Hikimayu

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa


poster for Ugetsu
Um cartaz para o filme de 1953 Ugetsu monogatari (Contos da Lua Vaga). A mulher em primeiro plano tem hikimayu.

Hikimayu (引眉?) é a prática de remover as sobrancelhas naturais e pintar manchas na testa, comum no Japão pré-moderno.

Hiki significa "puxar" e mayu significa "sobrancelha". Mulheres da aristocracia japonesa arrancavam com pinças ou raspavam suas sobrancelhas, e pintavam novas na testa, próximas à linha do cabelo, usando uma tinta em pó chamada haizumi, feita de fuligem de gergelim queimado ou óleo de colza.[1]

História[editar | editar código-fonte]

Hikimayu apareceu pela primeira vez no século VIII, quando a corte imperial japonesa passou a adotar os costumes chineses.[2] Mulheres da nobreza começaram a pintar seus rostos com um pó branco chamado oshiroi. Uma teoria suposta para a origem do hikimayu é que a remoção das sobrancelhas naturais tornava o ato de passar oshiroi mais fácil. As sobrancelhas eram desenhadas em formato de arco, como era costumeiro na China. As mulheres também passaram a pintar os dentes de preto, prática conhecida como ohaguro. O ato de arrancar as sobrancelhas se tornou ainda mais popular depois dos cortes diplomáticos com a China, ocorridos durante a dinastia Tang.[3]

Durante os últimos anos do período Heian, que terminou em 1185, até os homens pintavam seus rostos de branco, os dentes de preto e faziam hikimayu. Já entre as mulheres, a moda permaneceu por muitos séculos. Até os dias atuais, as máscaras para os papéis de jovens mulheres do teatro noh, que surgiu no século XIV, geralmente tem sobrancelhas nesse estilo .[4]

No período Edo, a partir do século XVII, hikimayu e ohaguro passaram a ser feitos apenas por mulheres casadas;[5] e quando a política de isolacionismo do Japão se encerrou, na segunda metade do século XIX, e a cultura ocidental passou a ser adotada, tomou-se que as sobrancelhas pintadas na testa e os dentes enegrecidos não eram mais apropriados para uma sociedade moderna e hikimayu e ohaguro foram banidos, em 1870.[5] Hoje em dia são utilizados apenas em dramas históricos como o noh, e, ocasionalmente, em celebrações e festivais locais.

Na cultura popular[editar | editar código-fonte]

Além do hikimayu ser presente no teatro noh, várias passagens em textos clássicos do período Heian, como Genji Monogatari e O Livro do Travesseiro, mencionam a técnica de maquiagem.[6][7]

No cinema japonês moderno, também pode ser visto em filmes clássicos, como Trono Manchado de Sangue, de Akira Kurosawa, e Contos da Lua Vaga, de Kenji Mizoguchi. Neste último, a protagonista usa sobrancelhas pintadas no estilo hikimayu em boa parte do filme, estética que pode ser vista no cartaz original de release do filme no Japão.[8]

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. «平安時代の化粧». 4 de fevereiro de 2008. Consultado em 14 de novembro de 2017 
  2. Kokushi Daijiten. Yoshikawa, 1985.
  3. «A Cultural History of Cosmetics | 日本化粧品工業連合会». www.jcia.org (em japonês). Consultado em 14 de novembro de 2017 
  4. «Introducing the world of Noh : Noh Masks. history and Types.». www.the-noh.com. Consultado em 14 de novembro de 2017 
  5. a b Cyclopedia of Japanese History / Nihonshi Daijiten. Heibonsha, 1993.
  6. SHIKIBU, Murasaki (2008). O Romance do Genji. [S.l.]: Relógio d'Água 
  7. SHONAGON, Sei (2013). O livro do travesseiro. São Paulo: 34 
  8. «The Magic of Mizo». White City Cinema (em inglês). 16 de maio de 2011