História da Internet no Brasil

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A Internet no Brasil se desenvolveu junto ao meio acadêmico e científico no final dos anos 1980, e no seu início, o acesso era restrito a professores e funcionários de universidades e instituições de pesquisa.

Somente em maio de 1995 a internet deixou de ser privilégio das universidades e da iniciativa privada para se tornar de acesso público. Desde então o número de provedores que oferecem o serviço e número de usuários que utilizam este recurso aumentam a cada ano, foi realizada uma reunião na Universidade de São Paulo, na qual estavam presentes representantes do governo e da Embratel, com o objetivo de criar uma rede que visava interligar a comunidade acadêmica e científica do Brasil com outros países com a finalidade de trocar informações.

Trajetória[editar | editar código-fonte]

Em 1988, o Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC) conseguiu se conectar a Universidade de Maryland, acessando a Bitnet (Because It's Time Network),[1] que era uma rede que permitia a troca de mensagens. No mesmo ano, em São Paulo, a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) se conectou ao Fermi National Accelerator Laboratory (Fermilab) em Chicago, também por meio da Bitnet. Em 1989, a Universidade Federal do Rio de Janeiro também se conectou à Bitnet através de uma universidade americana, tornando-se a terceira instituição a ter acesso a essa tecnologia. Nesse ano, foi criada, com o apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), a Rede Nacional de Pesquisa (RNP),[2] que durante a década de 1990 foi a responsável por fornecer acesso a internet a aproximadamente 600 instituições, ou seja, por volta de 65 mil usuários. No ano de 1991 o acesso a rede de informações, já denominada internet, já era utilizada também por órgãos do governo e instituições educacionais de pesquisa. Nessa época a internet era utilizada para transferências de arquivos, debates e acesso a base de dados nacionais e internacionais.

O Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase) trata-se de uma instituição autônoma que tinha como um dos seu objetivos levar informação à sociedade civil, incluindo o acesso a rede de computadores. Pioneiros no assunto, na década de 1980, o Ibase ligou-se a uma instituição internacional a qual visava a troca de informações entre organizações não governamentais por meio de correio eletrônico. Em 1989, o Ibase juntamente com o Institute for Global Communications, dos Estados Unidos e outras agências internacionais, colocaram em funcionamento o Alternex, que era um serviço de troca de mensagens e conferências eletrônicas, inovador no país.

Em 1992, ocorreu a implantação de uma rede que cobria grande parte do país. Inicialmente interligava onze estados, uma rede de equipamentos e linhas de comunicação que compunham o que se pode chamar de central da RNP. No ano seguinte a BBS Canal Vip, que foi criada em 1986 por Paulo Cesar Breim, e é o primeiro sistema do Brasil a oferecer uma conta de email internet, gratuita, a qualquer pessoa.[3] Nos anos seguintes, seguiu-se o processo de divulgação dos benefícios da internet entre os estudantes e empresas privadas. Em 1994, alunos da USP criaram inúmeras páginas na Web. Somente em 1995 (com os sistemas implantados a partir de 1992) foi realizada a primeira transmissão a longa distância entre os estados, realizada por São Paulo e Rio Grande do Sul, e finalmente neste mesmo ano foi liberada a operação comercial no Brasil.[4] No mesmo ano, foi criado o Comitê Gestor da Internet no Brasil, com a atribuição de coordenar e integrar todas as iniciativas de serviços Internet no país, promovendo a "qualidade técnica", a inovação e a disseminação dos serviços ofertados.

Em 1996 surgem os dois primeiros portais de internet privados do Brasil: o Zaz[5] e UOL. No ano seguinte, alguns orgãos publicos foram informatizados. O governo também desenvolve um serviço permitindo a entrega da declaração do Imposto de renda por meio da Internet.

Em 2000, surgem as primeiras provedoras de acesso gratuito, como o iG.[6] Ainda com conexão discada, essas provedoras eram financiadas por meio de propagandas e banners colocados sobre o navegador. O modelo se provou insustentável; no mesmo ano, essas provedoras começaram a fechar. Ainda no mesmo ano, surgem as primeiras provedoras de acesso por tecnologias de banda larga como o ADSL, aumentando a qualidade da conexão e permitindo pela primeira vez a transmissão de vídeo.

