Harry Potter and the Chamber of Secrets

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Harry Potter and the
Chamber of Secrets
Harry Potter e a Câmara dos Segredos (PT)
Harry Potter e a Câmara Secreta (BR)
Primeira capa da edição britânica
Autor (es) J. K. Rowling
Idioma inglês
País  Reino Unido
Género Fantasia, ficção, aventura, bildungsroman
Série Harry Potter
Linha de tempo da história 13 de junho de 1943
31 de julho de 1992 – 29 de maio de 1993
Ilustrador Reino Unido Cliff Wright / Jonny Duddle (2014)
Estados Unidos Mary GrandPré (1998-2008) / Kazu Kibuishi (2013)
Editora Bloomsbury Publishing
Lançamento 2 de julho de 1998
Páginas 251
ISBN 0-7475-3849-2
Edição portuguesa
Tradução Isabel Fraga
Editora Presença
Lançamento 17 de janeiro de 2000
Páginas 327
ISBN 972-23-2569-8
Edição brasileira
Tradução Lia Wyler
Editora Rocco
Lançamento Agosto de 2000
Formato Brochura
Páginas 287
ISBN 978-85-325-2306-8
Cronologia
Último
Harry Potter e a Pedra Filosofal
Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban
Próximo

Harry Potter and the Chamber of Secrets (Harry Potter e a Câmara Secreta (título no Brasil) ou Harry Potter e a Câmara dos Segredos (título em Portugal)) é o segundo livro dos sete volumes da série de fantasia Harry Potter, tanto em termos cronológicos como em ordem de publicação, da autora inglesa J. K. Rowling. Foi primeiramente publicado no Reino Unido pela editora londrina Bloomsbury em 1998.

O livro conta sobre o segundo ano de Harry Potter na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts, onde mensagens escritas a sangue começam a aparecer nas paredes, avisando que a Câmara Secreta foi aberta e que o "herdeiro da Sonserina" matará a todos os alunos que não contém sangue bruxo nas veias. Além das mensagens, vários alunos começam a aparecer petrificados. Durante todo o ano, Harry e seus amigos Rony Weasley e Hermione Granger investigam sobre esses ataques que, anos antes, também haviam acontecido, fato que leva o protagonista a conhecer a história de seu maior inimigo, Lorde Voldemort, que havia matado seus pais quando ainda era um bebê.

O livro foi publicado no Reino Unido no dia 2 de julho de 1998 pela editora Bloomsbury e nos Estados Unidos em 2 de junho de 1999 pela Scholastic Inc.[1] [2] No Brasil, a editora Rocco publicou o livro em agosto de 2000, e em Portugal em 17 de janeiro de 2000, pela editora Presença.[3] [4] Embora Rowling tenha achado difícil de terminar o livro, ele ganhou elogios e prêmios de críticos, de jovens leitores e da indústria literária, apesar de alguns críticos terem achado a história um pouco assustadora para crianças. Igual aos outros romances da série, Harry Potter e a Câmara Secreta desencadeou alguns debates religiosos; autoridades religiosas condenaram o uso de temas mágicos, enquanto outros elogiaram sua ênfase em auto sacrifício e na maneira que o caráter de uma pessoa resulta em suas escolhas. Vários comentaristas notaram que a identidade pessoal é um tema forte no livro, e que este aborda questões de racismo através do tratamento com trouxas (não-bruxos). Alguns comentaristas consideram o diário como um aviso contra a aceitação pouco exigente de informações de fontes não fiáveis e que não podem ser verificadas. A autoridade institucional é retratada como egoísta e incompetente. O livro também é conhecido por ter ligações com o sexto romance da série, Harry Potter e o Enigma do Príncipe.

A adaptação cinematográfica do romance, lançada em 2002 e dirigida por Chris Columbus,[5] se tornou (naquela época) o sétimo filme de maior bilheteria da história,[6] recebendo críticas favoráveis. Jogos eletrônicos baseados em Harry Potter e a Câmara Secreta também foram lançados para várias plataformas, sendo que muitos deles receberam críticas favoráveis.

