Hayao Miyazaki

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa
Hayao Miyazaki
宮崎 駿
Nascimento 5 de janeiro de 1941 (79 anos)
Tóquio, Japão
Progenitores Mãe: Dola Miyazaki
Pai: Katsuji Miyazaki
Cônjuge Akemi Ota (1965–presente)
Filho(s)
  • Goro
  • Keisuke
Alma mater Universidade Gakushuin
Profissão
Empregador Toei Animation (1963–1971)
A Production (1971–1973)
Zuiyō Eizō (1973–1975)
Nippon Animation (1975–1979)
Tokyo Movie Shinsha (1979–1982)
Topcraft (1982–1985)
Studio Ghibli (1985–presente)

Hayao Miyazaki (宮崎 駿 Miyazaki Hayao?, Tóquio, 5 de janeiro de 1941) é um animador, cineasta, roteirista, escritor e artista de mangá japonês. É co-fundador do Studio Ghibli, uma companhia de cinema e animação, tendo conquistado reconhecimento e aclamação internacional pela qualidade de seus vários longas-metragens de animação, os quais ele normalmente escreve e dirige, sendo amplamente considerado como um dos principais nomes da indústria de animação japonesa.

Miyazaki desde cedo em sua vida expressou interesse em mangás e animações, indo estudar na Universidade Gakushuin e sendo contratado pela Toei Animation em 1963. Em seus primeiros anos profissionais trabalhou como animador intermediário e depois colaborou com Isao Takahata. Também contribuiu com a animação de algumas produções da Toei até ir trabalhar para a A Production em 1971, onde co-dirigiu Rupan Sansei junto com Takahata. Miyazaki pouco depois foi trabalhar na Zuiyō Eizō em 1973, atuando como animador de Sekai Meisaku Gekijō e diretor da série televisiva Mirai Shōnen Conan. Mudou de empresa novamente em 1979, desta vez juntando-se à equipe Tokyo Movie Shinsha, estúdio onde dirigiu seus dois primeiros longas-metragem, Rupan Sansei: Kariosutoro no Shiro em 1979 e Kaze no Tani no Naushika em 1984, além da série Meitantei Hōmuzu.

Ele co-fundou o Studio Ghibli em 1985 e escreveu e dirigiu Tenkū no Shiro Rapyuta em 1986, Tonari no Totoro em 1988, Majo no Takkyūbin em 1989 e Kurenai no Buta em 1992. Estes longas foram enormes sucessos comerciais e de crítica no Japão. Seu trabalho seguinte foi Mononoke Hime, que tornou-se o primeiro filme de animação a vencer o Prêmio de Melhor Filme da Academia Japonesa e brevemente o longa de maior bilheteria no Japão em 1997; sua distribuição no ocidente ajudou a aumentar a popularidade do Studio Ghibli fora de seu país natal. Sen to Chihiro no Kamikakushi de 2001 foi o filme japonês de maior bilheteria na história e rendeu a Miyazaki o Oscar de Melhor Filme de Animação. Seus longas seguintes, Hauru no Ugoku Shiro de 2004, Gake no Ue no Ponyo de 2008 e Kaze Tachinu de 2013, também gozaram de sucesso comercial e crítico.

Os trabalhos de Miyazaki são caracterizados pela recorrência de diversos temas, como a relação da humanidade com a natureza e tecnologia, a integridade de padrões de vida naturais e tradicionais, a importância da arte e perícia e a dificuldade de manter uma ética pacifista em um mundo violento. Suas protagonistas são frequentemente meninas ou jovens mulheres fortes, com muitos de seus trabalhos apresentando antagonistas ambíguos que possuem qualidades redentoras. Suas obras já foram muito elogiadas e premiadas, com ele inclusive tendo recebido um Oscar Honorário em novembro de 2014 por suas contribuições para a animação. Miyazaki também já foi citado como fonte de inspiração por diversos animadores, diretores e escritores.