A partir de 2004, com o advento das redes sociais, mais notavelmente o Orkut e posteriormente o Facebook, a Internet começa a se popularizar como uma mídia de massa no Brasil e, a partir de 2007, com o surgimento dos primeiros smartphones e da conexão 3G, passa a estar disponível também em dispositivos móveis.

Em 2016, pela primeira vez, mais de 50% dos domicílios brasileiros estão conectados à Internet.[7]

Cronologia[editar | editar código-fonte]

Os fatos que marcaram a história da internet no Brasil estão listados abaixo cronologicamente.

  • 1989 — Delegação do Código de País de Domínio de topo (ccTLD) .br ao Brasil;
  • 1993 — A BBS Canal Vip, criada em 1986 por Paulo Cesar Breim, é o primeiro sistema do Brasil a oferecer uma conta de email gratuita, a qualquer pessoa.
  • 1995 — Criação do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br); site do Jornal do Brasil
    • Realizada a primeira transmissão (com os sistemas implantados a partir de 1992) de dados por São Paulo e Rio Grande do Sul
    • Canal Vip recebe primeiro IP comercial no Brasil e registra o primeiro domínio.com do Brasil: canalvip.com.br.
    • Primeiros sites de empresas; sites do Biquini Cavadão e Barão Vermelho são os primeiros de música a entrar no ar. UOL entra no ar; fundação da MediaLab, uma das primeiras agências digitais do País
  • 1996 — Nasce a primeira rede de IRC brasileira, a Brasirc.com.br.
  • 1997 — Pela primeira vez o imposto de renda pode ser entregue pela internet;
  • 1999 — A UOL lança um software de conversação instantânea;
  • 2000 — Lançamento do iG e da Globo.com; primeiras conexões de banda larga.
  • 2003 — É fechado um acordo de colaboração entre América Latina e Estados Unidos que beneficia pesquisadores e instituições, permitindo a conexão e a troca de tráfego entre as duas redes.
  • 2004 — Lançamento do Orkut, rede social da Google que se tornou o primeiro fenômeno de massa pela Internet no Brasil.
    • Vivo implanta a primeira rede de conexão móvel 3G no Brasil.
  • 2007 — Ocorre a implantação do sistema de televisão digital no Brasil.
  • 2011 — Início das operações da Netflix no Brasil.
  • 2012 — O Facebook se torna a rede social mais usada no Brasil, ultrapassando o Orkut.
    • "Não Faz Sentido" se torna o primeiro canal brasileiro no YouTube a ultrapassar um milhão de inscritos.[8]
  • 2013 — Mobilizações políticas em redes sociais dão início às Jornadas de Junho, primeira grande mobilização popular brasileira no século XXI.
  • 2014 — Entra em vigor o Marco Civil da Internet.
    • O Uber começa a operar no Rio de Janeiro.
    • Pela primeira vez, a Internet passa a atingir mais de 50% dos domicílios no Brasil.
  • 2016 — Compras pela Internet no Brasil superam as compras em lojas físicas.[9]

Referências

  1. «Primórdios da rede | Revista Pesquisa Fapesp». Consultado em 19 de julho de 2017 
  2. «Nossa história | RNP». www.rnp.br. Consultado em 19 de julho de 2017 
  3. «Internet comercial brasileira completa 20 anos - Link - Estadão». Estadão 
  4. TecMundo (6 de agosto de 2009). «A história da conexão». TecMundo - Descubra e aprenda tudo sobre tecnologia 
  5. «Folha de S.Paulo - Zaz leva cara da TV para a Internet - 4/12/1996». www1.folha.uol.com.br. Consultado em 19 de julho de 2017 
  6. «Pioneiro na internet, iG completa 15 anos - Home - iG». Último Segundo 
  7. «Pesquisa mostra que 58% da população brasileira usam a internet». Agência Brasil - Últimas notícias do Brasil e do mundo 
  8. «'Não Faz Sentido' é o primeiro canal BR a ter 1 milhão de inscritos no YouTube». TechTudo 
  9. «Brasileiros já compram mais pela internet do que em lojas físicas». O Globo. 1 de março de 2016 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]