Henrique Amaro

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Henrique Amaro é um realizador e locutor de rádio. É um dos principais divulgadores das novas músicas portuguesa e brasileira.

Percurso[editar | editar código-fonte]

Henrique José Gomes Amaro nasceu em Lourenço Marques em 23 de Julho de 1970.

Desperta para a música portuguesa ouvindo os programas da Rádio Renascença, lendo o suplemento do "Portugal Hoje" e vendo o programa "Vivamúsica" na RTP. Compra os discos e assiste aos primeiros concertos.

No Liceu de Queluz havia um núcleo de rádio, começa por levar discos e estreia-se aos 15 anos. Esteve alguns anos na Rádio Mais, na Amadora. Depois foi convidado para a TSF. Com Vitor Marçal apresenta na TSF o programa "Aprendizes de Mecânico".

Em 1991 colabora durante alguns meses no programa "Pop-Off". Entra Para a NRJ-Rádio Energia, ligada à TSF, onde apresenta o programa "Johnny Guitar" com Zé Pedro dos Xutos & Pontapés. Também foi um dos apresentadores do programa "Vira o Video" da RTP.

Entra para a Antena 3 onde apresenta, pela primeira vez como profissional, o programa diário "100%" de divulgação de música portuguesa e ainda "Músicavariada", este com Zé Pedro, programa de duas horas que se regia por um princípio de liberdade total (a ideia era levar uma série de discos para o estúdio, com ou sem alinhamento).

O disco "100%" é editado em 1995 com algumas das bandas divulgadas no programa. Colabora como A&R na editora União Lisboa com nomes como Ramp. Convida os Xutos e Pontapés, após uma primeira experiência com os GNR, a apresentarem-se ao vivo no auditório da Antena 3.

Em 1996 continuam os espectáculos, acústicos ou não, apresentados no âmbito do programa "100%". Da Weasel lançam uma nova edição de "Dou-lhe Com a Alma" com os temas gravados nessa apresentação.

Alarga o conceito do programa à música brasileira lançando nomes como Chico Science e Mundo Livre S/A. Simentera, noutro quadrante, é outro dos nomes divulgados.

Em 1997 é convidado para apresentar, na RTP2, durante seis meses o programa "Spray", com Pedro Fradique e José Pinheiro. É, na época, o único espaço de divulgação da música moderna nacional. Numa das emissões é divulgado "Maracatu Atómico" de Chico Science e A Nação Zumbi.

Foi programador do Palco 6 na Expo-98 e fez direcção artística do disco "Tejo Beat". As 10 bandas apresentam-se ao vivo na Expo-98. É editado a compilação "Ao Vivo Na Antena 3" com algumas das bandas que passaram pelo auditório da Antena3.

No início de 1999 é um dos convidados do debate "Rádio 99: A Rádio que temos, a Rádio que queríamos" realizado na Fonoteca de Lisboa. No Parque das Nações é responsável pela programação das bandas do Palco 6 - Sound Sytem que se realizou em 1999 e 2000.

Colaborou na realização dos Festivais "Mangue Beat" e "Transatlântico" realizados em Julho de 2000, por ocasião dos 500 anos da "descoberta" do Brasil.

É um dos jurados do concurso de videoclips integrado no Fantasporto de 2001. Após o fim do programa "100%", que passa a rubrica diária, é um dos realizadores, conjuntamente com Nuno Galopim e Nuno Calado, do programa "Rádio Clube". Chegaram a ter convidados especiais que se apresentaram em directo. Exemplos são Jorge Palma e Gomo.

O programa "Rádio Clube" promoveu a semana da maqueta na semana de 27 a 31 de Maio de 2002. Em Setembro participa no debate "A Música Portuguesa em 2010" realizado na FNAC. Começa um novo programa diário na Antena 3: "Portugália ("Os conhecidos e os desconhecidos. Para de uma vez por todas, sentir o pulso à música lusófona.")

No início de 2003 apresentaram-se nas "sessões da Antena 3" nomes como Xutos e Pontapés e Coldfinger. Convida os Mão Morta a apresentarem o espectáculo "Carícias Malícias" no auditório da Antena 3. Desse espectáculo resulta o disco com o mesmo nome. É o coordenador do disco "Movimentos Perpétuos - Música para Carlos Paredes" e faz a escolha do repertório dos discos "Rádio Brasil" e "Amor Samba Clube". É também a voz oficial do Disney Channel.

