael Myers, Carpenter recorreu ao folclore da "casa assombrada" que existe em muitas pequenas comunidades americanas: "A maioria das cidades pequenas tem uma espécie de história de casa assombrada de um tipo ou de outro", disse ele. "Pelo menos é nisso que os adolescentes acreditam. Há sempre uma casa no final da rua onde alguém foi morto, ou onde enlouqueceu."[14] A inspiração de Carpenter para o "mal" que Michael encarnava veio de uma visita que ele havia feito durante a faculdade a uma instituição psiquiátrica em Kentucky.[14] Lá, ele visitou uma ala com seus colegas de classe de psicologia, onde "os pacientes mais sérios e doentes mentais" eram mantidos.[14] Entre esses pacientes estava um adolescente que possuía um "olhar esquizofrênico" em branco.[14] A experiência de Carpenter inspirou a caracterização que Loomis deu de Michael ao xerife Brackett no filme.[14] Debra Hill declarou a cena em que Michael mata o pastor alemão dos Wallaces foi feita para demostrar como ele é "realmente mau e mortal".[24]

A cena final de Michael sendo baleado seis vezes e depois desaparecendo depois de cair da varanda, tinha o objetivo de aterrorizar os espectadores. Carpenter tentou manter o público adivinhando quem realmente era Michael Myers – ele se foi e em todos os lugares ao mesmo tempo; ele é mais do que humano; ele pode ser sobrenatural e ninguém sabe como ele ficou assim. Para Carpenter, manter o público adivinhando era melhor do que explicar o personagem com "ele é amaldiçoado por alguns..."[24]

Carpenter descreveu Halloween como: "Verdadeira exploração grosseira. Eu decidi fazer um filme que eu adoraria ter visto quando criança, cheio de truques baratos como uma casa assombrada em uma feira onde você anda pelo corredor e as coisas saltam para você."[25]

Escolha de elenco[editar | editar código-fonte]

Donald Pleasence interpreta o Dr. Sam Loomis, o herói do filme.

O elenco de Halloween incluía o ator veterano Donald Pleasence e a então desconhecida atriz Jamie Lee Curtis.[19] O baixo orçamento limitou o número de grandes nomes que Carpenter poderia convidar para atuar no filme, e a maioria dos atores receberam pouco dinheiro por seus papéis. Pleasence recebeu 20,000 mil dólares sendo o valor mais alto, Curtis recebeu 8,000 mil dólares e Nick Castle ganhava 25 dólares por dia.[12] O papel do Dr. Loomis foi originalmente destinado a Peter Cushing, que havia recentemente aparecido como Grand Moff Tarkin em Star Wars (1977); o agente de Cushing rejeitou a oferta de Carpenter devido ao baixo valor oferecido.[14] Christopher Lee foi procurado para o papel, que também recusou, embora mais tarde o ator tenha dito a Carpenter e Hill que recusar o papel foi o maior erro que ele cometeu durante sua carreira.[14] Yablans então sugeriu Pleasence, que concordou em estrelar porque sua filha Lucy, uma guitarrista, tinha gostado da trilha sonora de Assault on Precinct 13.[14]

Em uma entrevista, Carpenter admite que "Jamie Lee não foi a primeira escolha para Laurie. Eu não tinha ideia de quem ela era. Ela tinha 19 anos e estava em um programa de televisão na época, mas eu não assisto programas de televisão." Ele originalmente queria escalar Anne Lockhart, filha de June Lockhart de Lassie, como Laurie Strode. No entanto, Lockhart tinha compromissos com vários outros projetos de cinema e televisão.[19] Hill diz que soube que Jamie Lee era filha da atriz de Psycho, Janet Leigh: "Eu sabia que lançar Jamie Lee seria uma grande publicidade para o filme, porque sua mãe estava em Psycho."[26] Curtis foi escalada para o papel, pois sentia que se identificava mais com as outras personagens femininas: "Eu era muito esperta, e era líder de torcida no ensino médio, então [eu] senti-me muito preocupada por estar a ser considerada para a jovem mulher silenciosa e reprimida quando na verdade eu era muito parecida com as outras duas garotas."[14]