Primeiros anos[editar | editar código-fonte]

Hayao Miyazaki nasceu em 5 de janeiro de 1941 na cidade de Akebono-cho na região especial de Bunkyo, Tóquio, Império do Japão.[1][2] Era o segundo de quatro filhos de Katsuji Miyazaki,[3][nota 1] diretor da Miyazaki Airplane, que fabricava os lemes dos caças de combate japoneses durante a Segunda Guerra Mundial.[4] Os negócios familiares permitiram que a família mantivesse um padrão de vida durante os primeiros anos da vida de Miyazaki.[5][nota 2] A família foi evacuada para Utsunomiya em 1944. Eles de novo foram evacuados em julho de 1945, depois do bombardeiro de Utsunomiya, desta vez para Kanuma. O bombardeio deixou uma impressão duradoura em Miyazaki, que tinha apenas quatro anos na época.[5] Sua mãe, Dola, sofreu de tuberculose vertebral de 1947 a 1955; ela passou os primeiros anos no hospital, depois recebeu cuidados em casa.[4] Dola era uma mulher severa e intelectual que questionava regularmente as "normas socialmente aceitas".[7][nota 3] Ela morreu em julho de 1983 aos 71 anos de idade.[9]

Miyazaki começou seus estudos em 1947, entrando em uma escola primária de Utsunomiya, cursando da primeira a terceira série. Sua família então voltou para Tóquio e se estabeleceu em Suginami, com ele completando a quarta série na Escola Primária Ōmiya e a quinta na Escola Primária Eifuku. Depois disso ele cursou a Escola Colegial Ōmiya.[10] Miyazaki desejava se tornar um artista de mangás, porém descobriu que tinha dificuldades em desenhar pessoas; em vez disso, por vários anos, ele apenas desenhou aviões, tanques e navios de guerra.[11] Foi influenciado por vários artistas de mangás, como Tetsuji Fukushima, Soji Yamakawa e Osamu Tezuka. Ele destruiu boa parte de seus primeiros trabalhos, acreditando que era uma "forma ruim" copiar o estilo de Tezuka, pois isto estava prejudicando seu própria desenvolvimento como artista.[12][13][14] Se formou na Escola Colegial Ōmiya e em seguida foi estudar na Escola Colegial Toyotama.[15] Seu interesse por animação foi despertado no seu primeiro ano, quando assistiu Hakujaden.[16] Miyazaki "se apaixonou" pela heroína do filme e ele lhe deixou uma duradoura impressão.[nota 4] Ele foi estudar na Universidade Gakushuin e entrou no "Clube de Pesquisa de Literatura Infantil", a "coisa mais próxima na época de um clube de quadrinhos".[18] Em seu tempo livre, costumava visitar seu professor de arte do colegial e desenhar no seu estúdio, onde os dois bebiam e "conversávamos sobre política, vida, todos os tipos de coisas".[19] Miyazaki se formou em 1963 em ciência política e economia.[18]

Carreira[editar | editar código-fonte]

Início[editar | editar código-fonte]

Miyazaki começou sua carreira em 1963, trabalhando primeiro como animador na Toei Animation

Miyazaki foi contratado em 1963 pela Toei Animation.[20] Ele trabalhou como artista intermediário no longa-metragem animado Wanwan Chūshingura e na série de televisão Ōkami Shōnen Ken, ambos ainda em 1963. No ano seguinte trabalhou no filme Garibā no Uchū Ryokō.[21] Ele foi um líder em uma disputa trabalhista logo depois de entrar na empresa, tornando-se secretário chefe do sindicato trabalhista da Toei em 1964.[20] Se casou em outubro de 1965 com Akemi Ota, com quem teve dois filhos: Goro em janeiro de 1967 e Keisuke em abril de 1969.[22] Sua dedicação ao trabalho prejudicou sua relação com os filhos, ficando ausente por longos períodos, o que fez com que Goro começasse a assistir os filmes de seu pai para melhor "entendê-lo".[23][nota 5] Miyazaki depois trabalhou como animador chefe, artista conceitual e projetista de cena em Taiyō no Ōji Horusu no Daibōken de 1968. Ele trabalhou durante toda a produção bem próximo de Yasuo Ōtsuka, seu mentor, cuja abordagem para animação muito influenciou o trabalho de Miyazaki.[24] O longa foi dirigido por Isao Takahata, com quem Miyazaki continuaria a colaborar pelo restante de sua carreira. O filme foi muito elogiado e foi considerado um marco na evolução da animação.[25][26][27]

