Henry Wickham

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Henry Wickham
Nascimento 29 de maio de 1846
Hampstead
Morte 27 de setembro de 1928
Paddington
Cidadania Reino Unido
Ocupação explorador, botânico
Prêmios

Sir Henry Alexander Wickham (29 de maio de 184627 de setembro de 1928), botânico inglês, conhecido por ser o autor do contrabando de cerca de 70.000 sementes [1] de seringueira, Hevea brasiliensis, na região de Santarém no Pará em 1876. As sementes foram encaminhadas ao Royal Botanic Gardens em Londres e, após selecionadas geneticamente, enviadas para plantações na Malásia. É um dos mais ilustrativos casos de biopirataria de espécies amazônicas.[2]

Wickham era filho de uma família de classe média, empobrecida de repente por causa da morte súbita do pai advogado, daí Wickham saiu da Inglaterra aos 20 anos, rumo aos trópicos em busca de riquezas. Tinha como inspirações os exploradores que levavam a bandeira do império colonial britânico ao mundo inteiro e eram considerados os heróis da época. Antes de chegar ao Brasil, passou por Nicarágua e Venezuela, onde teve seu primeiro contato com índios e aprendeu a tirar o látex das seringueiras. Contraiu várias malárias que o levaram à beira da morte. Obcecado com sonhos de grandeza, não parou e convenceu toda a família a se mudar para Santarém, onde tentou estabelecer uma plantação de seringueiras. Desta vez mais trágico. Em três anos, morreram sua mãe, sua irmã e a sogra de um irmão.[3]

Em 1871, Wickham e sua esposa Violet Carter chegaram a Santarém-Pará onde ele tentou se passar por um expert em borracha. Impostor, logo caiu em desgraça e dificuldades financeiras, sendo amparado pela comunidade de Norte Americanos do local. Um fracasso em quase tudo que se propunha a fazer, Wickham obteve sucesso em enganar as autoridades portuárias em Belém-Pará, informando que a carga de sementes que estava enviando para Londres tratava-se de material botânico destinado a um herbário.[4]

Wickham acondicionou os grãos em 50 cestos indígenas e forrado o conjunto com folhas de bananeira para evitar a formação de uma camada de cianeto. A embarcação da carga foi o SS Amazonas um navio em sua segunda viagem, o capitão foi roubado e abandonado pela tripulação. Apesar dos serviços à rainha, Wickham teve suas ambições freadas de coordenar as plantações de borracha nas colônias asiáticas. Já que o diretor do Jardim Botânico, que o julgava um picareta. Recebeu apenas seus honorários de 700 libras pelo feito e vagou pelo mundo como um condenado além de ser pela esposa em Nova Guiné, numa região habitada por canibais. Três décadas e meia depois, quando as árvores nascidas das 2.900 sementes germinadas passaram a produzir a rica seiva, ele conseguiu, enfim, provar que estava certo. E virou cavaleiro da rainha, sir Wickham.[5]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Ponting, Clive (2007). A New Green History of the World: The Environment and the Collapse of Great Civilizations (em inglês). New York: Penguin Books. p. 183. ISBN 978-0-14-303898-6 
  2. Tráfico de semente fez ruir ciclo da borracha Caderno Vida e Cidadania (História) - Jornal Gazeta do Povo - acessado em 17 de setembro de 2011
  3. http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI80394-15223,00-HENRY+WICKHAM+O+INGLES+QUE+SE+TORNOU+O+PAI+DA+BIOPIRATARIA.html
  4. Grandin, Greg (2009). Fordlandia - The Rise and Fall of Henry Ford's Forgotten Jungle City (em inglês). [S.l.: s.n.] p. 31-32. ISBN 978-0-8050-8236-4 
  5. https://istoe.com.br/154500_O+HOMEM+QUE+ROUBOU+A+BORRACHA+DO+BRASIL/
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