Outra atriz relativamente desconhecida, Nancy Kyes (creditada no filme como Nancy Loomis), foi escalada como a amiga franca de Laurie, Annie Brackett, filha do xerife de Haddonfield Leigh Brackett (Charles Cyphers).[14] Kyes tinha anteriormente estrelado em Assault on Precinct 13 (assim como Cyphers) e estava namorando o diretor de arte, Tommy Lee Wallace de Halloween, quando as filmagens começaram.[14] Carpenter escolheu P. J. Soles para interpretar Lynda Van Der Klok, outra amiga de Laurie, mais lembrada no filme pelo seu diálogo com a palavra "totalmente".[14] Soles era uma atriz conhecida por seu papel coadjuvante em Carrie (1976) e seu papel menor em The Boy in the Plastic Bubble (1976).[14] Segundo Soles, ela foi informada depois de ser escalada que Carpenter havia escrito o papel com ela em mente.[14] O então marido de Soles, o ator Dennis Quaid, foi escalado para o papel de Bob Simms, o namorado de Lynda, mas não pôde interpretar o personagem devido a compromissos de trabalho anteriores.[14]

O papel de "The Shape" — o personagem mascarado de Michael Myers foi creditado nos créditos finais — sendo interpretado por Nick Castle, que era amigo de Carpenter enquanto frequentavam a Universidade da Califórnia do Sul.[14] Depois de Halloween, Castle tornou-se diretor, dirigindo filmes como The Last Starfighter (1984), The Boy Who Could Fly (1986), Dennis the Menace (1993) e Major Payne (1995).[27] Tony Moran interpretou Michael sem máscara no final do filme. Moran era um ator que passava por dificuldades financeiras antes de conseguir o papel.[28] Na época, ele tinha um emprego no Hollywood and Vine, vestido como Frankenstein.[29] Moran tinha o mesmo agente que sua irmã, Erin, que interpretou Joanie Cunningham em Happy Days. Quando Moran foi fazer o teste para o papel de Michael, se encontrou para uma entrevista com Carpenter e Yablans. Mais tarde, ele recebeu uma ligação e foi informado que havia conseguido o papel.[30] Moran recebeu 250 dólares pela sua aparição. Will Sandin interpretou Michael quando criança no início do filme. Carpenter também deu a voz a Paul, namorado de Annie, mais não foi creditado.

Filmagens[editar | editar código-fonte]

Akkad concordou em ceder 300 mil dólares para o orçamento do filme, que era considerado baixo na época.[31][12] O filme anterior de Carpenter, Assault on Precinct 13, tinha um orçamento estimado de 100 de mil dólares. Akkad se preocupou com a agenda [apertada] das filmagens de quatro semanas, o baixo orçamento e a experiência limitada de Carpenter como cineasta, mas disse em entrevista a Fangoria: "Duas coisas fizeram-me decidir. Uma, Carpenter contou-me a história verbalmente e cheio de suspense, igualmente a frames de vídeo. Em segundo lugar, ele me disse que não queria pagar nenhuma taxa, e isso mostrou que tinha confiança no projeto". Carpenter recebeu 10 mil para dirigir, escrever e compor a música, mantendo direitos a 10% dos lucros do filme.[32]

Homem com cabelo liso, olhando para a câmera
O designer de produção Tommy Lee Wallace usou uma máscara modelada a partir do Capitão Kirk da série Star Trek (foto), fazendo várias modificações, como pintando de branco, alargando os olhos e alterando o cabelo.

Por causa do baixo orçamento, o figurino e os adereços eram muitas vezes criados a partir de itens disponíveis ou que podiam ser comprados a baixo custo. Carpenter contratou Tommy Lee Wallace como designer de produção, diretor de arte, locatário e co-editor.[33] Wallace criou a máscara de marca registrada usada por Michael Myers durante todo o filme do Capitão Kirk,[34] comprada a partir de 1,98 dólar de uma loja de fantasias em Hollywood Boulevard.[12][14] Carpenter lembrou como Wallace "ampliou os buracos nos olhos e pintou com spray a máscara de um branco azulado. No roteiro, dizia que a máscara de Michael Myers tinha "as características pálidas de um rosto humano" e era verdadeiramente assustadora. Só consigo imaginar o resultado se não tivessem pintado a máscara de branco."[12] Hill acrescenta que "a ideia era torná-lo quase sem humor, sem rosto — esse tipo de visão pálida que poderia parecer com um humano ou não."[12] Muitos dos atores usavam suas próprias roupas, e as roupas de Curtis foi comprado na J.C. Penney por cerca de 100 dólares.[12] Wallace descreveu o processo de filmagem como exclusivamente colaborativo, com os membros do elenco muitas vezes ajudando a mover equipamentos, câmeras e ajudando a facilitar as configurações.[14]