Ele escreveu e ilustrou o mangá Sabaku no Tami sob o pseudônimo Saburō Akitsu, tendo sido publicado em 26 capítulos entre setembro de 1969 e março de 1970 na revista Shōnen Shōjo Shinbun.[22] Ele se influenciou em várias histórias, como Sabaku no Maō de Fukushima.[28] Miyazaki também realizou animações principais em Nagagutsu o Haita Neko de 1969, dirigido por Kimio Yabuki.[29] Também criou uma série de mangá de doze capítulos como item promocional para este filme; ela foi publicada aos sábados no jornal Tokyo Shimbun de janeiro a março de 1969.[14][30] Ele depois propôs cenas para o roteiro de Soratobu Yūreisen, também de 1969, em que tanques causam histeria em massa no centro de Tóquio, sendo recrutado para animar e fazer os storyboards do projeto.[31] Em 1971, desenvolveu a estrutura, personagens e desenhos da adaptação da animação Dōbutsu Takarajima, criando um mangá de treze partes publicado no Tokyo Shimbun de janeiro a março de 1971.[14][30][32] No mesmo ano, Miyazaki também fez animações principais em Ari Baba to Yonjuppiki no Tōzoku.[33]

Miyazaki deixou a Toei em agosto de 1971 e foi contratado pela A Production,[34] onde dirigiu, ou co-dirigiu junto com Takahata, 23 episódios da série de animação Rupan Sansei.[33] Os dois também começaram a pré-produção em uma série baseada nos livros da personagem Píppi Meialonga, de Astrid Lindgren, desenhando vários storyboards; o projeto foi cancelado depois de Miyazaki e Takahata terem se encontrado com Lindgren, que se recusou a permitiu que a ideia seguisse adiante.[34] Miyazaki escreveu, projetou a animou dois curtas-metragens de Panda Kopanda em 1972 e 1973, ambos dirigidos por Takahata.[35] Os dois foram para a Zuiyō Eizō em junho de 1973, trabalhando em Sekai Meisaku Gekijō, que incluiu sua série animada Arupusu no Shōjo Haiji, uma adaptação do romance Heidi, de Johanna Spyri. A Zuiyō Eizō se transformou na Nippon Animation em julho de 1975.[36] Miyazaki também dirigiu a série Mirai Shōnen Conan em 1978, uma adaptação do romance The Incredible Tide, de Alexander Key.[37]

Proeminência[editar | editar código-fonte]

Miyazaki saiu da Nippon Animation em 1979, durante a produção de Akage no An,[38] em que havia contribuído com o projeto de cenas e organização dos primeiros quinze episódios.[39] Foi trabalhar na Telecom Animation Film, subsidiária da Tokyo Movie Shinsha, para dirigir seu primeiro longa-metragem, Rupan Sansei: Kariosutoro no Shiro.[40] Ele ajudou a treinar a segunda leve de funcionários na Telecom.[37] Miyazaki dirigiu em 1981 seis episódios de Meitantei Hōmuzu, até disputas com o espólio de sir Arthur Conan Doyle levarem a suspensão da produção; Miyazaki estavam ocupado com outros projetos na época que as questões foram resolvidas, com o restante dos episódios tendo sido dirigidos por Koysuke Mikuriya. Eles foram transmitidos entre novembro de 1984 e maio de 1985.[41] Ele também escreveu o romance gráfico Shuna no Tabi, inspirado pelo conto folclórico tibetano "O príncipe que tornou-se um cachorro". Este foi publicado pela Tokuma Shoten em junho de 1983,[42] sendo dramatizado no rádio em 1987.[43] Miyazaki Hayao no Zassō nōto também foi publicado irregularmente na Model Graphix entre novembro de 1984 e outubro de 1994;[44] seleções foram transmitidas no rádio em 1995.[43]