Enredo[editar | editar código-fonte]

Trama[editar | editar código-fonte]

Gtk-paste.svg Aviso: Este artigo ou se(c)ção contém revelações sobre o enredo.

Após o primeiro ano de Harry em Hogwarts, ele retorna para casa de seus tios Válter e Petúnia para passar o verão. Um dia, um elfo doméstico chamado Dobby aparece no quarto de Harry. Ele avisa que se Harry voltar para Hogwarts, coisas terríveis irão acontecer, no entanto, Harry ignora as palavras de Dobby. Depois disso, Rony Weasley e seus irmãos gêmeos Fred e George resgatam Harry da casa dos Dursley com um carro voador.

Pouco depois de chegar em Hogwarts, mensagens começam aparecer nas paredes dos corredores revelando que a Câmara Secreta foi aberta novamente, e o herdeiro da Sonserina matará todos os alunos que não provém de uma família bruxa. Depois disso, os habitantes da escola começam a aparecer petrificados. Enquanto isto, Harry, Rony e Hermione descobrem a Murta Que Geme, fantasma de uma menina que foi assassinada quando a Câmara foi aberta pela última vez, no banheiro em que morreu. Murta mostra a Harry um diário que pertence a Tom Marvolo Riddle. Apesar de todas as páginas estarem em branco, Harry recebe uma resposta quando escreve. Finalmente, o livro o mostra Hogwarts cinquenta anos antes. Lá, ele vê Tom Riddle, um aluno naquela época, culpando Rúbeo Hagrid por ter aberto a Câmara.

Passados quatro meses, o diário é misteriosamente roubado e, pouco depois, Hermione acaba sendo petrificada. No entanto, Hermione continha em mão uma anotação explicando que o culpado pela petrificação dos seres do Castelo era um basilisco, uma cobra gigante que mata a todos que olharem diretamente em seus olhos e petrifica aqueles que os olharem por um reflexo. Enquanto os ataques continuam, Cornélio Fudge, Ministro da Magia, envia Hagrid para uma cela em Azkaban (a prisão dos bruxos) por precaução. Lúcio Malfoy, um antigo partidário de Voldemort, anuncia que Dumbledore foi suspenso de seu cargo como diretor.

No romance, as lágrimas de uma fênix contém poderes curativos.

Depois que a irmã caçula de Rony, Gina, é levada para dentro da Câmara, o corpo docente da escola insiste que o professor de Defesa Contra as Artes das Trevas, Gilderoy Lockhart, controle a situação. No entanto, quando Harry e Rony entram em sua sala com o objetivo de contarem o que descobriram sobre o basilisco, Lockhart revela que é uma fraude e que toma crédito dos triunfos de outros, e em seguida ameaça apagar a memória dos dois. Eles desarmam Lockhart e o levam para o banheiro da Murta Que Geme, onde Harry descobre uma entrada para a Câmara Secreta. Nos esgotos da escola, Lockhart pega a varinha de Rony e tenta apagar a memória deles novamente, mas a varinha havia sido quebrada em um acidente no começo do ano, e por isto, a magia falha. Como resultado, Lockhart sofre uma amnésia total e uma parte do túnel é destruída, separando Harry de Rony e Lockhart.

O livro revela que o "monstro" na Câmara Secreta" é o lendário réptil conhecido como Basilisco.

