Herbert Blumer

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Herbert Blumer, sociólogo, nasceu em 7 de março de 1900, em St. Louis, Missouri, e faleceu em 13 de abril de 1987. Deixou importantes contribuições à Psicologia Social e às Ciências da Comunicação.

Vida e Obra[editar | editar código-fonte]

Frequentou a Universidade de Missouri de 1918 a 1922. Após a graduação, aí mesmo foi professor e obteve grau de mestre em Sociologia. Em 1925, transferiu-se para a Universidade de Chicago e se tornou jogador de futebol profissional. Em Chicago foi notavelmente influenciado pela Sociologia de George Herbert Mead, W. I. Thomas, e Robert Park. Ao completar o doutorado em Psicologia Social, em 1928, foi convidado a ensinar na Universidade de Chicago. Quando Mead ficou doente e teve de deixar o curso de Psicologia Social que ministrava na Universidade de Chicago, Blumer assumiu a disciplina e continuou o trabalho de Mead.

Aos 27 anos, Blumer ocupava cadeira na Universidade de Chicago. Licenciou-se para servir no exército durante a Segunda Guerra Mundial. Estudou como bolsista em várias universidades. Realizou estudos sobre a moda em Paris, cuja importância equiparou à dos costumes. Em trabalho realizado na Associação Americana de Sociologia (American Sociological Association), em 1948, procedeu à crítica das técnicas de amostragem das pesquisas de opinião pública, as quais ignoravam os formadores de opinião.

Blumer assumiu a nova cadeira do Departamento de Sociologia da Universidade de Califórnia, Berkeley, em 1952. Ele foi secretário de finanças e o derradeiro presidente da Associação Americana de Sociologia.

Contribuições teóricas[editar | editar código-fonte]

Blumer foi estudante ávido de raciocínio empírico. Um dos seus estudos mais conhecidos fez parte de projeto de pesquisa do Fundo Payne, que alertou para o perigo do efeito de filmes sobre crianças e adultos jovens. O projeto incluiu mais de dezoito cientistas sociais, que publicaram onze relatórios. O fascinante estudo de Blumer intitulado Filmes e conduta (Movies and Conduct, 1933) traz mais de 115 depoimentos de estudantes secundaristas e universitários sobre suas experiências com os filmes. Ele revelou que o cinema ensina às crianças coisas como estilo de vida, penteados, o modo de beijar, até mesmo como bater carteiras.

Nesse mesmo ano ele publicou Cinema, delinquência e crime (Movies, Delinquency and Crime, 1933). Quanto a esse trabalho de Blumer, o então chefe do Departamento de Psicologia e Pedagogia da Universidade de Chicago, John Deweyo, observou que vivências estéticas equivalem a experiências, conforme publicou em A arte como experiência, nesse mesmo período (1934).

Além disso, Herbert Blumer começou a desenvolver o interacionismo simbólico a partir dos princípios formulados por George Mead da teoria de Psicologia Social, filósofo também integrante da Escola de Chicago. Desse modo, Blumer publicou o artigo Homem e Sociedade, em 1937, no qual conceituava o interacionismo simbólico em três premissas.

  • As pessoas agem em relação aos objetos de acordo com os significados atribuídos a eles. Os homens das cavernas, por exemplo, interpretavam a pedra como uma matéria prima para utensílios, como facas e machados. Portanto, a ação deles de colher pedras ocorre devido ao que elas representam para eles.
  • Esse significado se estabelece a partir da interação social, ou seja, a ideia de uma pedra se tornar uma faca apenas foi consolidada em decorrência de uma pessoa comunicar à outra, estabelecendo um consenso.
  • Tais significados são modificados por meio de processos interpretativos pelas pessoas ao entrar em contato com outros elementos. No caso da pedra, os indivíduos não se limitaram à fabricação de ferramentas. Hoje em dia, a pedra é empregada em calçadas, em esculturas, em construções.