Miyazaki começou a trabalhar em ideias para uma adaptação do quadrinho Rowlf, de Richard Corben, após a estreia de Kariosutoro no Shiro, apresentando a ideia para Yutaka Fujioka da Tokyo Movie Shinsha. Uma proposta para a aquisição dos direitos foi elaborada em novembro de 1980.[45][46] Na mesma época, Miyazaki foi abordado pela revista Animage sobre uma possível série. Ele mostrou seus esboços aos editores Toshio Suzuki e Osamu Kameyama, discutindo os pontos básicos dos enredos de possíveis projetos de animação; Suzuki e Kameyama perceberam potencial para uma colaboração em sua progressão para a animação. Dois projetos foram propostos: Sengoku ma-jō, que se passava no período Sengoku; e uma adaptação de Rowlf. Ambos foram rejeitados, pois a companhia não estava disposta a financiar animes que não fossem baseados em mangás pré-existentes e pelo fato dos direitos de Rowlf não terem sido adquiridos.[47][48] Um acordo foi alcançado, que estipulava que Miyazaki poderia começar a desenvolver seus esboços e ideias em um mangá para a revista com a provisão de que ele nunca seria transformado em um filme.[49][50] A obra foi intitulada Kaze no Tani no Naushika e foi publicada de fevereiro de 1982 até março de 1994. A história, conforme republicações em volumes tankōbon, possui sete volumes que acumulam 1060 páginas.[51] Miyazaki desenhou o mangá principalmente a lápis, tendo sido publicado em uma tinta sépia monocromática.[50][52][53] Ele se demitiu da Telecom em novembro de 1982.[54]

O estúdio pessoal de Miyazaki, chamado de Nibaraki, criado em 1984

Yasuyoshi Tokuma, fundador da Tokuma Shoten, encorajou Miyazaki a realizar uma adaptação em anime de Kaze no Tani no Naushika.[55] Ele inicialmente se recusou, porém concordou com a condição de que fosse o diretor.[56] A imaginação de Miyazaki foi despertada pelo envenenamento de mercúrio de Minamata e como a natureza respondeu e floresceu em um ambiente tóxico, usando-o na criação do mundo poluído do filme. Miyazaki e Takahata escolheram o pequeno estúdio Topcraft para a produção do longa, pois acreditavam que seu talento poderia transpor a sofisticada atmosfera do mangá para um filme.[55] A pré-produção começou em 31 de março de 1983; Miyazaki teve dificuldades ao desenvolver o roteiro, pois apenas dezesseis capítulos do mangá estavam prontos.[57] Takahata recrutou o compositor minimalista e experimental Joe Hisaishi para a criação da trilha sonora.[58] Kaze no Tani no Naushika foi lançado em 11 de março de 1984 e arrecadou 1,48 bilhões de ienes na bilheteria japonesa, conseguindo mais 742 milhões de outras partes do mundo.[59] O longa é considerado como um dos principais trabalhos de Miyazaki, tendo consolidado sua reputação como animador.[60][nota 6] Foi elogiado pela representação positiva das mulheres, particularmente para a protagonista Nausicaä.[62][63][nota 7] Vários críticos consideraram que Kaze no Tani no Naushika continha temas antiguerra e feministas; Miyazaki discorda, dizendo que seu único objetivo é entreter.[65][nota 8] A cooperação bem sucedida entre a criação do mangá e anime criou as fundações para colaborações futuras.[66] Miyazaki abriu seu próprio escritório em abril de 1984 em Suginami, nomeando-o de Nibaraki.[67]

Studio Ghibli[editar | editar código-fonte]