Chega a coloborar numa numa série documental, em seis episódios, sobre a história do pop-rock em Portugal e num disco que assinalaria os 10 anos do disco "Rapública" mas esses projectos não se chegam a concretizar.

Em 2004 é o responsável pela programação do palco Quinta dos Portugueses no Super Rock. Começa a rubrica "3 Pistas" com nomes como Mesa, Los Hermanos ou Ovo. Escreve uma das 17 histórias inéditas publicadas no "Livro Pirata-Disco Pirata" dos Rádio Macau. Cada texto é acompanhado pela letra da música e por uma ilustração de Alexandre Cortez Pinto. No dia da música, a Fnac ofereceu o disco "Uma Outra História" que teve a coordenação de Henrique Amaro. Foi um dos entrevistados da iniciativa "20 Anos 52 Pessoas" do jornal Blitz.

Em Abril de 2005 foi editado o disco 3 "Pistas" e realizou-se também um festival no Fórum Lisboa. A Fnac edita uma versão alargada de "Uma Outra História". A mesma entidade publica o livro "251 discos" com textos e escolha de Amaro, Pedro Félix e Jorge Mourinha.

No dia 23 de Outubro de 2006 foi lançada a colectânea em mp3 "Acorda!" com 120 músicas de 60 artistas portugueses e cujos lucros reverteram para o Instituto Português de Oncologia (IPO) de Lisboa. A selecção dos participantes foi feita por Henrique Amaro, em colaboração com a Cobra Discos, e recaiu sobre projectos sem disco editado ou ligados a edições de autor e editoras independentes.

Em 2007 são divulgados os chamados "concertos de bolso" na Portugália. Em 18 de Junho de 2007 começa a 3ª série "3 Pistas" com 15 nomes da música portuguesa. Entretanto coordena a edição da compilação "Novos Talentos FNAC 2007".

No ano de 2008 é editada uma nova compilação "Novos Talentos Fnac", agora num disco duplo.

Em 2009 tornou-se Director Artístico da iniciativa Optimus Discos, uma plataforma editorial nascida com a ideia de partilhar e fomentar o uso da música de vários artistas.

Programas de Rádio[editar | editar código-fonte]

  • Aprendizes de Mecânico (TSF)
  • Johnny Guitar (NRJ)
  • 100% (A3, 1994-2001)
  • Música Avariada (A3, 1994-?)
  • Rádio Clube (A3, 2001-2002)
  • Portugália (A3, 2002-)

Iniciativas[editar | editar código-fonte]

Discos[editar | editar código-fonte]

  • 100% (MA, 1995)
  • Tejo Beat (Norte Sul, 1998)
  • Ao Vivo na Antena 3 (Norte Sul, 1998)
  • Rádio Brasil - O Som da Jovem Vanguarda (MA, 2003)
  • Movimentos Perpétuos (Universal, 2003)
  • Amor Samba Clube - Música Para Dançar No Sofá (EMI, 2003)
  • Uma Outra História (Fnac, 2004)
  • Uma Outra História (Fnac, 2005)
  • 3 Pistas (2005)
  • Acorda! (Cobra, 2006)
  • Novos Talentos Fnac 2007 (Fnac, 2007)
  • Novos Talentos Fnac 2008 (Fnac, 2008)
  • Novos Talentos Fnac 2009 (Fnac, 2009)
  • 3 Pistas (2009)

Outros[editar | editar código-fonte]

  • Blind Zero -TransRadio (CDX, 1996)
  • Da Weasel - Dou-lhe Com A Alma, edição especial (CD, 1996)
  • Flood - Antena 3 Ao Vivo (EP, 1997)
  • Clã - Ao Vivo Na Antena 3 (Single, 1997)
  • Turbojunkie - Junkie Radio Sessions (CD, 1998)
  • Xutos & Pontapés - Ao vivo na Antena 3 (1995)
  • Mão Morta - Carícias Malícias (CD, 2003)
  • Coldfinger - Live Coda (edição especial de "Sweet Moods+Interludes", 2004)

3 Pistas[editar | editar código-fonte]

Inserido no programa "Portugália", "3 Pistas" é o nome deste trabalho desenvolvido pelo Henrique Amaro em que o conceito é simples: "3 microfones, 1 autor, canções originais + 1 versão". Por lá passaram artistas como Los Hermanos, Toranja, Grace, Ovo, UHF, Old Jerusalem, entre muitos outros.

