Hertha Marks Ayrton

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Hertha Marks Ayrton
Phoebe Sarah Marks
Nascimento 28 de abril de 1854
Ilha Portsea, Hampshire, Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda
Morte 23 de agosto de 1923 (69 anos)
Bexhill-on-Sea, Sussex, United Kingdom
Nacionalidade Inglaterra Inglesa
Alma mater Girton College, Cambridge
Universidade de Londres
Prêmios Medalha Hughes (1906)
Campo(s) Engenharia, matemática e invenções

Phoebe Sarah Hertha Ayrton, nascida Marks (Ilha Portsea, 28 de abril de 1854Bexhill-on-Sea, 23 de agosto de 1923) foi uma engenheira, matemática e inventora inglesa.[1]

Vida pessoal e educação[editar | editar código-fonte]

Hertha nasceu como Phoebe Sarah Marks, na Ilha Portsea, em Hampshire. Era a terceira filha de um judeu polonês e relojoeiro, chamado Levi Marks, imigrante da Polônia, então uma divisão da Rússia czarista. Sua mãe era Alice Theresa Moss, costureira, que era filha de Joseph Moss, comerciante de vidro. [2][3] Seu pai faleceu em 1861, deixando a esposa com sete filhos, mais um para nascer. Hertha , então acabou assumindo a criação dos irmãos para ajudar a mãe.

Aos 9 anos, Hertha foi convidada por suas tias, que dirigiam uma escola em Londres, a viver com seus primos e estudar com eles.[4] She was known to her peers and teachers as a fiery, occasionally crude personality.[5] Seus primos a introduziram à ciência e à matemática e aos 16 começou a trabalhar como governanta.

Hertha estudou no Girton College, em Cambridge, onde estudou matemática e foi treinada em física por Richard Glazebrook. Durante seus estudos em Cambrigde, Hertha construiu um esfigmomanômetro (medidor de pressão arterial), foi líder de coral, fundou a brigada de incêndio do Girton College, junto de Charlotte Scott.[4] Em 1880, passou no curso de licenciatura em matemática, mas Cambridge não aceitou sua formação, pois na época ela fornecia apenas certificados e não graduação às mulheres. Ela então passou por uma prova externa, na Universidade de Londres, onde obteve o bacharelado em Ciências, em 1881.[6]

Hertha era agnóstica. Na adolescência, ela adoto o nome Hertha devido a um poema de Algernon Charles Swinburne, que criticava a religião.[7] Em 1885, ela se casou com o viúvo, William Edward Ayrton, físico e engenheiro elétrico, que foi seu grande apoiador na ciência. Sua primeira filha recebeu o nome de Barbara Bodichon Ayrton (1886–1950), em homenagem a Barbara Bodichon. Barbara, ou Barbie, se tornaria membro do Parlamento pelo Partido Trabalhista. Seu neto foi o artista Michael Ayrton.[5]

Matemática e engenharia[editar | editar código-fonte]

Ao voltar para Londres, Hertha ganhava dinheiro ensinando e bordando, dirigia um clube para meninas trabalhadoras e cuidava de sua irmã inválida.[4] Ela usou seus conhecimentos em matemática para fins práticos, lecionando na Notting Hill and Ealing High School. Também foi ativa na elaboração e resolução de problemas matemáticos, muitos dos quais foram publicados em "Questões Matemáticas e Suas Soluções" do Educational Times. Em 1884, patenteou uma linha divisória, um instrumento de desenho na engenharia para dividir uma linha em qualquer número de partes iguais e para ampliar e reduzir figuras.[2][4] O divisor de linha era sua primeira invenção importante e, embora seu uso preliminar fosse, provavelmente, para artista, era também útil aos arquitetos e engenheiros.

O pedido de patente de Ayrton foi apoiado financeiramente por Louisa Goldsmid e pela feminista Barbara Bodichon, que juntas emprestaram dinheiro suficiente para registrar as patentes; a invenção foi mostrada na Exhibition of Women's Industries e recebeu muita atenção da imprensa. A patente de 1884 de Hertha foi a primeira de muitas - de 1884 até sua morte, o Hertha registrou 26 patentes: cinco em divisores matemáticos, 13 em lâmpadas de arco e eletrodos, o resto na propulsão a ar.

Em 1884, Hertha começou a lecionar eletricidade no Finsbury Technical College, sob orientação de William Edward Ayrton, pioneiro na engenharia elétrica e no ensino de Física, membro da Royal Society. Em 6 de maio de 1885, ela se casou com seu antigo professor, auxiliando-o em seus experimentos em física e eletricidade.[4] Foi também quando começou seus estudos sobre as características do arco elétrico.[3]

No final do século XIX, a lâmpada elétrica era amplamente utilizada para a iluminação pública. A tendência dos arcos elétricos de cintilar e sibilar foi um grande problema. Em 1895, Hertha Ayrton escreveu uma série de artigos para The Electrician, uma publicação londrina de eletricidade e física, explicando que estes fenômenos eram o resultado do oxigênio que entra em contato com as hastes de carbono utilizadas na confecção do arco. Em 1899, ela foi a primeira mulher a ler seu próprio trabalho diante da Instituição de Engenheiros Elétricos (IEE).[4] Seu artigo foi intitulado "A Sibilação do Arco Elétrico". Pouco tempo depois, Ayrton foi eleita a primeira mulher membro do IEE; a próxima mulher a ser admitida no IEE foi em 1958.