Halloween foi filmado em 20 dias durante um período de quatro semanas em maio de 1978.[14][35] Grande parte das filmagens foi concluída usando uma Steadicam, uma nova câmera que permitiu aos cineastas moverem-se suavemente pelos lugares. Os locais de filmagem incluíam várias localidades da Califórnia tais como: South Pasadena; Garfield Elementary School em Alhambra; e o cemitério de Sierra Madre. Uma casa abandonada pertencente a uma igreja figurava como a residência dos Myers. Duas casas na avenida Orange Grove (perto de Sunset Boulevard) em Hollywood foram usadas para o clímax do filme, pois a rua tinha poucas palmeiras, e assim se assemelhavam a uma rua do meio-oeste.[36] Algumas palmeiras, no entanto, são visíveis nas cenas anteriores do filme.[14] A equipe teve dificuldade em encontrar abóboras na primavera, e folhas artificiais tiveram que ser reutilizadas em várias cenas.[14] As famílias locais vestiram seus filhos em fantasias de dia das Bruxas para cenas onde pedem de "gostosuras ou travessuras".[12]

Carpenter trabalhou com o elenco para criar o efeito desejado de terror e suspense. Segundo Curtis, Carpenter criou um "medidor de medo" porque o filme foi filmado fora de sequência e ela não tinha certeza qual deveria ser o nível de medo de seu personagem em certas cenas. "Aqui temos um 7, temos um 6, e a cena que vamos filmar hoje à noite é de 912", lembrou Curtis. Ela tinha expressões faciais diferentes e gritava a cada tom de medida para cada nível no medidor.[12] A direção de Carpenter para Castle em seu papel como Myers foi mínima.[14] Por exemplo, quando Castle perguntou qual era a motivação de Myers para uma determinada cena, Carpenter respondeu que sua motivação era andar de um marcador para outro e "não agir".[14] Pelo relato de Carpenter, a única direção que ele deu a Castle foi durante a sequência do assassinato de Bob, na qual ele disse a Castle para inclinar a cabeça e examinar o cadáver como se "fosse uma coleção de borboletas."[14]

Trilha sonora[editar | editar código-fonte]

Halloween
Trilha sonora de John Carpenter
Lançamento outubro de 1978
Gravação 1978
Estúdio(s) Sound Arts Studio, Los Angeles, Califórnia
Gênero(s)
Duração 33:43 (lançamento de 1983)
51:51 (lançamento de 1998)
45:58 (lançamento de 2018)
Idioma(s) inglês
Formato(s)
Gravadora(s) Columbia (lançamento de 1979)
Varèse Sarabande (lançamento de 1983 e 1998)
Mondo Records (lançamento de 2018)
Cronologia de John Carpenter
Dark Star
(1980)
Capa alternativa
Capa da edição do 20º aniversário

Halloween é a trilha sonora do filme homônimo, composto e interpretado por John Carpenter. Foi lançado no Japão em 1979 através da Columbia Records e nos Estados Unidos em 1983 através de Varèse Sarabande. Uma edição comemorativa do 20º aniversário foi lançada em 1998 pela Varèse Sarabande. Em 2018, um LP foi lançado pela Mondo Records que pela primeira vez apresenta as canções como originalmente ouvida nos cinemas e nos primeiros lançamentos em VHS do filme.

Na falta de uma trilha sonora sinfônica, a trilha sonora do filme consiste de uma melodia de piano tocada em um compasso de 10/8 ou "complexo de 5/4" composto e tocado pelo diretor Carpenter, admitindo que a música foi inspirada em Suspiria de Dario Argento (que também influenciou o esquema de cores ligeiramente surrealista do filme) e The Exorcist de William Friedkin.[17][37] Carpenter levou três dias para compor toda a trilha sonora do filme. Além do sucesso comercial e crítico do filme, o "Halloween Theme", de autoria de Carpenter, tornou-se reconhecível além do filme.[38] O crítico James Berardinelli relaciona a trilha sonora de "relativamente simples e sem sofisticação", mas admite que "a música de Halloween é um dos seus ativos mais fortes".[39] Carpenter disse em uma entrevista: "Eu posso tocar praticamente qualquer teclado, mas não posso ler ou escrever uma nota."[40] No final dos créditos, Carpenter se considera a "Bowling Green Philharmonic Orchestra" por apresentar a trilha sonora do filme, mas recebeu assistência do compositor Dan Wyman, professor de música da Universidade Estadual de San Jose.[12][41] Algumas canções podem ser ouvidas no filme, sendo uma delas uma canção sem título, interpretada por Carpenter e um grupo de amigos que formaram uma banda chamada The Coupe De Villes.[12] Outra canção que aparece no filme, "(Don't Fear) The Reaper" da clássica banda de rock, Blue Öyster Cult.[42]

Lista de faixas[editar | editar código-fonte]

Todas as músicas compostas por John Carpenter.