Primeiros filmes[editar | editar código-fonte]

Miyazaki, Takahata, Tokuma e Suzuki fundaram a companhia de animação Studio Ghibli em junho de 1985, com o financiamento vindo da Tokuma Shoten. O primeiro longa do estúdio foi Tenkū no Shiro Rapyuta em 1986, produzido pela mesma equipe que havia feito Kaze no Tani no Naushika. Os desenhos de Miyazaki para o longa foram inspirados pela arquitetura da Grécia Antiga e "padrões urbanistas europeus".[68] Algumas das arquiteturas também foram inspiradas por uma cidade mineradora galesa; ele tinha testemunhado uma greve de mineiros ao visitar o País de Gales em 1984 e ficou admirado pela dedicação dos grevistas ao seu trabalho e comunidade.[69] Tenkū no Shiro Rapyuta estreou em 2 de agosto de 1986 e foi o filme animado de maior arrecadação do ano no Japão.[68] O filme seguinte de Miyazaki foi Tonari no Totoro, lançado em abril de 1988 junto com Hotaru no Haka de Takahata a fim de garantir a situação financeira do Studio Ghibli. A produção simultânea foi caótica, pois os artistas necessitavam ficar trocando entre projetos.[70][nota 9] Tonari no Totoro possui o tema da relação entre ambiente e humanidade, diferente de Kaze no Tani no Naushika que enfatizava o efeito negativo da tecnologia no ambiente.[71] O longa foi elogiado, porém não teve tanto sucesso na bilheteria. Mesmo assim, seus produtos associados venderam bem e o filme foi considerado um clássico.[72][73]

O Studio Ghibli tinha adquirido em 1987 os diretor para uma adaptação cinematográfica do romance de fantasia infantil Majo no Takkyūbin, de Eiko Kadono. O trabalho de Miyazaki em Tonari no Totoro inicialmente o impediu de dirigir, assim Sunao Katabuchi foi escolhido como diretor e Nobuyuki Isshiki foi contratado para escrever o roteiro. Miyazaki ficou insatisfeito com o primeiro rascunho de Isshiki e começou a alterar o projeto, acabando por no final tomar o lugar de diretor. Kadono não ficou feliz com as diferenças entre seu livro e o roteiro. Miyazaki e Suzuki visitaram a autora e a convidaram a conhecer o Studio Ghibli; depois disso ela permitiu que o projeto seguisse adiante.[74] O filme originalmente seria um especial de uma hora, porém foi expandido para um longa-metragem depois de Miyazaki finalizar os storyboards e roteiro.[75] Majo no Takkyūbin estreou em 29 de julho de 1989 e arrecadou 2,15 trilhões de ienes na bilheteria,[76] sendo o filme de maior arrecadação no Japão em 1989.[77]

Sucesso[editar | editar código-fonte]

Em 1996, com o aumento dos investimentos norte-americanos nessa nova onda conhecida como "anime" e "mangá", a Disney viu como o momento perfeito para aproveitar a qualidade e o sucesso que os filmes de Hayao Miyazaki faziam no oriente para garantir os direitos de distribuição dos filmes do diretor. Com isso, foi fechado entre a Disney e o Estúdio Ghibli o acordo conhecido como Disney-Tokuma que, em resumo, consiste na distribuição mundial (incluindo Japão, mas excluindo a Ásia) em vídeo (DVDs não estão incluídos) de todos os longas animados do Estúdio Ghibli, sem falar na distribuição mundial nos cinemas daquele que lançaria o nome de Hayao Miyazaki ao mundo: Princesa Mononoke (Mononoke-hime, 1997).