Enquanto Rony tentava refazer o túnel, Harry entra na Câmara Secreta, onde Gina encontra-se desmaiada ao lado do diário. Quando Harry examina Gina, Tom Riddle aparece, com o mesmo rosto e corpo que Harry havia visto no diário. Ele explica que Gina está assim por ter escrito todos os seus segredos no diário, os confiando em "um estranho invisível"[7] e, por causa dessa confiança, ele a fez abrir a Câmara Secreta. Depois ele revela que é Voldemort e a Gina quando descobriu que era responsável pelos ataques, tentou se livrar do diário no banheiro. Quando Riddle acaba de contar a história, libera o basilisco para matar Harry. O pássaro de Dumbledore, a fênix Fawkes, traz uma espada magnífica envolvida pelo Chapéu Seletor. Harry usa a espada para matar o monstro pouco depois de ter sido mordido por uma das presas venenosas da criatura. Fawkes começa a chorar por ele e cura seu braço com suas lágrimas. Ele apunhala o diário com a presa do basilisco e Riddle desaparece. Depois que Gina acorda, Fawkes leva os quatro para fora do túnel.

Depois de saírem da câmara, Harry conta a história completa a Dumbledore, que voltou a ser o diretor da escola. Quando Harry menciona que é muito parecido com Tom Riddle e que deveria ter ido para a Sonserina, Dumbledore reponde que Harry escolheu a Grifinória e que só um verdadeiro membro da tal casa conseguiria ter tirado a espada do Godric Gryffindor do Chapéu Seletor. Harry acusa Lúcio Malfoy de ter colocado o diário entre os livros de Gina enquanto estavam comprando os materiais escolares no Caldeirão Furado, antes do ano letivo ter começado, e ele responde "Prove".[8] Mais tarde, Harry liberta Dobby de servir a família Malfoy, o entregando uma meia. Finalmente, todas as vitimas que foram petrificadas pelo basilisco voltaram ao normal por uma poção que levou meses para ser preparada.

Personagens principais[editar | editar código-fonte]

Dobby, feito por artesanatos mexicanos.

Harry Potter é o personagem principal do romance, que se tornou famoso por ter sobrevivido a um ataque de Lorde Voldemort quando era apenas um bebê. Em A Câmara Secreta, é revelado que ele é um ofidioglota, ou seja, consegue se comunicar com cobras,[9] tendo a mesma capacidade de Salazar Sonserina e sendo um dos poucos personagens a ter esse dom.[10] Assim que todos passam a conhecer a capacidade de Harry, começam a suspeitar que ele seja o herdeiro de Sonserina e culpado de todas as petrificações. Harry é quem mata o basilisco da câmara secreta e salva Gina Weasley, que se encontrava dentro da câmara. Rowling descreveu como "um garoto magricela, de cabelo preto, óculos e que não sabia que era um bruxo".[11]

Rony Weasley é o melhor amigo de Harry e Hermione.[12] Depois de saber que Harry foi castigado por algo feito por Dobby, ele e seus irmãos o resgatam com o Ford Anglia voador de seu pai.[13] Já que nem ele nem Harry conseguem misteriosamente atravessar a parede para entrarem na Plataforma 9 ¾ e pegarem o trem para Hogwarts, eles pegam o carro voador e viajam para a escola,[14] caindo no Salgueiro Lutador e, assim, quebrando a varinha de Rony, o que provoca problemas ao longo do ano.[15] Ele é descrito como sendo ruivo, sardento e bem alto.[16]

Hermione Granger é uma das protagonistas e melhor amiga de Harry e Rony.[12] É uma menina muito inteligente que possui um conhecimento abundante sobre magia[17] e que está sempre tentando impedir que Harry e Rony se metam em problemas.[12] Ela descobre quem é o verdadeiro herdeiro de Sonserina e como os alunos foram petrificados. No entanto, quando ela vai mostrar essas informações para seus amigos, acaba sendo petrificada. Quando Harry e Rony a visitam na enfermaria, descobrem as informações anotadas em sua mão.[18] Ela tem cabelo castanho desgrenhado e os dentes da frente bastante grandes.[19]