Lançamento de 1983
N.º Título Duração
1. "Halloween Theme – Main Title"   2:54
2. "Laurie's Theme"   2:05
3. "Shape Escapes"   1:42
4. "Myers' House"   5:35
5. "Michael Kills Judith"   3:11
6. "Loomis and Shape's Car"   3:32
7. "The Haunted House"   3:33
8. "The Shape Lurks"   1:35
9. "Laurie Knows"   3:01
10. "Better Check the Kids"   3:27
11. "The Shape Stalks"   3:08
Duração total:
33:43
Edição do 20º aniversário
N.º Título Duração
1. "Halloween Theme"   2:21
2. "Halloween 1963"   3:11
3. "The Evil Is Gone!"   4:08
4. "Halloween 1978"   2:50
5. "The Boogeyman Is Coming"   0:40
6. "The Shape"   1:43
7. "The Hedge"   1:35
8. "He Came Home"   2:40
9. "Trick or Treat"   0:39
10. "The Haunted House"   1:43
11. "The Devil's Eyes"   1:39
12. "The Boogeyman Is Outside"   1:27
13. "Damn You for Letting Him Go!"   1:34
14. "Empty Street"   0:33
15. "See Anything You Like?"   2:22
16. "Lock the Door"   2:53
17. "He's Here?"   0:55
18. "Light's Out"   2:49
19. "Cut It Out"   1:19
20. "Tombstone"   1:19
21. "The Shape Stalks Laurie"   1:35
22. "Turn Around"   0:33
23. "Unlock the Door"   2:53
Duração total:
51:51
Edição do 40º aniversário
N.º Título Duração
1. "Halloween Theme"   2:21
2. "Michael Kills Judith"   3:38
3. "Shape Escape"   1:40
4. "Myers' House"   4:07
5. "Shape in the Shadows"   2:47
6. "Laurie's Theme"   2:31
7. "Nightfall in Haddonfield"   3:04
8. "Backyard"   1:48
9. "Killing Spree"   2:39
10. "Run and Hide"   4:43
11. "Love Death"   2:44
12. "Shadowed Streets"   2:19
13. "The Shape Stalking"   2:40
14. "He's in the House"   4:14
15. "Was it the Boogie Man"   1:07
16. "Halloween Theme (Reprise)"   3:36
Duração total:
45:58

Recepção da crítica[editar | editar código-fonte]

Halloween teve aclamação por parte da crítica especializada. Com base de 10 avaliações profissionais, alcançou uma pontuação de 85% no Metacritic. Por votos dos usuários do site, atinge uma nota de 8.1, usada para avaliar a recepção do público.[43]

Referências

  1. «Halloween». British Board of Film Classification. Consultado em 15 de janeiro de 2015 
  2. a b «Film Releases...Print Results». Variety Insight. Consultado em 23 de outubro de 2018 
  3. a b «Halloween». AFI Catalog of Feature Films. Consultado em 23 de outubro de 2018 
  4. «Halloween (1978)». British Film Institute. Consultado em 23 de outubro de 2018 
  5. Muir 2012, p. 15.
  6. «Próximos lançamentos - Agenda cinema em sexta-feira, 16 de maio de 1980». AdoroCinema. Consultado em 11 de dezembro de 2019 
  7. a b «Debra Hill, 54, Film Producer Who Helped Create 'Halloween,' Dies». The New York Times. Associated Press. 8 de março de 2005. Consultado em 2 de fevereiro de 2015 
  8. a b «Halloween (1978) - Financial Information». The Numbers. Consultado em 22 de março de 2012 
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  10. «Halloween - O Regresso do Mal». SAPO. Consultado em 11 de dezembro de 2019 
  11. «Halloween - A Noite do Terror». AdoroCinema. Consultado em 11 de dezembro de 2019 
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