Hertha pediu para apresentar o documento diante da Royal Society, mas não foi permitido por ser mulher. "O Mecanismo do Arco Elétrico foi lido por John Perry, em 1901.[5] Hertha foi a primeira mulher a ganhar um prêmio Royal Society, a Medalha Hughes, concedida a ela em 1906 por sua pesquisa com o arco elétrico.[3] No final do século XIX, seu trabalho com engenharia elétrica foi reconhecido tanto nacional quanto internacionalmente. Discursou no Congresso Elétrico em Paris, em 1900. Seu sucesso levou a Associação Britânica para o Avanço da Ciência a permitir que as mulheres servissem em comitês gerais e seccionais.[2]

Em 1902, Hertha publicou O Arco Elétrico, um resumo de sua pesquisa e trabalho na área, que se originou de seus primeiros trabalhos publicados na The Electrician, entre os anos de 1895 e 1896. Com essa publicação, ela contribuiu para a área da engenharia elétrica, que começava a se consolidar. Ela não foi bem recebida pelas mais tradicionais e prestigiadas sociedades científica no começo. Foi apenas depois desta publicação recebida com «um sucesso retumbante»[8] que ela se tornou membro da Royal Society, em 1902, por indicação de John Perry, já que até então a sociedade não considerava mulheres como elegíveis a membro.[9]

Em 1904, ela se tornou a primeira mulher a ler um artigo científico diante da Royal Society, com o artigo "A Origem e o Crescimento das Marcas de Ondulação", publicado posteriormente no Proceedings of the Royal Society.[5][6][10]

Últimos anos e morte[editar | editar código-fonte]

Hertha ajudou a fundar a International Federation of University Women, em 1919 e a National Union of Scientific Workers, em 1929. Ela morreu devido à uma picada de inseto, em 26 de agosto de 1923, em New Cottage, Sussex, aos 69 anos.[4]

Referências

  1. Hertha Marks Ayrton (em inglês)
  2. a b c Hirsch, Pam (1 de março de 2009). «Hertha Ayrton». Jewish Women: A Comprehensive Historical Encyclopedia. Brookline, Massachusetts: Jewish Women's Archive. Consultado em 28 de abril de 2016 
  3. a b c Institution of Engineering and Technology (ed.). «Hertha Ayrton». Archives Biographies. Consultado em 28 de abril de 2016 
  4. a b c d e f g Mason, Joan. «Sarah Ayrton». Oxford Dictionary of National Biography online ed. Oxford University Press. doi:10.1093/ref:odnb/37136  (Requer Subscrição ou ser sócio da biblioteca pública do Reino Unido.)
  5. a b c d Ogilvie, Marilyn Bailey (1986). Women in Science: Antiquity Through the Nineteenth Century 3rd ed. Cambridge, Massachusetts: MIT Press. pp. 32–34. ISBN 0-262-15031-X 
  6. a b Riddle, Larry (25 de fevereiro de 2016). «Hertha Marks Ayrton». Biographies of Women Mathematicians. Atlanta, Georgia: Agnes Scott College. Consultado em 28 de abril de 2016 
  7. «Hertha Ayrton». NNDB. N.d. Consultado em 28 de abril de 2016 
  8. Ignotofsky, Rachel (2018). As Cientistas - 52 Mulheres Intrépidas que Mudaram o Mundo. Lisboa: Bertrand. 25 páginas 
  9. Henderson, Felicity (8 de março de 2012). «Hertha Ayrton and an Embarrassing Episode in the History of the Royal Society». The Repository. London: Royal Society. Consultado em 28 de abril de 2016 
  10. Ayrton, Hertha (21 de outubro de 1910). «The Origin and Growth of Ripple-Mark». Proceedings of the Royal Society of London. A. 84 (571): 285–310. JSTOR 93297. doi:10.1098/rspa.1910.0076. Consultado em 28 de abril de 2016 

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

  • Biografia (em inglês) em "Biographies of Women Mathematicians"
  • Biografia (em inglês) em "Contributions of 20th Century Women to Physics" (CWP)
  • Biografia (em inglês) em "Jewish Women, A Comprehensive Historical Encyclopedia", por Pam Hirsch


Precedido por
Augusto Righi
Medalha Hughes
1906
Sucedido por
Ernest Howard Griffiths