A história de Princesa Mononoke mais uma vez mostra a ecologia como plano de fundo para a busca do Príncipe Ashitaka para curar uma maldição que o consome. O filme se tornou a maior bilheteira da história do Japão (faturando o equivalente a US$ 150 milhões), batendo E.T. - O Extraterrestre (e ficou na primeira posição até Titanic estrear em terras nipônicas). O filme levou diversos prémios no Japão e em outros festivais internacionais. E foi após Mononoke que Hayao Miyazaki anunciou, pela primeira vez, sua aposentadoria. Mas o sucesso o chamou de volta para dirigir A Viagem de Chihiro (Sen to Chihiro no kamikakushi, 2001). Agora com um certo nome internacional e com a força da distribuição mundial nas mãos da Disney, o filme faturou mais prémios internacionais (incluindo o Oscar de Melhor Filme de Animação, em 2003) e foi sucesso por onde passou. Em 2005, chegou aos cinemas O Castelo Animado (Hauru no ugoku shiro, 2004), com mais prémios (como a indicação ao Oscar de melhor animação) e uma bilheteira de arrasar ao redor do mundo.

Mesmo assim, Hayao Miyazaki ainda está longe de ser reconhecido, principalmente no ocidente, como seu colega de profissão Walt Disney. Com diferentes posições ideológicas quanto a seus filmes, o amor incontestável pela arte da animação está claro em seus filmes, e é apenas questão de tempo para que Miyazaki consiga alcançar a popularidade da qual já desfruta em seu país natal.(Vale também lembrar que ele lançou um novo filme Ponyo com os mesmos temas)

Filmografia[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Filmografia de Hayao Miyazaki

Notas

  1. Os irmãos de Miyazaki são: Arata, Yutaka e Shirou.[2]
  2. Miyazaki posteriormente admitiu que sentia-se culpado por sua família ter lucrado com a guerra e com isso terem conseguido manter um estilo de vida afluente.[6]
  3. Miyazaki baseou a personagem Capitã Dola de Tenkū no Shiro Rapyuta em sua mãe. Ele também chegou a comentar que "Minha mãe teve quatro meninos, mas nenhum de nós ousava se opor a ela".[8]
  4. A biógrafa Helen McCarthy escreveu que "Ele percebeu a futilidade de tentar alcançar o sucesso como escritor de mangás ao copiar o que estava em moda, decidindo seguir seus verdadeiros sentimentos no trabalho, mesmo que isso parecesse tolice.[17]
  5. Goro posteriormente afirmaria que Miyazaki "recebe nota zero como pai, mas nota máxima como diretor de filmes animados".[23]
  6. O escritor Dani Cavallaro afirmou: "Nausicaä constitui um feito sem precedentes no mundo da animação japonesa, e um para o qual qualquer aficionado de Miyazaki deve ser grato, dado que é precisamente pela força de seu desempenho que o Studio Ghibli foi fundado".[61]
  7. A escritora Susan Napier afirmou: "Nausicaä... possui elementos do auto-sacrifício assexuado de Mai [do mangá Mai], porém os combina com uma personalidade ativa e resoluta a fim de criar uma heroína incrivelmente poderosa, mas ainda assim fundamentalmente feminina".[64]
  8. Miyazaki afirmou que "Eu não faço filmes com a intenção de apresentar qualquer mensagem sobre humanidade. Meu objetivo em um filme é fazer com que o público saia feliz com ele".[65]
  9. Suzuki comentou: "O processo de fazer esses filmes ao mesmo tempo em um único estúdio foi um caos total. A filosofia do estúdio de não sacrificar qualidade foi mantida estritamente, então a tarefa parecia quase impossível. Ao mesmo tempo, ninguém no estúdio queria passar a oportunidade de fazer esses dois filmes".[70]