No final de Abril de 2005 foi editado o disco "3 Pistas" com 11 das bandas apresentadas neste formato. Mesa - Luz Vaga e No One Knows (Queens of the Stone Age); Blind Zero - April Skies (Jesus and Mary Chain) e About Now; Quinteto Tati - Uma Para o Caminho e Gota d'Água (Chico Buarque); Toranja - Carta e Chaga (Ornatos Violeta); The Legendary Tiger Man - Route 66 (Bobby Troup) e Crawdad Hole; Mão Morta - Fado Canibal e Kayatronic (Corpo Diplomático); 1 Uik Project - Sal e Cinzas e Dá-me Lume (Jorge Palma); Melo D + Good Vibe - Humbi Humbi (tradicional africano) e Boas Vibrações; Repórter Estrábico - Charlie Don't Surf (The Clash) e Segunda Pele; Jorge Cruz - O Calor (Sloppy Joe) e Adriana; e Dead Combo - Ribot e Temptation (Tom Waits).

A 3ª edição do disco de estreia dos Mesa inclui alguns dos temas apresentados nesta rubrica. O mesmo aconteceu com a reedição do álbum "Perfil" de Zeca Baleiro.

O segundo volume "3 Pistas" foi lançado em 2009.

Concertos e Festivais[editar | editar código-fonte]

  • Palco 6 (Expo 98)
  • Palco 6 - Sound System
  • Festival Transatlântico e Festival Mangue Beat
  • Quinta dos Portugueses
  • Scype, Eurosonic

Curiosidades[editar | editar código-fonte]

São várias as músicas e as vozes incluídas num dos genéricos mais conhecidos do 100%. Músicas: "Domingo no mundo" de Sérgio Godinho + "Rios pontes e overdrives" de Chico Science & Nação Zumbi + "Esquadrão da morte" dos Da Weasel. Vozes:"…o povo…" dos Mano Negra + "…1 satélite na …" de Chico Science + "…a verdadeira identidade…" de Marcelo D2.

No jornal Blitz chegou a ser publicado um artigo de Henrique Amaro sobre música brasileira. Mais tarde escreveu um artigo de opinião aquando dos especiais que o jornal dedicou ao tema "Salvar a Música Portuguesa".

Na revista ON chegou a ser publicada uma entrevista ao brasileiro Otto feita por si. Também colaborou com a revista Lusobeat com entrevistas a nomes como Mário Barreiros e Armando Teixeira.

Tem o curso de professor primário mas nunca exerceu.

Henrique Amaro aparece no tema "Noutro País" dos Xutos & Pontapés a debitar nomes de crianças brasileiras assassinadas pelo esquadrão da morte. Aparece também no tema "Há Muito Tempo…" dos Mão Morta e no respectivo teledisco realizado por Nuno Tudela.

A seu convite tem acontecido projectos como "Uma Outra História". Também foi dele a ideia dos Bunny Ranch gravarem "Sansão foi Enganado" de Zeca do Rock ou da colaboração de Valete com os Balla.

Comentários[editar | editar código-fonte]

"Não se considera jornalista de música. Diz-se um simples divulgador musical - não tem nada que criticar ou opinar sobre o que se passa no meio" (in Independente)

"Eu tenho uma paixão enorme pela minha profissão, mas tenho uma paixão maior pela música. Eu primeiro comecei a fazer a minha formação musical, a coleccionar discos, a rádio surge depois motivada por isso." (DNA, 2003)

"(1º de Agosto) era um tema incontornável nos concertos, tocava no "Som da Frente", na "Cor do Som" e rapidamente ganhou culto dentro do culto. O culto aumentava diariamente e em várias frentes. Dos bancos do liceu às páginas do jornal. " in apresentação do disco "1º de Agosto Ao Vivo No RRV"

"Numa rápida conversa de café, pedi-lhes que reinventassem o disco (y algo mas…) sem qualquer tipo de regras, aliás, o concerto "Ao Vivo na Antena 3" baseia-se nisso mesmo - numa total liberdade estética do artista / espectáculo. Mais do que qualquer coisa, o objectivo é produzir / proporcionar uma emissão de rádio menos convencional. Aqui só a Música (Grupo) e o Público. Ninguém mais. Os FLOOD desafiaram o repto e reinventaram-se; não se refugiaram no, por vezes, duvidoso "unplugged"; exploraram o silêncio e usaram subtilmente os convidados. Enfim, foram os FLOOD intensos e épicos, em que eu acredito." (Julho 1997)