Portanto, a sociedade é um produto da comunicação, porque a vida social se mantém graças à capacidade dos seres humanos de interpretar seu contexto e responder aos estímulos que recebem. Contudo, a comunicação não se resume ao processo de emissão e recepção de mensagens. É necessário que haja a interpretação dos símbolos, caso contrário, não se estabelece a comunicação. Se um brasileiro, por exemplo, cumprimenta um chinês dizendo “oi, tudo bem?”,  não haverá comunicação. Apesar de a mensagem ter sido recebida pelo chinês, uma vez que não houve compreensão. Logo, a comunicação é um processo estruturado pelo uso racional dos símbolos, o qual não se reduz à transmissão de mensagens.[1]

Ele também assimilou de W. I. Thomas o conceito de "definição da situação", bem assim a Sociologia e a Filosofia de John Dewey (autor de Experiência e natureza, 1925), pertinentes à noção da interação entre humanos e destes com o mundo natural.

Na Universidade da Califórnia, em Berkeley, Blumer desenvolveu o Departamento de Sociologia, o próprio pensamento e suas pesquisas. Aperfeiçoou a teoria do preconceito racial, investigou efeitos da industrialização nas sociedades tradicionais e dirigiu estudo sobre o uso de drogas por adolescentes. Cientistas sociais devem a ele o evidenciar de algumas limitações da pesquisa quantitativa. Um de seus orientandos, Anselm Strauss, trabalhou como seu assistente de pesquisa e foi co-autor da teoria da fragmentação/redução (grounded theory).

Publicações[editar | editar código-fonte]

  • Filmes e Conduta (Movies and Conduct), 1933.
  • Cinema, Delinquência, e Crime (Movies, Delinquency, and Crime), 1933.
  • O Lado Humano de Planejamento Social (The Human Side of Social Planning), 1935.
  • " Psicologia social", Capítulo 4 em Emerson Peter Schmidt (ed.) O homem e Sociedade: Uma Essencial Introdução à Ciência social . (Man and Society: A Substantive Introduction to the Social Science. New York, Prentice-Hall),1937.
  • " Críticas de Pesquisa nas Ciências sociais: Uma Avaliação de Thomas e Znaniecki sobre o rústico e refinado na Europa e América" (Critiques of Research in the Social Sciences: An Appraisal of Thomas and Znaniecki's The Polish Peasant in Europe and America), 1939.
  • Interação simbólica: Perspectiva e Método (Symbolic Interaction: Perspective and Method),1969.
  • " Comportamento coletivo." pp. 166–222. Esboço de novos princípios de sociologia (Collective Behavior." - New Outline of the Principles of Sociology ed. A. M. Lee. New York: Barnes & Noble), 1951.
  • “Variáveis na análise sociológica” (Sociological Analysis and the "Variable) pp. 683–690 in American Sociological Review, Vol 21, No. 6. (Dec., 1956).
  • Teoria sociológica nas relações industriais (Sociological theory in industrial relations (1947). American Sociological Review, 12(3), pg 271-178.

Referências[editar | editar código-fonte]

Dewey, John. Experiência e natureza; Lógica: a teoria da investigação; A arte como experiência; Vida e educação; Teoria da vida moral. Os pensadores. SP, Abril Cultural, 1980

Farr, Robert M..As raízes da psicologia social moderna. RJ, Petrópolis, Vozes, 2008

Johnson, Telma Sueli Pinto. O naturalismo metodológico de H. Blumer, contribuições para as práticas de pesquisa em cibercultura. Trabalho apresentado ao Grupo de Trabalho “Comunicação e Cibercultura”, do XVII Encontro da Compós, na UNIP, São Paulo, SP, em junho de 2008. Disponível em Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

  1. RÜDIGER, Francisco (2011). As teorias da comunicação. Porto Alegre, RS: Artmed. pp. 37–54 Capítulo II