Hilde Holger

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Hilde Holger
Nome nativo Hilde Boman-Behram
Nascimento 18 de outubro de 1905
Viena, Áustria-Hungria
Morte 24 de setembro de 2001 (95 anos)
Londres, Reino Unido
Residência Camden Town
Nacionalidade Britânica, Austríaca
Cidadania Áustria, Reino Unido
Ocupação Dançarina e coreógrafa
Prêmios Condecoração de Ouro por Serviços para a Cidade de Viena
Empregador trabalhador autônomo
Causa da morte tosse
Página oficial
http://www.hildeholger.com

Hilde Boman-Behram (Viena, 18 de outubro de 1905 - Londres, 24 de setembro de 2001), nascida Hilde Sofer, nome profissional Hilde Holger, foi uma dançarina expressionista, coreógrafa e professora de dança, cujo trabalho pioneiro em dança transformou a dança moderna.[1][2]

Família[editar | editar código-fonte]

Hilde Holger 1925

A família de Hilde era judia liberal. Hilde era filha de Alfred e Elise Sofer Schreiber.[3] Seu pai escrevia poesia, mas faleceu em 1908. Seu avô fazia sapatos para a corte austríaca.

Depois de a Alemanha Nazista invadir a Áustria, Holger fugiu de Viena em 1939, e porque não lhe foi permitido entrar na Inglaterra, foi para a Índia.[4] Em Bombaim conheceu o Dr. Ardershir Kavasji Boman-Behram, com quem casou em 1940.[5] A mãe da Hilde, seu padrasto e mais 14 parentes morreram no Holocausto.

Hilda Holger teve dois filhos, sendo a primeira uma filha em 1946 na Índia, de nome Primavera Boman-Behram. No ano 1948 a família de Holger emigrou para Inglaterra.[5] Seu segundo filho foi um menino, Darius Boman-Behram, nascido em 1949 e que sofria de síndrome de Down, mas foi através disso que Holder foi inspirada a assumir o trabalho com pessoas incapacitadas fisicamente.

Trabalho[editar | editar código-fonte]

Hilde Holger começou a dançar com seis anos de idade. Sendo jovem demais para entrar na Academia Estadual de Música e Artes Dramáticas na Academia Estadual de Viena, ela começou a estudar dança de salão junto com a sua irmã (Hedi Sofer) até ser aceita para estudar com a dançarina radical Gertrud Bodenweiser,[6] que foi naquela época, professora na Academia Estadual de Viena. Eles eram admiradores do trabalho de Isadora Duncan e Ruth St. Denis. Holger logo chegou a ser a dançarina principal e grande amiga de Gertrud Bodenweiser, e viajava com a companhia dela em toda parte de Europa Ocidental e Oriental. Ela viajava também com o seu próprio grupo, o Grupo de Dança Hilde Holger. Quando tinha 18 anos fez a sua primeira apresentação a solo na Secessão Vienense, e mais tarde no Hagenbund de Viena, Paris e Berlim. A sua dança expressionista, muito elogiada, criou uma reação fora de sério. Por causa da sua paixão pela dança, no ano 1926 ela formou a Nova Escola da Arte de Movimento no Palais Ratibor bem no centro de Viena. As apresentações de crianças foram dançadas nos parques e na frente de monumentos ali. No dia 12 de março de 1938 a Alemanha Nazista mandou soldados entrarem na Áustria e criou uma lei que juntava a Alemanha com a Áustria, a Anschluss. Naquela época tornou-se ilegal para judeus participar em qualquer atividade de arte.

Holger recebeu ajuda do seu amigo Carlos Petrach para fugir da Áustria. Ela decidiu ir para a Índia porque ela disse que a arte da Índia era a mais imperiosa para a cultura ocidental naquela época.

Na Índia teve a oportunidade de usar novas experiências no seu trabalho, especialmente os gestos da dança Indiana. A dança Indiana clássica tem mais do que trezentos gestos, usados para expressar a vida e a natureza. Em 1941 Holger fundou uma nova escola de dança no Bombaim, aceitando pessoas de qualquer raça, religião e etnia, sem preconceito. Do mesmo jeito como ela fez quando ela esteve em Viena, Holger participou de novo na comunidade artística. Entre os seus amigos tinha o dançarino Indiano Ram Gopal, que também dançava na escola de Holger. Em 1948 ela mudou de novo por causa da Partição da Índia e a violência que estava crescendo entre muçulmanos e hindus. Desta vez Hilde partiu para Londres.

Depois de chegar ao Reino Unido, o seu Grupo Moderno de Ballet se apresentava nos parques, nas igrejas e nos teatros. Mais uma vez ela abriu uma nova escola de dança – A Escola da Hilde Holger de Dança Contemporânea e ficou fiel ao estilo de sempre - que o corpo e a mente tem que formar uma só unidade, para que o dançarino seja o melhor. O progresso mais importante que ela consiguio em Londres, no ano 1951, Holger celebrou na estreia de “Sob o Mar”, que foi inspirado pela composição por Camille Saint-Saëns.

