Hamdanidas

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Disambig grey.svg Nota: Não confundir com Hamaditas.
Text document with red question mark.svg
Este artigo ou secção contém fontes no fim do texto, mas que não são citadas no corpo do artigo, o que compromete a confiabilidade das informações. (desde novembro de 2011)
Por favor, melhore este artigo introduzindo notas de rodapé citando as fontes, inserindo-as no corpo do texto quando necessário.
Hamdanidas
País:
Títulos: Emir
Fundador: Hamdane ibne Hamdune (868-874)
Último soberano: Abul Maali Xarife
Ano de fundação: 905
Ano de dissolução: 1004
Etnia: Curda

Os Hamdanidas (em árabe: حمدانيون‎; transl.: hamdānyūn) foram uma dinastia de emires árabes que reinou na Síria e no norte do Iraque entre 905 e 1004. Foi fundada por Hamdane ibne Hamdune, que lhe deu o nome e que foi nomeado governador da província de Mardin (atualmente parte da Turquia) em 890 pelos califas abássidas de Bagdade.

História[editar | editar código-fonte]

A dinastia foi fundada por oficiais abássidas em 905, que se reclamavam descendentes da tribo cristã dos Taglibe. De tendência xiita, foram reconhecidos como emires pelo califa al-Muktafi (r. 902–908). O seu nome provém de Hamdan, que em 868 combateu na Mesopotâmia Superior (em árabe: Jazira) no exército do califa Almutâmide.

Mapa dos territórios hamdanidas

A dinastia teve dois ramos, um com capital em Alepo, e outro com capital em Moçul. O Emirado de Moçul estendia-se pela região da capital e ao longo da margem esquerda do Rio Tigre, mas tentou expandir o seu poder no Azerbaijão e na Arménia a partir de 935. O emirado hamdanida de Alepo, que cobria a Síria do norte e a cidade de Diarbaquir, se bem que formalmente dependente do de Moçul, na prática era independente.

O membro mais célebre da dinastia foi Abdulá ibne Hamdane (ou Abu al-Hayja), que foi nomeado governador abássida de Moçul em 905 e governador de Bagdade em 914. Em 929, Abdulá participou numa revolta conduzida pelo general Munis Almuzafar, que tinha como objetivo derrubar o califa Al-Muqtadir e substituí-lo pelo seu irmão Al-Qahir. Abdulá é morto quando tenta proteger Qahir.

O filho de Abdulá, Haçane (laqab [epíteto]: Nácer Aldaulá; "Defensor do Estado") estabeleceu a sua autoridade durante sete anos, de 929 a 936, sobre Jazira, a partir de Moçul. Para obter o título de Nácer Aldaulá, manda assassinar o grande emir (emir de emires) ibne Raique. O seu irmão mais novo, Ali, obtém o título de Saife Aldaulá ("Espada do Estado"), mas por se ter revelado um tirano, é deposto por um membro da sua família. A vida do emirado de Moçul é muito precária, devido aos conflitos com os buídas e às ameaças dos bizantinos, que se enfrentaram com Saife nas décadas de 930 e 940 (sob o comando de João Curcuas) e em 974 atacaram a Mesopotâmia. Além disso, os hamdanidas combateram contra os ucailidas (Banu Uqayl) e os curdos marvanidas.

Cidadela de Alepo

Houve um líder hamdanida renegado — Tuzum — que na prática chegou a governar o Califado Abássida em 942, mas apenas durante um ano, antes de ser destituído pelos seus oficiais. Durante a domínio de Tuzum em Bagdade, o califa al-Muttaqi esteve refugiado em Moçul.

O emirado de hamdanida de Moçul não sobreviveu à morte do seu líder Abu Taglibe. Em 1002, os hamdanidas são derrotados pelos bizantinos, que conquistam Antioquia e posteriormente também Alepo. Em 1004, são depostos pelo Califado Fatímida.

Legado[editar | editar código-fonte]

Os dois emirados hamdanidas acolheram e protegeram numerosos poetas e filósofos, como al-Mutanabi e Abu Firas al-Hamdani, este último ele próprio um hamdanida. Esta forma de mecenato intelectual contribuiu notavelmente para o prestígio da dinastia.

Emires hamdanidas[editar | editar código-fonte]

Emires de Jazira (Mesopotâmia Superior, Moçul)   Emires de Alepo

Banu Lulu

Notas

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Bousquet-Labouérie, Christine , , édition . Initiation à l'islam des origines VIIe siècle et XIe siècle (em francês) Ellipses [S.l.] 
  • Maxime, Rodinson (Quadrige). Les Arabes (em francês) [S.l.: s.n.] 
  • Sourdel-Thomine, Janine; Sourdel, Janine; Sourdel, Dominique (2004). Dictionnaire historique de l'islam (em francês) (Paris: Presses universitaires de France). p. 1028. ISBN 9782130545361.