"O que realmente importa (todos os dias) são salas de ensaio, clubes, novos meios de promoção, managers convictos, agências honestas, paz e amor." (DN mais, 1998)

"Esta geração tem interesse em conhecer, mas é discutível se tem ligação forte com o passado. Não podemos esquecer que estas manifestações são em torno de nomes consensuais, como Zeca ou Paredes." (Público, 2003)

"Mesmo do ponto de vista bibliográfico estamos agarrados ao livro do António Duarte que foi lançado há 23 anos, e que retrata quase 50 anos de música pop-rock. A grande história da música portuguesa está por fazer, apesar de já existirem histórias individuais retratadas." (Público, 2003)

"No meu primeiro lugar intemporal escolheria "Guitarra Portuguesa", de Carlos Paredes. Por mais que Portugal mude, que os governos mudem, que venham os trip-hops, acho que este disco será sempre fundamental." (Notícias Magazine, 1996)

"Fiquei desiludido com o argumento utilizado para acabar com o programa (Spray) - que o conteúdo se tinha esgotado. Quando o grande objectivo era esse: demonstrar que o contexto de que estávamos a falar evoluía diariamente e que tinha novidades."

"Não passou pelas pessoas que criaram o SPRAY acabar. fomos informados pela RTP que não queriam continuar. invocando que o conteúdo do programa daquela forma estaria esgotado. que se andasse para a frente não traria nada de novo. Tivemos que interromper a actividade embora inconformados." (Revista Garagem, 1997)

"O sucesso internacional nem sempre, ou talvez raramente, está ligado ao potencial criativo do músico ou da banda; existem factores paralelos que definem o futuro e o conhecimento da obra e da canção. Actualmente o investimento financeiro e o marketing são fundamentais e como ainda somos imberbes nesses territórios, sou muito pessimista quanto ao quebrar fronteiras. Quando acontecem devem-se mais a acasos e investimentos individuais do que a acções de conjunto."

"despertei para os Clash através dos Xutos e despertei para os Talking Heads com os GNR" JN, 16 de novembro de 2004

"Não é só a voz, não é só o que diz nem é só o que escolhe - o António Sérgio é o meu formador e o meu guia espiritual" JN, 16 de novembro de 2004

"o Estado devia, e podia, colher lucros com a música portuguesa (há) vários casos de sucesso, como a França ou a Noruega (…)Como isto é algo que passa ao lado das multinacionais, é fundamental uma representação oficial nas várias feiras internacionais, com um stand à disposição dos artistas, que promova e divulgue toda a música feita em Portugal." (in Visão, 2005)

"Em Portugal, o momento criativo é impar na sua variedade e qualidade. Uma geração sem idade tem criado a um ritmo alucinante uma imensidão de géneros que necessitam de ser viabilizados publicamente. A acessibilidade a esta criatividade emergente tem de ser promovida e o desperdício contrariado." (Manifesto Optimus Discos, 2009)

Artigos e Entrevistas[editar | editar código-fonte]

  • Diz-me o que ouves… Henrique Amaro / Musicnet - Junho de 1999
  • Ritual n.º10, entrevista de Ricardo Alexandre
  • O Independente, artigo de Cláudia Santos
  • Notícias Magazine (top 3, recolha de Rui Pedro Tendinha) (1996)
  • Revista Garagem nº 1 (Dezembro de 1997)
  • ON nº6, entrevista de António Sérgio (Fevereiro de 2000)
  • DNA, entrevista de Sandra Nobre (12 de Dezembro de 2003)
  • Revista Número, entrevista de José Marmeleira
  • 20 Anos 52 Pessoas - Blitz nº 1049 de 7 de dezembro de 2004
  • planetadamusica.blogspot.com
  • atritos-sonoros.blog.pt
  • fenther.blogs.sapo.pt
  • - Agosto de 2009
  • Entrevista de João Moço / Diário de Notícias (13 de Fevereiro de 2010 [1])

Ligações externas[editar | editar código-fonte]