Hebertistas

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Translation Latin Alphabet.svg
Este artigo ou seção está a ser traduzido. Ajude e colabore com a tradução.
Jacques Hébert.

Os hebertistas, também chamados exagerados,[1] eram, durante a Revolução Francesa, na Assembleia Nacional Legislativa (1791 - 1792) e na Convenção (1792-1795), os partidários Jacques-René Hébert, líder da extrema esquerda jacobina, e de Jean-Nicolas Pache. O grupo era formado por membros do Clube dos Cordeliers. A maioria deles pertencia aos quadros da "Montanha", dentro da Convenção, e à administração da Comuna de Paris.

Eram defensores ardentes do ateísta "Culto da Razão", pregando o uso da força para descristianizar a França, e opunham-se ao "Clube do Ser Supremo", deísta, pleiteado por Robespierre.

"Hebertista" é um neologismo nascido do processo dos "exagerados" ou ultrademagogos, tendo Hébert como vedete, por ser a figura mais familiar ao público devido a seu jornal "Le Père Duchesne". O grande movimento do exagero revolucionário, a que se opuseram Danton e depois Robespierre, foi sobretudo representado por Barère, Collot d'Herbois, Guzman, François Desfieux, Julien de Toulouse e outros, principais artesãos da queda dos girondinos, que eles odiavam (31 de Maio a 2 de Junho de 1793).

Implicados em negócios escusos e jamais esclarecidos, referentes a desvio de dinheiro público após o "10 de Agosto", por suas ligações com a Banda Negra e distribuidores de dinheiro estrangeiro, bem como por sua recusa em explicar-se ou apresentar contas sobre tais negócios, os exagerados tinham grandes ambições. Dominando perfeitamente os mecanismos da mais sofisticada demagogia, apoiavam-se no povo, para tanto construindo uma imprensa sob medida, a imprensa de Marat e de Hébert, que participavam em plena luz do dia dos procedimentos destinados a arrasar os Girondinos e depois a purificar a Convenção.

Origem do Movimento dito dos "Exagerados"[editar | editar código-fonte]

Nos dias que precederam à Jornada de 10 de Agosto de 1792, diversos líderes exagerados em seus propósitos e costumes admitiram que as insurreições de massa só poderiam tornar-se possíveis através de certos artifícios. A imprensa desempenhava um grande papel nesse sentido e os jornais de Hébert e Marat, sustentados financeiramente por compras maciças ordenadas pela Comuna ou através de fundos do Ministério da Guerra, faziam eco às acusações lançadas contra Brissot e Lebrun.

O movimento apoiava-se principalmente sobre recursos menos aparentes e financiamentos ocultos, de que se tem provas através da descoberta de provas escritas ou pelo conhecimento de tomadas de participação comerciais diversas dos principais líderes "exagerados" (como Berthold de Proli, Andres Maria de Guzman ou Jacob Pereyra, eles também distribuidores de dinheiro) com representantes dos grandes bancos, como Jean Joseph de Laborde – na verdade seu filho, Laborde Méréville –, Édouard de Walckiers seu enteado, o Conde de Pestre de Séneffe ou Jean-Frédéric Perrégaux, que haviam se comprometido com a Revolução e não queriam, na França, o retorno da monarquia dos Bourbons e sim uma forma de oligarquia asegurando a estabilidade política e financeira, isenta de direcionismo ou protecionismo. Uma parte dos líderes possuia ainda ligações de dependência com poderosas filiais do banco suiço, inglês, basco, belga e austríaco, cujas ramificações cobriam toda a Europa.

Os assaltos contra a Convenção[editar | editar código-fonte]

Estes líderes foram os instigadores dos distúrbios de 10 de março de 1793, que forçaram a Convenção a considerar trinta girondinos como fora-da-lei. Na sequência, muitos foram presos e encarcerados em 2 de junho. Outros, como Buzot, Barbaroux, Condorcet e Roland conseguiram esconder-se ou fugir. Aproximadamente cem pessoas foram presas no verão de 1793.

Referências

  1. Não confundir com os enragés (raivosos) de Jacques Roux.