Reino Hamádida

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Disambig grey.svg Nota: Beni Hammad redireciona para este artigo. Para o sítio arqueológico na Argélia, veja Alcalá dos Banu Hamade. Para a dinastia parónima do Médio Oriente, veja Hamdanidas.



Banu Hammad
Hamádidas

emirado

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1015 – 1152 Flag of Morocco 1147 1269.svg
Localização de Hamádidas
Mapa do Emirado Hamádida c. 1100
Continente África
País Argélia
Capital Alcalá (até 1090),
Bugia (depois de 1090)
Língua oficial berbere, árabe
Religião Islão sunita maliquita
Governo monarquia
Emir
 • 1015–1028 Hamade ibne Bologuine
Período histórico Idade Média
 • 1015 Fundação da dinastia por secessão dos Ziridas
 • 1018 Reconhecimento pelos Ziridas
 • 1102 Vitória sobre os Almorávidas
 • 1152 Anexação pelo Califado Almóada

O Reino Hamádida foi um reino do Magrebe fundado pela dinastia berbere dos hamádidas ou Banu Hamade (em árabe: بنو حماد; transl.: Banū Ḥammād; em tifinague: ⴰⵢⵜ ⵃⴻⵎⵎⴰⴷ; transl.: Āït Ḥammād) que pertenciam à confederação tribal dos sanhajas que reinou no Magrebe Central (parte do que é hoje a Argélia) de 1015 a 1152. A dinastia foi fundada por Hamade ibne Bologuine por secessão da dinastia zirida devido a disputas familiares. Desapareceu a seguir à conquista do Magrebe Central pelos almóadas.

História[editar | editar código-fonte]

Hamade ibne Bologuine, filho do fundador da dinastia zirida, Bologuine ibne Ziri, declarou-se independente dos Ziridas, reconhecendo a legitimidade dos califas abássidas de Bagdade. Em 1016, depois de pouco menos de dois anos de conflito, é concluído um acordo com os Ziridas, mas estes só em 1018 é que reconhecem a autoridade dos hamádidas.

A capital hamádida começa por ser Alcalá, tendo mudado para Bugia quando foi ameaçada pelo Banu Hilal.[1] Os hamádidas tornaram Bugia uma das cidades mais prósperas do Magrebe e do Mediterrâneo e os seus palácios inspirariam a Alhambra de Granada.[carece de fontes?] As incursões dos Banu Hilal, enviados pelo Califado Fatímida a partir de 1052, enfraqueceram muito a dinastia, que acabaria definitivamente com a chegada dos almóadas.

Os hamádidas conquistaram aos Berberes Ifrenidas de Tremecém várias cidades importantes, como Setife, Constantina e Massila, antes de serem atacados pelos Banu Hilal. Numa primeira fase, os Ifrenidas foram aliados políticos dos hamádidas, mas depois aliaram-se aos Banu Hilal. O Reino de Tremecém, que tinha permanecido nas mãos dos Ifrenidas, foi conquistado por esta coligação,[2] com a derrota de Abu Soda, o último emir ifrenida, em 1058.[3]

O terceiro emir almorávida Iúçufe ibne Taxufine (r. 1071–1106) atacou os Ifrenidas, os magrauas e todos os Zenetas. Conquistou Salé, na costa ocidental de Marrocos, aos Ifrenidas e matou Laguate, casando-se depois com uma das suas ex-mulheres, uma zeneta de nome Zainebe. Iúçufe ibne Taxufine prossegue depois com as suas conquistas a norte, tomando Fez em 1075, Tremecém em 1080,[4] que entretanto estava de novo nas mãos dos Ifrenidas, e depois Icósio (Argel).[5] Os Almorávidas só pararam o seu avanço nas fronteiras dos Ziridas e dos hamádidas,[6] tendo acabado por ser derrotados pelo emir hamádida Almançor (r. 1088–1105), sendo obrigados a retirar para o Magrebe Ocidental (atual Marrocos).[4]

Segundo outras fontes, os Almorávidas foram vencidos pelos hamádidas em 1102, tendo abandonado Tremecém e Achir.[7] Segundo outra versão, Nácer ibne Alanas (r. 1062–1088) matou o seu primo Bologuine, tornando-se o emir hamádida, e reconquista Achir, N'Gaous, Miliana, Constantina, Argel e Hâmeza em 1063.[8]

Apesar dos avanços dos Banu Hilal, o Reino Hamádida conheceu grande prosperidade durante o reinado de Almançor. Este monarca reforçou as suas tropas Sanhajas e Zenetas com mercenários árabes para lutar contra os Almorávidas, a quem tomou Tremecém em 1102 ou 1103. Reconquistou também Anaba e Constantina aos Ziridas e subjugou revoltas berberes. Depois dele, o poderio hamádida não pára de declinar. O seu filho Abdalazize (r. 1105–1121/1222 ou 1124/1125) ainda logra conquistar Jerba e repelir os Árabes da região de Hodna, mas o seu filho Iáia (r. 1221/1122 ou 1224/1225–1152), de quem se dizia que só se interessava por caça e por mulheres, não conseguiu impedir um ataque dos Genoveses contra Bugia em 1136 e foi ainda menos capaz de travar a invasão dos almóadas que acabou com o seu reino.[9]

Emires hamádidas[editar | editar código-fonte]

Nome Reinado Observações
Hamade ibne Bologuine 1015–1052 Filho do fundador da dinastia zirida, Bologuine ibne Ziri, declarou-se independente dos Ziridas
Alcaide ibne Hamade 1028–1054 Filho de Hamade, cognominado Xarife Aldaulá ("nobreza da dinastia")
Almocine ibne Alcaide 1054–1055 Filho de Alcaide; morto por Bologuine ibne Maomé
Bologuine ibne Maomé 1055–1062 Primo de Almocine, ascende ao trono matando o seu primo
Nácer ibne Alanas 1062–1088 Primo de Bologuine ibne Maomé, ascende ao trono matando o seu primo
Almançor ibne Nácer 1088–1105 Filho de Nácer
Badis ibne Almançor 1105 Filho de Almançor, morre poucos meses depois de ascender ao trono
Abdalazize ibne Almançor 1105–1121/1122 ou 1124/1125 Filho de Almançor e irmão de Badis
Iáia ibne Abdalazize 1121/1122 ou 1124/1125–1152 Filho de Abdalazize, abdicou em 1152 e morreu em 1163

Notas e referências[editar | editar código-fonte]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Kaddache, Mahfoud (1982), L'Algérie médiévale (em francês), Société nationale d'édition et de diffusion, consultado em 7 de janeiro de 2013 
  • Rozet, Claude Antoine M.; Carette, Ernest (1856), Algérie (em francês), Paris: Firmin Didot Frères, consultado em 7 de janeiro de 2013 
  • Sourdel, Janine; Sourdel, Dominique (2004), Dictionnaire historique de l'Islam, ISBN 9782130545361, Quadrige (em francês), Paris: Presses Universitaires de France, p. 333