Lorde Voldemort, cujo nome real descoberto no livro é Tom Riddle,[20] é o maior inimigo de Harry.[21] Seu diário é encontrado por Harry, que descobre que Voldemort é o verdadeiro herdeiro de Salazar Sonserina e quem abriu a Câmara Secreta cinquenta anos antes. No clímax da história, ele enfrenta Harry na câmara.[22] Com o veneno da presa do basilisco, Harry crava o dente no diário de Voldemort e o destrói.[23]

Gilderoy Lockhart é um elegante professor que ensina Defesa Contra as Artes das Trevas.[24] Presunçoso e orgulhoso, ele se tornou famoso roubando os trabalhos de outros bruxos.[25] Harry e Rony o obrigaram a entrar na câmara, já que todos achavam que ele tinha talentos especiais em lidar com esse tipo de situação. Ele tenta apagar a memória dos meninos com a varinha de Rony, mas o feitiço sai pela culatra, já que a varinha havia sido quebrada no começo do ano letivo.[26]

Rúbeo Hagrid é um meio-gigante,[27] guardião das chaves e dos terrenos de Hogwarts.[28] Primeiramente, Harry deduziu que foi ele quem abriu a Câmara Secreta pela primeira vez. No entanto, mais tarde, ele descobre que, na verdade, foi Tom Riddle, porém ele culpou a Hagrid, que foi expulso do colégio. Logo que a câmara é novamente aberta, Hagrid é culpado novamente e enviado para a prisão de Azkaban, mas depois é inocentado.[29]

Alvo Dumbledore, um homem alto, magro, que usa óculos meia-lua, tem cabelos prateados e uma barba que enfia dentro de seu cinto,[30] é o diretor de Hogwarts.[31] Ele manda sua fênix Fawkes para a Câmara Secreta junto com a espada de Grifinória para que Harry lute com o basilisco e, depois da luta, ela salva a vida de Harry com suas lágrimas.[29] Lúcio Malfoy faz com que Dumbledore vá para Azkaban por, segundo ele, não estar cuidando corretamente da escola. Depois que ele volta a seu cargo como diretor, tem uma longa conversa com Harry sobre tudo o que aconteceu.[32]

Murta Que Geme é o fantasma de uma garota que assombra o banheiro feminino. Ela é a razão do porque muita meninas não entram no banheiro. Sua história está muito relacionada com a câmara, pois ela foi a primeira nascida trouxa que morreu olhando nos olhos do basilisco na primeira vez que a câmara foi aberta. É com esta informação que os protagonistas conseguem descobrir a verdade das petrificações.[33]

Dobby é um elfo doméstico que invade a casa dos tios de Harry e o diz para não ir a Hogwarts aquele ano pois coisas horríveis irão acontecer.[34] Já que Harry se nega, Dobby fecha a Plataforma 9 ¾ para que o garoto não consiga embarcar no trem que o leva até Hogwarts.[35] Serve a família Malfoy, que o maltrata. Dobby tem uma mente muito diferente dos outros elfos: quer ser livre, e a única maneira de liberar um elfo é o presenteando com uma peça de roupa. No final, Harry coloca uma meia dentro do diário e o entrega a Lúcio Malfoy, que o entrega a Dobby para carregá-lo, causando a libertação do elfo.[34]

Gtk-paste.svg Aviso: Terminam aqui as revelações sobre o enredo.

História do livro[editar | editar código-fonte]

Desenvolvimento[editar | editar código-fonte]

J. K. Rowling, a autora da série.

Rowling já havia escrito metade do livro quando Harry Potter e a Pedra Filosofal foi lançado.[36] Ela achou difícil finalizar Harry Potter e a Câmara Secreta, pois temia que o livro não alcançasse as expectativas despertadas pelo primeiro romance publicado.[37] Depois de ter entregado o manuscrito a Bloomsbury na data prevista, ela o pegou de volta para revisá-lo um pouco mais, o que demorou mais seis semanas.[38]

