Hiperêmese gravídica

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Hiperêmese gravídica
Classificação e recursos externos
CID-10 O21.1
CID-9 643.1
MedlinePlus 001499

Hiperémese gravídica (português europeu) ou hiperêmese gravídica (português brasileiro) é uma complicação da gravidez caracterizada por náuseas e vómitos de tal forma graves que provocam perda de peso e desidratação.[1] Entre os sinais e sintomas estão vómitos várias vezes ao dia e sensação de desmaio. Os sintomas são mais graves do que os do enjoo matinal. Muitas vezes os sintomas melhoram após a 20ª semana de gestação, mas podem durar a gravidez completa.[2] Em termos técnicos, a hiperémese gravídica define-se como mais de três episódios de vómitos por dia que causem a perda de 5% ou 3 quilos de peso e com presença de corpos cetónicos na urina.[3]

Desconhece-se a causa exata da hiperémese gravídica.[3] Os fatores de risco incluem a primeira gravidez, gravidez múltipla, obesidade, episódio anterior de hiperémese gravídica, historial da doença na família, doença trofoblástica gestacional e historial de perturbações alimentares.[3][4] O diagnóstico tem por base os sinais e sintomas.[3] Devem ser excluídas outras potenciais causas para os sintomas, incluindo infeções do trato urinário e hipertiroidismo.[5]

O tratamento consiste em beber líquidos e numa dieta suave.[2] As recomendações podem incluir terapia de reidratação oral, tiamina e uma dieta rica em proteínas.[3][6] Algumas mulheres podem necessitar de soro por via intravenosa.[2] Em termos de medicação, a piridoxina e a metoclopramida são preferenciais.[5] No caso de não serem eficazes, podem ser usadas proclorperazina, dimenidrinato ou ondansetrona.[3][5] Em alguns casos pode ser necessária hospitalização. A psicoterapia pode melhorar o prognóstico. As evidências da eficácia da acupressão são de fraca qualidade.[3]

Estima-se que a hiperémse gravídica afete entre 0,3 e 2% das grávidas.[7] Embora antigamente fosse uma das causas mais comuns de morte durante a gravidez, com tratamento adequado esta situação é atualmente muito rara.[8][9] As mulheres afetadas apresentam baixo risco de aborto espontâneo, mas risco elevado de parto prematuro.[4] Algumas mulheres optam por interromper a gravidez devido aos sintomas.[6] Embora os vómitos durante a gravidez já tenham sido descritos desde pelo menos 2000 a.C., a primeira descrição médica clara da hiperémese gravídica foi feita em 1852 por Antoine Dubois.[10]

Referências

  1. «Management of hyperemesis gravidarum.». Drug Ther Bull [S.l.: s.n.] 51 (11): 129–9. November 2013. doi:10.1136/dtb.2013.11.0215. PMID 24227770. 
  2. a b c «Pregnancy». Office on Women's Health. September 27, 2010. Consultado em 5 December 2015. 
  3. a b c d e f g Jueckstock, JK; Kaestner, R; Mylonas, I (15 July 2010). «Managing hyperemesis gravidarum: a multimodal challenge.». BMC medicine [S.l.: s.n.] 8: 46. doi:10.1186/1741-7015-8-46. PMC 2913953. PMID 20633258. 
  4. a b Ferri, Fred F. (2012). Ferri's clinical advisor 2013 5 books in 1 1st ed. Elsevier Mosby [S.l.] p. 538. ISBN 9780323083737. 
  5. a b c Sheehan, P (September 2007). «Hyperemesis gravidarum—assessment and management» (PDF). Australian Family Physician [S.l.: s.n.] 36 (9): 698–701. PMID 17885701. 
  6. a b Gabbe, Steven G. (2012). Obstetrics : normal and problem pregnancies 6th ed. Elsevier/Saunders [S.l.] p. 117. ISBN 9781437719352. 
  7. Goodwin, TM (September 2008). «Hyperemesis gravidarum». Obstetrics and gynecology clinics of North America [S.l.: s.n.] 35 (3): 401–17, viii. doi:10.1016/j.ogc.2008.04.002. PMID 18760227. 
  8. Kumar, Geeta (2011). Early Pregnancy Issues for the MRCOG and Beyond Cambridge University Press [S.l.] p. Chapter 6. ISBN 9781107717992. 
  9. DeLegge, Mark H. (2007). Handbook of home nutrition support (Sudbury, Mass.: Jones and Bartlett). p. 320. ISBN 9780763747695. 
  10. Davis, Christopher J. (1986). Nausea and Vomiting : Mechanisms and Treatment Springer [S.l.] p. 152. ISBN 9783642704796.