Em 1972 ela apresentou uma dança chamada “Homem contra Dilúvio” para honrar o Rewi Alley, membro do Partido Comunista da China. Esta dança incluiu participantes que formaram uma parede humana contra uma inundação de água.[7]

A sua interpretação “Apsaras” (1983) explorou a suas experiências na Índia. No verão de 1983 Holger voltou para a Índia, aonde ela tinha ficada no ano 1948. Foi lá que ela trabalhava como coreógrafa para um grupo grande de dança dirigido por Sachin Shankar.

Holger tinha orgulho especial do seu trabalho com as pessoas mentalmente deficientes. Ela criou uma forma de terapia de dança para crianças, que, como o seu próprio filho Darius, sofreu de síndrome de Down. Holger era a primeira pessoa que integrou dançarinos profissionais com jovens e adultos que tinha incapacidades sérias. Ela realizou seu sonho em 1968 em Sadler's Wells, quando ela criou “Em direção para a Luz” com música por Edward Grieg. Foi trabalho pioneiro e uma das primeiras apresentações de dança integrada a ser realizada num palco profissional.[8]

Obra de Toda Vida[editar | editar código-fonte]

Hilde Holger deixou uma marca muito forte em três gerações de dançarinos, e em quem trabalhava com coreografia. Quando ela estava ensinando, suas expectativas eram altas e ela não tinha medo de corer riscos. Ela aceitava as pessoas sem preconceito, inclusive aquelas que eram incapacitadas. Ela apenas esperava sinceridade na parte de todos.

Um dos seus alunos, por nome Wolfgang Stange, continuou o trabalho que ela começou com pessoas incapacitadas, como aquelas que sofriam de Síndrome de Down, ou de autismo, do mesmo jeito que ela aceitou qualquer pessoa incapacitada fisicamente. A Companhia de Stange, chamada Companhia de Teatro de Dança na Grã-Bretanha criou “HILDE” que foi apresentada no teatro “Margem de Rio” em Londres no ano 1996, e também no Ódeon em Viena em 1998. Esta apresentação de “HILDE” em Viena emocionou o Mestre de Balé da Casa Estadual de Ópera e Balé de Viena de tal maneira, que ele apresentou uma interpretação no palco da casa de ópera, feita por pessoas com problemas de aprendizagem que foi recebida com muitos aplausos.

Nas últimas semanas da sua vida Holger continuou dando aulas de dança no estúdio dela em Camden Town, Londres, onde morava há mais de cinquenta anos. Entre os alunos dela estão Liz Aggiss, Jane Asher, Primavera Boman, Carol Brown, Carl Campbell, Sophie Constanti, Jeff Henry, Ivan Illich, Luke Jennings, Thomas Kampe, Claudia Kappenberg, Cecilia Keen Abdeen, Lindsay Kemp,[9][10] Juliet Miangay-Cooper, Royston Maldoom OBE, Anna Niman, David Niman, Litz Pisk, Kristina Rihanoff, Kelvin Rotardier, Feroza Seervai, Rebecca Skelton, Marion Stein, Sheila Styles, Jacqueline Waltz e Vally Wieselthier.

Referências

  1. «Hilde Holger». Central European Expressionist Dancer (em inglês). www.hildeholger.com. 2007. Consultado em 18 de dezembro de 2012. Arquivado do original em 14 de novembro de 2006 
  2. «Hilde Holger». Central European Expressionist Dancer (em inglês). www.50yearsindance.com. 2011. Consultado em 12 de fevereiro de 2016. Arquivado do original em 12 de fevereiro de 2016 
  3. Marina Sassenberg. «Hilde Holger» (em inglês). Jewish Woman’s Archive. Consultado em 18 de dezembro de 2012 
  4. Julia Pascal (8 de março de 2000). «Adi Boman». Scientist on an unresolved search for a cancer cure (em inglês). The Guardian. Consultado em 18 de dezembro de 2012 
  5. a b «Ardeshir Kavasji Boman Behram 1909–2000» (em inglês). sueyounghistories.com. 22 de dezembro de 2008. Consultado em 18 de dezembro de 2012 
  6. Vernon-Warren, B. and Warren, C. (Eds) (1999) Contribuição de Gertrud Bodenwieser e Viena para Ausdruckstanz. Routledge. ISBN 90-5755-035-0, pg. 22
  7. Lei, W. (1972-10-28) Homem contra Dilúvio (em chinês). The Hong Kong New Evening Post.
  8. Julia Pascal (26 de setembro de 2001). «Hilde Holger». As a dancer and teacher she kept the spirit of German expressionism alive in London (em inglês). The Guardian. Consultado em 27 de dezembro de 2012 
  9. «Lindsay Kemp obituary». The Guardian. 2018. Consultado em 9 de setembro de 2018 
  10. «British choreographer and mime Lindsay Kemp dies». The Guardian. 2018. Consultado em 9 de setembro de 2018 

Literatura[editar | editar código-fonte]

  • Denny Hirschbach, Rick Takvorian (Hg.): O Poder da Dança. Hilde Holger. Wien.Bombay.London.Bremen: characters + tracks 1990. ISBN 3-924588-19-8

Ligações externas[editar | editar código-fonte]