Nos primeiros rascunhos do livro, o fantasma Nick quase sem Cabeça cantava uma canção que ele mesmo havia escrito explicando a condição em que se encontrava e as circunstâncias de sua morte. Esta parte foi retirada do livro, já que a autora não julgou o poema importante para a trama.[39] Posteriormente, a canção foi publicada como um extra no site oficial de Rowling.[40] A parte em que Rowling escreveu sobre a família de Dino Thomas foi retirada do livro porque ela e os editores consideraram como um "desenvolvimento desnecessário", e considerou que a viagem de descobrimento de Neville Longbottom era "mais importante para a trama central".[41]

Publicação[editar | editar código-fonte]

Harry Potter e a Câmara Secreta foi publicado no Reino Unido em 2 de julho de 1998 e os Estados Unidos em 2 de junho de 1999.[42] [2] Imediatamente, ocupou o primeiro lugar na lista de best-sellers do Reino Unido, ultrapassando obras de outros autores populares, tais como John Grisham, Tom Clancy[38] e Terry Pratchett,[43] e fazendo de Rowling a primeira escritora a ganhar o British Book Awards Children's Book por dois anos consecutivos.[44] Em junho de 1999, ele entrou direto em três listas de best-sellers nos Estados Unidos,[45] incluindo a publicada pelo jornal The New York Times.[46]

As primeiras impressões do livro tiveram vários erros, que foram corrigidos em edições posteriores.[47] Inicialmente, Dumbledore disse que Voldemort era o último ancestral restante de Salazar Sonserina, ao contrário de herdeiro.[47] O livro de Gilderoy Lockhart sobre lobisomens é primeiramente intitulado como Weekends with Werewolves (Finais de Semana com Lobisomens) e Wanderings with Werewolves (Passeando com Lobisomens) nas outras edições.[48]

O romance é dedicado à Séan P.F. Harris, o melhor amigo de Rowling; conheceram-se quando tinham apenas onze anos de idade, e foi a primeira pessoa a saber que sua ambição era ser escritora. Segundo ela, ele sempre disse que ela estava fadada ao sucesso.[49]

Recepção[editar | editar código-fonte]

Resposta da crítica[editar | editar código-fonte]

No jornal The Times, Deborah Loudon descreveu Harry Potter e a Câmara Secreta como um livro infantil que poderia ser "relido na idade adulta" e destacou sua "forte trama, personagens atraentes, excelentes piadas e uma mensagem moral que fluí naturalmente da história".[50] O escritor Charles de Lint concordou e disse que o segundo livro foi tão bom quanto Harry Potter e a Pedra Filosofal, um feito raro em série de livros.[51] Thomas Wagner considerou a trama muito similar à do primeiro livro, focada em procurar um segredo escondido embaixo da escola. Entretanto, desfrutou da paródia das celebridades e fãs que rodeavam Gilderoy Lockhart e aprovou o manuseio do tema racismo no livro.[52] Tammy Nezol achou o livro mais inquietante do que seu antecessor, particularmente na reação de Harry e seus amigos depois que recebe informações de Dumbledore, e no comportamento humano de usar mandrágoras para fazer uma poção que cura a petrificação. Mesmo assim, ela considerou a segunda história tão agradável quanto a primeira.[53]

Escudo de armas da casa Sonserina.

Mary Stuart opinou que o conflito final com Tom Riddle na Câmara foi quase tão assustador quanto alguns trabalhos de Stephen King e talvez muito forte para jovens ou crianças medrosas. Ela comentou que "existem o suficiente de surpresas e detalhes que normalmente iriam encher um pouco menos de cinco livros." Semelhante a outros críticos, ela disse que o livro dá prazer tanto a crianças quanto a leitores adultos.[54] De acordo com Philip Nel, as primeiras críticas só deram elogios enquanto as seguintes incluíam questionamentos, embora eles ainda concordassem que o livro foi surpreendente.[55]