Referências

  1. «UPI Almanac for Saturday, Jan. 5, 2019». United Press International. 5 de janeiro de 2019. Consultado em 25 de março de 2020 
  2. a b Lenburg 2012, p. 11
  3. Lenburg 2012, pp. 11, 60
  4. a b McCarthy 2002, p. 26
  5. a b Miyazaki, Hayao (22 de maio de 1988). Takeuchi, Masatoshi, ed. «The Animation of Hayao Miyazaki, Isao Takahata and Studio Ghibli». Tóquio. Kinema Junpo (1166): 57–58 
  6. Lenburg 2012, p. 12
  7. Lenburg 2012, pp. 11–12
  8. Bayle, Alfred (4 de outubro de 2017). «Hayao Miyazaki modeled character in 'Laputa: Castle in the Sky' after his mom». Philippine Daily Inquirer. Consultado em 25 de março de 2020 
  9. Lenburg 2012, p. 40
  10. Lenburg 2012, pp. 12–13
  11. McCarthy 2002, p. 27
  12. Miyazaki 2009, p. 193
  13. McCarthy 2002, p. 28
  14. a b c «特集宮崎駿 「風の谷のナウシカ」1». Fusion Products. Comic Box (3): 77–137. 1982 
  15. Miyazaki 2009, p. 436
  16. Lenburg 2012, p. 15
  17. McCarthy 2002, p. 29
  18. a b Lenburg 2012, p. 16
  19. Miyazaki 2009, p. 200
  20. a b McCarthy 2002, p. 30
  21. McCarthy 2002, p. 217
  22. a b Miyazaki 2009, p. 438
  23. a b Miyazaki, Goro (24 de fevereiro de 2006). «Goro Miyazaki's Blog Translation». Nausicaa.net. p. 41. Consultado em 26 de março de 2020 
  24. LaMarre 2009, pp. 56ff
  25. McCarthy 2002, p. 38
  26. «Animage Top-100 Anime Listing». Anime News Network. 15 de janeiro de 2001. Consultado em 26 de março de 2020 
  27. Drazen 2002, pp. 254ff
  28. Miyazaki 2009, p. 194
  29. McCarthy 2002, p. 219
  30. a b «ナウシカの道 連載 1 宮崎駿・マンガの系譜». Tóquio: Tokuma Shoten. Animage (61): 172–173. 10 de junho de 1983 
  31. Lenburg 2012, p. 22
  32. McCarthy 2002, p. 27, 219
  33. a b McCarthy 2002, p. 220
  34. a b McCarthy 2002, p. 39
  35. McCarthy 2002, p. 221
  36. Miyazaki 2009, p. 440
  37. a b Miyazaki 2009, p. 441
  38. McCarthy 2002, p. 40
  39. McCarthy 2002, p. 223
  40. McCarthy 2002, p. 50
  41. McCarthy 2002, p. 225
  42. Miyazaki, Hayao (10 de maio de 1983). «シュナの旅 あとがき». Tokuma Shoten. p. 147. Consultado em 27 de março de 2020 
  43. a b Kanō 2006, p. 324
  44. McCarthy 2002, p. 163
  45. Miyazaki 2009, p. 249
  46. Kanō 2006, pp. 37ff, 323
  47. Miyazaki 2009, p. 146
  48. Miyazaki 2007, p. 146
  49. McCarthy 2002, pp. 73—74
  50. a b Saitani, Ryo (1995). «少し前よりもナウシカの事少しわかるようになった». Fusion Products. Comic Box (98): 6–37 
  51. Ryan, Scott. «Nausicaa Manga Comparison». Nausicaa.net. Consultado em 28 de março de 2020 
  52. Miyazaki 2009, p. 94
  53. Miyazaki 2007, p. 94
  54. Miyazaki 2009, p. 442
  55. a b Cavallaro 2006, p. 47
  56. Hiranuma, G. B. «Anime and Academia: Interview with Marc Hairston on pedagogy and Nausicaa». Universidade do Texas em Dallas. Consultado em 29 de março de 2020 
  57. McCarthy 2002, p. 75
  58. McCarthy 2002, p. 77
  59. Kanō 2006, pp. 65–66
  60. Osmond, Andrew (1998). «Nausicaä and the Fantasy of Hayao Miyazaki». Science Fiction Foundation. Foundation (72): 57–81 
  61. Cavallaro 2006, p. 48
  62. Moss, Emma-Lee (11 de julho de 2014). «Why I'd like to be … Nausicaä in Nausicaä of the Valley of the Wind». The Guardian. Consultado em 29 de março de 2020 
  63. Nakamura & Matsuo 2002, p. 73
  64. Napier 1998, p. 101
  65. a b McCarthy 2002, p. 89
  66. McCarthy 2002, p. 45
  67. Miyazaki 2009, p. 443
  68. a b Cavallaro 2006, p. 58
  69. Brooks, Xan (14 de setembro de 2005). «A god among animators». The Guardian. Consultado em 29 de março de 2020 
  70. a b Cavallaro 2006, p. 68
  71. Cavallaro 2006, p. 70
  72. Cavallaro 2006, p. 194
  73. Camp & Davis 2007, p. 227
  74. Macdonald, Christopher (29 de julho de 2014). «Today in History: Kiki's Delivery Service». Anime News Network. Consultado em 30 de março de 2020 
  75. Miyazaki 2006, p. 12
  76. Gaulène, Mathieu (4 de abril de 2011). «Studio Ghibli, A New Force in Animation». INA Global. Consultado em 30 de março de 2020. Arquivado do original em 28 de outubro de 2016 
  77. Hairston, Marc (novembro de 1998). «Kiki's Delivery Service (Majo no Takkyubin)». Universidade do Dallas no Texas. Consultado em 30 de março de 2020. Arquivado do original em 20 de agosto de 2007 