Depois que todos os sete livros foram publicados, Graeme Davis afirmou que Harry Potter e a Câmara Secreta é o mais fraco da série, e concordou que a estrutura da trama é igual a de A Pedra Filosofal. Ele descreveu a aparição de Fawkes para armar e depois curar Harry como um deus ex machina: disse que o livro não explica como Fawkes soube onde Harry se encontrava; e que a medida de tempo de Fawkes tinha que ser muito precisa, já que se tivesse chegado antes, provavelmente teria impedido a luta com o basilisco, e se tivesse chegado mais tarde, teria provocado a morte de Harry e Gina.[56]

Dave Kopel disse que o clímax do romance aconteceu quando Harry lutou contra o basilisco e salvou Gina do diário de Riddle: "Harry desce para um profundo submundo, enfrenta dois asseclas demoníacos (Voldemort e uma serpente gigante), se salva da morte por sua fé em Dumbledore (o Deus com barba, o Padre/Ancião dos dias), resgata a virgem (Ginevra [sic] Weasley) e consegue o triunfo."[57]

Prêmios e indicações[editar | editar código-fonte]

O segundo livro de Rowling foi alvo de vários prêmios.[58] O romance entrou na lista do American Library Association de 2 000 Livros Notáveis para Crianças[59] e Melhor Livro para Jovens Adultos.[60] Em 1999, a Booklist listou Harry Potter e a Câmara Secreta como uma de suas Escolhas dos Editores,[61] e colocou o romance entre sua lista top 10 de Romances de Fantasias para Jovens.[58] O Cooperative Children's Book Center selecionou o livro como Escolha de 2000 da CCBC na categoria de "Ficções para Crianças".[62] O romance também ganhou um Children's Book of the Year British Book Award,[63] e foi pré-selecionado para o prêmio de Guardian Children's Award e Carnegie Award, ambos em 1998.[58]

Harry Potter e a Câmara Secreta recebeu uma medalha de ouro do prêmio Nestlé Smarties Book Prize em 1998 como melhor romance infantil na faixa etária de nove a onze anos de idade.[63] Rowling também ganhou dois outros Nestlé Smarties Book Prizes por Harry Potter e a Pedra Filosofal e Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban. O Scottish Arts Council entregou seu primeiro Children’s Book Award ao romance em 1999[64] e um Whitaker's Platinum Book Award em 2001.[58] [65] Em 2003, o romance ficou em 23º lugar no The Big Read.[66]

Temas[editar | editar código-fonte]

Harry Potter e a Câmara Secreta continua a examinar o que faz de uma pessoa o que ela é, algo que começou no primeiro livro. Além de manter a identidade de Harry determinada por suas decisões,[53] [67] o livro fornece personagens que tentam esconder suas verdadeiras personalidades: como Tammy Nezol disse, Gilderoy Lockhart "carece de qualquer identidade", pois ele não é nada mais do que um mentiroso charmoso.[53] A luta de Harry para tentar entender a si próprio é complicada por Riddle que aponta semelhanças entre os dois: "ambos mestiços, órfãos criados por trouxas, provavelmente os únicos ofidioglotas a irem a Hogwarts desde Salazar Sonserina."[68]

A oposição de classes sociais, a morte e seus impactos, adolescência, amor, sacrifício, amizade, lealdade, prejuízo e racismo são temas constantes em toda a série. Em Harry Potter e a Câmara Secreta, a consideração e o respeito de Harry pelos outros estende-se ao humilde e não humano Dobby e ao fantasma Nick quase sem Cabeça.[69] De acordo com Marguerite Krause, as realizações do romance dependem mais da ingenuidade e do trabalho duro do que de talentos naturais.[70]

Edward Duffy, um professor adjunto na Universidade Marquette, disse que um dos personagens principais de A Câmara Secreta é um livro: o diário encantando de Tom Riddle, que toma controle de Gina Weasley – como Riddle planejou. Duffy aponta que Rowling se destina a isto como uma advertência contra o consumo passivo de informações de fontes que têm suas próprias agendas.[71] Embora Bronwyn William e Amy Zenger se referem ao diário mais como um mensageiro instantâneo ou uma sala de bate-papo, eles concordam que é muito perigoso confiar demais em palavras escritas, pois podem camuflar o autor, e citam como exemplo os livros de Lockhart.[72]

A imoralidade e a interpretação da autoridade como negativa são temas significantes no romance. Marguerite Krause afirma que existem poucas regras morais absolutas no mundo de Harry Potter, por exemplo, Harry prefere contar a verdade, mas mente quando julga necessário — assim como seu inimigo Draco Malfoy.[70] No final de Harry Potter e a Câmara Secreta, Dumbledore promete castigar Harry, Rony e Hermione se quebrarem mais alguma regra da escola (depois da professora McGonagal estimar que eles tenham quebrado mais de 100) mas os recompensa por terem acabado com as ameaças da Câmara Secreta.[73] Depois, Krause afirma que as figuras autorais e as instituições políticas recebem muito pouco respeito de Rowling.[70] William MacNeil, da Universidade Griffith, Queensland, Austrália, afirma que o Ministro da Magia é apresentado como medíocre.[74] Em seu artigo "Harry Potter and the Secular City", Ken Jacobson afirma que o Ministério é interpretado como um império burocrático emaranhado, dizendo que "os funcionários do Ministro se ocupam com minúcias (por exemplo, com a densidade de caldeirões) e eufemismos politicamente corretos, como a 'comunidade não-mágica' (para os trouxas) e a 'modificação de memória' (para a lavagem cerebral mágica)."[67]

O romance parece acontecer em 1992: o bolo de Nick quase sem Cabeça em comemoração ao seu 500º aniversário de morte levava as seguintes palavras, "Sir Nicholas De Mimsy Porpington morreu em 31 de outubro de 1492".[75] [76]

Conexão com Harry Potter e o Enigma do Príncipe[editar | editar código-fonte]

A Câmara Secreta tem muitas ligações com o sexto livro da série, Harry Potter e o Enigma do Príncipe. O Enigma do Príncipe era o título provisório de A Câmara Secreta, e Rowling dizia que originalmente pretendia colocar algumas "peças cruciais de informações" no segundo livro, mas, em última análise, sentiu que "essas informações pertenciam ao sexto livro."[77] Alguns objetos que desempenham papéis importantes em O Enigma do Príncipe aparecem pela primeira vez em A Câmara Secreta: a Mão da Glória e o colar de opalas que estão à venda na Borgin & Burkes, um Armário Sumidouro, encontrado em Hogwarts e quebrado por Pirraça, e o diário de Tom Riddle.[78] Além disso, esses dois romances são os que mais focam no relacionamento de Harry e Gina.

Adaptações[editar | editar código-fonte]

Filme[editar | editar código-fonte]

Ford Anglia utilizado para interpretar o carro encantado no filme.

Em 1999, Rowling vendeu os direitos cinematográficos dos primeiros quatro livros de Harry Potter para a Warner Bros. por um milhão de libras.[79] A versão cinematográfica de Harry Potter e a Câmara Secreta estreou no dia 15 de novembro de 2002, sob a direção de Chris Columbus. A produção foi liderada por David Heyman e o roteiro escrito pelo estadunidense Steven Kloves.[5] [80] A produção do filme começou em 19 de novembro de 2001, três dias depois da estreia de Harry Potter e a Pedra Filosofal, e foi lançado no final de 2002.[81] A autora exigiu que o elenco principal fosse de nacionalidade britânica,[82] mas foi permitida a participação de alguns atores irlandeses,[83] como o falecido Richard Harris, que retratou Alvo Dumbledore nos dois primeiros filmes.[84] Os atores que interpretaram os personagens principais no primeiro filme continuaram a atuar no segundo. Kenneth Branagh, Christian Coulson, Mark Williams e Toby Jones foram adicionados ao elenco, interpretando os papéis de Gilderoy Lockhart,[85] Tom Riddle,[86] Arthur Weasley[87] e Dobby.[88] [89] [90]