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Camp, Brian; Davis, Julie (2007). Anime Classics Zettai!: 100 Most-See Japanese Animation Masterpieces. Berkeley: Stone Bridge Press. ISBN 978-1-9333-3022-8 
  • Cavallaro, Dani (2006). The Animé Art of Hayao Miyazaki. Jefferson: McFarland & Company. ISBN 978-0-7864-2369-9 
  • Drazen, Patrick (2002). Anime Explosion! The What? Why? & Wow! of Japanese Animation. Berkeley: Stone Bridge Press. ISBN 978-1-611720-13-6 
  • Kanō, Seiji (2006). 宮崎駿全書 2ª ed. Tóquio: Film Art Inc. ISBN 978-4-8459-0687-1 
  • LaMarre, Thomas (2009). The Anime Machine: A Media Theory of Animation. Minneapolis: University of Minnesota Press. ISBN 978-0-816651-55-9 
  • Lenburg, Jeff (2012). Hayao Miyazaki: Japan's Premier Anime Storyteller. Nova Iorque: Infobase Publishing. ISBN 978-1-6041-3841-2 
  • McCarthy, Helen (2002) [1999]. Hayao Miyazaki: Master of Japanese Animation. Berkeley: Stone Bridge Press. ISBN 978-1-8806-5641-9 
  • Miyazaki, Hayao (2006). The Art of Kiki's Delivery Service. São Francisco: Viz Media. ISBN 978-1-4215-0593-0 
  • Miyazaki, Hayao (2007). The Art of Nausicaä of the Valley of the Wind: Watercolor Impressions by Hayao Miyazaki. São Francisco: Viz Media. ISBN 978-1-4215-1499-4 
  • Miyazaki, Hayao (2009) [1996]. Starting Point, 1979–1996. São Francisco: Viz Media. ISBN 978-1-4215-0594-7 
  • Napier, Susan J. (1998). «Vampires, Psychic Girls, Flying Women and Sailor Scouts: Four faces of the young female in Japanese popular culture». In: Martinez, Dolores P. The Worlds of Japanese Popular Culture: Gender, Shifting Boundaries and Global Cultures. Cambridge: Cambridge University Press. ISBN 978-0-5216-3128-0 
  • Nakamura, Karen; Matsuo, Hisako (2002). «Female masculinity and fantasy space». In: Roberson, James E.; Suzuki, Nobue. Men and Masculinities in Contemporary Japan: Dislocating the Salaryman Doxa. Abingdon-on-Thames: Routledge. ISBN 978-0-4152-7147-9 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]