A receita total do longa foi de 878 979 634,[91] tornando-se o terceiro filme a ultrapassar 600 milhões de dólares em bilheteria, sendo o primeiro Titanic, lançado em 1997, e o segundo, Harry Potter e a Pedra Filosofal, estreado em 2001.[92] O filme foi indicado ao prêmio Saturno na categoria de Melhor Figurino, porém perdeu para O Senhor dos Anéis: As Duas Torres.[93] Segundo o website estadunidense Metacritic, a versão cinematográfica recebeu "críticas favoráveis", dando uma pontuação de 63%,[94] enquanto outro agregador, o Rotten Tomatoes, deu uma pontuação de 82%.[80]

Jogos eletrônicos[editar | editar código-fonte]

Livremente baseados no romance, os jogos foram lançados entre 2002 e 2003.[95] A maioria deles foram distribuídos pela Electronic Arts, porém produzidos por diferentes empresas.

Para os consoles PlayStation 2,[96] Xbox,[97] GameCube[98] e Game Boy Advance,[99] o jogo foi lançado pela Eletronic Arts e produzido pela Eurocom. Ao mesmo tempo, a Amaze Entertainment o desenvolveu para as plataformas PC (com o sistema operacional Microsoft Windows),[100] Mac e Game Boy Color.[101] A trilha sonora do jogo, criada por Jeremy Soule, foi premiada com um BAFTA na categoria de Melhor Trilha Sonora para Jogos Eletrônicos.[102]

Desenvolvedor Data de lançamento Plataforma Gênero Game Rankings Metacritic Notas
KnowWonder 14 de novembro de 2002 Microsoft Windows Aventura/quebra-cabeça 71.46%[103] 77/100[104]  
Argonaut PlayStation Ação-aventura 70.50%[105] 74/100[106]  
Griptonite Game Boy Color RPG 77.33%[107]  
Eurocom Game Boy Advance Ação/quebra-cabeça 73.44%[108] 76/100[109]  
GameCube Ação-aventura 73.29%[110] 77/100[111]  
PlayStation 2 70.44%[112] 71/100[113]  
Xbox 74.58%[114] 77/100[115]  
Aspyr 10 de abril de 2003 Mac OS X Aventura/quebra-cabeça Portado da versão do Windows

Audiobooks[editar | editar código-fonte]

O livro, assim como todos os romances da série, foi publicado no formato de audiobook em sua língua original.[116] Isso aconteceu por volta do ano 2002 e contou com a voz do ator Stephen Fry para a versão distribuída na Grã-Bretanha,[117] enquanto na versão dos EUA a história foi contada por Jim Dale.[118]

Em 2013, foi lançada uma edição em português do Brasil do romance e contou com o trabalho de Jorge Rebelo.[119] [120] Foram lançados audiobooks somente para o primeiro e o segundo livro para este idioma.[121]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. «A Potter timeline for muggles» Toronto Star [S.l.] 14 de julho de 2007. Consultado em 27 de setembro de 2008. 
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  4. «Edição portuguesa do último livro já chegou». Visão. 15 de novembro de 2007. Consultado em 9 de abril de 2016. 
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  8. Rowling 1998, p. 283 (Edição brasileira)
  9. «Parselmouths and Parseltongue». Harry Potter Lexicon. Consultado em 10 de abril de 2016. 
  10. «‘Harry Potter’: New Parseltongue translator lets muggles hiss like Slytherin». Hero Complex. 29 de junho de 2011. Consultado em 10 de abril de 2016. 
  11. «J.K. Rowling Official Site: Biography». J.K. Rowling. 2007. Arquivado desde o original em 17 de dezembro de 2008. Consultado em 11 de janeiro de 2009. 
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